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Justiça manda leiloar marcas da Chapecó Alimentos por R$ 82 milhões

Ativos da antiga gigante do setor alimentício serão ofertados em pregão online a partir de 21 de maio; lote inclui 55 registros no INPI e pode ter descontos em etapas seguintes

por Alice Nascimento
20/05/2026 às 15h00
em Empresas
Justiça Manda Leiloar Marcas Da Chapecó Alimentos Por R$ 82 Milhões - Gazeta Mercantil

A Justiça de Santa Catarina determinou o leilão das marcas da extinta Chapecó Alimentos, antiga referência da indústria alimentícia brasileira, com lance inicial de R$ 82 milhões. O certame, autorizado pela Vara Regional de Falências, Recuperação Judicial e Extrajudicial de Concórdia (SC), será realizado exclusivamente pela internet, por meio da plataforma Positivo Leilões, com abertura para propostas a partir de 21 de maio, no âmbito do processo de falência da companhia, que se arrasta há mais de duas décadas.

O leilão envolve 55 registros ativos no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), incluindo o núcleo da marca Chapecó, avaliado em R$ 68,7 milhões, e a marca Prenda, estimada em R$ 13,8 milhões. Os ativos abrangem categorias ligadas a carnes, aves, embutidos, derivados, laticínios, pescados, alimentos industrializados e produtos básicos.

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A alienação das marcas representa uma nova etapa na liquidação da massa falida da Chapecó Alimentos, empresa fundada em 1952 no Oeste catarinense e que chegou a figurar entre os principais nomes do setor no Brasil. Em seu auge, a companhia tinha presença em cerca de 30 mil pontos de venda no país e exportava produtos para 37 mercados internacionais.

A decisão foi tomada no âmbito de um processo falimentar de grande porte, marcado por endividamento elevado, venda de ativos industriais e tentativa de pagamento de credores. Desde a quebra da empresa, a liquidação já movimentou mais de R$ 1,5 bilhão com a alienação de bens, em um dos casos mais relevantes da história recente do setor alimentício brasileiro.

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Leilão terá lance inicial de R$ 82 milhões

O valor inicial definido para o leilão das marcas da Chapecó Alimentos é de R$ 82 milhões. A oferta será feita em ambiente digital, e os interessados deverão se habilitar conforme as regras previstas no edital e nas orientações da leiloeira responsável.

A venda será conduzida pelo leiloeiro judicial Erick Soares Teles, nomeado pela Justiça para organizar o certame. Segundo ele, a marca Chapecó ainda mantém presença na memória do consumidor brasileiro, o que pode abrir espaço para diferentes modelos de negócio.

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A avaliação considera o potencial de uso comercial das marcas em segmentos nos quais a Chapecó Alimentos construiu reconhecimento ao longo de décadas. O interesse pode vir de empresas do setor de alimentos, investidores especializados em ativos de propriedade intelectual ou grupos interessados em relançar produtos associados a uma marca conhecida nacionalmente.

O lote principal inclui o núcleo da marca Chapecó, associado a carnes, aves, embutidos e derivados. Esses segmentos foram a base da expansão da companhia durante seu período de maior relevância no mercado. Já a marca Prenda contempla registros em áreas como laticínios, pescados, alimentos industrializados e produtos básicos.

A alienação de marcas em processos falimentares busca transformar ativos intangíveis em recursos para a massa falida. Embora não envolvam fábricas, estoques ou estruturas produtivas, esses registros podem ter valor econômico relevante quando carregam reconhecimento comercial, reputação setorial e possibilidade de exploração por novos operadores.

Venda será feita em três etapas consecutivas

O leilão das marcas da Chapecó Alimentos foi estruturado em três etapas consecutivas. Na primeira fase, os ativos serão ofertados pelo valor integral de avaliação, com lance inicial de R$ 82 milhões. Caso não haja interessados, o certame seguirá automaticamente para uma segunda etapa, com desconto de 50%.

Se ainda assim não houver proposta aceita, será aberta uma terceira fase, com desconto de até 70%. Esse modelo é comum em processos de falência e recuperação judicial, especialmente quando se busca ampliar a competitividade do certame e evitar que ativos permaneçam sem destinação econômica.

A divisão em etapas permite que o Judiciário tente preservar inicialmente o valor de avaliação, mas também cria mecanismos para viabilizar a venda em caso de baixa demanda. Em processos falimentares longos, a liquidez dos ativos costuma ser um dos principais desafios, sobretudo quando se trata de bens intangíveis ou marcas vinculadas a empresas que deixaram de operar há muitos anos.

Os pregões serão totalmente digitais. Pela plataforma da leiloeira, os interessados terão acesso aos editais, documentos do processo, orientações de habilitação e regras para envio de lances. A modalidade online amplia o alcance do leilão e permite participação de investidores e empresas de diferentes regiões do país.

A venda dependerá do cumprimento das exigências legais e da homologação dos atos necessários no processo falimentar. Os valores obtidos serão destinados à massa falida, conforme a ordem de pagamento de credores definida pela legislação.

Marcas envolvem 55 registros ativos no INPI

O conjunto levado a leilão reúne 55 registros ativos no INPI, órgão responsável pelo reconhecimento e proteção de marcas no Brasil. Esses registros são essenciais para garantir exclusividade de uso em determinadas classes de produtos e serviços, conforme a abrangência de cada marca.

No caso da Chapecó Alimentos, o núcleo da marca Chapecó concentra o maior valor de avaliação, de R$ 68,7 milhões. A força desse ativo está ligada ao histórico da empresa no mercado de proteína animal, especialmente em carnes, aves, embutidos e derivados.

A marca Prenda, avaliada em R$ 13,8 milhões, integra o pacote com potencial de exploração em outros segmentos alimentícios. A diversidade de registros amplia as possibilidades de uso por compradores interessados em diferentes linhas de produtos.

Para empresas do setor, a aquisição de marcas antigas pode representar uma forma de acelerar entrada em mercados específicos, reposicionar linhas de produtos ou explorar a lembrança de marca junto a consumidores que conheceram a companhia em décadas anteriores. No entanto, o sucesso de uma eventual retomada dependerá de estratégia comercial, capacidade de distribuição, qualidade dos produtos e investimento em comunicação.

A compra dos registros não implica, por si só, retomada da antiga estrutura industrial da Chapecó Alimentos. Trata-se de uma alienação de ativos de propriedade intelectual no âmbito da falência. O comprador poderá avaliar como utilizar as marcas, respeitando as classes registradas, as regras do INPI e eventuais condições previstas no edital.

Juíza vê etapa relevante em falência complexa

A juíza Aline Mendes de Godoy, titular da Vara Regional de Falências, Recuperação Judicial e Extrajudicial de Concórdia, afirmou que a alienação das marcas da Chapecó representa uma etapa importante de um processo falimentar complexo, conduzido há mais de duas décadas.

Segundo a magistrada, a Chapecó Alimentos teve papel relevante na história econômica e industrial de Santa Catarina, com forte presença no setor alimentício brasileiro e impacto significativo na região onde desenvolveu suas atividades. A venda dos ativos, nesse contexto, busca dar andamento técnico e transparente à liquidação.

A falência de uma empresa desse porte envolve múltiplos interesses: credores trabalhistas, fornecedores, instituições financeiras, investidores, antigos empregados, compradores de ativos e órgãos públicos. A condução judicial precisa equilibrar preservação de valor, legalidade dos atos e efetividade na arrecadação de recursos.

No caso da Chapecó Alimentos, a longa duração do processo reflete a complexidade da estrutura empresarial, o volume de dívidas e a quantidade de ativos envolvidos. A venda das marcas remanescentes é mais uma tentativa de converter bens da massa falida em valores capazes de atender, ainda que parcialmente, os credores.

A alienação também tem dimensão simbólica. A Chapecó foi uma marca associada à industrialização do Oeste catarinense e ao crescimento de um setor que transformou Santa Catarina em um dos polos mais importantes da produção de proteína animal no país.

Chapecó Alimentos foi gigante do setor alimentício

Fundada em 1952, a Chapecó Alimentos consolidou-se ao longo de cinco décadas como uma das empresas mais conhecidas do mercado alimentício nacional. A companhia cresceu a partir do Oeste catarinense, região que se tornou referência na produção de aves, suínos e alimentos processados.

Em seu auge, a empresa alcançou cerca de 30 mil pontos de venda no Brasil. A presença internacional também era relevante: os produtos da Chapecó Alimentos eram exportados para 37 países, em um período no qual a indústria brasileira de alimentos ampliava sua inserção em mercados externos.

O crescimento da companhia esteve associado à expansão do consumo interno, à profissionalização da cadeia de proteína animal e à capacidade de distribuição nacional. A marca Chapecó tornou-se conhecida em supermercados, açougues, distribuidores e canais de alimentação.

A trajetória da empresa, porém, foi interrompida por uma crise financeira que se agravou no início dos anos 2000. A companhia enfrentou pressão de custos, restrições de crédito, dificuldades operacionais e deterioração do ambiente externo. A combinação desses fatores levou ao pedido de concordata preventiva em 2004.

Na época, a empresa atribuiu a crise a fatores como retração do mercado internacional, queda nos preços do frango e do suíno, restrições de financiamento, valorização do dólar e efeitos da crise argentina sobre o Grupo Macri, então controlador da companhia.

Dívida superava R$ 1 bilhão antes da falência

A Chapecó Alimentos não conseguiu reverter a crise financeira após o pedido de concordata. Com endividamento superior a R$ 1 bilhão à época, a empresa perdeu capacidade operacional e viu seu patrimônio se deteriorar.

A falência foi decretada em 2005. Na decisão, a Justiça apontou sucessivos prejuízos, paralisação das atividades, perda de capacidade produtiva e redução do valor dos ativos. O encerramento das operações marcou o declínio de uma companhia que havia sido uma das principais referências do setor alimentício nacional.

O processo de liquidação passou a envolver a venda de unidades industriais, imóveis, equipamentos e outros ativos. Ao longo dos anos, algumas das principais operações incluíram a alienação de unidades industriais ao grupo Aurora Coop, cooperativa também sediada em Santa Catarina e relevante no mercado de alimentos.

A liquidação da massa falida já movimentou mais de R$ 1,5 bilhão com a venda de ativos, segundo as informações do processo. Ainda assim, casos dessa natureza costumam ter pagamento limitado aos credores, especialmente quando o passivo é elevado e os ativos perdem valor com o tempo.

O leilão das marcas surge, portanto, como uma etapa residual, mas relevante, da tentativa de monetização do patrimônio remanescente. A venda busca capturar o valor econômico ainda associado ao nome Chapecó e a outros registros vinculados à antiga companhia.

Valor das marcas dependerá de retomada comercial

O interesse pelas marcas da Chapecó Alimentos dependerá da avaliação de potenciais compradores sobre a viabilidade comercial de recolocar esses nomes no mercado. Embora a empresa esteja extinta, a marca ainda pode carregar valor junto a consumidores, distribuidores e empresas do setor.

A retomada de uma marca tradicional, no entanto, exige investimento. Além da aquisição dos registros, o comprador precisaria desenvolver produtos, garantir produção, estabelecer canais de distribuição, cumprir exigências sanitárias e reconstruir presença comercial. O reconhecimento histórico pode ajudar, mas não substitui estratégia operacional.

O setor alimentício brasileiro é altamente competitivo. Empresas de carnes, aves, embutidos e alimentos processados disputam espaço com grandes grupos nacionais, cooperativas, marcas regionais e companhias multinacionais. Nesse ambiente, uma marca antiga pode ser ativo relevante, desde que acompanhada de execução comercial consistente.

O valor mínimo de R$ 82 milhões indica que a Justiça busca preservar a avaliação econômica dos registros. Caso não haja proposta nesse patamar, os descontos previstos nas fases seguintes poderão tornar o ativo mais acessível e ampliar o número de interessados.

Para credores da massa falida, o resultado do leilão será importante porque pode representar nova entrada de recursos em um processo de longa duração. Para o mercado, o certame servirá como teste do valor residual de uma das marcas mais conhecidas da indústria alimentícia catarinense.

Leilão encerra novo capítulo da antiga Chapecó Alimentos

A decisão da Justiça de Santa Catarina recoloca a Chapecó Alimentos no centro das discussões empresariais mais de 20 anos após o início de sua crise judicial. A companhia deixou de operar, vendeu unidades industriais e teve seus principais ativos liquidados, mas suas marcas ainda preservam valor suficiente para serem levadas a leilão com lance inicial milionário.

O certame online, marcado para começar em 21 de maio, deve indicar se o nome Chapecó ainda desperta interesse econômico em um setor dominado por grandes grupos e por forte disputa de escala. A resposta do mercado definirá se as marcas voltarão a ser exploradas comercialmente ou se seguirão como ativos de uma massa falida em busca de liquidez.

A alienação também reforça a importância dos ativos intangíveis em processos de falência. Em empresas com longa presença no mercado, marcas podem sobreviver à operação industrial e manter valor mesmo após anos de inatividade. No caso da Chapecó Alimentos, esse valor está ligado à memória do consumidor, à história do setor e à trajetória da indústria catarinense.

Com 55 registros ativos no INPI, avaliação de R$ 82 milhões e possibilidade de descontos em etapas posteriores, o leilão das marcas da Chapecó Alimentos será acompanhado por credores, empresas do setor alimentício e investidores interessados em ativos de propriedade intelectual. A venda pode marcar um dos últimos capítulos relevantes da falência de uma companhia que já esteve entre as maiores do país em seu segmento.

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