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Ibovespa Futuro sobe antes do segundo turno com empate entre Lula e Flávio Bolsonaro

Mercado acompanha pesquisa Datafolha, inflação abaixo das expectativas, balanço do Bradesco (BBDC4) e petróleo acima de US$ 114 no último pregão antes da eleição presidencial.

por Camila Braga
23/10/2026 às 10h26
em Ibovespa
Ibovespa Hoje - Gazeta Mercantil

O Ibovespa Futuro iniciou as negociações desta sexta-feira (23) em alta, no último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para domingo (25). Por volta das 9h02, o contrato avançava 0,44%, aos 207.000 pontos, enquanto investidores avaliavam a pesquisa Datafolha que apontou empate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A proximidade da votação, combinada com a divulgação da prévia da inflação oficial e novos balanços corporativos, coloca o mercado financeiro diante de uma sessão marcada por múltiplos fatores de risco. No exterior, a valorização do petróleo e as perdas nos futuros de Wall Street acrescentam pressão ao ambiente de cautela.

O principal destaque político é o levantamento Datafolha divulgado na quinta-feira (22), que mostrou Lula e Flávio Bolsonaro com 50% dos votos válidos cada um. A pesquisa representa um estreitamento da disputa em relação à rodada anterior, quando o candidato do PL tinha 51% das intenções de voto, contra 49% do atual presidente. Nos votos totais, Flávio aparece com 47%, enquanto Lula registra 46%, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O resultado reforça a percepção de uma eleição altamente competitiva, sem definição clara de vencedor às vésperas da votação.

Além do cenário eleitoral, o mercado recebeu nesta manhã os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador avançou 0,32% em outubro, abaixo das projeções dos economistas, após registrar alta de 0,70% em setembro. No acumulado de 2026, a inflação medida pelo índice alcançou 4,15%, enquanto a variação em 12 meses ficou em 4,62%. A combinação de desaceleração mensal e inflação acumulada ainda elevada exige uma leitura cuidadosa sobre as perspectivas dos juros.

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Eleições 2026 aumentam incerteza na Bolsa brasileira

A disputa presidencial tornou-se um dos principais fatores de precificação dos ativos domésticos, especialmente diante das diferenças entre as propostas econômicas dos candidatos. Investidores acompanham possíveis mudanças na condução da política fiscal, na trajetória da dívida pública e nas relações do governo com empresas estatais. As expectativas sobre o resultado eleitoral podem influenciar diretamente as negociações de ações, contratos futuros de juros e câmbio. Entretanto, as movimentações de curto prazo não representam necessariamente uma avaliação definitiva sobre os efeitos econômicos de cada candidatura.

O Datafolha entrevistou 2.520 eleitores entre 20 e 22 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09709/2026. Na primeira rodada da pesquisa durante o segundo turno, Flávio Bolsonaro aparecia com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula, diferença que caiu para 51% a 49% na semana seguinte. A nova rodada apresenta empate numérico, embora as oscilações observadas estejam dentro da margem de erro.

Nesta sexta-feira, o mercado também acompanha a divulgação de novos levantamentos eleitorais, incluindo pesquisas de Alfa Inteligência, Ipespe/Abrapel, Real Time Big Data, Veritá e Vox Brasil. A programação política terá ainda o debate presidencial da TV Globo, previsto para a noite, último confronto televisivo entre os candidatos antes da votação. Eventuais mudanças na percepção sobre o desempenho de Lula e Flávio Bolsonaro poderão afetar as expectativas para a abertura do mercado na próxima semana. Como a Bolsa brasileira não funciona durante o fim de semana, os investidores terão de administrar o risco de carregamento de posições até a definição do resultado eleitoral.

IPCA-15 abaixo do esperado coloca juros no centro das atenções

O resultado da prévia da inflação oferece um contraponto econômico às incertezas políticas. A alta de 0,32% em outubro representa desaceleração de 0,38 ponto percentual em relação a setembro e ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado. O desempenho pode favorecer a avaliação de que parte das pressões inflacionárias perdeu intensidade no período recente. Ainda assim, o resultado de um único mês não é suficiente para caracterizar uma mudança definitiva na tendência dos preços.

A inflação acumulada em 12 meses passou de 4,47% em setembro para 4,62% em outubro, permanecendo acima do limite superior de 4,5% do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central. Esse comportamento demonstra que uma desaceleração mensal pode coexistir com a aceleração da inflação anual, dependendo da comparação com os índices registrados no ano anterior. Para a política monetária, a evolução dos preços de serviços, alimentos, energia e demais componentes da inflação continuará sendo relevante. A autoridade monetária também deverá considerar as expectativas futuras e as condições de atividade econômica antes de decidir sobre os juros.

O mercado de renda variável tende a acompanhar especialmente a reação dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), que refletem expectativas para a trajetória das taxas de juros. Uma eventual redução dos juros esperados pode beneficiar empresas mais dependentes de financiamento, como varejistas, construtoras e companhias com maior endividamento. Em sentido contrário, a manutenção de expectativas elevadas para a Selic pode limitar o apetite por ações, ao tornar aplicações de renda fixa relativamente mais atraentes. O efeito líquido do IPCA-15 dependerá também da intensidade do risco eleitoral e das condições externas.

Bradesco (BBDC4) entra no radar após lucro de R$ 7,1 bilhões

No noticiário corporativo, investidores avaliam os resultados do Bradesco (BBDC4), que divulgou seu balanço do terceiro trimestre de 2026 na noite de quinta-feira (22). O banco registrou lucro líquido recorrente de aproximadamente R$ 7,1 bilhões, crescimento de 14,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho ficou próximo das projeções de analistas, indicando continuidade da recuperação de rentabilidade da instituição financeira. A companhia também anunciou a renovação de seu programa de recompra de ações.

O crescimento do lucro, contudo, não elimina os desafios relacionados à qualidade da carteira de crédito. A inadimplência superior a 90 dias alcançou 4,6%, enquanto as provisões para perdas esperadas aumentaram diante de um ambiente ainda exigente para consumidores e empresas. A carteira de crédito expandida chegou a aproximadamente R$ 1,15 trilhão, crescimento anual de cerca de 11%. Esses indicadores mostram que o avanço dos negócios precisa ser analisado em conjunto com o custo do risco e a capacidade de pagamento dos clientes.

O desempenho do Bradesco também oferece sinais sobre a situação do sistema bancário brasileiro em um período de juros elevados e desaceleração econômica. A expansão das operações de crédito pode sustentar receitas futuras, mas também aumenta a importância do acompanhamento da inadimplência. Para os investidores, a sustentabilidade da rentabilidade dependerá da evolução das margens financeiras, das despesas operacionais e das provisões. O programa de recompra acrescenta outro elemento à avaliação das ações, embora seu impacto dependa do volume efetivamente executado.

Petróleo Brent supera US$ 114 e amplia pressão internacional

No mercado internacional, o petróleo Brent operava acima de US$ 114 por barril nesta sexta-feira, sustentado pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. Novos ataques dos houthis contra a Arábia Saudita aumentaram as preocupações sobre a segurança das instalações e das rotas de fornecimento de energia. Relatos sobre possíveis ações militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã também contribuíram para elevar a percepção de risco geopolítico. As cotações caminhavam para a terceira semana consecutiva de valorização.

Para o mercado brasileiro, o avanço do petróleo produz efeitos potencialmente distintos entre os setores da Bolsa. Empresas produtoras e exportadoras, como a Petrobras (PETR4) e outras companhias de exploração de petróleo, podem se beneficiar de preços internacionais mais elevados, dependendo de seus custos e políticas comerciais. Por outro lado, a valorização da commodity aumenta os riscos de pressão sobre combustíveis, transporte e custos industriais. Esse movimento pode dificultar a desaceleração da inflação e alterar as expectativas para a política monetária.

A relação entre o petróleo e os ativos brasileiros também depende do comportamento do dólar. Como a commodity é negociada internacionalmente na moeda americana, oscilações cambiais afetam sua conversão para reais e os custos de importação. A combinação de petróleo valorizado e câmbio pressionado tende a produzir efeitos mais intensos sobre setores consumidores de energia. Já uma valorização do real pode amortecer parte dessas pressões, sem eliminar completamente o impacto dos preços internacionais.

Dólar futuro recua e bolsas americanas apresentam perdas

No mercado de câmbio, o dólar futuro negociado na B3 apresentava recuo de 0,04%, cotado a aproximadamente R$ 5,060 nos primeiros negócios. A oscilação moderada indica que, naquele momento, não havia uma movimentação direcional expressiva no contrato, apesar da proximidade da eleição presidencial. Entretanto, a reação cambial ao longo do dia poderá mudar com a divulgação de pesquisas eleitorais e a evolução do cenário internacional. As expectativas fiscais e a posição dos investidores estrangeiros continuam relevantes para o comportamento da moeda americana.

Em Wall Street, os principais contratos futuros operavam em queda durante a manhã. O Dow Jones Futuro recuava 0,59%, enquanto o S&P 500 apresentava baixa de 0,22% e o Nasdaq Futuro perdia 0,02%. Os investidores americanos acompanhavam a alta do petróleo e as dúvidas sobre o retorno financeiro dos grandes investimentos em inteligência artificial. O ambiente internacional menos favorável pode limitar a valorização dos ativos brasileiros, mesmo diante de indicadores domésticos considerados positivos.

Na Ásia, as bolsas encerraram a sessão sem direção única, refletindo preocupações com energia, tecnologia e perspectivas econômicas. No Japão, o núcleo da inflação ao consumidor acelerou para 2,1% em setembro, ante 1,7% em agosto, superando a meta de 2% do Banco do Japão pela primeira vez em nove meses. O resultado reforçou as discussões sobre a condução da política monetária japonesa e os efeitos da desvalorização do iene. Na China, o minério de ferro avançou na sessão, favorecido pela redução dos estoques portuários, mas acumulou sua sétima semana consecutiva de perdas.

O que pode determinar o desempenho do Ibovespa nesta sexta-feira

A última sessão antes do segundo turno reúne três forças que podem atuar em direções diferentes sobre a Bolsa brasileira. A inflação mensal abaixo das expectativas tende a melhorar a percepção sobre a trajetória dos juros, enquanto os resultados corporativos oferecem elementos específicos para avaliação das ações. Em contrapartida, a indefinição eleitoral e a alta internacional do petróleo podem ampliar a aversão ao risco. O resultado dependerá do peso atribuído pelos investidores a cada uma dessas variáveis.

Outro elemento relevante é a diferença entre o Ibovespa Futuro e o Ibovespa à vista. O contrato futuro negocia expectativas sobre o índice em uma data posterior e incorpora fatores como juros e prazo até o vencimento, razão pela qual suas pontuações não devem ser interpretadas como equivalentes. A alta de 0,44%, aos 207.000 pontos, registrada às 9h02, representa uma fotografia dos primeiros negócios no mercado futuro, não o desempenho definitivo da Bolsa nesta sexta-feira. A evolução do índice à vista dependerá das negociações realizadas durante o pregão regular.

A proximidade da eleição também poderá estimular ajustes de carteiras e estratégias de proteção contra oscilações inesperadas. Investidores institucionais podem reduzir exposições, reforçar posições defensivas ou utilizar derivativos para administrar o risco de abertura dos mercados na segunda-feira (26). Esse comportamento pode elevar a volatilidade, especialmente diante de novas pesquisas eleitorais divulgadas nas horas finais da campanha. A intensidade desses ajustes dependerá da liquidez e das expectativas sobre a diferença entre os candidatos.

Para o mercado financeiro, a questão central é como o resultado das eleições poderá influenciar as expectativas de política econômica a partir de 2027. O comportamento da dívida pública, as perspectivas para a inflação e os juros e a orientação do próximo governo em relação ao investimento privado deverão ganhar maior relevância após a votação. Até lá, o Ibovespa permanece sujeito a movimentos de curto prazo associados às pesquisas eleitorais, aos indicadores econômicos e ao cenário internacional. A sessão desta sexta-feira representa, portanto, o último momento de negociação antes de os investidores conhecerem a decisão dos eleitores brasileiros.

Fontes

B3 — Informações de negociação e especificações dos contratos futuros de Ibovespa e dólar.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — IPCA-15 de outubro de 2026, divulgado em 23 de outubro.

Datafolha — Pesquisa de intenção de voto para o segundo turno, divulgada em 22 de outubro de 2026, registro TSE BR-09709/2026.

Banco Bradesco — Relatório de Análise Econômica e Financeira do terceiro trimestre de 2026.

Banco Bradesco — Fato relevante sobre renovação do programa de recompra de ações, divulgado em 22 de outubro de 2026.

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