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Nubank (NU; ROXO34) ainda vale a pena? BTG vê alta de 65% para ação

Banco mantém recomendação de compra para a fintech, apesar da cautela do mercado com risco de crédito e qualidade da carteira

por Camila Braga
13/05/2026 às 15h57
em Ibovespa
Nubank (Nu; Roxo34) - Gazeta Mercantil

O Nubank (NU; ROXO34) chega à divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 sob maior escrutínio dos investidores, especialmente em relação à qualidade da carteira de crédito. Mesmo com a cautela do mercado após balanços recentes do setor financeiro brasileiro, o BTG Pactual mantém recomendação de compra para a fintech, com preço-alvo de US$ 22 para os próximos 12 meses. Considerando a cotação de US$ 13,27 usada no relatório, o potencial de valorização é de 65,8%.

A análise ocorre em um momento de maior sensibilidade para bancos digitais e plataformas financeiras. A reação negativa aos resultados recentes de companhias do setor, incluindo a queda das ações do Inter, ampliou a atenção sobre inadimplência, provisões e custo de risco.

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Para o BTG, porém, parte dessa cautela pode estar exagerada. O banco avalia que o mercado está buscando sinais muito pequenos de deterioração nos números das instituições financeiras, o que pode gerar leituras excessivamente negativas antes da divulgação dos resultados.

Risco de crédito vira principal preocupação

Em relatório assinado por Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, o BTG afirma que a qualidade dos ativos se tornou o principal ponto de atenção dos investidores internacionais em relação ao Nubank (NU; ROXO34).

A preocupação é compreensível. A fintech cresceu rapidamente em crédito, ampliou sua base de clientes e passou a ocupar posição relevante no sistema financeiro brasileiro e latino-americano. Em um ambiente de juros elevados e inadimplência pressionada, qualquer sinal de piora na carteira pode afetar a percepção sobre rentabilidade futura.

Segundo os analistas, investidores estrangeiros têm acompanhado os balanços do setor em busca de sinais de deterioração, mesmo que pequenos. Essa postura ganhou força depois de resultados recentes de bancos e plataformas financeiras terem sido recebidos com cautela pelo mercado.

O BTG, no entanto, avalia que parte das discussões recentes sobre risco de crédito pode refletir mais mudanças de mix de carteira do que uma deterioração estrutural. Essa distinção é importante porque uma mudança na composição dos produtos pode alterar indicadores sem necessariamente indicar perda de qualidade generalizada.

Podcast do Nubank foi interpretado pelo mercado

O relatório também menciona que um podcast recente divulgado pelo Nubank sobre estratégia de crédito, inteligência artificial e governança foi interpretado por parte do mercado como possível sinal indireto de preocupação com a carteira.

Para o BTG, essa leitura parece excessiva. Na avaliação dos analistas, os temas abordados pela companhia estão alinhados com assuntos que investidores já queriam entender melhor, especialmente em um momento no qual risco de crédito, uso de dados e modelos de concessão ganharam relevância.

A fintech tem usado inteligência artificial e análise de dados como parte central de sua estratégia de crédito. Esse modelo permite personalizar limites, precificar risco e ajustar ofertas conforme o comportamento financeiro dos clientes.

O ponto de atenção é que, quanto maior a escala da operação, maior a exigência por transparência. Investidores querem entender se o crescimento da carteira vem acompanhado de controles adequados, provisões suficientes e governança robusta.

Consenso prevê lucro de US$ 918 milhões

O consenso compilado pelo próprio Nubank, com projeções de mais de 19 analistas, aponta para lucro líquido de US$ 918 milhões no primeiro trimestre de 2026. O número representaria alta de 65% em relação ao mesmo período do ano anterior e avanço de 3% frente ao trimestre imediatamente anterior.

Se confirmado, o resultado implicaria retorno sobre o patrimônio líquido de 31%, patamar elevado para o setor financeiro. O ROE é uma das métricas mais acompanhadas por investidores porque mede a capacidade da companhia de transformar capital próprio em lucro.

A expectativa é que a receita total alcance US$ 4,94 bilhões, crescimento de 52% em um ano. O avanço refletiria a expansão da base de clientes, maior uso de produtos financeiros, crescimento da carteira e aumento da monetização da plataforma.

O Nubank (NU; ROXO34) segue sendo uma das principais teses de crescimento do setor financeiro na América Latina. A companhia combina escala, digitalização, baixo custo de atendimento e oferta crescente de produtos como cartões, crédito pessoal, conta digital, investimentos e serviços para pequenas empresas.

Provisões devem subir 37%

Apesar do crescimento esperado do lucro e da receita, o mercado acompanha de perto a evolução das provisões para perdas com crédito. O consenso aponta para provisões de US$ 1,33 bilhão no primeiro trimestre, alta de 37% na comparação anual.

O crescimento das provisões é natural em uma instituição que expande crédito, mas a velocidade desse aumento é decisiva para a leitura do balanço. Se as provisões crescerem mais do que o esperado, investidores podem interpretar o movimento como sinal de deterioração da carteira.

Na comparação trimestral, a expectativa é de alta de 7% nas provisões, abaixo da expansão projetada da carteira. Com isso, o custo de risco poderia recuar levemente, de 15,8% para 15,7%.

Esse ponto será um dos mais observados no balanço. Para o BTG, a margem para surpresas positivas é menor justamente porque o mercado já espera uma evolução relativamente controlada do risco de crédito. Qualquer desvio negativo pode gerar reação forte nas ações.

BTG mantém recomendação de compra

Mesmo diante da cautela, o BTG mantém recomendação de compra para Nubank (NU; ROXO34). O preço-alvo de US$ 22 representa potencial de valorização de 65,8% em relação à cotação de US$ 13,27 considerada no relatório.

A tese positiva se apoia na capacidade da fintech de continuar crescendo com rentabilidade, ampliar relacionamento com clientes e manter disciplina na gestão de risco. O banco também parece enxergar a reação recente do mercado como excessivamente defensiva.

Para investidores, a recomendação do BTG sugere que o Nubank (NU; ROXO34) ainda oferece assimetria positiva, desde que consiga entregar números consistentes e mostrar que a qualidade da carteira permanece sob controle.

A companhia, porém, precisará responder a uma pergunta central: o crescimento acelerado segue sustentável em um ambiente de crédito mais difícil?

Comunicação com o mercado ganha peso

O BTG destaca que, no momento atual, a comunicação da companhia pode ser tão importante quanto os próprios números. Em períodos de cautela, investidores tendem a reagir rapidamente a qualquer sinal de risco, mesmo antes de avaliar o conjunto completo do balanço.

A frase usada no relatório, de que investidores parecem “vender primeiro e fazer perguntas depois”, resume o ambiente atual para ações de bancos digitais. A tolerância a incertezas diminuiu.

Por isso, além de lucro, receita e ROE, o Nubank (NU; ROXO34) terá de explicar com clareza a evolução da inadimplência, das provisões, do custo de risco, da originação de crédito e dos modelos de governança.

Se a companhia mostrar que o crescimento continua acompanhado de controle de risco, pode reduzir parte da pressão recente. Se houver sinais de piora acima do esperado, a ação pode enfrentar nova volatilidade.

Nubank segue como tese de crescimento observada

O Nubank (NU; ROXO34) permanece entre as empresas financeiras mais acompanhadas por investidores no Brasil e no exterior. A fintech construiu uma base ampla de clientes, expandiu produtos e se consolidou como uma das principais companhias digitais da América Latina.

A questão agora é menos sobre capacidade de crescimento e mais sobre qualidade desse crescimento. O mercado quer saber se a expansão da carteira de crédito continuará gerando retorno elevado sem deterioração relevante dos ativos.

O balanço do primeiro trimestre será um teste importante para essa tese. Lucro de US$ 918 milhões, receita de quase US$ 5 bilhões e ROE de 31% reforçariam a força operacional da companhia. Já provisões acima do esperado ou piora do custo de risco poderiam dominar a leitura dos investidores.

Para o BTG, o cenário ainda justifica recomendação de compra. A ação teria potencial de alta expressivo nos próximos 12 meses, mas a realização dessa tese dependerá da capacidade do Nubank (NU; ROXO34) de manter crescimento, rentabilidade e disciplina de crédito em um ciclo mais exigente para o setor financeiro.

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