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Israel diz que guerra com Irã não terminou e cobra retirada de urânio

Netanyahu endurece o tom contra Teerã no momento em que os Estados Unidos tentam avançar em acordo para encerrar o conflito por meio de mediação do Paquistão.

por Eduardo Toscano
10/05/2026 às 14h22
em Mundo
Israel Diz Que Guerra Com Irã Não Terminou E Cobra Retirada De Urânio - Gazeta Mercantil - Mundo

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a guerra com o Irã ainda não terminou e voltou a defender a retirada do urânio enriquecido mantido pelo regime iraniano. A declaração ocorre em meio a uma tentativa dos Estados Unidos de avançar em uma proposta para encerrar o conflito, com mediação do Paquistão.

Em entrevista ao programa “60 Minutes”, da emissora norte-americana CBS, Netanyahu disse que Israel considera insuficientes os danos já causados ao programa nuclear iraniano. Segundo ele, ainda há material nuclear em território iraniano e instalações de enriquecimento que precisariam ser desmanteladas para que o conflito seja considerado encerrado.

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A fala do premiê israelense contrasta com o esforço diplomático conduzido pelo governo dos Estados Unidos. No mesmo momento em que Netanyahu endurece o tom, o Irã informou ter enviado uma resposta à proposta norte-americana para pôr fim à guerra. A comunicação foi transmitida por meio do Paquistão, que atua como mediador entre Washington e Teerã.

Não há canal direto de negociação entre Estados Unidos e Irã. Por isso, a interlocução paquistanesa ganhou peso nas tratativas. A agência estatal iraniana Irna informou que a resposta de Teerã foi entregue neste domingo, 10 de maio, mas não divulgou o conteúdo integral do documento nem detalhou quais pontos foram aceitos, rejeitados ou condicionados a novas exigências.

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Israel mantém pressão sobre programa nuclear iraniano

A posição de Israel permanece centrada no programa nuclear do Irã. Netanyahu afirmou que a guerra “não terminou” porque ainda existe urânio enriquecido a ser retirado do país e instalações que, na avaliação israelense, continuam representando risco estratégico.

Questionado sobre como esse material poderia ser removido, o primeiro-ministro respondeu que seria necessário “entrar e retirar”. A declaração foi interpretada como uma sinalização de que Israel não descarta medidas mais duras caso não haja acordo capaz de garantir o desmonte de partes relevantes do programa nuclear iraniano.

Netanyahu não apresentou cronograma nem detalhou eventual plano militar. Também não especificou se a retirada dependeria de uma negociação internacional, de inspeções técnicas ou de ação direta. Ainda assim, o tom da entrevista reforçou a distância entre a posição israelense e a estratégia diplomática que os Estados Unidos tentam conduzir.

Israel sustenta que o Irã não pode manter capacidade de enriquecimento que, na visão de seus aliados, possa aproximar o país da produção de armas nucleares. Teerã, por sua vez, afirma historicamente que seu programa nuclear tem fins civis e rejeita acusações de que busque desenvolver uma bomba atômica.

Irã envia resposta por meio do Paquistão

Enquanto Israel pressiona por uma solução mais dura, o Irã sinalizou disposição para manter a negociação sobre o fim da guerra. Segundo a Irna, a resposta iraniana ao mais recente projeto apresentado pelos Estados Unidos foi entregue por intermédio de um mediador paquistanês.

A comunicação ocorre em um momento de elevada tensão regional. As conversas buscam estabelecer um caminho para interromper as hostilidades e tratar de temas considerados centrais para a estabilidade no Oriente Médio, entre eles o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e eventuais garantias de segurança.

A agência estatal iraniana informou que, nesta fase, as negociações devem se concentrar no fim da guerra na região. A formulação indica que Teerã pode tentar limitar o escopo inicial das tratativas, deixando temas mais amplos para uma etapa posterior.

Ainda não está claro se o Irã aceitou a estrutura central da proposta norte-americana. Também não há informação oficial sobre eventuais contrapartidas exigidas por Teerã, como suspensão de sanções, garantias contra novos ataques ou compromissos envolvendo a circulação de navios no Golfo Pérsico.

Estados Unidos tentam costurar acordo

O governo dos Estados Unidos trabalha para transformar a resposta iraniana em avanço diplomático. A proposta norte-americana, segundo relatos publicados pela imprensa internacional, envolve um conjunto de pontos voltados a reduzir a escalada militar e abrir espaço para uma negociação mais ampla.

Entre os temas em discussão estão o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa parcela relevante do petróleo comercializado no mundo, e o futuro do programa nuclear iraniano. A interrupção ou instabilidade nesse corredor tende a pressionar o preço global do petróleo e gerar efeitos sobre cadeias de transporte, combustíveis e alimentos.

O presidente Donald Trump afirmou que as conversas recentes foram positivas e que um acordo seria possível. A avaliação da Casa Branca, porém, convive com a pressão de Israel e com a resistência de setores do regime iraniano, que classificam as exigências norte-americanas como excessivas.

A postura de Washington tenta equilibrar dois objetivos: evitar que o Irã avance em seu programa nuclear e impedir que a guerra provoque uma crise energética global. Esse equilíbrio é delicado, porque qualquer sinal de concessão pode ser criticado por Israel, enquanto exigências muito rígidas podem levar Teerã a abandonar a mesa.

Netanyahu vai na contramão da distensão

A declaração de Netanyahu aumenta o desafio para a diplomacia norte-americana. Ao afirmar que a guerra não terminou, o líder de Israel sinaliza que um eventual cessar-fogo só seria aceitável se houver garantias concretas sobre o urânio enriquecido e sobre o desmonte de instalações nucleares iranianas.

Essa posição dificulta a construção de um acordo intermediário. Caso Washington busque uma solução gradual, com interrupção das hostilidades antes de um entendimento definitivo sobre o programa nuclear, Israel pode considerar o arranjo insuficiente.

O governo israelense também busca demonstrar que os ataques realizados até agora não encerraram a missão estratégica contra o Irã. Para Netanyahu, a degradação da capacidade militar e nuclear iraniana não basta se o país ainda mantiver material sensível e infraestrutura de enriquecimento.

A pressão israelense também tem dimensão doméstica. Netanyahu enfrenta cobrança interna por segurança e por resultados concretos diante do Irã, adversário histórico de Israel e apoiador de grupos hostis ao Estado israelense na região.

Estreito de Ormuz amplia impacto econômico

A crise entre Israel, Estados Unidos e Irã tem consequências que vão além do campo militar. O Estreito de Ormuz permanece no centro das preocupações internacionais por sua relevância para o fluxo global de petróleo.

Qualquer interrupção prolongada na passagem de navios pelo estreito pode pressionar os preços do barril, elevar custos de frete, afetar combustíveis e contaminar a inflação em diferentes economias. Por isso, países importadores de energia acompanham a negociação com atenção.

A proposta dos Estados Unidos busca reduzir esse risco ao incluir discussões sobre navegação, bloqueios e segurança marítima. Para o Irã, o estreito é também um instrumento de pressão geopolítica. Para os países consumidores de petróleo, é um ponto sensível da estabilidade energética global.

A tensão se reflete nos mercados, que tendem a reagir a sinais de escalada militar ou de avanço diplomático. Uma solução negociada poderia reduzir parte do prêmio de risco embutido no petróleo. Já uma nova ofensiva militar poderia provocar volatilidade imediata.

Impasse nuclear segue como principal obstáculo

O programa nuclear iraniano continua sendo o ponto mais difícil das negociações. Israel e Estados Unidos exigem garantias de que o Irã não terá capacidade de desenvolver armas nucleares. O Irã rejeita abrir mão integral de sua soberania tecnológica e insiste que seu programa tem finalidade pacífica.

A eventual retirada de urânio enriquecido exigiria mecanismos de verificação, definição sobre destino do material e garantias de cumprimento. Também demandaria participação de organismos internacionais ou de países mediadores, caso a solução fosse negociada.

Netanyahu, entretanto, deixou claro que Israel não pretende aceitar apenas declarações políticas. Para o governo israelense, o encerramento do conflito depende de medidas físicas e verificáveis sobre o material nuclear e sobre as instalações de enriquecimento.

Essa diferença de abordagem explica por que a guerra pode continuar mesmo diante de sinais diplomáticos. A resposta iraniana aos Estados Unidos abre uma janela de negociação, mas não elimina o impasse central.

Região segue sob risco de nova escalada

A combinação entre pressão militar, negociação indireta e interesses energéticos mantém o Oriente Médio em estado de alerta. Israel afirma que ainda há trabalho a ser feito contra o Irã. Teerã sinaliza disposição para discutir o fim da guerra, mas não revelou até onde está disposto a ceder. Washington tenta evitar uma escalada maior sem abandonar suas exigências nucleares.

O resultado das próximas rodadas dependerá da capacidade dos mediadores de transformar a resposta iraniana em um texto aceitável para Estados Unidos e Israel. Também dependerá da disposição de Teerã de aceitar controles mais rígidos sobre seu programa nuclear.

Por ora, a declaração de Netanyahu reduz a expectativa de uma solução imediata. Mesmo com a resposta iraniana à proposta dos Estados Unidos, Israel mantém a avaliação de que o conflito só poderá ser encerrado quando houver garantias concretas sobre o urânio enriquecido e as instalações nucleares do Irã.

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