O Itaú Unibanco (ITUB4) registrou lucro líquido recorrente gerencial de R$ 12,617 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 1,7% na comparação com o segundo trimestre. O resultado foi acompanhado pela expansão de 10,2% da carteira de crédito, que alcançou R$ 1,544 trilhão em setembro, mas também por uma redução de 0,7 ponto percentual no retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), para 23,6%.
Os números divulgados em 3 de novembro mostram que o banco manteve capacidade de expansão da receita financeira e geração de resultados, mesmo com o aumento das despesas relacionadas ao crédito. O desempenho também evidencia diferenças entre as linhas de negócio: enquanto financiamentos imobiliários, crédito consignado e operações com pequenas e médias empresas avançaram acima da média da carteira, as receitas de serviços e seguros permaneceram praticamente estáveis na comparação trimestral.
Outro ponto relevante foi a revisão da projeção da alíquota efetiva de Imposto de Renda e Contribuição Social (IR/CS) para 2026. O Itaú reduziu a faixa estimada de 29,5% a 32,5% para um intervalo entre 28% e 29%. As demais projeções operacionais para o ano foram mantidas.
O resultado recorrente acumulado entre janeiro e setembro chegou a R$ 37,305 bilhões, ante R$ 34,513 bilhões nos primeiros nove meses de 2025, crescimento de 8,1%. A evolução indica que o banco conseguiu ampliar o resultado anual mesmo com a desaceleração do crescimento trimestral e a pressão sobre algumas receitas complementares.
Lucro cresce, mas rentabilidade recua em relação ao segundo trimestre
A diferença entre o crescimento do lucro e o comportamento do ROE é um dos principais elementos para avaliar o balanço. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio anualizado encerrou setembro em 23,6%, abaixo dos 24,3% registrados em junho, mas superior aos 23,3% apurados em setembro de 2025.
A queda de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre anterior mostra que o avanço do lucro não foi suficiente para manter o mesmo nível de rentabilidade sobre o capital empregado. Em contrapartida, a comparação anual aponta uma melhora de 0,3 ponto percentual, enquanto o indicador acumulado dos nove primeiros meses alcançou 24,1%, ante 22,9% em igual intervalo de 2025.
Nas operações brasileiras, o ROE ficou em 24,5%, comparado com 25,7% no segundo trimestre e 24,2% um ano antes. O desempenho demonstra que a atividade doméstica continuou apresentando retorno superior ao consolidado, embora também tenha registrado redução sequencial.
É importante distinguir o resultado recorrente gerencial do lucro líquido contábil. No terceiro trimestre, o Itaú apresentou lucro líquido contábil de R$ 12,164 bilhões. Após os ajustes gerenciais, que totalizaram R$ 452 milhões em itens extraordinários líquidos de efeitos fiscais, o resultado recorrente alcançou R$ 12,617 bilhões.
Entre os ajustes está o impacto de R$ 291 milhões relacionado à reestruturação da operação de varejo do banco na Colômbia. Também foram contabilizados R$ 133 milhões referentes à amortização de ágio, além de outros efeitos.
Na comparação anual, o lucro contábil cresceu aproximadamente 5,2%, enquanto o resultado recorrente avançou 6,2%. A distinção é relevante porque permite avaliar a evolução da atividade bancária sem tratar os efeitos extraordinários como parte permanente da geração de resultados.
Crédito imobiliário e consignado lideram expansão da carteira
O crescimento da carteira de crédito foi um dos principais sustentáculos do desempenho trimestral. O saldo total chegou a R$ 1,544 trilhão em setembro, contra R$ 1,402 trilhão no mesmo mês de 2025.
Na comparação com junho, a expansão foi de 1,4%. Entretanto, esse percentual foi influenciado pela transferência da carteira de varejo de pessoas físicas do Banco Itaú na Colômbia, concluída em julho de 2026.
Desconsiderando a operação colombiana transferida, o crescimento trimestral teria sido de 2,2%, enquanto a expansão anual alcançaria 10,9%. O ajuste permite avaliar melhor a evolução orgânica das operações que permaneceram no conglomerado.
No Brasil, a carteira atingiu R$ 1,300 trilhão, crescimento de 10,9% em 12 meses. A carteira de pessoas físicas avançou 9,6%, chegando a R$ 500,4 bilhões.
O financiamento imobiliário apresentou uma das maiores taxas de expansão entre as modalidades relevantes. O saldo alcançou R$ 158,8 bilhões, aumento de 15,8% em relação a setembro de 2025. Somente no terceiro trimestre, as contratações de crédito imobiliário somaram R$ 14,3 bilhões, crescimento de 25,8% na comparação anual.
O crédito consignado também registrou crescimento expressivo. A carteira chegou a R$ 84,2 bilhões, avanço de 16,3% em 12 meses. Dentro dessa modalidade, o consignado privado teve expansão de 11,6% no trimestre, impulsionado principalmente pela originação de operações vinculadas aos trabalhadores do setor privado.
O segmento de micro, pequenas e médias empresas apresentou saldo de R$ 320,4 bilhões, crescimento anual de 15,1%. Já a carteira destinada às grandes empresas alcançou R$ 479,4 bilhões, aumento de 9,5%.
A comparação entre as modalidades revela uma concentração maior do crescimento em linhas que avançaram acima da média do banco. Imobiliário, consignado e pequenas e médias empresas registraram expansão entre 15,1% e 16,3%, enquanto a carteira consolidada cresceu 10,2%.
Essa composição ajuda a explicar o avanço da margem financeira com clientes, mas também exige acompanhamento da qualidade dos ativos, especialmente nas operações destinadas a empresas de menor porte.
Inadimplência permanece próxima de 2%, mas custo do crédito aumenta
O crescimento das operações veio acompanhado de uma elevação moderada dos indicadores de inadimplência de longo prazo.
O índice de atrasos superiores a 90 dias atingiu 2% da carteira em setembro, ante 1,9% no segundo trimestre e 1,9% no terceiro trimestre de 2025. A variação foi de 0,1 ponto percentual tanto na comparação trimestral quanto na anual.
Em sentido diferente, a inadimplência entre 15 e 90 dias recuou 0,1 ponto percentual em relação a junho, encerrando setembro em 1,7%. O comportamento indica redução dos atrasos de menor duração, embora o indicador de operações acima de 90 dias tenha apresentado elevação.
No Brasil, a inadimplência acima de 90 dias das pessoas físicas permaneceu em 3,7%, estável na comparação com o trimestre anterior. Em pequenas e médias empresas, o banco identificou aumento associado à normalização dos indicadores após o encerramento dos períodos de carência concedidos em programas governamentais.
A evolução desses indicadores precisa ser observada em conjunto com o custo do crédito. A despesa total relacionada ao risco de crédito somou R$ 10,415 bilhões no terceiro trimestre, crescimento de 2,7% em relação ao segundo trimestre e de 10,2% em comparação com o mesmo período de 2025.
Apesar do aumento nominal, o custo do crédito sobre a carteira permaneceu em 2,7%, mesmo percentual observado nos dois períodos de comparação.
Nos primeiros nove meses do ano, essa despesa acumulou R$ 30,506 bilhões, aumento de 7,4% em relação aos R$ 28,414 bilhões registrados entre janeiro e setembro de 2025.
A despesa de perda esperada atingiu R$ 10,720 bilhões no trimestre, enquanto a recuperação de créditos anteriormente baixados como prejuízo chegou a R$ 1,565 bilhão.
A diferença entre o crescimento do custo nominal e a estabilidade do indicador proporcional demonstra que a expansão da carteira também elevou o volume de recursos destinado à cobertura de perdas esperadas. O banco, portanto, conseguiu ampliar o crédito sem aumento da relação entre custo do crédito e carteira, embora o avanço da inadimplência acima de 90 dias continue sendo um indicador relevante para os próximos resultados.
Margem financeira avança com contribuição maior das operações de mercado
A margem financeira gerencial somou R$ 34,611 bilhões no terceiro trimestre, crescimento de 3,4% em relação ao trimestre anterior e de 7,8% na comparação anual.
A maior parcela veio da margem financeira com clientes, que alcançou R$ 33,286 bilhões. O indicador avançou 2,2% em relação ao segundo trimestre e 6,6% em 12 meses.
O crescimento foi associado principalmente ao aumento do volume médio de crédito e capital de giro, com destaque para financiamento imobiliário, consignado e operações com micro, pequenas e médias empresas.
A margem financeira com o mercado apresentou evolução proporcionalmente mais expressiva. O resultado atingiu R$ 1,325 bilhão, ante R$ 931 milhões no segundo trimestre e R$ 902 milhões em igual período de 2025.
O crescimento foi de 42,3% na comparação trimestral e de 46,9% em 12 meses, favorecido pelo desempenho das operações de tesouraria.
Embora represente uma parcela menor da margem financeira total, essa linha teve participação importante na expansão trimestral. Dos R$ 1,123 bilhão de aumento da margem financeira gerencial entre o segundo e o terceiro trimestre, R$ 394 milhões vieram da margem com o mercado.
Isso corresponde a aproximadamente 35% do crescimento nominal da margem financeira no período. A contribuição mostra que os resultados de tesouraria reforçaram o desempenho, enquanto o avanço da margem com clientes permaneceu relacionado à expansão das operações bancárias.
A evolução dessas duas linhas também ajuda a identificar a composição do resultado. O crescimento não dependeu exclusivamente do aumento do volume emprestado, mas contou com uma contribuição relevante das operações financeiras realizadas pelo banco no mercado.
Receitas de serviços e seguros ficam praticamente estáveis
As receitas de serviços e o resultado de seguros, previdência e capitalização totalizaram R$ 14,063 bilhões no terceiro trimestre, redução de 0,2% em relação aos R$ 14,089 bilhões do trimestre anterior.
Na comparação anual, houve crescimento de apenas 0,2%. No acumulado de janeiro a setembro, entretanto, o conjunto dessas receitas aumentou 3%, alcançando R$ 42,178 bilhões.
O comportamento das diferentes atividades ajuda a explicar a estabilidade do indicador. As receitas de emissão de cartões cresceram 7,1% no trimestre, chegando a R$ 3,513 bilhões. A administração de recursos avançou 7,8%, para R$ 2,152 bilhões, enquanto a administração de fundos aumentou 5,9%.
Esses resultados foram parcialmente compensados pela redução das receitas de assessoria econômico-financeira e corretagem, que recuaram 26,3%, passando de R$ 1,259 bilhão no segundo trimestre para R$ 927 milhões no terceiro.
Segundo a administração do banco, o desempenho foi influenciado principalmente pela redução dos ganhos com operações de banco de investimento, especialmente na área de renda fixa.
O resultado de seguros, previdência e capitalização, antes das despesas com sinistros, também apresentou queda de 1,5% na comparação trimestral, totalizando R$ 3,015 bilhões.
O Itaú relacionou o recuo ao aumento dos sinistros retidos nas carteiras de seguros prestamista, habitacional e de vida individual, além da redução das receitas de capitalização.
Na direção oposta, o crescimento dos prêmios ganhos e das carteiras de seguros de vida e habitacional ajudou a compensar parcialmente essas pressões.
A estabilidade das receitas de serviços e seguros contrasta com o crescimento de 7,8% da margem financeira gerencial. Essa diferença demonstra que a expansão dos resultados continua concentrada principalmente na atividade de intermediação financeira, enquanto outras fontes de receita enfrentam dificuldades para acelerar.
Capitalização melhora e banco reduz estimativa de imposto
Os indicadores de capital apresentaram evolução positiva durante o trimestre. O índice de Capital Principal, conhecido como CET1, subiu de 12,3% em junho para 12,7% em setembro.
O capital de nível I alcançou 14,2%, enquanto o Índice de Basileia permaneceu em 15,4%. O crescimento do capital principal foi associado principalmente ao resultado gerado no período, parcialmente compensado pela expansão dos ativos ponderados pelo risco.
A posição de capital é relevante porque permite ao banco sustentar suas operações, absorver eventuais perdas e financiar o crescimento da carteira sem depender exclusivamente de novas captações de recursos próprios.
O índice de eficiência consolidado terminou setembro em 37,5%, próximo dos 37,4% do segundo trimestre e abaixo dos 38,8% registrados um ano antes. Quanto menor esse indicador, menor a proporção das receitas consumida pelas despesas operacionais, conforme a metodologia utilizada pela instituição.
As despesas não decorrentes de juros somaram R$ 17,129 bilhões no trimestre, crescimento de 2,4% na comparação trimestral e de 1,7% em 12 meses.
Entre os fatores apontados pelo banco estão os efeitos do acordo coletivo de trabalho, que estabeleceu reajuste salarial de 4,6% a partir de setembro de 2026, e o aumento das despesas relacionadas a ações trabalhistas.
Na atualização das projeções para o exercício, a principal mudança ocorreu na estimativa de tributação. A faixa prevista para a alíquota efetiva de IR/CS passou de 29,5% a 32,5% para 28% a 29%.
Considerando o ponto médio dos intervalos, a projeção caiu de 31% para 28,5%, redução de 2,5 pontos percentuais.
O Itaú manteve as demais estimativas para 2026. A instituição continua projetando crescimento de 5,5% a 9,5% na carteira total de crédito, expansão de 5% a 9% na margem financeira com clientes e margem financeira com o mercado entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões no ano.
O custo do crédito permanece estimado entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões. Para as receitas de serviços e o resultado de seguros, a projeção continua entre 2% e 5% de crescimento.
A redução da estimativa tributária representa uma mudança favorável na premissa utilizada pelo banco para o exercício, mas não altera, por si só, as projeções de crescimento da carteira, receitas e despesas operacionais.
XP mantém recomendação de compra e banco prepara novos investimentos em tecnologia
A avaliação de instituições financeiras permaneceu favorável às ações do Itaú após a publicação dos resultados.
Em relatório divulgado em 3 de novembro, a XP Investimentos reiterou a recomendação de compra para ITUB4 e manteve os papéis como sua principal escolha no setor bancário. A instituição destacou a rentabilidade, a qualidade da carteira, a geração de capital e a disciplina na concessão de crédito.
A XP também observou que o resultado ficou acima de sua estimativa, enquanto a evolução das receitas de serviços e seguros continuou sendo um ponto de atenção.
A Genial Investimentos, em relatório publicado antes da divulgação do balanço, em 30 de outubro, também apresentava recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 54,70 para as ações preferenciais. Como a avaliação foi elaborada antes dos resultados do terceiro trimestre, esse valor não representa uma atualização posterior ao balanço.
Outro acontecimento relevante para a estratégia do banco foi registrado nas demonstrações financeiras como evento subsequente ao encerramento do trimestre.
Em 23 de outubro, o Itaú celebrou contrato para adquirir a totalidade das ações da NeoSpace A.I. Technologies, startup brasileira especializada em inteligência artificial e desenvolvimento de modelos fundacionais de dados.
O valor da operação foi estabelecido em R$ 2,925 bilhões, com pagamento de uma parcela no fechamento e o restante de forma diferida ao longo de cinco anos, sujeito a determinadas condições. A conclusão depende das aprovações regulatórias necessárias.
O banco informou que a empresa continuará com gestão autônoma e que sua equipe será mantida. Por ter sido contratada em outubro, a aquisição não integra o resultado operacional do terceiro trimestre.
O desempenho dos próximos períodos dependerá da capacidade de manter a expansão da carteira sem deterioração significativa dos indicadores de risco, preservar a rentabilidade e recuperar o ritmo de crescimento das receitas de serviços. A redução da projeção tributária oferece uma premissa mais favorável para 2026, enquanto a evolução das despesas de crédito e a geração de capital continuam entre os principais indicadores para acompanhar a trajetória financeira da instituição.
Fontes:
Itaú Unibanco – Análise Gerencial da Operação e Demonstrações Contábeis Condensadas Individuais e Consolidadas em BRGAAP do terceiro trimestre de 2026
Itaú Unibanco – Demonstrações Contábeis Consolidadas Condensadas em IFRS encerradas em 30 de setembro de 2026
Itaú Unibanco – calendário de eventos corporativos e divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026
XP Investimentos – relatório de revisão dos resultados do Itaú Unibanco no terceiro trimestre de 2026
Genial Investimentos – prévia dos resultados do Itaú Unibanco no terceiro trimestre de 2026, com recomendação e preço-alvo para ITUB4









