O Nubank (ROXO34) suspendeu temporariamente os saques e depósitos de criptomoedas em seu aplicativo nesta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, após identificar uma instabilidade em um fornecedor externo de dados. A interrupção impede que clientes transfiram ativos digitais para carteiras próprias ou outras plataformas, embora as operações de compra e venda dentro do ambiente do banco continuem disponíveis. A instituição informou que os recursos e as informações dos usuários permanecem protegidos e que trabalha para restabelecer os serviços afetados.
A suspensão foi identificada durante a manhã, quando usuários passaram a encontrar um aviso de indisponibilidade na área de criptomoedas do aplicativo. Segundo o Nubank, a falha não ocorreu em sua própria infraestrutura tecnológica, mas em um serviço contratado de terceiros. O banco não identificou publicamente o fornecedor responsável nem estabeleceu prazo para a normalização das transferências.
O problema ocorre em meio a incidentes recentes de segurança no setor de ativos digitais. A Chainalysis, empresa especializada em análise de transações em blockchain e parceira tecnológica do Nubank, confirmou ter sofrido um ataque cibernético que levou à suspensão de diferentes ferramentas de monitoramento. Apesar da coincidência entre os acontecimentos, não há confirmação oficial de que o incidente da Chainalysis seja a causa direta da interrupção anunciada pelo banco brasileiro.
Saques e depósitos ficam indisponíveis no Nubank Cripto
A restrição afeta os serviços de transferência de criptomoedas para endereços externos e de recebimento de ativos enviados de outras plataformas. Na prática, clientes que mantêm bitcoin, ether, solana ou outros ativos digitais no Nubank ficam temporariamente impossibilitados de movimentar essas moedas diretamente entre carteiras.
A funcionalidade é oferecida pela NuCrypto, empresa do grupo responsável pela intermediação e custódia de ativos virtuais. O serviço permite que os usuários negociem criptomoedas pelo aplicativo do Nubank, sem precisar contratar uma corretora independente.
A interrupção não significa que todos os serviços de criptomoedas tenham sido suspensos. O banco informou que os demais produtos da plataforma permanecem funcionando normalmente, incluindo a possibilidade de comprar e vender ativos digitais dentro do aplicativo.
Existe uma diferença entre vender uma criptomoeda e transferi-la para outra carteira. Na venda, o cliente converte o ativo em reais mediante uma operação de negociação. Na transferência, a quantidade de moedas é enviada diretamente para outro endereço de blockchain, sem necessidade de conversão prévia para moeda tradicional.
É essa segunda modalidade que foi afetada pela instabilidade. Para investidores que pretendiam movimentar seus ativos entre plataformas, a indisponibilidade limita temporariamente o acesso às transferências, mesmo que os saldos continuem registrados em suas contas.
O Nubank não informou quantos clientes foram afetados, quais redes blockchain apresentaram restrições específicas ou se existem operações iniciadas antes da suspensão que ainda aguardam processamento.
Banco afirma que ativos dos clientes continuam protegidos
Em manifestação divulgada nesta sexta-feira, o Nubank atribuiu a interrupção a uma instabilidade em um fornecedor externo de dados e afirmou que o problema não compromete a segurança das informações e dos ativos mantidos pelos clientes.
Segundo a instituição, suas equipes técnicas acompanham o episódio em contato com o prestador responsável. A retomada das operações depende do restabelecimento do serviço utilizado nas transferências, mas não foi divulgada uma previsão para a conclusão dos trabalhos.
A declaração sobre a segurança dos recursos é relevante porque uma interrupção operacional não representa necessariamente perda de ativos ou invasão dos sistemas da instituição financeira. Serviços de criptomoedas dependem de diferentes componentes tecnológicos, incluindo custódia, verificação de endereços, monitoramento de transações e comunicação com redes blockchain.
Uma falha em qualquer uma dessas etapas pode impedir a conclusão de transferências mesmo quando os ativos continuam preservados. No entanto, a inexistência de prejuízo financeiro depende da integridade dos saldos e da confirmação de que as operações pendentes serão processadas corretamente após a normalização.
Até o momento, o Nubank não comunicou perdas de criptomoedas ou acesso indevido às contas de seus clientes em decorrência do episódio.
Chainalysis confirma ataque e começa a restabelecer serviços
A indisponibilidade ocorre poucos dias depois de a Chainalysis divulgar informações sobre um incidente de segurança em seus sistemas. A companhia americana, especializada em análise de blockchain e prevenção a crimes financeiros, confirmou em 30 de outubro que havia identificado acessos não autorizados a ferramentas e informações de sua plataforma.
Em atualização publicada em 4 de novembro, a empresa informou que uma modalidade de ataque cibernético havia exposto senhas de parte de seus clientes corporativos. Como medida preventiva, determinadas contas foram bloqueadas e os usuários afetados receberam orientações para redefinir suas credenciais.
A Chainalysis também suspendeu temporariamente ferramentas utilizadas por instituições financeiras para verificar transações e identificar riscos associados a endereços de criptomoedas. Entre os serviços afetados estavam o Know Your Transaction (KYT), voltado ao monitoramento de operações, e o Address Screening, utilizado na análise de endereços de carteiras digitais.
Na madrugada desta sexta-feira, 6 de novembro, a empresa anunciou o início da restauração gradual dessas duas ferramentas. A atualização, divulgada às 3h30 no horário da costa leste dos Estados Unidos, informou que o acesso seria retomado em etapas, com acompanhamento dos controles de segurança implementados após o incidente.
O Nubank identifica publicamente a Chainalysis como parceira na tecnologia utilizada para viabilizar transferências de criptoativos. A colaboração envolve ferramentas de análise de blockchain destinadas a reforçar a segurança das operações.
Apesar dessa relação comercial e da coincidência temporal entre os problemas, o Nubank não confirmou que a Chainalysis seja o fornecedor responsável pela falha desta sexta-feira. Portanto, não é possível estabelecer uma relação causal definitiva entre o ataque comunicado pela empresa americana e a suspensão das transferências no aplicativo brasileiro.
Contrato do Nubank prevê dependência de serviços externos
Os termos e condições da NuCrypto, em vigor desde 8 de outubro de 2026, estabelecem que a plataforma pode utilizar prestadores especializados para executar diferentes etapas das operações com ativos virtuais.
Esses fornecedores incluem empresas de infraestrutura de custódia, gestão de carteiras digitais, fornecimento de liquidez, roteamento de ordens e monitoramento de transações. A documentação contratual reconhece que a execução e a liquidação de determinadas operações dependem da disponibilidade dos sistemas desses parceiros.
O modelo permite que instituições financeiras ofereçam serviços de criptomoedas sem necessariamente desenvolver internamente todas as ferramentas necessárias à operação. Em contrapartida, cria uma dependência de infraestrutura terceirizada que pode afetar funcionalidades específicas quando um prestador apresenta problemas técnicos.
O contrato também prevê que movimentações sejam submetidas a procedimentos de segurança e verificação regulatória. Algumas transferências exigem informações sobre o destinatário e a titularidade da carteira, medidas relacionadas à prevenção da lavagem de dinheiro e ao cumprimento das regras aplicáveis aos serviços de ativos virtuais.
A regulamentação brasileira estabelece obrigações para instituições que prestam serviços de intermediação, custódia e transferência de criptoativos. A Resolução nº 520, publicada pelo Banco Central em novembro de 2025 e posteriormente atualizada, disciplina o funcionamento dessas empresas e estabelece requisitos operacionais e de controle de riscos.
A existência de prestadores terceirizados não elimina as obrigações da instituição responsável pelo serviço contratado pelo cliente. A avaliação de eventual descumprimento regulatório, entretanto, depende das circunstâncias do incidente e de informações que ainda não foram divulgadas.
Mercado Pago também suspende transferências de criptomoedas
O episódio não ficou restrito ao Nubank. Nesta sexta-feira, o Mercado Pago também apresentou indisponibilidade temporária nos serviços de transferência de criptomoedas, conforme comunicado exibido no aplicativo da instituição.
A plataforma informou que trabalhava para resolver uma instabilidade operacional e alertou que determinados depósitos poderiam apresentar atraso no crédito. Assim como no caso do Nubank, a interrupção afetou funcionalidades de movimentação externa de ativos digitais.
Os problemas ocorrem depois de incidentes recentes envolvendo plataformas internacionais e brasileiras de criptomoedas. No fim de outubro, a Binance foi atingida por um ataque cibernético de grande proporção, enquanto o Mercado Bitcoin comunicou um episódio de segurança que levou à interrupção de determinadas operações.
Os acontecimentos possuem características próprias e não devem ser tratados como partes de um mesmo ataque sem comprovação técnica. A ocorrência de problemas em empresas diferentes durante um intervalo curto não demonstra, por si só, a existência de uma infraestrutura comprometida em comum.
No caso do Nubank, o banco atribuiu a suspensão especificamente a uma instabilidade em fornecedor externo e declarou que os ativos dos clientes permanecem seguros.
Clientes devem acompanhar retomada diretamente pelo aplicativo
Enquanto as transferências permanecerem indisponíveis, clientes que pretendam enviar ou receber criptomoedas devem acompanhar as informações apresentadas na área de ativos digitais do Nubank. A instituição afirma que as funcionalidades serão restabelecidas após a normalização do serviço externo.
Também é necessário observar o status de transferências iniciadas anteriormente. Operações em blockchain podem depender de confirmações da rede e de procedimentos de segurança, e os prazos de processamento variam conforme o ativo e a infraestrutura utilizada.
O episódio exige atenção adicional a possíveis tentativas de fraude. Mensagens que prometam acelerar a liberação de criptomoedas, solicitar códigos de autenticação ou exigir transferências para desbloquear saldos devem ser tratadas com cautela. A verificação deve ser feita diretamente pelos canais oficiais da instituição.
A principal informação ainda pendente é a identificação do fornecedor responsável pela instabilidade. O Nubank também não divulgou uma estimativa para a retomada dos depósitos e saques, nem apresentou dados sobre a quantidade de operações afetadas.
A Chainalysis, por sua vez, iniciou nesta sexta-feira a restauração gradual de ferramentas que haviam sido suspensas após seu incidente de segurança. O avanço desse processo não significa automaticamente que os serviços do Nubank tenham voltado a funcionar, já que a instituição brasileira não confirmou publicamente uma ligação direta entre os dois episódios.
Fontes:
Nubank — Comunicado de 6 de novembro de 2026 sobre a suspensão temporária de depósitos e saques de criptomoedas, com esclarecimentos sobre o fornecedor externo e a segurança dos ativos.
Nubank — Termos e Condições de Criptomoedas, vigentes desde 8 de outubro de 2026, com informações sobre custódia, transferências, serviços terceirizados e procedimentos de segurança.
Nubank — Documentação institucional do Nubank Cripto, com descrição das funcionalidades de compra, venda e transferência de ativos digitais e da parceria tecnológica com a Chainalysis.
Chainalysis — Comunicado de segurança iniciado em 30 de outubro de 2026 e atualizado em 6 de novembro, com informações sobre o incidente cibernético, a suspensão de ferramentas e a retomada gradual dos serviços.
Banco Central do Brasil — Resolução BCB nº 520, de 10 de novembro de 2025, com alterações posteriores, sobre o funcionamento de prestadoras de serviços de ativos virtuais.








