Lula na ONU: viagem aos EUA em meio a crise diplomática com Trump e defesa do STF
O presidente Luiz Inácio Lula na ONU volta a ganhar projeção internacional em um dos momentos mais delicados da relação entre Brasil e Estados Unidos. Após rebater publicamente críticas de Donald Trump sobre a condenação de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), Lula se prepara para viajar a Nova York para participar pela terceira vez consecutiva, neste mandato, da Assembleia-Geral das Nações Unidas.
A viagem, prevista para a próxima semana, assume caráter estratégico, não apenas pelo discurso de abertura tradicionalmente reservado ao Brasil, mas também pelas negociações globais em torno do clima, do comércio internacional e da democracia. No centro das atenções, Lula deve defender a soberania brasileira, responder às sanções impostas pelos EUA e projetar a imagem de um país comprometido com a governança global.
Lula na ONU: tradição e simbolismo
Desde o início de seus três mandatos, Lula marcou presença em quase todas as Assembleias da ONU, reforçando a tradição do Brasil como primeiro país a discursar na abertura do evento. Em 2025, o gesto ganha peso adicional.
O Brasil se prepara para sediar a COP30 em Belém, e a Assembleia-Geral é considerada um palco estratégico para articular compromissos sobre redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas. Lula deve apresentar avanços das políticas ambientais brasileiras e cobrar engajamento dos países desenvolvidos.
Para analistas, a presença de Lula na ONU reforça sua estratégia de colocar o Brasil como ator-chave no debate climático e nas reformas da governança internacional.
Crise diplomática com os EUA
A viagem ocorre em meio a um dos piores momentos da relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos. O governo Trump anunciou tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros após a condenação de Bolsonaro, alegando perseguição política.
Além das tarifas, Washington cancelou vistos de ministros do STF e aplicou sanções da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, bloqueando transações financeiras ligadas ao magistrado em território sujeito à jurisdição americana.
Diante desse cenário, o discurso de Lula na ONU deve incluir uma defesa firme das instituições brasileiras, reafirmando que a condenação de Bolsonaro não foi perseguição política, mas um processo judicial conduzido dentro do Estado Democrático de Direito.
Lula rebate críticas de Trump
Em artigo publicado no New York Times, Lula criticou as declarações de Trump e reiterou que a democracia e a soberania nacional não estão em negociação. Segundo o presidente, a decisão do STF contra Bolsonaro representou um marco histórico na defesa das instituições brasileiras.
No palco da ONU, Lula deve reforçar essa mensagem, contrastando a posição brasileira com o que chama de tentativa de interferência externa na política interna do país. O objetivo é isolar as críticas de Trump e mostrar ao mundo que o Brasil não aceitará pressões que coloquem em xeque sua ordem constitucional.
O papel do STF no discurso de Lula
Outro ponto esperado na fala de Lula na ONU será a defesa da independência do Supremo Tribunal Federal. Após sanções contra ministros, o presidente deve apresentar o Judiciário brasileiro como um dos pilares da democracia, enfatizando que nenhuma autoridade estrangeira pode retaliar magistrados por suas decisões.
Essa linha deve atrair apoio de países e organismos que acompanham o fortalecimento institucional no Brasil, ampliando a legitimidade da posição brasileira em fóruns multilaterais.
Agenda climática e a COP30
Além da política, a Cúpula do Clima marcada para o dia 24 em Nova York será central na agenda de Lula. O Brasil deve apresentar propostas de descarbonização, reforçando metas de NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) e destacando o papel da Amazônia no equilíbrio ambiental do planeta.
O discurso de Lula na ONU tende a posicionar o país como liderança global em sustentabilidade, usando a COP30 em Belém como vitrine de políticas ambientais e cooperação internacional.
Tensões internas e externas
A viagem ocorre dias após a condenação de Bolsonaro e de outros sete réus pela Primeira Turma do STF. A reação dos EUA, prometendo resposta “adequada” ao que chamou de perseguição, adiciona combustível ao cenário diplomático.
Para o Planalto, o momento exige firmeza no discurso e articulação nos bastidores. A estratégia será mostrar Lula na ONU como símbolo de resistência democrática e como líder de um Brasil soberano, que não cede a pressões externas.
O que esperar do discurso de Lula na ONU
O discurso de abertura de Lula deve abordar três eixos principais:
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Democracia e soberania: reafirmação da independência das instituições brasileiras frente às pressões externas.
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Agenda climática: preparação para a COP30 e apresentação de compromissos ambientais.
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Economia global: críticas às tarifas impostas pelos EUA e defesa de regras comerciais mais justas.
Com esses pontos, o objetivo é consolidar a imagem do Brasil como ator independente, estratégico e confiável no cenário internacional.
A participação de Lula na ONU será marcada pela tensão entre Brasil e Estados Unidos, pelo embate retórico com Donald Trump e pela defesa do STF. Ao mesmo tempo, será oportunidade para projetar o país como liderança global na agenda climática e no fortalecimento da democracia.
O sucesso dessa viagem dependerá não apenas do discurso de Lula, mas também da capacidade de articulação diplomática para reduzir tensões, atrair aliados e preparar o terreno para a COP30 em Belém.






