terça-feira, 19 de maio de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
PUBLICIDADE
Home Política

O que é a emenda Master, proposta que colocou Ciro Nogueira na mira da PF

Texto apresentado no Senado previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a proteção do FGC por investidor e é investigado por suspeita de ter sido elaborado por interesses ligados ao Banco Master

por Júlia Campos - Repórter de Política
08/05/2026 às 11h50 - Atualizado em 14/05/2026 às 22h08
em Política, Destaque, Notícias
O Que É A Emenda Master, Proposta Que Colocou Ciro Nogueira Na Mira Da Pf - Gazeta Mercantil

A chamada emenda Master é uma proposta legislativa apresentada no Senado em 2024 que previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) por investidor. O texto, incluído na tramitação da PEC 65/2023, entrou no centro de uma investigação da Polícia Federal por suspeita de ter sido elaborado por pessoas ligadas ao Banco Master e reproduzido pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil. A apuração, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga se a proposta poderia beneficiar o modelo de captação do banco, que oferecia aplicações financeiras com cobertura do FGC e rentabilidade acima dos padrões de mercado.

A emenda Master ganhou esse nome depois que a crise envolvendo o Banco Master avançou para o campo político e regulatório. O ponto central da proposta era aumentar de forma expressiva a garantia oferecida pelo FGC em caso de quebra de instituições financeiras. Na prática, a mudança permitiria que investidores tivessem até R$ 1 milhão protegidos por CPF ou CNPJ, por instituição, em determinadas aplicações cobertas pelo fundo.

A Polícia Federal apura se o texto da emenda Master teria sido produzido dentro do próprio ecossistema do Banco Master e posteriormente apresentado no Senado por Ciro Nogueira. Segundo elementos mencionados na decisão judicial, a proposta teria sido entregue ao parlamentar e reproduzida integralmente. A defesa do senador nega qualquer irregularidade e afirma que sua atuação parlamentar foi regular.

O caso elevou a pressão sobre Ciro Nogueira, sobre o Banco Master e sobre a discussão a respeito dos limites da influência privada na elaboração de normas para o sistema financeiro. A investigação também reacendeu o debate sobre o papel do FGC, instrumento criado para proteger depositantes e investidores, mas que pode se tornar vulnerável quando usado como argumento comercial para captação agressiva de recursos.

O que é a emenda Master

A emenda Master é a emenda número 11 apresentada por Ciro Nogueira em 13 de agosto de 2024 no âmbito da PEC 65/2023, proposta de emenda à Constituição que trata de mudanças na estrutura e no funcionamento do Banco Central. O texto ainda tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e não chegou a ser votado.

O trecho mais sensível da emenda Master previa a ampliação do limite de cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por investidor. Essa alteração teria efeito direto sobre aplicações financeiras emitidas por instituições participantes do fundo, como CDBs, letras de câmbio, letras de crédito e outros instrumentos protegidos dentro das regras vigentes.

Na justificativa da proposta, Ciro Nogueira argumentou que a cobertura brasileira deveria ser ajustada a patamares internacionais. O texto citava o modelo dos Estados Unidos, onde o limite de garantia de depósitos é de US$ 250 mil, valor equivalente a cerca de R$ 1,2 milhão na cotação atual. A justificativa apresentada defendia que o aumento da garantia daria mais segurança aos investidores e aproximaria o Brasil de práticas adotadas em outros mercados.

A emenda Master também previa que o FGC passaria a ser submetido a uma regulação pública, por meio de resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN). O argumento era que a maior parte dos sistemas de garantia de depósitos no mundo possui natureza pública ou algum tipo de supervisão estatal mais direta.

O problema, segundo a investigação, está no contexto em que a proposta foi apresentada e nos possíveis beneficiários da mudança. Para a Polícia Federal, a emenda Master poderia favorecer diretamente bancos médios com forte dependência de captação por produtos garantidos pelo FGC, entre eles o Banco Master.

Como funciona o FGC

O Fundo Garantidor de Crédito é uma entidade privada, sem fins lucrativos, mantida por contribuições das instituições financeiras associadas. Sua função é ressarcir depositantes e investidores dentro de limites estabelecidos quando uma instituição financeira quebra, sofre intervenção ou passa por liquidação.

O FGC funciona como um mecanismo de confiança para o sistema financeiro. Ao saber que parte dos recursos aplicados está protegida, o investidor tende a ter mais segurança para aplicar em instituições menores, não apenas nos grandes bancos. Esse sistema contribui para ampliar a concorrência bancária e reduzir o risco de corridas generalizadas em momentos de estresse.

Atualmente, a garantia ordinária é limitada a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, respeitados os demais limites previstos nas regras do fundo. A emenda Master buscava multiplicar esse teto por quatro, elevando a cobertura para R$ 1 milhão.

Essa alteração teria impacto relevante sobre o mercado. Bancos menores poderiam oferecer aplicações com valores mais elevados sob a proteção do FGC. Investidores, por sua vez, poderiam concentrar recursos maiores em instituições de maior risco, com a percepção de que estariam protegidos em caso de quebra.

Para críticos da proposta, o aumento do limite poderia criar incentivos inadequados. Se uma instituição financeira oferece remuneração muito acima da média e conta com uma garantia robusta para atrair investidores, o risco final pode ser deslocado para o fundo e, indiretamente, para o conjunto do sistema bancário que financia o mecanismo.

Por que a proposta interessava ao Banco Master

O Banco Master cresceu de forma acelerada no mercado ao vender produtos de investimento com taxas superiores às praticadas por grandes bancos. Parte desses produtos tinha cobertura do FGC, o que tornava a oferta mais atraente para investidores dispostos a buscar rentabilidade elevada sem assumir, ao menos na aparência, todo o risco da instituição emissora.

Segundo as investigações, esse modelo de captação teria sido central para a expansão do banco. A instituição oferecia aplicações protegidas pelo FGC e prometia retornos acima dos padrões de mercado. Os recursos captados, de acordo com a apuração, teriam sido direcionados a operações consideradas de alto risco ou suspeitas de irregularidades.

Nesse contexto, a emenda Master poderia ampliar a capacidade de captação de bancos como o Master. Com uma garantia de até R$ 1 milhão por investidor, a instituição poderia vender volumes maiores de aplicações financeiras protegidas, reduzindo a resistência de clientes a alocar recursos em uma instituição de risco mais elevado.

A investigação sustenta que interlocutores ligados ao Banco Master viam a proposta como uma medida de grande impacto para o setor. Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, dono do banco, indicariam comemoração pela apresentação da emenda. Em uma das mensagens mencionadas na apuração, o banqueiro teria afirmado que o projeto seria uma “bomba atômica” no mercado financeiro, por beneficiar bancos médios e reduzir o poder dos grandes.

Esse ponto tornou a emenda Master um dos focos centrais da Operação Compliance Zero. Para os investigadores, a proposta não seria apenas uma iniciativa legislativa abstrata sobre o sistema financeiro, mas uma medida que poderia atender a interesses específicos de uma instituição em crise.

Liquidação do Master elevou pressão sobre o FGC

A crise do Banco Master ganhou dimensão sistêmica depois da liquidação da instituição pelo Banco Central. Com a quebra do banco e de instituições ligadas ao conglomerado, o FGC precisou acionar sua estrutura para ressarcir investidores dentro dos limites de garantia.

O impacto estimado foi de aproximadamente R$ 52 bilhões, considerando também instituições associadas ao grupo, como Will Bank e Banco Pleno. O valor é apontado como o maior desembolso da história do fundo, o que reforçou a preocupação de reguladores, bancos e investidores com os riscos de modelos de captação agressivos baseados na proteção do FGC.

A emenda Master passou a ser analisada sob esse pano de fundo. Se o limite de cobertura já estivesse em R$ 1 milhão no momento da liquidação, o desembolso potencial do FGC poderia ter sido ainda maior. A proposta, portanto, deixou de ser apenas um debate regulatório e passou a ser vista como uma peça de possível impacto bilionário para o sistema financeiro.

O episódio também colocou em discussão a governança do próprio FGC. Embora o fundo seja privado, sua atuação tem relevância pública, pois protege a estabilidade do sistema financeiro e a confiança de investidores. Uma mudança no limite de cobertura altera incentivos de bancos, investidores e reguladores.

Para o mercado, a principal preocupação é evitar que a garantia funcione como estímulo a práticas excessivamente arriscadas. Quando a proteção é muito ampla, instituições podem captar recursos a custos elevados e aplicar em operações de risco, enquanto investidores tendem a prestar menos atenção à solidez do emissor.

PF apura se texto foi redigido por interesses privados

A decisão do ministro André Mendonça afirma que a Polícia Federal reuniu indícios de que a emenda Master teria sido elaborada por assessores ou interlocutores ligados ao Banco Master. Segundo a apuração, o texto teria sido entregue na residência de Ciro Nogueira e posteriormente reproduzido pelo senador no Senado.

Ainda de acordo com a investigação, mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro indicariam que o banqueiro acompanhou a apresentação da proposta e teria comemorado o conteúdo final. A decisão menciona a afirmação de que o texto teria saído “exatamente” como enviado.

A Polícia Federal também apura se houve outros episódios semelhantes envolvendo minutas de projetos de interesse do grupo. Segundo a decisão, em 2023, Vorcaro teria determinado a retirada de envelopes da residência do senador com textos de interesse particular, que depois teriam sido levados a um escritório indicado pelo banqueiro e entregues a um servidor vinculado ao parlamentar.

Para o ministro André Mendonça, os elementos indicariam a necessidade de aprofundamento das investigações. A decisão aponta que os episódios poderiam ultrapassar os canais ordinários de interlocução entre agentes políticos e representantes da iniciativa privada.

Apesar disso, a apuração ainda está em andamento. Os investigados têm direito à defesa, e as suspeitas precisarão ser comprovadas no curso do processo. A existência de mensagens, minutas e registros de reuniões não representa, por si só, condenação ou comprovação definitiva de crime.

Ciro Nogueira nega irregularidades

A defesa de Ciro Nogueira repudiou qualquer ilação de ilicitude sobre a conduta do senador e afirmou que sua atuação parlamentar ocorreu dentro das prerrogativas do mandato. Os advogados sustentam que o parlamentar não teve participação em atividades ilícitas e que está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

Em nota, a defesa argumentou que medidas investigativas graves e invasivas não deveriam ser tomadas com base em trocas de mensagens atribuídas a terceiros. Os advogados também indicaram que a legalidade das medidas deverá ser discutida tecnicamente nas cortes competentes.

A estratégia defensiva tende a se concentrar em dois pontos. O primeiro é a prerrogativa parlamentar de apresentar emendas e propostas legislativas. O segundo é a tentativa de afastar a ideia de que a emenda Master teria sido apresentada como contrapartida a vantagens indevidas.

O caso, no entanto, tem forte repercussão política porque envolve um senador influente, presidente de um dos maiores partidos do país e ex-ministro da Casa Civil. Ciro Nogueira é um dos principais nomes do Centrão e tem histórico de atuação em articulações relevantes no Congresso.

A investigação também atinge pessoas próximas ao parlamentar. Entre os alvos está Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador, que, segundo a decisão, deverá usar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte e não manter contato com outros investigados.

Operação bloqueou R$ 18,85 milhões

Na nova fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal cumpriu 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. A decisão também determinou o bloqueio de bens, direitos e valores no total de R$ 18,85 milhões.

Entre os alvos da prisão temporária está Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, ele integraria o núcleo financeiro-operacional do grupo ligado ao banqueiro e teria participação em supostas práticas de lavagem de dinheiro por meio de sociedades e movimentações patrimoniais.

A decisão menciona conversas atribuídas a Daniel Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro sobre pagamentos mensais que teriam como destinatário Ciro Nogueira. Os valores citados nas mensagens variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Em um dos diálogos, Daniel teria reclamado de atraso em pagamentos relacionados ao senador.

A Polícia Federal também aponta suspeitas de outras vantagens indevidas, como hospedagens em hotéis, refeições em restaurantes de alto padrão, disponibilização de cartão para despesas pessoais e uma operação societária com deságio estimado em R$ 12 milhões.

Esses elementos são tratados pela investigação como indícios que justificaram as medidas cautelares. Caberá ao processo apurar a origem dos valores, a natureza das relações entre os envolvidos e se houve vínculo entre eventuais vantagens e a apresentação da emenda Master.

Caso reacende debate sobre lobby e regulação financeira

A emenda Master tornou-se um caso emblemático por reunir três dimensões sensíveis: a atuação de agentes privados no Congresso, a regulação do sistema financeiro e o uso do FGC como instrumento de segurança para investidores.

A interlocução entre empresas, entidades setoriais e parlamentares faz parte da rotina legislativa. Setores econômicos frequentemente apresentam sugestões, estudos e propostas de alteração normativa. O problema surge quando a investigação aponta suspeita de que uma proposta tenha sido elaborada por um interessado direto e apresentada no Parlamento em possível troca por vantagens indevidas.

No caso da emenda Master, a Polícia Federal busca esclarecer se a iniciativa foi uma proposta legítima de política financeira ou se representou uma tentativa de beneficiar uma instituição específica em momento de expansão agressiva e fragilidade regulatória.

O episódio também pressiona o debate sobre a supervisão de bancos médios. A quebra do Banco Master expôs riscos associados a instituições que captam volumes relevantes oferecendo retornos elevados com respaldo da garantia do FGC. Para reguladores e participantes do mercado, a questão central é como preservar a concorrência sem permitir que a proteção do fundo seja usada para ampliar riscos sistêmicos.

A discussão deve continuar no Congresso, no Banco Central e no próprio sistema financeiro. A emenda Master ainda não foi votada, mas sua inclusão na investigação da PF transformou uma proposta técnica sobre garantia de depósitos em um dos principais pontos de tensão política e institucional envolvendo o caso Banco Master.

Tags: André MendonçaBanco CentralBanco MasterCiro NogueiraDaniel Vorcaroemenda MasterFGCoperação Compliance ZeroPEC 65/2023Polícia FederalPolíticaSenadoSTF

LEIA MAIS

Galípolo Vai Ao Senado Nesta Terça Para Falar Sobre Juros, Autonomia Do Bc E Banco Master - Gazeta Mercantil
Política

Galípolo vai ao Senado nesta terça para falar sobre juros, autonomia do BC e Banco Master

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, será ouvido nesta terça-feira, 19 de maio, pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, em audiência marcada para as 10h....

Leia Maisdetalhes
Dono Da Azara Teria Comprado Naskar Por R$ 1,2 Bi E Promete Devolver R$ 850 Mi A Investidores - Gazeta Mercantil
Empresas

Dono da Azara teria comprado Naskar por R$ 1,2 bi com promessa de devolver R$ 850 mi a investidores

Douglas Silva de Oliveira Azara, empresário de 25 anos e dono da Azara Capital, afirma que teria comprado a Naskar Gestão e outras empresas ligadas ao grupo por...

Leia Maisdetalhes
Daniel Vorcaro É Transferido Para Cela Comum Da Pf Enquanto Delação É Analisada - Gazeta Mercantil
Destaque

Daniel Vorcaro é transferido para cela comum da PF enquanto delação é analisada

O banqueiro Daniel Vorcaro foi transferido internamente para uma cela comum na carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal enquanto aguarda a análise de sua proposta...

Leia Maisdetalhes
Fazenda Eleva Projeção Do Inpc De 3,8% Para 4,6% Em 2026 - Gazeta Mercantil
Economia

Fazenda eleva projeção do INPC de 3,8% para 4,6% em 2026

O Ministério da Fazenda elevou de 3,8% para 4,6% a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 2026, segundo o Boletim Macrofiscal divulgado nesta...

Leia Maisdetalhes
Flávio Dino Relata Ameaça De Funcionária De Companhia Aérea E Pede Campanhas Cívicas - Gazeta Mercantil - Política
Política

Flávio Dino relata ameaça de funcionária de companhia aérea e pede campanhas cívicas

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relatou nesta segunda-feira (18) ter sido alvo de uma ameaça atribuída a uma funcionária de uma companhia aérea por...

Leia Maisdetalhes

Veja Também

Imposto De Renda 2026 - Gzt - Gazeta Mercantil
Economia

Imposto de Renda 2026: contribuinte precisa pagar DARF menor que R$ 10?

Leia Maisdetalhes
Bolsa Família De Maio Começa A Ser Pago Para 19 Milhões De Famílias - Gazeta Mercantil
Brasil

Bolsa Família de maio começa a ser pago para 19 milhões de famílias

Leia Maisdetalhes
Fiis Fundos Imobiliários (Imagem: Jabkitticha/ Istockphoto)
Fundos Imobiliários

IBBP11 amplia portfólio com ativos do XPIN11 e entrega yield anualizado de 11,3%

Leia Maisdetalhes
Galípolo Vai Ao Senado Nesta Terça Para Falar Sobre Juros, Autonomia Do Bc E Banco Master - Gazeta Mercantil
Política

Galípolo vai ao Senado nesta terça para falar sobre juros, autonomia do BC e Banco Master

Leia Maisdetalhes
Empresa Que Teria Comprado Naskar Tem Perfil Recente E Não Informa Executivos No Site Azara Capital Afirma Que Assumiu A Fintech Para Ressarcir Investidores, Mas Apresenta Poucas Informações Públicas, Endereço Associado A Outro Banco E Ausência De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Dos Eua A Azara Capital Llc, Empresa Que Teria Comprado A Naskar Gestão De Ativos Em Uma Operação Estimada Em R$ 1,2 Bilhão Para Tentar Sanar A Crise Da Fintech Brasileira, Reúne Poucas Informações Públicas, Não Informa Executivos Em Seu Site E Apresenta Inconsistências Em Dados De Endereço E Presença Digital. A Instituição Ganhou Visibilidade Nesta Quinta-Feira (14) Após Ser Apontada Como Compradora Da Naskar, Que Deixou De Pagar Rendimentos A Cerca De 3 Mil Investidores E Interrompeu O Funcionamento Do Aplicativo Usado Por Clientes Para Acompanhar Seus Recursos. A Suposta Aquisição Foi Anunciada Em Meio À Pressão De Investidores Que Cobram A Devolução De Valores Aplicados Na Naskar. Segundo A Versão Divulgada Pela Fintech, A Azara Capital Teria Adquirido A Naskar E Outras Empresas Do Grupo, Como 7Trust E Next, Assumindo A Responsabilidade Por Tratativas Voltadas Ao Ressarcimento Dos Clientes. O Caso, Porém, Passou A Levantar Questionamentos Sobre A Própria Azara Capital. A Empresa Não Apresenta Em Seu Site Nomes De Presidente, Diretores, Sócios Ou Responsáveis Pela Gestão. A Página Informa Um Endereço Em Miami, Nos Estados Unidos, Mas A Localização Indicada Aparece Associada Ao Ocean Bank, Banco Comercial Independente Da Flórida. Em Buscas Por “Azara Capital” Em Plataformas De Geolocalização, Não Há Indicação Clara De Sede Própria Da Companhia. Além Disso, A Presença Digital Da Empresa É Recente. O Perfil Da Azara Capital No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E, Até A Manhã Desta Quinta-Feira, Contava Com Apenas Três Publicações. Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. O Site Da Empresa Não Informa Quem Ocupa Cargos De Comando, Quais São Os Responsáveis Pela Operação, Qual É A Estrutura Societária Ou Quais Executivos Responderiam Pelo Processo De Aquisição Da Naskar. Em Uma Operação Que Envolveria Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão E A Assunção De Passivos Com Milhares De Investidores, A Ausência De Dados Públicos Sobre Governança Amplia A Incerteza. Para Investidores E Credores, A Identificação Dos Responsáveis Pela Empresa É Elemento Básico Para Avaliar Capacidade Financeira, Histórico, Experiência E Responsabilidade Sobre Compromissos Assumidos. Outro Ponto Citado No Texto-Base Envolve O Endereço Físico Informado Pela Azara Capital. A Localização Indicada Em Miami Aparece Associada Ao Ocean Bank, Não A Uma Sede Própria Identificável Da Empresa. Buscas Por “Azara Capital” Em Aplicativos E Sites De Geolocalização Também Não Retornariam Resultados Consistentes. A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. Uma Publicação Que Mencionava “Capital Rápido Para Negócios Imobiliários” Teria Sido Arquivada. A Conta, Que Seguia 18 Perfis, Deixou De Seguir Todos Eles. A Opção De Comentários Nas Publicações Também Foi Bloqueada. O Perfil Da Empresa Não Teria Conta Correspondente No Linkedin, Plataforma Normalmente Usada Por Instituições Financeiras, Gestoras E Empresas De Serviços Corporativos Para Apresentar Equipe, Histórico, Área De Atuação E Estrutura De Negócios. As Alterações Nas Redes Sociais Não Significam, Isoladamente, Irregularidade. No Entanto, Em Um Contexto De Crise Envolvendo Quase R$ 1 Bilhão Em Recursos De Investidores, Mudanças Rápidas Em Canais Públicos De Comunicação Tendem A Reforçar A Pressão Por Transparência. Para Os Clientes Da Naskar, A Principal Preocupação É Saber Quem Assumirá A Responsabilidade Pelos Valores Aplicados, De Onde Virão Os Recursos Para Eventual Devolução E Qual Será O Prazo Real Para O Início Dos Pagamentos. Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
Empresas

Empresa que teria comprado Naskar tem perfil recente e não informa executivos no site

Leia Maisdetalhes

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Imposto de Renda 2026: contribuinte precisa pagar DARF menor que R$ 10?

Bolsa Família de maio começa a ser pago para 19 milhões de famílias

IBBP11 amplia portfólio com ativos do XPIN11 e entrega yield anualizado de 11,3%

UFG recebe Drone Day com palestras e demonstrações de drones em Goiânia

Galípolo vai ao Senado nesta terça para falar sobre juros, autonomia do BC e Banco Master

Empresa que teria comprado Naskar tem perfil recente e não informa executivos no site

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com

Sem resultados
Todos os resultados
  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com