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Naskar Gestão de Ativos deixou sede oficial antes de sumir com quase R$ 1 bilhão de clientes

Fintech não ocupa mais endereço registrado na Receita Federal em São Paulo; Polícia Civil do DF investiga suspeita de estelionato ou pirâmide financeira

por João Souza
10/05/2026 às 10h57
em Empresas
Naskar Gestão De Ativos Deixou Sede Oficial Antes De Sumir Com Quase R$ 1 Bilhão De Clientes - Gazeta Mercantil - Empresas

A Naskar Gestão de Ativos Ltda. já havia deixado sua sede oficial na Vila Olímpia, em São Paulo, meses antes de interromper pagamentos, tirar o aplicativo do ar e desaparecer com quase R$ 1 bilhão de clientes. Segundo relatos de funcionários do edifício onde a empresa mantinha endereço cadastral, a fintech teria abandonado o local entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, antes do colapso público do caso em maio.

A mudança não teria sido comunicada aos clientes. Apesar de a empresa não ocupar mais o espaço, o CNPJ da matriz continuava registrado na Receita Federal com o endereço da Vila Olímpia. A divergência entre cadastro oficial e presença física ampliou a dificuldade de investidores que tentaram localizar a companhia após a suspensão dos pagamentos.

Leia também: Depoimento de Carlos Lupi na CPI do INSS: falhas de gestão, contradições e novas revelações.

A Naskar entrou no centro de uma investigação após clientes relatarem que deixaram de receber os rendimentos prometidos no início de maio. O aplicativo da empresa saiu do ar, e os três sócios passaram a não responder aos contatos. A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o caso sob suspeita de estelionato ou pirâmide financeira.

O Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não tinham a Naskar em seus cadastros como instituição autorizada a captar recursos do público. Esse ponto é central para a apuração, já que a empresa oferecia produtos financeiros e remuneração a clientes sem constar como entidade supervisionada pelos principais órgãos reguladores do mercado.

Saída da sede antecedeu bloqueio de pagamentos

A saída da Naskar do endereço da Vila Olímpia ocorreu antes de os problemas se tornarem públicos. Funcionários do edifício relataram que a empresa deixou o local entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

O abandono da sede chama atenção porque ocorreu meses antes da interrupção dos pagamentos mensais previstos aos clientes. Em maio de 2026, os repasses esperados para o dia 4 não foram realizados. Pouco depois, o aplicativo da fintech saiu do ar.

A sequência de eventos levantou suspeitas entre clientes e investigadores. A saída silenciosa da sede, sem comunicação formal aos investidores, passou a ser vista como possível indício de desmobilização anterior ao colapso da operação.

A empresa, no entanto, ainda poderá apresentar explicações sobre a mudança de endereço, o motivo da ausência de comunicação e a interrupção dos pagamentos. Até o avanço das investigações, os fatos devem ser tratados como suspeitas sob apuração.

CNPJ continuava com endereço antigo

Mesmo após deixar o endereço físico, a Naskar mantinha o CNPJ da matriz registrado na Receita Federal com a localização da Vila Olímpia. Para clientes que tentaram buscar a empresa presencialmente, o dado oficial não correspondia mais à ocupação real do imóvel.

Essa divergência pode se tornar relevante para a investigação. Empresas devem manter cadastros atualizados para garantir transparência sobre sede, atividade, responsáveis e canais formais de contato.

No caso da Naskar, a manutenção de um endereço aparentemente desatualizado ocorreu em meio a uma crise envolvendo valores expressivos de clientes. A situação reforçou a percepção de falta de transparência operacional.

Também há informações de que a fintech teria se deslocado para Alphaville, em Barueri, na Grande São Paulo. A região concentra empresas ligadas a sócios associados à Naskar, o que passou a ser analisado como parte do entorno societário do caso.

Filiais foram encerradas simultaneamente em 2025

A saída da sede oficial não foi o único movimento anterior ao colapso. Em 1º de abril de 2025, as três filiais da Naskar foram encerradas simultaneamente. As unidades de Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro tiveram seus CNPJs baixados na Receita Federal.

Clientes não teriam sido comunicados sobre o encerramento das filiais. A baixa simultânea das unidades passou a integrar a linha do tempo de fatos que levantam dúvidas sobre a reorganização da empresa antes da suspensão dos pagamentos.

O encerramento de filiais pode ter explicações administrativas, estratégicas ou operacionais. No entanto, quando ocorre em uma empresa que posteriormente deixa de pagar clientes e interrompe canais digitais, o movimento ganha relevância investigativa.

A apuração deverá verificar se a baixa das unidades fazia parte de uma reestruturação regular ou se indicava redução planejada da presença formal da companhia antes do colapso.

Sócios também aparecem em outra empresa financeira

Outro ponto que chamou atenção foi a movimentação societária envolvendo nomes ligados à Naskar. Em dezembro de 2024, José Maurício Volpato, conhecido como Maurício Jahu, passou a figurar como diretor da 7Trust Finance IP S/A, empresa identificada pelo Banco Central como instituição de pagamento em processo de autorização.

Rogério Vieira, outro sócio da Naskar, aparece como presidente da mesma companhia. A conexão entre os nomes passou a ser observada por clientes e investigadores em meio às suspeitas sobre o destino dos recursos aplicados na fintech.

A existência de participação em outra empresa não representa irregularidade por si só. O ponto relevante para a investigação é saber se houve relação entre estruturas empresariais, movimentações financeiras e eventual transferência de operações ou recursos.

A Polícia Civil deverá avaliar documentos, registros societários, comunicações, movimentações bancárias e eventuais vínculos entre empresas associadas aos sócios.

Empresas em Alphaville entram no radar

Há informações de que a Naskar teria se transferido para Alphaville, em Barueri. Na mesma região, estão registradas duas empresas ligadas a Jahu e Arantes: Next Gestão de Ativos Ltda. e Nextgen Gestão Financeira Ltda.

Essa proximidade geográfica e societária pode ser analisada pelos investigadores para entender a estrutura de negócios vinculada aos responsáveis pela fintech. O objetivo é verificar se houve continuidade operacional, deslocamento de atividades ou eventual tentativa de reorganizar a presença empresarial sob outras denominações.

Até o momento, não há conclusão definitiva sobre o papel dessas empresas no caso. A investigação ainda deve identificar se houve movimentação de recursos, sobreposição de clientes, uso de estruturas comuns ou vínculos relevantes para a apuração.

Para os clientes, a principal preocupação é localizar os responsáveis, obter informações sobre os valores investidos e entender se há patrimônio ou recursos capazes de responder pelos prejuízos relatados.

Banco Central e CVM não autorizavam captação

O Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários não tinham a Naskar em seus cadastros como instituição autorizada a captar recursos do público. Esse elemento é um dos mais relevantes da apuração.

No Brasil, atividades de intermediação financeira, oferta pública de valores mobiliários, gestão de recursos e captação junto ao público dependem de autorização, registro ou supervisão específica, conforme o tipo de operação realizada.

Quando uma empresa oferece remuneração financeira a clientes sem constar nos cadastros regulatórios adequados, aumenta o risco para investidores. A ausência de autorização também pode indicar atuação fora dos parâmetros exigidos pelo sistema financeiro e pelo mercado de capitais.

A investigação deverá esclarecer qual era o modelo de negócio da Naskar, como os recursos eram captados, quais contratos eram oferecidos e se havia promessa de rentabilidade incompatível com a estrutura declarada da empresa.

Polícia investiga suspeita de estelionato ou pirâmide

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o caso sob suspeita de estelionato ou pirâmide financeira. As duas hipóteses envolvem apuração de condutas distintas, mas podem se cruzar em casos de captação irregular de recursos.

No estelionato, a investigação busca verificar se clientes foram induzidos a erro mediante promessa, fraude ou omissão de informações relevantes. Já a hipótese de pirâmide financeira envolve a possibilidade de pagamento de rendimentos a investidores antigos com recursos de novos participantes, sem atividade econômica suficiente para sustentar a operação.

Ainda não há conclusão definitiva sobre o enquadramento jurídico. A apuração deverá analisar contratos, extratos, comunicações com clientes, fluxo de entrada e saída de recursos, patrimônio dos sócios e movimentações entre empresas relacionadas.

Os investigados têm direito à defesa e poderão apresentar documentos, justificativas e explicações sobre a operação da empresa.

Aplicativo saiu do ar e sócios deixaram de responder

O colapso público do caso ocorreu em maio de 2026, quando os pagamentos mensais previstos para clientes deixaram de ser realizados. O aplicativo usado pelos investidores saiu do ar, e os sócios não responderam mais aos contatos, segundo relatos de clientes.

A interrupção simultânea dos canais digitais e dos pagamentos agravou a crise. Muitos investidores passaram a buscar a sede física da empresa, mas encontraram o endereço oficial desocupado.

Esse cenário reforçou a suspeita de que a estrutura da Naskar já vinha sendo desmontada antes de a situação se tornar pública. A saída da sede, a baixa das filiais e a existência de outras empresas ligadas aos sócios passaram a compor a linha do tempo do caso.

A investigação deverá determinar se houve planejamento prévio, má gestão, insolvência, fraude ou outro fator que explique o desaparecimento dos responsáveis e a interrupção dos repasses.

Caso acende alerta sobre fintechs não autorizadas

O caso Naskar reforça a necessidade de atenção redobrada de investidores diante de empresas que oferecem remuneração elevada sem autorização regulatória clara. A ausência de cadastro no Banco Central ou na CVM deve ser tratada como sinal de risco.

Antes de aplicar recursos, investidores devem verificar se a instituição é autorizada, qual órgão supervisiona a atividade, quem são os responsáveis legais, onde fica a sede, qual é o contrato oferecido e quais riscos estão descritos formalmente.

Promessas de rentabilidade acima da média do mercado, especialmente sem explicação transparente sobre a origem dos ganhos, exigem cautela. No mercado financeiro, retorno elevado costuma vir acompanhado de risco proporcional.

Também é importante desconfiar de estruturas que usam linguagem tecnológica para oferecer produtos financeiros sem registro adequado. O uso do termo fintech não elimina a necessidade de autorização regulatória quando a atividade envolve captação, gestão ou intermediação de recursos.

Clientes buscam respostas sobre quase R$ 1 bilhão

Clientes da Naskar tentam entender o destino de quase R$ 1 bilhão que teria sido confiado à empresa. A ausência dos sócios, a queda do aplicativo e a sede desocupada dificultam a obtenção de respostas.

A prioridade dos investidores é identificar responsáveis, localizar documentos, bloquear patrimônio e tentar recuperar valores. Em casos dessa natureza, medidas judiciais podem incluir pedidos de bloqueio de bens, quebra de sigilos, busca e apreensão e cooperação entre órgãos reguladores e policiais.

A recuperação dos recursos dependerá do avanço da investigação, da localização de patrimônio e da comprovação de eventuais fraudes. Também será necessário mapear contas bancárias, empresas relacionadas e possíveis transferências feitas antes do colapso.

O caso ainda está em fase de apuração e pode ter novos desdobramentos conforme autoridades avancem sobre documentos, sócios e estruturas empresariais ligadas à fintech.

Linha do tempo amplia suspeitas sobre desmonte

A sequência de eventos levanta dúvidas sobre a conduta da Naskar antes do colapso. Em dezembro de 2024, sócios passaram a aparecer em outra empresa financeira em processo de autorização. Em abril de 2025, três filiais foram encerradas simultaneamente. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a empresa deixou a sede oficial na Vila Olímpia. Em maio, pagamentos foram interrompidos, o aplicativo saiu do ar e os sócios desapareceram.

Essa linha do tempo não comprova, por si só, fraude ou pirâmide financeira. Mas indica um conjunto de movimentos que precisa ser explicado pelos responsáveis e analisado pelas autoridades.

Para os clientes, a ausência de comunicação sobre fechamento de filiais e mudança de endereço é um dos pontos mais sensíveis. Empresas que administram recursos de terceiros precisam manter canais claros, dados atualizados e transparência sobre alterações estruturais.

A falta dessas informações agravou a insegurança dos investidores quando os pagamentos deixaram de ser feitos.

Investigação deve mirar registros, sócios e fluxo financeiro

Os próximos passos da apuração devem envolver análise de registros societários, movimentações financeiras, contratos com clientes, comunicações internas e histórico de pagamentos. A investigação também deve apurar se houve transferência de recursos para outras empresas ou pessoas físicas.

A Polícia Civil poderá buscar cooperação com órgãos reguladores, instituições financeiras e autoridades de outros estados. Como há clientes em diferentes regiões, o caso pode ganhar maior alcance jurídico e regulatório.

Também será necessário verificar se a Naskar atuava como gestora de ativos, intermediadora, fintech de pagamentos, consultoria ou estrutura híbrida. A definição da atividade real é fundamental para identificar quais normas foram eventualmente descumpridas.

Enquanto isso, clientes devem reunir contratos, comprovantes de transferências, extratos, mensagens, prints do aplicativo e qualquer documento que comprove vínculo com a empresa.

Sede abandonada reforça pressão por explicações

A constatação de que a Naskar deixou a sede oficial meses antes de sumir com quase R$ 1 bilhão de clientes reforça a pressão por explicações dos sócios e amplia a gravidade do caso. A manutenção do endereço antigo no cadastro da Receita Federal, sem ocupação real do espaço, dificultou a localização da empresa por investidores.

A investigação deverá esclarecer se a mudança de endereço foi uma decisão administrativa regular, uma tentativa de reduzir custos ou parte de um processo de desmonte anterior à suspensão dos pagamentos.

Até que as autoridades concluam a apuração, o caso deve ser tratado com cautela. A suspeita de estelionato ou pirâmide financeira ainda precisa ser comprovada, e os envolvidos terão direito à defesa.

A crise da Naskar, no entanto, já se tornou um alerta para o mercado sobre riscos de empresas não autorizadas a captar recursos do público e sobre a necessidade de transparência em estruturas financeiras que prometem remuneração elevada a investidores.

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