O Sistema FAEP recebeu autorização ambiental para iniciar a construção do Centro de Excelência em Bovinocultura de Leite, em Castro, na região dos Campos Gerais do Paraná. O empreendimento prevê investimento de aproximadamente R$ 36 milhões e capacidade para formar 500 profissionais por ano em cursos gratuitos voltados à produção leiteira. A Licença de Instalação foi emitida pelo Instituto Água e Terra (IAT) em 30 de outubro de 2026, permitindo que o projeto avance para a etapa de execução das obras.
A nova unidade terá aproximadamente 4 mil metros quadrados de área construída, distribuídos em oito blocos, e será instalada em um terreno de quatro hectares ao lado do Parque Tecnológico da Agroleite. A empresa A&C Construções e Serviços Ltda. foi selecionada para executar o empreendimento, cujo contrato estabelece prazo de aproximadamente 16 meses corridos para conclusão dos trabalhos.
A autorização representa uma mudança concreta no estágio do projeto, que vinha sendo desenvolvido desde julho de 2024. Até então, a iniciativa havia passado pelas fases de articulação institucional, definição do terreno, elaboração dos projetos, licitação e licenciamento ambiental preliminar. Com a nova licença, o Sistema FAEP poderá iniciar a implantação física do complexo, observadas as exigências ambientais aplicáveis.
Licença ambiental permite iniciar as obras em Castro
A Licença de Instalação foi concedida menos de dois meses depois da emissão da Licença Prévia, que havia reconhecido a viabilidade ambiental do empreendimento na localização proposta.
As duas autorizações possuem funções distintas. A Licença Prévia corresponde à etapa de planejamento e estabelece condições para a implantação. A Licença de Instalação permite executar as obras e instalar as estruturas previstas no projeto aprovado, respeitando os requisitos determinados pelo órgão ambiental.
Segundo o diretor-presidente do IAT, José Volnei Bisognin, o processo foi analisado sem necessidade de complementações documentais. A apresentação dos estudos e informações exigidos pelo instituto permitiu concluir a avaliação em prazo reduzido.
A liberação elimina uma das condições administrativas necessárias para o início da construção, mas não significa que as obras já tenham sido fisicamente iniciadas ou que a unidade esteja autorizada a funcionar.
O início efetivo dos serviços dependerá da mobilização da construtora e do cumprimento das condições previstas no contrato e na licença ambiental. A operação do centro, por sua vez, ficará condicionada à conclusão das instalações e à obtenção das autorizações que forem exigidas para seu funcionamento.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, informou que a intenção é colocar a unidade em funcionamento assim que as obras e os preparativos educacionais estiverem concluídos.
A expectativa da entidade é ampliar a disponibilidade de profissionais especializados para atender produtores, cooperativas, propriedades rurais e empresas vinculadas à cadeia do leite.
Investimento previsto passou de R$ 32 milhões para R$ 36 milhões
O valor informado pelo Sistema FAEP em novembro de 2026 representa uma atualização em relação às primeiras estimativas divulgadas para o empreendimento.
Em agosto de 2025, quando ocorreu o lançamento da pedra fundamental, o investimento anunciado era de aproximadamente R$ 32 milhões. Posteriormente, materiais institucionais passaram a mencionar aportes superiores a R$ 35 milhões. A estimativa mais recente é de R$ 36 milhões.
A diferença entre os valores de R$ 32 milhões e R$ 36 milhões corresponde a R$ 4 milhões, ou aumento nominal de 12,5%, considerando as duas referências divulgadas pela entidade.
Essa comparação mostra a evolução do orçamento anunciado, mas não permite atribuir a diferença exclusivamente ao encarecimento da construção. Os documentos consultados não apresentam uma decomposição que permita identificar quanto corresponde a obras civis, equipamentos, instalações educacionais ou outras despesas do projeto.
A atualização dos custos também precisa ser considerada juntamente com o cronograma de implantação.
Em 2025, o Sistema FAEP mencionava a expectativa de iniciar as atividades educacionais em 2027. O cronograma mais recente, entretanto, estabelece um período de execução de aproximadamente 16 meses para as obras.
Caso a construção tenha início em novembro de 2026 e o prazo transcorra sem interrupções, a conclusão física ocorreria por volta de março de 2028. Trata-se de uma referência calculada a partir do prazo contratual, e não de uma data oficial de inauguração.
A licença divulgada em 3 de novembro não estabelece um dia definitivo para o início das aulas. O calendário dependerá da execução da construção, da instalação dos equipamentos e da organização das atividades pedagógicas.
Centro terá laboratórios, salas de aula e espaços de treinamento
O projeto arquitetônico prevê oito blocos com funções educacionais e administrativas.
As instalações deverão abrigar laboratórios, salas de aula, biblioteca, refeitório, ambientes para treinamento e áreas destinadas à administração. A estrutura será organizada para atender estudantes, instrutores e profissionais que já trabalham na pecuária leiteira.
O terreno possui quatro hectares, equivalentes a 40 mil metros quadrados. Considerando a área construída de aproximadamente 4 mil metros quadrados informada na atualização mais recente, a metragem edificada equivale a cerca de 10% da superfície total do terreno. Essa relação é apenas uma comparação de áreas e não representa a taxa urbanística de ocupação, que depende da implantação dos edifícios e de suas características.
A dimensão do terreno permite a instalação de diferentes estruturas de apoio ao complexo, além da circulação de estudantes, profissionais e equipes técnicas.
Os prédios seguirão elementos arquitetônicos associados à tradição holandesa presente na região dos Campos Gerais, especialmente na comunidade formada em torno das cooperativas agropecuárias.
A localização ao lado do Parque Tecnológico da Agroleite também aproxima a futura unidade de atividades de pesquisa, demonstração tecnológica, eventos e empresas vinculadas à produção leiteira.
A expectativa é que essa proximidade facilite a realização de atividades práticas e o intercâmbio de conhecimento entre estudantes e profissionais do setor.
Cursos gratuitos poderão formar 500 profissionais por ano
O Centro de Excelência em Bovinocultura de Leite foi planejado para oferecer formação técnica e especializações relacionadas à atividade agropecuária.
Entre os cursos previstos estão o técnico em Agropecuária e a especialização em Bovinocultura de Leite. Segundo o Sistema FAEP, a oferta será estruturada com reconhecimento do Ministério da Educação, observados os procedimentos educacionais aplicáveis.
A capacidade anunciada é de 500 profissionais formados anualmente. Esse número representa a meta de atendimento do complexo, não uma quantidade de formandos já alcançada.
Além dos cursos direcionados a estudantes, o projeto contempla capacitações para instrutores e técnicos que prestam assistência a propriedades rurais.
A formação poderá incluir atividades presenciais e a distância, dependendo da organização dos programas educacionais.
A proposta é aproximar o ensino técnico das demandas efetivas das fazendas leiteiras, especialmente nas áreas relacionadas a manejo, nutrição animal, reprodução, sanidade, qualidade do leite e administração da produção.
A disponibilidade de trabalhadores qualificados constitui uma das necessidades permanentes de uma atividade que combina processos biológicos, utilização intensiva de equipamentos e exigências sanitárias.
A produção leiteira exige acompanhamento diário dos animais, controle da alimentação, manutenção de instalações, procedimentos de ordenha e monitoramento dos indicadores produtivos.
Falhas nesses processos podem comprometer a produtividade, elevar custos e afetar a qualidade do leite entregue às indústrias.
A qualificação técnica pode contribuir para melhorar a eficiência das propriedades, embora os resultados dependam também de investimentos, gestão, assistência veterinária e condições econômicas de cada produtor.
Castro registra produtividade leiteira cerca de quatro vezes superior à média nacional
A escolha de Castro como sede do centro está diretamente relacionada à importância do município na produção brasileira de leite.
Localizada nos Campos Gerais do Paraná, a cidade recebeu oficialmente o título de Capital Nacional do Leite por meio da Lei Federal nº 13.584, sancionada em 26 de dezembro de 2017.
O reconhecimento legislativo reflete a concentração de propriedades especializadas, cooperativas agroindustriais, fornecedores de tecnologia e sistemas de produção com elevada produtividade.
Segundo os dados da Pesquisa da Pecuária Municipal de 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentados pelo Sistema FAEP, Castro possui mais de 51,5 mil vacas ordenhadas e produção média anual de aproximadamente 10,3 mil litros por animal.
A produtividade nacional informada para comparação é de cerca de 2,4 mil litros por vaca ao ano.
A relação entre essas médias arredondadas indica que a produção por animal em Castro supera em aproximadamente quatro vezes a média brasileira.
O desempenho está associado a fatores como melhoramento genético do rebanho, alimentação, manejo, sanidade animal e investimentos em tecnologias de produção.
A região também reúne cooperativas que desempenham papel relevante no processamento e na comercialização do leite, entre elas a Castrolanda.
A concentração dessas atividades cria condições para a realização de programas educacionais próximos às operações produtivas que serão estudadas.
Paraná produziu 4,8 bilhões de litros de leite em 2025
O peso econômico da pecuária leiteira no Paraná também ajuda a dimensionar a importância do novo centro.
Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal de 2025, o estado produziu aproximadamente 4,8 bilhões de litros de leite, mantendo-se entre os maiores produtores do país.
O valor da produção paranaense alcançou cerca de R$ 12,67 bilhões, conforme os dados do IBGE.
Esses números demonstram a dimensão econômica da atividade, que envolve milhares de propriedades rurais, cooperativas, transportadoras, indústrias de laticínios e fornecedores de insumos e equipamentos.
A cadeia produtiva também apresenta diferenças importantes entre seus participantes. Propriedades altamente tecnificadas convivem com pequenos produtores que enfrentam restrições de capital, escala e acesso à assistência técnica.
A elevação da produtividade pode reduzir o custo por litro produzido, mas seus efeitos dependem de condições específicas, como preço da alimentação, disponibilidade de água, eficiência reprodutiva e preço recebido pelo produtor.
Nesse contexto, o centro pretende oferecer formação técnica aplicável tanto às propriedades de maior escala quanto aos estabelecimentos familiares.
O Sistema FAEP afirma que a unidade terá alcance nacional, permitindo receber profissionais de outras regiões do Brasil interessados em desenvolver competências específicas na bovinocultura leiteira.
Projeto reúne Sistema FAEP, Senar e cooperativa Castrolanda
A implantação do centro começou a ser articulada em julho de 2024, quando representantes do Sistema FAEP identificaram a possibilidade de instalar no Paraná uma das unidades nacionais de excelência do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
A proposta foi desenvolvida com participação do Sistema CNA/Senar, da cooperativa Castrolanda, do Sindicato Rural de Castro e da Prefeitura Municipal.
Em agosto de 2025, durante a Agroleite, foi realizado o lançamento da pedra fundamental do empreendimento.
A cerimônia marcou a apresentação pública da unidade e de suas principais características, incluindo o terreno, a estrutura de ensino e a previsão de formação de 500 profissionais anualmente.
Em julho de 2026, o Sistema FAEP publicou o edital para contratar a empresa responsável pela construção. O processo foi organizado na modalidade de concorrência, com critério de menor preço global, e previu a apresentação das propostas em 15 de julho.
Após a definição da construtora e a obtenção da Licença de Instalação, o empreendimento passou à etapa necessária para executar os serviços contratados.
A A&C Construções e Serviços Ltda. será responsável pela realização das obras, conforme o contrato informado pela entidade.
A implantação integra a estratégia do Senar de desenvolver centros especializados em cadeias produtivas consideradas relevantes para a agropecuária brasileira.
Início das obras dependerá da execução do cronograma contratado
Com a licença concedida em 30 de outubro, a próxima etapa é a mobilização da empresa responsável pela construção e o início dos trabalhos no terreno destinado ao centro.
O prazo previsto de 16 meses constitui a principal referência temporal disponível para a execução das obras.
A conclusão da estrutura física não representará, necessariamente, o início imediato dos cursos. Também será preciso instalar laboratórios e equipamentos, organizar a equipe docente e finalizar os procedimentos de implantação educacional.
A formação de 500 profissionais por ano permanecerá como capacidade projetada até que o centro entre em funcionamento e comece a registrar matrículas e conclusões de cursos.
Para o setor leiteiro, a iniciativa busca ampliar a oferta de conhecimento técnico em uma atividade na qual a produtividade depende de investimento contínuo em tecnologia, qualificação e gestão.
O empreendimento chega à fase de construção após mais de dois anos de articulação entre entidades do agronegócio, cooperativas e poder público, com orçamento atualizado de aproximadamente R$ 36 milhões e previsão de atendimento a profissionais de diferentes regiões do país.
Fontes:
Sistema FAEP — Comunicado institucional de 3 de novembro de 2026 sobre a Licença de Instalação, investimento de R$ 36 milhões, contratação da construtora e prazo de execução das obras.
Sistema FAEP — Edital da Concorrência nº 001/2026, destinado à contratação dos serviços de construção do Centro de Excelência em Bovinocultura de Leite, em Castro.
Sistema FAEP — Comunicados de 2025 sobre a escolha do município, o lançamento da pedra fundamental e a previsão inicial de investimento de R$ 32 milhões.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — Pesquisa da Pecuária Municipal de 2025, com dados de produção leiteira e produtividade.
Presidência da República — Lei Federal nº 13.584, de 26 de dezembro de 2017, que confere a Castro o título de Capital Nacional do Leite.
Instituto Água e Terra do Paraná — Informações sobre o licenciamento ambiental do empreendimento, conforme comunicado institucional do Sistema FAEP.










