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Direcional (DIRR3) despenca após balanço do 2T26: caixa recorde não evita queda e ação entra em leilão

Ação caiu mais de 7% na abertura, entrou em leilão e fechou em queda mesmo com ROE de 35% e dívida em recuo; analistas mantêm compra

por João Souza
12/08/2026 às 14h07
em Empresas
Direcional (Dirr3) Despenca Após Balanço Do 2T26: Caixa Recorde Não Evita Queda E Ação Entra Em Leilão-Gazeta Mercantil

As ações da Direcional Engenharia (DIRR3) registraram forte volatilidade nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, na primeira sessão após a divulgação dos resultados do segundo trimestre. Por volta das 11h55, os papéis recuavam 2,45%, a R$ 10,74, depois de terem chegado a cair mais de 7% no início dos negócios e passado por leilão na B3.

A reação negativa ocorreu apesar de o balanço apresentar crescimento da receita, margem bruta ajustada acima de 40%, retorno anualizado sobre o patrimônio de 35% e uma reversão expressiva da queima de caixa registrada nos primeiros três meses do ano. Os resultados foram divulgados na noite de terça-feira (11), após o fechamento do mercado, conforme o calendário de relações com investidores da companhia.

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O contraste entre os fundamentos operacionais e o comportamento das ações está principalmente na leitura prospectiva feita pelo mercado. A margem da receita a apropriar, conhecida como margem REF, recuou novamente, enquanto as despesas comerciais aumentaram em meio ao ritmo elevado de lançamentos. O resultado financeiro também apareceu entre os pontos de atenção destacados por analistas.

Receita cresce e margem bruta permanece acima de 42%

A Direcional encerrou o segundo trimestre com receita líquida consolidada de R$ 1,279 bilhão, avanço de aproximadamente 20% sobre os R$ 1,065 bilhão registrados no mesmo período de 2025 e crescimento de cerca de 10% diante do primeiro trimestre deste ano.

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Quando são consideradas também as receitas de sociedades de propósito específico não consolidadas, a receita líquida total chegou a R$ 1,597 bilhão, frente a R$ 1,406 bilhão um ano antes. No primeiro semestre, esse indicador alcançou R$ 3,038 bilhões, crescimento de 19% na comparação anual.

O lucro bruto ajustado atingiu R$ 548 milhões, alta de 23% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 10% sobre os três primeiros meses de 2026. A margem bruta ajustada ficou em 42,8%, praticamente estável diante dos 42,9% do primeiro trimestre e acima dos 41,7% observados um ano antes.

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O desempenho mostra que, no resultado já reconhecido contabilmente, a companhia continua operando com níveis elevados de rentabilidade. A preocupação do mercado surgiu menos nos números correntes e mais nos indicadores que dão pistas sobre a rentabilidade das vendas que ainda serão reconhecidas nos próximos períodos.

Margem REF cai para 43,9% e vira ponto de atenção

A receita a apropriar por vendas de imóveis alcançou R$ 4,114 bilhões ao fim de junho, avanço de 21% em relação aos R$ 3,398 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025.

A margem REF, porém, caiu para 43,9%, ante 44,4% no primeiro trimestre, 44,6% no quarto trimestre de 2025 e 45,2% um ano antes. Em doze meses, portanto, houve uma compressão de 1,3 ponto percentual.

Esse indicador recebe atenção especial porque representa a margem associada às receitas de imóveis que já foram vendidos, mas cujo resultado ainda será apropriado conforme a evolução das obras. Embora permaneça em patamar elevado, uma trajetória persistente de redução pode indicar que os projetos que alimentarão os resultados futuros carregarão rentabilidade um pouco inferior àquela observada atualmente.

No material que serviu de base para esta reportagem, análises de mercado apontaram exatamente essa deterioração marginal como um dos fatores capazes de explicar a pressão sobre DIRR3, mesmo diante de um trimestre operacionalmente forte.

Lançamentos chegam a R$ 2,1 bilhões

A atividade operacional permaneceu intensa. A companhia registrou R$ 2,065 bilhões em lançamentos no segundo trimestre, considerando o VGV total dos projetos, crescimento de 105% em relação aos três primeiros meses do ano e de 8% na comparação anual.

As vendas brutas chegaram a aproximadamente R$ 2 bilhões, enquanto as vendas líquidas somaram cerca de R$ 1,7 bilhão. O indicador de vendas sobre oferta, conhecido pela sigla VSO, ficou em 23% no consolidado, sendo 24% para a marca Direcional e 21% para a Riva.

Dois dos empreendimentos lançados no período foram desenvolvidos em parceria com a Moura Dubeux (MDNE3), em Fortaleza e Natal. Juntos, os projetos somam 712 unidades e VGV de R$ 234 milhões, dos quais R$ 117 milhões correspondem à participação da Direcional.

A expansão dos lançamentos ajuda a sustentar o crescimento futuro, mas também produz efeitos imediatos sobre a estrutura de custos. Em períodos de maior volume lançado, despesas com publicidade, estrutura de vendas, comissões e esforços comerciais tendem a aumentar antes que toda a receita correspondente seja reconhecida.

Despesas comerciais avançam com ritmo de lançamentos

As despesas comerciais somaram R$ 129 milhões no segundo trimestre, crescimento de 20% frente aos R$ 107 milhões do primeiro trimestre e de 33% na comparação com os R$ 97 milhões registrados um ano antes.

As despesas gerais e administrativas, por outro lado, ficaram em R$ 72 milhões, recuo de 2% em relação ao trimestre imediatamente anterior, embora ainda apresentassem alta de 19% na comparação anual.

O aumento dos gastos comerciais ocorre justamente no momento em que a empresa acelerou fortemente os lançamentos. Por isso, a análise do resultado exige separar os custos ligados à expansão operacional de uma deterioração estrutural das margens.

O Ebitda ajustado alcançou R$ 348 milhões, crescimento de 27% sobre o segundo trimestre de 2025 e de 6% em relação aos R$ 328 milhões registrados no primeiro trimestre. A margem Ebitda ajustada ficou em 27,2%, abaixo dos 28,2% do trimestre anterior, mas acima dos 25,8% de um ano antes.

Geração de caixa muda de sinal

Um dos principais pontos positivos do balanço foi a recuperação da geração de caixa. A Direcional reportou R$ 130 milhões em geração de caixa contábil no 2T26, revertendo o consumo de R$ 76 milhões registrado no primeiro trimestre.

Na métrica operacional, que exclui efeitos considerados não recorrentes ou não diretamente ligados à atividade, a geração atingiu R$ 80 milhões, mais que o dobro dos R$ 35 milhões registrados no primeiro trimestre.

A melhora no caixa contribuiu para reduzir a dívida líquida da companhia para R$ 492 milhões, ante aproximadamente R$ 613 milhões ao fim de março. Como consequência, a relação entre dívida líquida e patrimônio líquido caiu de 24% para 18%.

O caixa total atingiu R$ 2,454 bilhões, crescimento de 16% frente ao segundo trimestre do ano passado, enquanto o prazo médio de vencimento das dívidas chegou a 65 meses, segundo a apresentação divulgada pela companhia.

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ROE anualizado chega a 35%

A rentabilidade continuou entre os principais destaques da Direcional. O retorno sobre o patrimônio líquido anualizado, o ROE, ficou em 35%, patamar elevado para o setor de construção civil.

O lucro líquido operacional indicado na apresentação da empresa chegou a R$ 202 milhões no segundo trimestre. Considerando o impacto líquido de R$ 35 milhões relacionado a participações de minoritários em sociedades e empreendimentos, o gráfico apresentado pela companhia totaliza R$ 237 milhões.

A combinação de margem bruta superior a 42%, ROE de 35% e queda da alavancagem ajuda a explicar por que parte das instituições financeiras manteve uma avaliação positiva dos fundamentos mesmo diante da reação negativa das ações.

Relatórios citados no material-base indicaram que BTG Pactual, Itaú BBA, XP Investimentos, Bradesco BBI e Citi enxergaram aspectos positivos nos números, principalmente na recuperação da geração de caixa e na manutenção de margens operacionais elevadas. O Citi, porém, chamou atenção para a margem do backlog e para a necessidade de acompanhar a conversão dos resultados em caixa.

Repasses da Caixa avançam para R$ 397 milhões em julho

Outro dado acompanhado pelo mercado é o fluxo de repasses relacionados à Caixa Econômica Federal. A Direcional informou que os recebimentos alcançaram R$ 397 milhões em julho, após R$ 304 milhões em junho, R$ 281 milhões em maio e R$ 262 milhões em abril.

A aceleração é relevante porque esses repasses influenciam diretamente a transformação das vendas e dos lucros contábeis em caixa efetivamente disponível para a companhia.

A continuidade desse movimento nos próximos meses pode contribuir para fortalecer ainda mais a geração de caixa e reduzir a alavancagem, criando espaço adicional para remuneração aos acionistas e investimentos em novos projetos.

O Minha Casa, Minha Vida permanece como uma das principais bases da estratégia da Direcional. O segmento de habitação econômica, associado às condições de financiamento vinculadas ao FGTS, continua oferecendo suporte à demanda mesmo em um ambiente de juros elevados.

Mercado separa resultado atual de rentabilidade futura

A queda das ações após o balanço mostra como um resultado corporativo pode receber leituras distintas. Os indicadores de receita, Ebitda, margem bruta, ROE, vendas e geração de caixa permaneceram fortes, mas o mercado também incorporou ao preço a redução da margem REF e o aumento das despesas comerciais.

Na prática, o investidor não avalia apenas aquilo que a companhia ganhou no trimestre encerrado em junho. Parte significativa da precificação depende da expectativa sobre quanto os atuais lançamentos e vendas poderão produzir de margem e caixa nos próximos anos.

A Direcional realizou sua videoconferência de resultados às 9h desta quarta-feira, horário de Brasília. O calendário oficial da companhia indica que o próximo resultado trimestral está previsto para 9 de novembro de 2026, quando deverão ser divulgados os números do terceiro trimestre.

Até lá, a evolução da margem REF, dos repasses da Caixa, da geração de caixa e do ritmo de lançamentos tende a permanecer no centro da leitura sobre DIRR3. Esses indicadores ajudarão a mostrar se a queda observada após o balanço refletiu apenas uma revisão de expectativas de curto prazo ou uma mudança mais persistente na percepção de rentabilidade futura da companhia.

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