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Movida (MOVI3) dobra lucro para R$ 136 milhões no 2T26 com avanço de preços e ocupação

Alta das tarifas, ocupação de 76,2% e expansão da gestão de frotas impulsionaram o resultado da Movida, enquanto juros ainda pressionam o balanço.

por João Souza
11/08/2026 às 22h00
em Empresas
Movida (Movi3) - Gazeta Mercantil

A Movida (MOVI3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 136 milhões, resultado 100,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado e acima da faixa de R$ 110 milhões a R$ 130 milhões que havia sido projetada pela própria companhia. O desempenho consolida a recuperação da rentabilidade observada nos últimos trimestres, apoiada principalmente pelo aumento dos preços das locações, maior utilização da frota e crescimento do negócio de gestão e terceirização de veículos.

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A melhora do lucro ocorreu mesmo com uma expansão relativamente pequena da receita consolidada. A receita líquida atingiu R$ 3,766 bilhões, avanço de 2,4% sobre o segundo trimestre de 2025, mas essa comparação esconde comportamentos bastante distintos entre as principais divisões da empresa. Enquanto as receitas de locação avançaram em ritmo acelerado, a venda de veículos seminovos recuou, refletindo a decisão de manter mais automóveis disponíveis para atender à demanda crescente por aluguel.

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O resultado operacional cresceu em velocidade muito superior à receita. O Ebitda consolidado alcançou R$ 1,687 bilhão, expansão anual de 22,3%, enquanto o Ebit atingiu pela primeira vez aproximadamente R$ 1,015 bilhão em um trimestre, avanço de 29,3%. No acumulado do primeiro semestre, o lucro líquido chegou a R$ 260 milhões, crescimento de 78,1% sobre o mesmo período de 2025.

A combinação desses indicadores mostra que a Movida conseguiu extrair mais rentabilidade de sua estrutura mesmo em um ambiente financeiro ainda desfavorável para empresas intensivas em capital. O avanço operacional, entretanto, continua convivendo com despesas financeiras elevadas, decorrentes do volume de endividamento necessário para financiar a compra e a renovação da frota.

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Aluguel de carros concentra avanço operacional

O segmento de aluguel de carros, conhecido como Rent-a-Car ou RAC, foi um dos principais responsáveis pelo crescimento do resultado. A receita líquida dessa operação alcançou R$ 1,1 bilhão no segundo trimestre, alta de 30,4% sobre o mesmo período de 2025, sustentada tanto pelo aumento do número de diárias quanto pela melhora da precificação.

O volume total de diárias chegou a 7,413 milhões, crescimento de aproximadamente 22% em um ano, enquanto a tarifa média atingiu R$ 165, alta de cerca de 7%. A companhia conseguiu elevar simultaneamente preços e utilização da frota, uma combinação especialmente importante para a rentabilidade de uma empresa de locação, na qual grande parte dos custos permanece mesmo quando um automóvel não está alugado.

A taxa de ocupação operacional do RAC avançou de 74,1% no segundo trimestre de 2025 para 76,2% neste ano, ganho de 2,1 pontos percentuais. A ocupação total também melhorou de forma expressiva, passando de 60,6% para 66%, mostrando uma utilização mais eficiente dos ativos mantidos pela companhia.

Esse conjunto de fatores levou o Ebitda do aluguel de carros a R$ 758 milhões, expansão de 30,8% na comparação anual. A margem Ebitda ficou em 68,9%, ligeiramente acima dos 68,7% registrados um ano antes, enquanto o Ebit alcançou R$ 498 milhões, crescimento de 32,3%.

A receita média mensal por veículo operacional também aumentou. O indicador chegou a aproximadamente R$ 3.740 por carro, crescimento de 9,1% em relação ao segundo trimestre de 2025. O resultado mostra que o crescimento da divisão não dependeu apenas de adicionar veículos à frota, mas também de extrair maior receita dos ativos que já estavam em operação.

Gestão de frotas alcança margem de 77,9%

A divisão de Gestão e Terceirização de Frotas, que reúne contratos empresariais, CS Frotas e carro por assinatura, manteve uma trajetória de crescimento mais moderada em volume, mas apresentou forte avanço de rentabilidade.

A receita líquida do segmento chegou a R$ 1,15 bilhão, crescimento de 15,5% em um ano, enquanto a frota média operacional avançou apenas 3,6%, para aproximadamente 131 mil automóveis. Essa diferença entre o crescimento da receita e o aumento da frota mostra o impacto das revisões de preços e da entrada de novos contratos com retornos mais elevados.

A receita média mensal por veículo avançou 11,5%, alcançando R$ 3.289, enquanto o Ebitda da divisão somou R$ 895 milhões, alta de 18,2%. A margem Ebitda atingiu 77,9%, ante 76,1% no segundo trimestre de 2025, e o Ebit cresceu 27,8%, para R$ 524 milhões.

Outro elemento relevante é a receita futura já contratada pela operação. O backlog da Gestão e Terceirização de Frotas alcançou R$ 9,827 bilhões, aumento de 40,4% em relação ao ano anterior. Esse estoque de contratos oferece maior previsibilidade sobre receitas futuras e reduz a dependência da companhia de oscilações de curto prazo na demanda.

A Movida informou ainda que os contratos mais recentes estão sendo fechados com retornos maiores. O yield dos novos contratos chegou a 3,7% ao mês no segundo trimestre, enquanto contratos antigos passam gradualmente por processos de renovação, permitindo que preços anteriores sejam substituídos por condições comerciais mais próximas das praticadas atualmente.

Seminovos recuam em volume e compensam com preço maior

O comportamento da divisão de seminovos foi bastante diferente daquele observado nas operações de locação. A Movida vendeu 19.414 veículos no trimestre, número inferior ao registrado um ano antes, porque decidiu manter uma parcela maior da frota disponível para atender à demanda do negócio de aluguel.

Como consequência, a receita líquida de seminovos caiu 17,7%, para R$ 1,47 bilhão. O impacto da redução de volume foi parcialmente compensado pelo preço médio dos veículos vendidos, que avançou 9,7% e chegou a aproximadamente R$ 77,3 mil por unidade.

A margem Ebitda do negócio ficou em 1,1%, nível que a administração considera normalizado para a atividade. Embora a contribuição direta de seminovos para o Ebitda consolidado seja pequena, essa divisão exerce uma função estratégica no modelo de negócios da Movida porque permite monetizar veículos retirados da operação e recuperar capital para a renovação da frota.

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A companhia também informou melhora significativa no giro dos ativos. O indicador de eficiência do estoque de seminovos avançou 55% no trimestre e 65% no primeiro semestre, reduzindo o período durante o qual os carros permanecem parados antes da venda.

A gestão do valor residual dos automóveis permanece relevante porque eventuais diferenças entre o preço esperado e o preço efetivamente obtido na revenda podem afetar diretamente a depreciação e a rentabilidade da locadora. Segundo a Movida, cerca de 84% de sua frota está concentrada em veículos com valor residual médio estimado próximo de R$ 73 mil, faixa em que a companhia identifica maior liquidez no mercado de usados.

Juros consomem parte relevante do avanço operacional

Se o resultado operacional mostra melhora expressiva, o resultado financeiro continua sendo o principal contraponto do balanço. A despesa financeira líquida atingiu R$ 845,6 milhões no segundo trimestre, aumento de 21,8% em relação aos R$ 694,1 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

As despesas financeiras isoladamente alcançaram aproximadamente R$ 909,9 milhões, alta de 17,3%, enquanto as receitas financeiras diminuíram 16,8%, para R$ 82,1 milhões. De acordo com a companhia, o movimento está relacionado principalmente ao aumento da dívida bruta e à redução do saldo médio de caixa e de sua rentabilidade.

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A dívida bruta encerrou junho em aproximadamente R$ 20,6 bilhões, frente a R$ 19,2 bilhões um ano antes. A dívida líquida considerada para os covenants ficou em R$ 17,2 bilhões, enquanto a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda encerrou o trimestre em 2,66 vezes.

Considerando cessões de direitos creditórios, métrica utilizada pelo Banco Safra em sua análise, a dívida líquida ajustada alcançou aproximadamente R$ 18,8 bilhões e a relação dívida líquida ajustada sobre Ebitda ficou em 2,91 vezes. O indicador era de 2,96 vezes no primeiro trimestre de 2026 e de 3,20 vezes no segundo trimestre do ano passado, o que indica melhora gradual da alavancagem apesar do crescimento nominal da dívida.

A companhia também vem atuando para alongar os vencimentos. Durante o trimestre, concluiu a rolagem bilateral de debêntures no montante de R$ 1,1 bilhão, levando os vencimentos até 2033, além de alongar empréstimos no exterior equivalentes a US$ 100 milhões. O spread médio da dívida diminuiu de 2% para 1,8% em um ano.

Movida amplia investimentos para renovar frota

O investimento voltou a crescer com força no segundo trimestre. O Capex líquido consolidado atingiu R$ 2,409 bilhões, mais que o dobro dos R$ 1,155 bilhão registrados no mesmo período de 2025, refletindo principalmente a renovação e expansão da frota.

No RAC, o Capex líquido chegou a R$ 1,504 bilhão, alta de 93,2%, enquanto a divisão de Gestão e Terceirização de Frotas investiu R$ 904,6 milhões líquidos, avanço de 140,1%. A expansão prepara a empresa para períodos de demanda sazonalmente mais fortes e para a implantação dos contratos conquistados no segmento corporativo.

Esse ciclo de investimento ajuda a explicar parte da elevação do endividamento e reforça a importância de a Movida manter a rentabilidade dos veículos acima do custo de financiamento. No segundo trimestre, o retorno sobre o capital investido, o ROIC, atingiu 16,7%, e a empresa calculou diferença positiva de 5,7 pontos percentuais entre esse retorno e o custo médio da dívida após impostos.

Companhia projeta lucro de até R$ 150 milhões no 3T26

Depois de superar o guidance estabelecido para o segundo trimestre, a Movida divulgou uma nova projeção para os três meses seguintes. A companhia espera registrar lucro líquido entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões no terceiro trimestre de 2026, praticamente o dobro dos R$ 70 milhões obtidos no mesmo período do ano passado quando considerado o ponto médio da faixa.

Utilizando o valor central da projeção, o lucro acumulado dos primeiros nove meses de 2026 chegaria a aproximadamente R$ 400 milhões, crescimento de 85% em relação ao mesmo período de 2025. Esse resultado também seria cerca de 26% superior aos R$ 318 milhões registrados durante todo o exercício de 2025.

O Banco Safra avaliou o balanço como positivo e manteve recomendação de compra para MOVI3. A instituição destacou a melhora dos preços, ocupação e margens nas operações de locação, mas observou que a faixa projetada pela administração para o terceiro trimestre ficou abaixo de sua estimativa de R$ 160,5 milhões.

Segundo o Safra, a ação é negociada a aproximadamente cinco vezes o lucro projetado para 2026, múltiplo cerca de 21% inferior à média histórica de 6,3 vezes calculada pela instituição. A avaliação do banco, contudo, representa uma análise de mercado e não uma garantia de desempenho futuro das ações.

O balanço do segundo trimestre mostra uma companhia que conseguiu melhorar substancialmente a rentabilidade de sua frota e fazer o lucro crescer mais rapidamente do que a receita. O principal desafio permanece financeiro: para transformar a melhora operacional em uma expansão mais intensa do resultado líquido, a Movida precisará continuar aumentando os retornos sobre seus ativos enquanto administra uma estrutura de dívida que ainda gera despesas superiores a R$ 800 milhões por trimestre.

A evolução das tarifas, da ocupação e dos contratos de gestão de frotas será, portanto, determinante para avaliar a continuidade dessa trajetória no segundo semestre. Ao mesmo tempo, o mercado acompanhará se a expansão do Capex conseguirá produzir crescimento adicional de receita e Ebitda sem interromper a redução gradual dos indicadores de alavancagem observada nos últimos períodos.

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