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Lei Antifacção sancionada: Lula endurece penas e mira magnatas do crime

por Júlia Campos
24/03/2026 às 23h57
em Política
Lei Antifacção Sancionada: Lula Endurece Penas E Mira Magnatas Do Crime - Gazeta Mercantil

Lei Antifacção sancionada: Lula defende prisão de magnatas do crime e endurece penas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira a Lei Antifacção, marco legal que aumenta a rigidez das punições para integrantes de organizações criminosas e milícias, além de facilitar a apreensão de bens ligados ao crime. A lei, aprovada no fim de fevereiro pela Câmara dos Deputados, visa atacar de forma direta a liderança das facções, reduzindo brechas jurídicas que permitiam que criminosos de alto escalão permanecessem impunes ou com progressão de pena facilitada.

Segundo a legislação, facção criminosa é considerada qualquer organização ou grupo de três ou mais pessoas que utilize violência, grave ameaça ou coação para controlar territórios, intimidar população ou autoridades, ou atacar serviços, infraestrutura e equipamentos essenciais. A Lei Antifacção estabelece que líderes destas organizações não terão direito a benefícios como anistia, indulto, fiança ou liberdade condicional, e a progressão de pena poderá exigir até 85% do cumprimento em regime fechado.

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Prisão de líderes em presídios de segurança máxima

A norma determina que líderes de facções cumpram pena ou prisão preventiva em unidades de segurança máxima, garantindo maior controle sobre indivíduos que coordenam atividades criminosas de dentro de presídios. Além disso, a lei restringe direitos civis, como o voto, para detentos comprovadamente associados a organizações criminosas, mesmo sem condenação definitiva, reforçando o caráter preventivo e punitivo da legislação.

Em cerimônia de sanção da lei, Lula ressaltou a necessidade de endurecer a punição de criminosos de alto escalão. “Tem uma coisa muito grave que os governadores se queixam, que é que muitas vezes a polícia prende, faz uma festa e três dias depois a pessoa está solta outra vez. É preciso que, quando a polícia prenda com provas concretas, o cidadão não possa ser dono da sua própria pena e punição”, afirmou o presidente.

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Magnatas do crime no foco da lei

Lula enfatizou que o objetivo da Lei Antifacção é atingir os chamados “magnatas do crime”, líderes de organizações que vivem em condomínios de luxo e apartamentos de alto padrão. “Nesse tema, a gente tem a chance não de matar os bagrinhos da periferia, mas de pegar os responsáveis que moram em apartamentos de luxo e que chamamos de magnatas do crime. Esses é que precisam ser presos e punidos para que possamos acabar com o crime organizado de verdade”, disse o presidente.

O chefe do Executivo destacou a capacidade investigativa do Brasil e o papel da Polícia Federal (PF) no combate a crimes complexos, incluindo tráfico de drogas, de armas e lavagem de dinheiro, ressaltando a expertise do órgão no enfrentamento de organizações criminosas sofisticadas.


Cooperação internacional e combate a sonegadores

O presidente também citou diálogos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com foco na cooperação internacional para rastrear e recuperar ativos de criminosos brasileiros no exterior. Lula mencionou operações como a Operação Carbono, que resultou na apreensão de 250 milhões de litros de gasolina traficados, destacando que os responsáveis por crimes de grande escala muitas vezes residem em países como os EUA.

Sem mencionar nomes, o presidente fez referência a empresários investigados por sonegação fiscal bilionária, incluindo casos de grandes refinarias, evidenciando que a Lei Antifacção permitirá ações concretas contra patrimônios de indivíduos que financiam atividades criminosas, mesmo antes de condenação judicial definitiva.


Mecanismos de apreensão e controle patrimonial

A legislação prevê instrumentos amplos de apreensão de bens, direitos e valores vinculados a organizações criminosas, abrangendo ativos digitais, participações societárias e outros patrimônios. A lei autoriza a perda de bens independentemente de condenação criminal, inclusive por via civil autônoma, fortalecendo o combate ao crime organizado e diminuindo a possibilidade de blindagem patrimonial por parte de criminosos de alta hierarquia.

Além disso, a Lei Antifacção institui o Banco Nacional de Dados de Organizações Criminosas, integrado a bases estaduais interoperáveis, consolidando informações sobre pessoas e estruturas criminosas. O sistema fortalece a atuação coordenada do Sistema Único de Segurança Pública e permite que órgãos de inteligência e fiscalização tenham acesso rápido e eficiente a dados estratégicos, aumentando a efetividade das operações.


Impacto da lei na segurança pública e sociedade

Especialistas afirmam que a Lei Antifacção representa um avanço significativo no enfrentamento do crime organizado no Brasil. Ao direcionar ações contra líderes de facções e magnatas do crime, a legislação diminui a influência de organizações criminosas em territórios e no sistema político, além de gerar um efeito preventivo sobre o recrutamento de novos integrantes.

O endurecimento das penas e a restrição de benefícios legais reduzem incentivos para que líderes criminosos tentem manipular o sistema judicial, promovendo maior eficiência nas prisões e contribuindo para o fortalecimento da segurança pública em escala nacional.


Expectativas para implementação e fiscalização

A expectativa é que, nos próximos meses, a aplicação da Lei Antifacção seja acompanhada de perto pelos órgãos de controle, pela PF e pelo Ministério da Justiça, garantindo que os mecanismos previstos — desde prisão de líderes em presídios de segurança máxima até apreensão de bens e integração de dados — sejam efetivos.

Governadores e autoridades locais já demonstraram apoio à medida, reconhecendo que a legislação oferece ferramentas necessárias para enfrentar desafios antigos na execução das leis contra o crime organizado e a milícia.

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