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Juros futuros recuam com queda do dólar e expectativa de fim da guerra no Irã

por Maria Helena Costa
09/03/2026 às 20h42
em Economia
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil

Juros futuros recuam com queda do dólar e expectativa de redução das tensões no Oriente Médio

O mercado financeiro brasileiro registrou um movimento relevante nesta segunda-feira (9), com os juros futuros encerrando o dia em queda nos prazos mais longos e próximos da estabilidade nas taxas de curto prazo. O comportamento da curva de juros ocorreu em um ambiente marcado pelo recuo do dólar frente ao real e pela redução da percepção de risco global após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que o conflito envolvendo Irã, Israel e forças norte-americanas estaria próximo do fim.

A dinâmica dos juros futuros ao longo da sessão foi marcada por forte volatilidade. Durante a abertura do mercado, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) chegaram a subir com intensidade, refletindo preocupações com o cenário geopolítico e com a alta do petróleo. No entanto, à medida que o dólar perdeu força diante da moeda brasileira e o discurso político internacional sinalizou uma possível desescalada da guerra no Oriente Médio, as taxas começaram a recuar.

Leia também: Decisão de juros do Fed hoje: Powell sob pressão e impacto no Ibovespa e no dólar.

O resultado final foi uma curva de juros futuros mais comportada, com estabilidade nas taxas de curto prazo e queda significativa nos contratos mais longos, movimento que reflete uma redução parcial da percepção de risco no mercado.


Curva de juros reage à queda do dólar

O principal fator que influenciou o comportamento dos juros futuros nesta sessão foi o desempenho do câmbio. O dólar apresentou recuo consistente frente ao real ao longo do dia, chegando a operar abaixo da marca de R$ 5,17 no final da tarde.

Historicamente, a relação entre câmbio e juros futuros no Brasil é bastante estreita. Quando o dólar sobe, o mercado tende a elevar as projeções de inflação e risco fiscal, pressionando as taxas de juros projetadas. O movimento contrário ocorre quando a moeda americana recua.

Foi exatamente esse o cenário observado na sessão. A queda do dólar reduziu a pressão sobre a curva de juros futuros, especialmente nos contratos de prazos mais longos, que são mais sensíveis às expectativas macroeconômicas e ao risco internacional.

Com o enfraquecimento do dólar, os prêmios embutidos nas taxas de juros diminuíram, levando os investidores a reavaliar as projeções para a trajetória da política monetária no Brasil.


Taxas de curto prazo mostram estabilidade

Apesar da volatilidade inicial, os contratos de juros futuros de curto prazo terminaram o dia próximos da estabilidade.

A taxa do DI para janeiro de 2028, uma das referências mais acompanhadas pelo mercado, encerrou a sessão em 13,19%. O movimento representou uma leve alta de apenas dois pontos-base em relação ao fechamento anterior, quando o contrato estava em 13,17%.

Esse comportamento mais estável dos juros futuros de curto prazo indica que o mercado não alterou de forma significativa suas expectativas imediatas para a política monetária brasileira.

Analistas avaliam que os investidores continuam atentos à trajetória da inflação doméstica e às decisões do Banco Central, fatores que seguem sendo determinantes para a evolução das taxas nos próximos meses.


Queda das taxas longas chama atenção

Enquanto os prazos mais curtos ficaram praticamente estáveis, os juros futuros de longo prazo registraram queda mais expressiva.

O DI com vencimento em janeiro de 2035 terminou o dia em 13,765%, recuo de nove pontos-base em relação ao ajuste anterior de 13,856%.

A queda das taxas mais longas da curva de juros futuros costuma refletir mudanças na percepção de risco estrutural da economia, incluindo fatores como cenário fiscal, inflação de longo prazo e ambiente global.

No caso desta sessão, o recuo foi impulsionado principalmente pela combinação entre queda do dólar, redução da tensão geopolítica e movimento semelhante observado nos mercados internacionais.


Volatilidade marcou a abertura do mercado

A sessão começou com forte pressão de alta sobre os juros futuros, refletindo preocupações iniciais com a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã.

No início do pregão, o dólar operava em alta frente ao real, o que elevava os prêmios de risco na curva de juros.

Por volta das 9h57, a taxa do DI para janeiro de 2028 chegou a atingir 13,480%, representando uma alta de 31 pontos-base em relação ao fechamento anterior.

Esse movimento evidenciou a sensibilidade dos juros futuros às mudanças no ambiente global e à percepção de risco dos investidores.

No entanto, a tendência se reverteu ao longo do dia à medida que novas informações reduziram o nível de preocupação nos mercados.


Declarações de Trump influenciam mercados

Um dos principais catalisadores para a mudança de direção nos juros futuros foi a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito no Oriente Médio.

Em entrevista concedida à emissora CBS, Trump afirmou que a guerra contra o Irã estaria “praticamente concluída” e que os Estados Unidos estariam avançando mais rapidamente do que o prazo inicialmente estimado de quatro a cinco semanas.

A avaliação foi divulgada por um jornalista da emissora em publicação na rede social X e rapidamente repercutiu entre investidores globais.

A possibilidade de um fim mais rápido para o conflito reduziu a aversão ao risco nos mercados internacionais, contribuindo para a queda do dólar e para o recuo das taxas de juros futuros no Brasil.


Petróleo chegou a disparar com tensão no Oriente Médio

Antes da mudança de percepção no mercado, a escalada das tensões geopolíticas havia provocado forte volatilidade nos preços do petróleo.

Na madrugada desta segunda-feira, a commodity chegou a se aproximar de US$ 120 por barril, o maior nível desde meados de 2022.

Esse movimento gerou preocupação entre investidores e economistas, já que uma alta significativa do petróleo pode pressionar a inflação global.

No caso brasileiro, uma escalada duradoura no preço da commodity poderia impactar combustíveis, transporte e cadeias produtivas, pressionando o índice de preços ao consumidor.

Essas preocupações contribuíram inicialmente para o avanço dos juros futuros, já que uma inflação mais elevada poderia exigir manutenção de juros altos por mais tempo.

Com a redução das tensões geopolíticas ao longo do dia, parte dessas preocupações foi dissipada, permitindo o recuo das taxas.


Mudanças políticas no Irã ampliam incertezas

Outro fator que manteve o mercado em alerta foi a movimentação política interna no Irã.

No fim de semana, o país nomeou Mojtaba Khamenei como sucessor de seu pai, Ali Khamenei, para o cargo de líder supremo.

A decisão foi interpretada como um sinal de continuidade da linha política mais rígida no comando do regime iraniano.

Essa indicação ocorreu apenas uma semana após o início do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel, aumentando a atenção do mercado internacional.

Embora o impacto direto sobre os juros futuros brasileiros seja indireto, eventos geopolíticos dessa magnitude costumam influenciar a percepção de risco global e os fluxos de capital.


Mercado internacional também registra queda nos rendimentos

O movimento observado nos juros futuros no Brasil acompanhou uma tendência semelhante registrada no mercado internacional.

Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro também recuaram ao longo da sessão.

O Treasury de dez anos, considerado a principal referência global para decisões de investimento, registrava queda de cerca de três pontos-base, negociado próximo de 4,1% no final da tarde.

A redução nos rendimentos desses títulos contribui para aliviar pressões sobre mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Quando os juros americanos recuam, ativos de países emergentes tendem a se tornar relativamente mais atrativos, o que pode fortalecer moedas locais e reduzir prêmios de risco.

Esse ambiente global ajudou a impulsionar a queda dos juros futuros no mercado brasileiro.


Investidores monitoram inflação, câmbio e cenário externo

Para analistas do mercado financeiro, o comportamento recente dos juros futuros evidencia como fatores internacionais continuam exercendo influência significativa sobre os ativos brasileiros.

O câmbio, os preços de commodities e os desdobramentos geopolíticos permanecem entre os principais elementos monitorados pelos investidores.

Além disso, a trajetória da inflação no Brasil e as decisões de política monetária do Banco Central continuam sendo determinantes para a formação da curva de juros.

Mudanças nesses fatores podem alterar rapidamente as expectativas do mercado, provocando ajustes nas taxas projetadas.

Por esse motivo, a curva de juros futuros segue sendo um dos principais indicadores utilizados por economistas e gestores para avaliar o cenário macroeconômico e as perspectivas para a economia brasileira.


Curva de juros sinaliza cautela do mercado

Apesar da queda observada nas taxas mais longas, a estrutura atual da curva de juros futuros ainda indica cautela entre investidores.

Os níveis das taxas permanecem elevados em termos históricos, refletindo incertezas relacionadas à inflação, ao cenário fiscal e ao ambiente internacional.

Para especialistas, o comportamento da curva sugere que o mercado ainda exige prêmios de risco relativamente altos para investimentos de prazo mais longo.

Mesmo assim, movimentos como o observado nesta sessão mostram que mudanças na percepção de risco global podem gerar ajustes relevantes nos preços dos ativos.


Sinais do cenário global seguem determinando o rumo dos juros

O desempenho recente dos juros futuros reforça a importância do cenário internacional para os mercados emergentes.

Eventos geopolíticos, decisões de política econômica nos Estados Unidos e oscilações no preço das commodities continuam sendo elementos capazes de alterar rapidamente o humor dos investidores.

No caso brasileiro, esses fatores se somam às questões domésticas, criando um ambiente de elevada sensibilidade nos mercados financeiros.

Assim, a evolução dos juros futuros continuará sendo acompanhada de perto por analistas, investidores e formuladores de política econômica, especialmente em um período marcado por incertezas globais e mudanças no equilíbrio geopolítico.

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