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Ibovespa hoje fecha em queda de 2,38% com pressão de Petrobras, Vale e bancos

Bolsa brasileira perdeu os 184 mil pontos em sessão marcada por aversão ao risco no exterior, balanços corporativos, juros futuros em alta e cautela após encontro entre Lula e Trump

por Camila Braga - Repórter de Economia
07/05/2026 às 18h46 - Atualizado em 14/05/2026 às 12h28
em Ibovespa, Destaque, Mercados, Notícias
Ibovespa Hoje Em Queda - Gazeta Mercantil

O Ibovespa hoje fechou em forte queda nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, pressionado por ações de Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), grandes bancos e companhias que divulgaram balanços do primeiro trimestre. O principal índice da B3 recuou 2,38%, aos 183.218,26 pontos, em uma sessão marcada por cautela no mercado internacional, incertezas sobre o conflito envolvendo o Irã, oscilação do petróleo, alta dos juros futuros e expectativa em torno do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.

A queda interrompeu uma sequência de duas altas consecutivas do índice e representou perda de 4.472,60 pontos no pregão. O volume financeiro somou R$ 31,90 bilhões. Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a 187.779,31 pontos, enquanto a mínima foi registrada em 182.867,75 pontos, refletindo a deterioração do apetite por risco ao longo da tarde.

O dólar comercial também teve um dia de instabilidade. A moeda norte-americana fechou em leve alta de 0,05%, cotada a R$ 4,923 na venda, depois de oscilar entre R$ 4,896 e R$ 4,931. O movimento ocorreu em meio à valorização global do dólar, com o índice DXY avançando 0,14%, aos 98,15 pontos.

No mercado de juros, os contratos de Depósito Interfinanceiro terminaram em alta por toda a curva, apesar de terem iniciado o dia em queda. A mudança de direção reforçou a percepção de maior cautela dos investidores diante do cenário externo, das incertezas fiscais e da expectativa de uma política monetária ainda restritiva no Brasil.

Petrobras, Vale e bancos puxam queda da Bolsa

O desempenho negativo do Ibovespa hoje foi concentrado em alguns dos papéis de maior peso do índice. Petrobras (PETR4) caiu 2,22%, acompanhando a queda do petróleo no exterior e ampliando as perdas registradas na véspera. O recuo da commodity reduziu o apetite por ações ligadas ao setor de óleo e gás, especialmente em um contexto de elevada volatilidade geopolítica.

Vale (VALE3) também pressionou o índice, com baixa de 1,43%. O papel acompanhou o tom negativo para commodities e contribuiu para a deterioração do desempenho da Bolsa brasileira. Como Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) têm peso relevante na composição do Ibovespa, movimentos negativos simultâneos nessas ações tendem a ampliar a pressão sobre o índice.

Os bancos também tiveram participação decisiva na queda. Bradesco (BBDC4) recuou 3,89% após a divulgação de seu balanço do primeiro trimestre. Embora o banco tenha apresentado crescimento do lucro na comparação trimestral e anual, investidores reagiram com cautela à qualidade dos resultados e à percepção sobre o ritmo de recuperação da instituição.

O movimento contaminou outros papéis do setor financeiro. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,72%, Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 2,37% e Santander (SANB11) recuou 3,10%. A queda conjunta dos grandes bancos reforçou o tom defensivo do pregão e pesou sobre o desempenho geral do mercado acionário.

Temporada de balanços aumenta volatilidade na B3

A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 foi outro fator central para o comportamento do Ibovespa hoje. Diversas companhias divulgaram números ao mercado, provocando ajustes relevantes nos preços das ações.

Rede D’Or (RDOR3) foi um dos principais destaques negativos da sessão, com queda de 6,47%. Apesar de parte do mercado ter considerado o resultado resiliente, algumas linhas do balanço frustraram expectativas e levaram investidores a reduzir posições no papel.

As ações de Vamos (VAMO3) tiveram a maior baixa do índice, com recuo de 7,48%. Axia Energia também apareceu entre as principais perdas, com Axia Energia (AXIA6) caindo 6,48% e Axia Energia (AXIA3) recuando 5,95%. TIM (TIMS3) completou a lista de maiores quedas, com baixa de 5,77%.

Na ponta positiva, SmartFit (SMFT3) liderou os ganhos do Ibovespa, com alta de 11,66%, após divulgar resultado trimestral acima das expectativas. A companhia reportou lucro líquido recorrente de R$ 207 milhões no primeiro trimestre, crescimento de 47% sobre o mesmo período do ano anterior, além de avanço no Ebitda e melhora de margem.

Totvs (TOTS3) também teve desempenho expressivo, com valorização de 9,46%, impulsionada por um balanço considerado forte, especialmente na divisão de Gestão. Minerva (BEEF3) avançou 3,78%, mesmo após queda no lucro, enquanto Natura (NATU3) subiu 1,71%. Lojas Renner (LREN3) ganhou 1,70%.

Apesar dessas altas pontuais, o saldo do pregão foi amplamente negativo. Apenas um grupo restrito de ações conseguiu encerrar no campo positivo, enquanto os papéis mais líquidos e de maior peso atuaram majoritariamente em baixa.

Exterior pesa com incerteza sobre Irã e petróleo

O cenário internacional também contribuiu para a pressão sobre o Ibovespa hoje. Nos Estados Unidos, os principais índices acionários fecharam em queda após uma sessão de indefinição. O Dow Jones recuou 0,64%, o S&P 500 perdeu 0,38% e o Nasdaq caiu 0,13%.

Investidores globais acompanharam a falta de uma resposta definitiva do Irã à proposta apresentada pelos Estados Unidos para conter o conflito no Oriente Médio. A indefinição elevou a cautela, mesmo com a expectativa de um acordo parcial para reduzir tensões e permitir maior normalização do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

A volatilidade do petróleo também influenciou o humor dos mercados. O Brent com vencimento em junho fechou em queda de 1,19%, a US$ 100,06 por barril. O WTI para o mesmo vencimento recuou 0,28%, a US$ 94,81. Durante parte do dia, os contratos chegaram a registrar quedas mais fortes, refletindo expectativas de alívio no risco de oferta.

Para a Bolsa brasileira, a combinação entre petróleo em baixa, incerteza geopolítica e queda em Wall Street reduziu o espaço para recuperação. O movimento atingiu diretamente Petrobras (PETR4), mas também afetou o sentimento sobre ativos emergentes e empresas expostas ao ciclo global de commodities.

Encontro entre Lula e Trump fica no radar do mercado

No campo político, o encontro entre Lula e Donald Trump, na Casa Branca, foi acompanhado de perto por investidores. A reunião, inicialmente prevista para cerca de uma hora, durou quase três horas e abordou temas como comércio, tarifas, investimentos e relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.

Após o encontro, Trump afirmou em rede social que a reunião com Lula havia sido “muito boa” e que as discussões continuariam entre representantes das duas administrações. O governo brasileiro classificou a conversa como “muito produtiva”.

Lula, em entrevista na embaixada brasileira em Washington, disse que o Brasil está aberto a parcerias com os Estados Unidos e outros países, mas afirmou que o País não abre mão de sua soberania. O presidente também declarou que há divergências comerciais entre os dois governos, mas manifestou otimismo quanto à possibilidade de solução.

Apesar da relevância institucional da reunião, o mercado não identificou anúncios concretos capazes de alterar de forma imediata expectativas econômicas, projeções fiscais ou o cenário eleitoral. A ausência de novidades mais objetivas contribuiu para manter o tom de espera entre investidores.

A pauta envolvendo terras raras, comércio exterior e eventual retomada de investimentos norte-americanos no Brasil permaneceu no radar, mas sem efeitos diretos sobre os preços dos ativos no fechamento do pregão.

Produção industrial surpreende, mas juros seguem no centro da preocupação

No cenário doméstico, a produção industrial de março veio levemente acima das expectativas e reforçou a leitura de que a atividade econômica manteve resiliência no primeiro trimestre de 2026. O dado contribuiu para sustentar a percepção de um PIB mais forte no início do ano.

Ainda assim, a leitura positiva da atividade não foi suficiente para melhorar o desempenho do mercado acionário. A combinação entre juros elevados, inflação pressionada e incerteza externa manteve investidores atentos aos próximos movimentos do Banco Central.

A XP elevou sua projeção para a Selic ao fim de 2026 para 13,75% e passou a estimar o dólar em R$ 5. A revisão reflete uma avaliação de que o Banco Central tende a permanecer cauteloso diante de pressões inflacionárias, mercado de trabalho aquecido, custos de energia e matérias-primas mais elevados e estímulos à demanda.

Nos contratos de juros futuros, o DI para janeiro de 2027 encerrou a 14,115%, com alta de 0,060 ponto percentual. O DI para janeiro de 2029 fechou a 13,635%, avanço de 0,115 ponto. Já o DI para janeiro de 2035 terminou a 13,840%, alta de 0,105 ponto.

A abertura da curva reforça o impacto negativo sobre ações, especialmente empresas mais sensíveis ao custo de capital. Juros mais altos reduzem o valor presente dos fluxos de caixa futuros, encarecem crédito, pressionam consumo e tornam a renda fixa relativamente mais atrativa.

Dólar fecha estável e mercado monitora payroll dos EUA

No câmbio, o dólar comercial fechou praticamente estável, com leve alta de 0,05%, a R$ 4,923. A moeda chegou a cair durante parte do pregão, mas voltou ao campo positivo com a piora do humor externo e a valorização global da divisa norte-americana.

A oscilação refletiu a disputa entre dois vetores. De um lado, a possibilidade de alívio no Oriente Médio reduziu parte da pressão sobre o petróleo e deu suporte a moedas de países emergentes. De outro, a cautela antes de dados relevantes dos Estados Unidos e a queda das Bolsas em Nova York favoreceram posições defensivas em dólar.

O mercado agora volta as atenções para o payroll, relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, previsto para sexta-feira. O indicador reúne dados de criação de vagas, taxa de desemprego e salários, sendo uma das principais referências para a política monetária do Federal Reserve.

Um mercado de trabalho ainda forte pode reforçar a percepção de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos. Já sinais de desaceleração poderiam abrir espaço para uma leitura menos restritiva. Em ambos os casos, o dado tende a influenciar câmbio, juros, commodities e Bolsas globais.

Queda amplia ajuste semanal do Ibovespa

Com o resultado desta quinta-feira, o Ibovespa hoje passou a acumular queda de 2,19% na semana e no mês de maio. No segundo trimestre, o índice recua 2,26%. Apesar da pressão recente, a Bolsa brasileira ainda registra alta de 13,71% em 2026.

A trajetória recente mostra uma mudança de tom após o avanço dos pregões anteriores. Na segunda-feira, o Ibovespa caiu 0,92%. Na terça, subiu 0,62%. Na quarta, avançou 0,50%. A baixa de 2,38% nesta quinta-feira devolveu os ganhos acumulados nas duas sessões anteriores e recolocou o índice em patamar inferior aos 184 mil pontos.

O desempenho reforça a dependência do mercado brasileiro em relação a três fatores principais: comportamento das commodities, leitura sobre juros e qualidade dos balanços corporativos. Quando esses vetores caminham na mesma direção negativa, a pressão sobre o índice tende a ser mais intensa.

No curto prazo, investidores seguirão atentos à evolução das negociações envolvendo Estados Unidos e Irã, à resposta do petróleo, aos próximos balanços de empresas brasileiras e aos sinais sobre juros no Brasil e no exterior. A combinação desses elementos deve continuar determinando o ritmo da Bolsa brasileira nos próximos pregões.

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