terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Política

Minuta do golpe: Cid diz que Bolsonaro “enxugou” decreto golpista no STF

por Gabriel Monteiro
09/06/2025 às 17h02
em Política
Minuta Do Golpe: Cid Diz Que Bolsonaro “Enxugou” Decreto Golpista No Stf - Gazeta Mercantil - Política

Minuta do golpe: Cid revela Bolsonaro “leu e enxugou” decreto golpista no STF

Durante o depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), o tenente‑coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, revelou uma informação crucial na investigação da tentativa de golpe de Estado em 2022: Bolsonaro não só recebeu e leu a minuta do golpe, como também a “enxugou”, removendo trechos que previam a prisão de diversas autoridades, mantendo apenas o nome do ministro Alexandre de Moraes.

Este conteúdo explora em profundidade os desdobramentos do depoimento de Cid, as articulações nos bastidores militares e políticos, e o impacto direto no processo judicial que analisa a tentativa de ruptura institucional no Brasil.

Leia também: Michelle Bolsonaro Recorre no STF Contra Decisão sobre Queixa-crime Contra Erika Hilton.


O que é a minuta do golpe

A minuta do golpe é o nome atribuído a um esboço de decreto que previa medidas inconstitucionais com o objetivo de impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. Entre as previsões estavam a decretação de estado de defesa, intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), anulação do resultado das urnas, e até prisões arbitrárias de ministros do STF e parlamentares.

Segundo o que foi relatado à Justiça, a minuta foi inicialmente redigida com uma série de medidas radicais. Posteriormente, Jair Bolsonaro teria revisado o texto para suavizar sua repercussão, retirando o nome de algumas autoridades que seriam presas e mantendo apenas o de Alexandre de Moraes.

Leia também: Missão diz que avisou Flávio Bolsonaro sobre filiação irregular antes de mudança no TSE.


Cid no STF: revelações estratégicas

Mauro Cid, delator premiado, depôs em audiência fechada no STF, onde confirmou que Bolsonaro teve contato direto com a minuta, inclusive orientando mudanças no conteúdo. O ex-presidente teria “enxugado” o documento, removendo trechos que sugeriam prisões de ministros e parlamentares, com o intuito de manter uma aparência de legalidade e reduzir resistências internas.

Na versão ajustada, a minuta do golpe ainda previa a convocação de novas eleições, a intervenção no processo eleitoral de 2022 e a instalação de um Conselho de Regência. Mesmo com o tom aparentemente mais moderado, o objetivo de ruptura institucional permanecia claro.


Pressões internas no governo e nas Forças Armadas

O depoimento de Cid também revelou que havia uma clara divisão dentro do governo e das Forças Armadas sobre a viabilidade de executar o plano golpista. Uma ala radical pressionava o então presidente a assinar a minuta e tomar o poder à força. Outra, mais cautelosa, resistia ao rompimento democrático.

O general Freire Gomes, comandante do Exército na época, teria demonstrado resistência à proposta. Por outro lado, outros membros do alto escalão militar, como integrantes da Marinha, estariam dispostos a colaborar com a execução da minuta. Bolsonaro teria tentado obter apoio dos três comandos militares, mas esbarrou em divergências.


A edição do texto golpista

A versão inicial da minuta do golpe previa ações drásticas, como a prisão imediata de ministros do STF, cassação de mandatos parlamentares e intervenção total no processo eleitoral. Após debates com assessores e aliados, Bolsonaro teria determinado a exclusão desses trechos, deixando apenas a prisão de Alexandre de Moraes como medida direta.

Mauro Cid confirmou que essa versão “enxugada” foi discutida em reuniões reservadas no Palácio do Planalto, nas quais participaram militares e civis ligados ao gabinete presidencial.


Reuniões no Planalto e o papel do núcleo duro

De acordo com o depoimento, Bolsonaro teria convocado reuniões com seus assessores mais próximos e comandantes militares para discutir o conteúdo da minuta. Os encontros foram frequentes nos meses de novembro e dezembro de 2022, em meio ao acirramento da crise pós-eleitoral.

Entre os nomes citados como integrantes do núcleo decisório estavam ex-ministros, generais da reserva e aliados políticos. Todos debatiam estratégias para legitimar juridicamente a ruptura institucional e mobilizar setores das Forças Armadas.


Tentativa de validar o golpe com base legal

A estratégia do grupo era tentar dar aparência de legalidade à minuta do golpe. Para isso, foram feitas consultas jurídicas informais e redigidas versões com trechos baseados na Constituição. O argumento seria de que o presidente teria autoridade para decretar estado de defesa em “momentos de grave ameaça à ordem”.

No entanto, mesmo com esse revestimento jurídico, a proposta era flagrantemente inconstitucional. O objetivo de anular eleições legítimas e impedir a posse de um presidente eleito violava princípios fundamentais do regime democrático.


Bolsonaro tentou medir o apoio dos comandos militares

Em meio às articulações, Bolsonaro sondou a disposição dos comandos militares em apoiar a execução do decreto. A expectativa era que, com o respaldo das Forças Armadas, a medida teria maior chance de prosperar sem reação das instituições.

O Exército teria representado o principal obstáculo. Já a Marinha, de acordo com o relato de Cid, se mostrava mais flexível. A Aeronáutica manteve posição neutra.

Essa disparidade de posicionamentos inviabilizou a adoção prática da minuta.


Reações internas e o medo de isolamento

Com o avanço das investigações e a resistência interna, Bolsonaro passou a temer as consequências do golpe. A possibilidade de ficar isolado politicamente e sofrer retaliações institucionais o teria feito recuar.

Mesmo sem assinar o decreto, o simples fato de revisar, discutir e apresentar o conteúdo da minuta do golpe já configura, segundo juristas, tentativa de atentado ao Estado Democrático de Direito.


Ação penal e próximos passos do STF

A revelação de Cid fortalece a acusação contra Bolsonaro por tentativa de golpe. A ação penal em curso no STF inclui ainda outros réus, como generais, ex-ministros e civis que participaram das articulações.

A expectativa é que os depoimentos dos demais envolvidos reforcem as provas já reunidas. Entre os próximos a serem ouvidos está o próprio Jair Bolsonaro, que poderá ser questionado sobre seu grau de envolvimento, decisões tomadas durante o governo e os encontros realizados após as eleições.


Impacto político e jurídico

Caso as acusações sejam comprovadas, Bolsonaro poderá enfrentar punições severas, incluindo inelegibilidade, perda de direitos políticos e até prisão. A depender do desfecho, o caso pode se tornar um marco histórico na proteção das instituições democráticas no Brasil.

A delação de Cid, somada às demais provas documentais e depoimentos, cria um cenário de alta complexidade jurídica e política, com desdobramentos ainda imprevisíveis.


Minuta do golpe e o futuro da democracia brasileira

O episódio da minuta do golpe revela os riscos que rondaram a democracia brasileira no fim de 2022. A tentativa de usar um decreto para subverter o resultado eleitoral representa um alerta sobre a fragilidade institucional diante de lideranças autoritárias.

O Supremo Tribunal Federal tem a missão de garantir a responsabilização dos envolvidos, fortalecer os mecanismos de controle e assegurar que episódios semelhantes não voltem a ameaçar a estabilidade do país.

LEIA MAIS

Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

O grupo Prerrogativas acusa o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, de abuso de poder e de adotar decisões que, na avaliação do

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Os presidentes dos diretórios estaduais do MDB de dez estados das regiões Norte e Nordeste anunciaram, nesta terça-feira (13), apoio à candidatura do

Leia MaisDetails
Brasileiros Conservadores - Gazeta Mercantil
Política

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Pesquisa ouviu brasileiros sobre temas de costumes e valores, como aborto, casamento homoafetivo, pena de morte e redução da maioridade penal

Leia MaisDetails
Governo Notifica 37 Fintechs Ligadas A Bets Ilegais
Política

Lula atribui à pressão popular mudança de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6×1

Presidente afirmou que manifestações nas ruas pressionaram o partido; nesta terça, Flávio Bolsonaro declarou voto favorável à PEC após ter criticado a proposta. * * Lula afirmou nesta...

Leia MaisDetails
Tse: Corregedor Derruba Decisão De Kassio Nunes Marques E Libera Canal Pró-Lula - Gazeta Mercantil - Destaque
Política

TSE: corregedor derruba decisão de Kassio Nunes Marques e libera canal pró-Lula

Decisão do corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva contraria determinação anterior do ministro Kassio Nunes Marques e determinou que canal voltasse ao ar

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

21:15:14
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Leia MaisDetails
Agronegocio - Gazeta Mercantil
Empresas

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Leia MaisDetails
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP