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Ouro dispara quase 3% e bate recordes em meio à crise global e tensões geopolíticas

por Gabriel Monteiro
23/02/2026 às 22h20
em Política
Novo Visto De Trump Custa Us$ 1 Milhão

Imagem 'cartão ouro' da imigração americana, uma versão do 'green card' que custa um milhão de dólares. — Foto: Reprodução/trumpcard.gov

Ouro dispara quase 3% e rompe recordes em meio à crise global e tensões geopolíticas

O ouro registrou uma das maiores valorizações do ano nesta segunda-feira (23), refletindo um cenário global marcado por incertezas econômicas, políticas e comerciais. O contrato mais líquido do metal na Comex fechou em alta de 2,85%, cotado a US$ 5.225,6 por onça-troy, enquanto a prata acompanhou a escalada, avançando 5,14%, a US$ 86,57. A sessão histórica não apenas destacou a força do metal precioso como ativo de refúgio, mas também evidenciou como eventos globais podem alterar rapidamente a dinâmica dos mercados financeiros.

A valorização do ouro nesta segunda-feira foi impulsionada por três fatores interligados: o anúncio de novas tarifas globais pelos Estados Unidos, tensões geopolíticas no Oriente Médio e movimentos técnicos de mercado que indicam ruptura de resistências estratégicas. Juntas, essas forças criaram o cenário ideal para que o metal atingisse níveis recordes e reforçasse sua condição de porto seguro em tempos de volatilidade.

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Tarifaço de Trump reacende incertezas e fortalece o ouro

O principal catalisador para o salto do ouro foi a decisão do ex-presidente Donald Trump de implementar uma nova tarifa global de 15%, anunciada no fim de semana. A medida ocorreu após a Suprema Corte dos EUA derrubar o tarifaço anterior, retornando o mercado a um estado de alerta elevado. Historicamente, o ouro se beneficia de períodos de incerteza comercial, pois os investidores buscam ativos que preservem valor diante de potenciais choques econômicos.

Além disso, a pressão sobre o dólar causada pela nova rodada tarifária contribuiu para o impulso do metal. Um dólar mais fraco torna o ouro mais barato para investidores em outras moedas, elevando automaticamente a demanda global. Analistas destacam que, nesses momentos, o metal precioso não apenas atua como proteção contra a inflação, mas também como hedge contra riscos sistêmicos globais.

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O movimento do dólar frente ao ouro também reflete a sensibilidade do mercado às políticas externas dos Estados Unidos. A combinação de tarifas, negociações comerciais ainda indefinidas e volatilidade cambial criou um ambiente propício para que o metal rompesse resistências técnicas importantes, sinalizando tendência de alta sustentada.


Oriente Médio no radar e impacto geopolítico sobre o ouro

Outro fator determinante para a valorização do ouro foi a escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente no Líbano. O Departamento de Estado americano determinou a retirada de funcionários não essenciais da embaixada dos EUA em Beirute, após sinais de possível ação militar na região. A medida reforçou a percepção de risco geopolítico, tradicionalmente correlacionada à valorização do ouro.

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Analistas de bancos internacionais, como o MUFG, ressaltam que a recuperação do ouro continua sendo sustentada por riscos renovados no Oriente Médio. Em contextos de instabilidade regional, o metal atua como seguro de portfólio, atraindo capital de investidores institucionais e privados que buscam proteção contra choques inesperados.

Essa conjuntura geopolítica, combinada à guerra tarifária, criou um “tripé de suporte” para o ouro, consolidando seu status como ativo de refúgio em meio a incertezas comerciais, políticas e militares.


Análise técnica reforça a tendência de alta

Do ponto de vista técnico, o ouro apresentou sinais consistentes de recuperação. O Société Générale destacou que, embora o metal tenha passado por uma correção significativa no final de janeiro, ele permaneceu acima da média móvel de 50 dias, indicando que a tendência de alta permanecia intacta.

Nesta segunda-feira, o ouro rompeu o limite superior dessa faixa de resistência, acionando sinais de continuidade do movimento ascendente. Segundo projeções do banco, o próximo alvo do metal situa-se entre US$ 5.285 e US$ 5.310 por onça-troy. Em caso de eventual correção, a linha de suporte mais próxima é estimada em US$ 4.950, reforçando a importância de níveis técnicos na avaliação do mercado.

Especialistas destacam que, em períodos de volatilidade intensa, movimentos técnicos do ouro tendem a refletir tanto fundamentos econômicos quanto fatores de percepção de risco, consolidando seu papel central na alocação estratégica de ativos.


Fundamentos macroeconômicos sustentam a valorização

A escalada do ouro não é apenas reflexo de eventos pontuais; o metal se beneficia de um contexto macroeconômico mais amplo. A guerra comercial entre EUA e China, somada a incertezas sobre o crescimento global, mantém os investidores em estado de cautela. Historicamente, crises e tensões geopolíticas elevam a procura por ouro, consolidando sua função de hedge.

Além disso, bancos centrais de diversas economias continuam a comprar ouro como reserva estratégica, reforçando a demanda de longo prazo. Esses movimentos institucionais sustentam os preços do metal, mesmo em períodos de relativa calmaria nos mercados financeiros, e evidenciam que o ouro mantém valor independente de ciclos econômicos específicos.

Investidores de fundos de commodities e ETFs também ampliam suas posições, fortalecendo o mercado secundário do metal. A combinação de demanda institucional e volatilidade macroeconômica cria um efeito multiplicador sobre o preço do ouro, que deve continuar em trajetória ascendente enquanto persistirem incertezas globais.


Cenário global e perspectivas do ouro

A valorização recente do ouro destaca como a interação entre política, geopolítica e mercados financeiros influencia ativos de refúgio. À medida que os Estados Unidos implementam novas tarifas e o Oriente Médio permanece instável, o ouro tende a permanecer em evidência como opção de proteção.

Especialistas alertam que, embora a alta seja expressiva, o mercado deve observar de perto fatores como a força do dólar, decisões de política monetária do Federal Reserve e movimentações de bancos centrais em todo o mundo. Qualquer mudança abrupta nesses vetores pode gerar correções, mas o consenso é de que, em períodos de tensão, o ouro continuará sendo a escolha preferida de investidores conservadores.

O metal também serve como indicador indireto de percepção de risco global. Quando o ouro sobe de forma consistente, sinaliza preocupação do mercado com estabilidade econômica, geopolítica ou financeira. No cenário atual, a combinação de guerra tarifária, tensões no Oriente Médio e políticas monetárias incertas cria um ambiente favorável para que o metal permaneça em patamares elevados.


Implicações para investidores e mercado financeiro

Para investidores institucionais, o movimento do ouro reforça a necessidade de diversificação e proteção de portfólio. Fundos de hedge, fundos de pensão e gestores de ativos estratégicos devem monitorar de perto os níveis técnicos e fundamentais do metal, equilibrando exposição entre ativos de risco e refúgio.

No curto prazo, operadores de commodities devem considerar a volatilidade do ouro diante de eventos políticos e econômicos globais, enquanto investidores de varejo podem aproveitar oportunidades de entrada em períodos de correção técnica. A combinação de análise macroeconômica, geopolítica e técnica proporciona uma visão completa sobre a tendência de longo prazo do metal.

Em resumo, o ouro não apenas atingiu novos recordes nesta segunda-feira, mas também reforçou seu papel como ativo central em cenários de instabilidade global, mostrando que, em tempos de incerteza, o metal precioso permanece como porto seguro preferencial para investidores em todo o mundo.

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