LCI e LCA taxadas? Entenda a proposta de tributação e onde investir sem pagar IR
A recente proposta apresentada pelo relator da Medida Provisória (MP) que trata da taxação das bets e de aplicações financeiras trouxe uma mudança importante para investidores de renda fixa: a possibilidade de que LCI e LCA sejam taxadas a partir de 2026. Até o momento, esses papéis — considerados atrativos pela isenção de Imposto de Renda (IR) — estavam fora do radar do Fisco. No entanto, a alíquota de 7,5% sugerida para algumas letras de crédito reacende o debate sobre a rentabilidade e a atratividade desses investimentos.
Por outro lado, alguns títulos permanecem livres de tributação, abrindo oportunidades para quem busca diversificar a carteira sem perder o benefício fiscal. Analistas destacam principalmente as debêntures incentivadas, que seguem isentas e podem oferecer retornos competitivos.
Neste artigo, explicamos o que muda com a proposta, quais títulos passam a ser afetados, quais seguem livres de IR e quais são as melhores alternativas para o investidor que deseja manter seus ganhos líquidos em alta.
O que a MP propõe para LCI e LCA
A proposta apresentada pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP) sugere a aplicação de uma alíquota de 7,5% de IR sobre alguns papéis de renda fixa que, até então, eram isentos. Estão na lista:
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LCI (Letras de Crédito Imobiliário);
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LCA (Letras de Crédito do Agronegócio);
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Letras Hipotecárias (LH);
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Letra Imobiliária Garantida (LIG);
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Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD).
Esses produtos sempre estiveram entre os favoritos de investidores conservadores justamente por sua isenção de imposto de renda, mas o governo argumenta que a tributação busca ampliar a arrecadação sem comprometer diretamente os produtos mais voltados ao financiamento de projetos de infraestrutura, como as debêntures incentivadas.
Se aprovada, a mudança começará a valer para os títulos emitidos a partir de 2026.
Quem continua isento de IR
Embora a possível taxação de LCI e LCA tenha causado preocupação entre os investidores, outros papéis permanecem livres de impostos. A lista inclui:
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Debêntures incentivadas;
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CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários);
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CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio).
Esses títulos cumprem papel estratégico no financiamento de setores essenciais da economia e, por isso, o relator da MP defende a manutenção da isenção como forma de estímulo ao desenvolvimento.
Impacto da possível taxação de LCI e LCA
A medida pode alterar a lógica de escolha de investimentos de milhares de brasileiros. Hoje, muitos investidores preferem LCI e LCA justamente pela segurança e pela ausência de IR. Se a tributação de 7,5% entrar em vigor, a rentabilidade líquida cairá, tornando necessário comparar alternativas mais vantajosas.
Com isso, produtos como debêntures incentivadas, CRIs e CRAs ganham força no portfólio de investidores que não abrem mão da isenção fiscal.
Oportunidades em debêntures incentivadas
Entre as alternativas, as debêntures incentivadas são o destaque. Trata-se de títulos de dívida emitidos por empresas para financiar projetos de infraestrutura, que em troca pagam juros ao investidor. Por estarem diretamente ligados a setores estratégicos, permanecem isentos de IR e podem entregar rentabilidades acima de ativos bancários tradicionais, como CDBs.
Um dos papéis mais recentes no mercado apresentou rentabilidade nominal superior a 15% ao ano, superando inclusive o CDI e a taxa Selic. Além disso, ao compor uma carteira diversificada, o investidor consegue reduzir riscos e ampliar seu potencial de ganho.
Estratégia de diversificação
Para quem busca proteção contra a mudança fiscal e melhores retornos, a recomendação de analistas é compor uma carteira de crédito privado com papéis diversificados entre emissores, setores e prazos. Essa diversificação dilui riscos e mantém o acesso a bons níveis de rentabilidade.
O ideal é equilibrar títulos tradicionais — que ainda oferecem segurança — com ativos mais rentáveis e isentos, como as debêntures incentivadas.
Vale a pena investir em LCI e LCA antes da taxação?
Até 2026, LCI e LCA seguem isentas, o que pode representar uma oportunidade de garantir aplicações vantajosas antes da entrada em vigor da nova regra. Para investidores que desejam estabilidade, aproveitar essa janela de tempo pode ser estratégico.
Entretanto, é fundamental observar os prazos de vencimento e avaliar se a rentabilidade oferecida compensa em comparação com os títulos que permanecerão isentos no futuro.
O cenário político e a aprovação da MP
O texto apresentado pelo relator ainda precisa ser analisado e votado no Congresso Nacional. Caso aprovado, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É importante destacar que, até a aprovação definitiva, mudanças podem ser incluídas, e o mercado financeiro acompanha de perto cada movimentação.
A definição sobre a taxação de LCI e LCA se tornará um divisor de águas no planejamento financeiro de muitos brasileiros, exigindo atenção redobrada dos investidores.
Onde investir diante das mudanças
Com a possibilidade de LCI e LCA taxadas, os investidores precisam reavaliar suas estratégias. Enquanto títulos que sempre foram considerados “porto seguro” podem perder parte da atratividade, alternativas como debêntures incentivadas, CRIs e CRAs despontam como opções sólidas para manter a isenção de IR e garantir boas rentabilidades.
Planejamento, diversificação e acompanhamento das votações no Congresso serão fatores determinantes para quem deseja proteger e expandir seu patrimônio nos próximos anos.






