A pesquisa Quaest divulgada em 14 de outubro de 2026 revela diferenças nas intenções de voto entre grupos do eleitorado brasileiro, mesmo com o empate técnico registrado no cenário nacional do segundo turno presidencial. O levantamento aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 44%, considerando todos os entrevistados. Nos recortes divulgados, o senador registra 60% entre eleitores evangélicos, enquanto o presidente aparece com 61% no Nordeste. Os resultados mostram como as preferências declaradas variam segundo caracterÃsticas regionais, religiosas, econômicas e sociais.
A Quaest entrevistou presencialmente 2.154 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de outubro. Contratado pela TV Globo e pelo jornal O Globo, o levantamento tem margem de erro nacional de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, nÃvel de confiança de 95% e registro BR-08729/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além das intenções de voto nos candidatos, 9% dos participantes declararam voto em branco, nulo ou que não pretendem comparecer, enquanto 1% afirmou estar indeciso.
Os recortes publicados abrangem identificação polÃtica, região, gênero, idade, escolaridade, renda familiar, religião e cor ou raça autodeclarada. Os percentuais representam intenções de voto totais dentro de cada segmento, incluindo as respostas de quem não escolheu nenhum dos candidatos. A margem de erro nacional, entretanto, não pode ser aplicada indistintamente aos subgrupos, que possuem quantidades menores de entrevistados e nÃveis próprios de incerteza estatÃstica. Essa diferença exige cuidado na interpretação de distâncias numéricas e de eventuais mudanças em relação a pesquisas anteriores.
Nordeste e Sul apresentam distribuições distintas de intenção de voto
O recorte regional mostra 61% das intenções de voto para Lula e 32% para Flávio Bolsonaro entre os entrevistados do Nordeste. Na região Sul, os percentuais são de 30% para o presidente e 61% para o senador. Os resultados revelam distribuições bastante diferentes entre as duas regiões, sem que isso autorize generalizar o comportamento de todos os seus estados ou municÃpios. Cada percentual corresponde à s respostas da amostra regional utilizada pelo instituto.
A comparação com a pesquisa Quaest divulgada em 14 de setembro oferece uma referência sobre a evolução desses indicadores. Naquela rodada, realizada entre 10 e 13 de setembro, Lula registrava 60% no Nordeste e Flávio, 28%. No Sul, os percentuais eram de 30% para Lula e 52% para Flávio. As variações até outubro foram de um ponto percentual para o presidente e quatro para o senador no Nordeste; no Sul, Lula manteve o mesmo percentual e Flávio apresentou aumento de nove pontos.
Esses movimentos descrevem diferenças entre os resultados publicados, mas não demonstram, isoladamente, que cada alteração seja estatisticamente significativa. A pesquisa de setembro entrevistou 2.004 eleitores em todo o paÃs, enquanto a de outubro ouviu 2.154. Para medir formalmente a consistência das mudanças regionais, seria necessário examinar as margens especÃficas de cada segmento e os procedimentos de ponderação utilizados pelo instituto.
A distribuição das intenções de voto também deve ser diferenciada dos resultados efetivos do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. A pesquisa representa uma estimativa amostral, enquanto os votos apurados pelo TSE correspondem à participação efetiva dos eleitores nas urnas. Além disso, os resultados oficiais são apresentados em votos válidos, sem brancos e nulos, ao passo que os recortes da Quaest incluem essas respostas na base de cálculo.
Evangélicos registram 60% para Flávio Bolsonaro
Entre os entrevistados que se identificam como evangélicos, a pesquisa registra 60% das intenções de voto para Flávio Bolsonaro e 28% para Lula. A diferença numérica é de 32 pontos percentuais nesse segmento. O resultado diz respeito à religião declarada pelos participantes e não permite afirmar que exista comportamento eleitoral uniforme entre as diferentes denominações, igrejas ou comunidades religiosas do paÃs.
Na pesquisa de 14 de setembro, Flávio aparecia com 51% entre evangélicos, enquanto Lula registrava 28%. A comparação com outubro mostra uma variação positiva de nove pontos percentuais para o senador e estabilidade numérica para o presidente. Para identificar se houve mudança estatisticamente significativa, é necessário considerar o tamanho das duas subamostras e as margens de erro correspondentes, não apenas a diferença entre os percentuais arredondados.
Os resultados por religião também precisam ser interpretados sem presumir que a identificação religiosa determine individualmente a preferência eleitoral. A população evangélica reúne pessoas com diferentes idades, condições econômicas, nÃveis de escolaridade e experiências polÃticas. Uma pesquisa que apresenta resultados agregados por religião não demonstra, por si só, quais desses fatores estão associados à s respostas observadas.
A análise completa do eleitorado religioso exige observar também os resultados entre católicos, pessoas sem religião e integrantes de outras tradições. Embora a divulgação apresentada inclua gráficos dessas categorias, os percentuais especÃficos de todos esses grupos não foram confirmados integralmente na documentação textual disponÃvel para esta reportagem. Por esse motivo, não são reproduzidas estimativas adicionais sem verificação.
Renda familiar também diferencia as respostas dos entrevistados
No segmento de renda familiar de até dois salários mÃnimos, Lula registra 53% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 36%. Entre os entrevistados com renda superior a cinco salários mÃnimos, os percentuais são de 39% para Lula e 53% para Flávio. Os resultados descrevem diferenças na distribuição das preferências declaradas entre as faixas econômicas examinadas.
A pesquisa de setembro apresentava 51% para Lula e 32% para Flávio entre entrevistados com renda de até dois salários mÃnimos. Na rodada de outubro, os percentuais passaram a 53% e 36%, respectivamente. As variações correspondem a dois pontos para o presidente e quatro para o senador. Como se trata de medições independentes, os números não identificam necessariamente eleitores que tenham mudado de preferência.
A renda familiar também não deve ser confundida com renda individual ou rendimento por pessoa do domicÃlio. Diferentes pesquisas podem utilizar classificações econômicas distintas, o que dificulta comparações diretas entre institutos. Mesmo em levantamentos da mesma empresa, a consistência da série depende da manutenção das faixas adotadas e dos procedimentos utilizados para classificar os entrevistados.
Outra limitação está na interpretação causal dos resultados. Os percentuais não demonstram que a renda, isoladamente, determine a escolha eleitoral. Faixa etária, escolaridade, região, inserção profissional e outras caracterÃsticas podem estar associadas à s diferenças observadas. Para examinar essas relações seria necessário utilizar dados individuais ou tabelas cruzadas que permitissem controlar a influência simultânea dessas variáveis.
Pesquisa registra 51% para Lula e 39% para Flávio entre eleitores pretos
No recorte de cor ou raça autodeclarada, os dados divulgados indicam 51% das intenções de voto para Lula entre entrevistados pretos e 39% para Flávio Bolsonaro. A diferença numérica entre os percentuais é de 12 pontos. O resultado representa as respostas obtidas entre os participantes que se identificaram nessa categoria e não deve ser automaticamente estendido ao conjunto de eleitores negros, classificação que, nas estatÃsticas brasileiras, costuma reunir pretos e pardos.
A distinção entre essas categorias é necessária para preservar a precisão da análise. A autodeclaração racial constitui um critério de classificação utilizado em pesquisas demográficas e eleitorais, mas os grupos podem apresentar diferentes distribuições regionais, etárias e socioeconômicas. A apresentação de um resultado para eleitores pretos não permite inferir qual foi o percentual registrado entre pardos ou brancos.
O tamanho da subamostra também influencia a precisão das estimativas. Como o levantamento nacional reúne 2.154 entrevistados, a quantidade de participantes em cada categoria racial é necessariamente inferior ao total. Sem os intervalos de confiança especÃficos e a quantidade de entrevistas por grupo, não é adequado aplicar diretamente a margem nacional de dois pontos percentuais ao resultado desse recorte.
A comparação histórica exige ainda que as categorias sejam mantidas de uma rodada para outra. Diferenças de classificação ou de composição amostral podem interferir na leitura da evolução temporal. Por isso, uma análise conclusiva da mudança entre setembro e outubro dependeria das tabelas originais dos dois perÃodos, com os respectivos parâmetros estatÃsticos.
Gênero, idade, escolaridade e identificação polÃtica exigem análise dos dados completos
A Quaest também disponibilizou gráficos relativos ao gênero, à faixa etária, ao nÃvel de escolaridade e à identificação polÃtica dos entrevistados. Esses recortes permitem observar a distribuição das intenções de voto segundo caracterÃsticas distintas, mas precisam ser analisados com o mesmo rigor aplicado aos resultados regionais, religiosos e econômicos. Na documentação textual verificada para esta reportagem, não foi possÃvel confirmar integralmente os percentuais de todas essas categorias na rodada de 14 de outubro.
A pesquisa de setembro, por exemplo, já apresentava diferenças entre faixas etárias. No levantamento divulgado em 14 de setembro, Flávio Bolsonaro registrava 43% entre entrevistados de 16 a 34 anos, enquanto Lula aparecia com 37%. Entre os participantes de 35 a 59 anos, os percentuais eram de 44% para Flávio e 39% para Lula. No grupo de 60 anos ou mais, Lula registrava 45% e Flávio, 39%.
Esses números representam exclusivamente a medição de setembro e não devem ser apresentados como resultados de outubro. A atualização por idade depende das tabelas correspondentes da nova pesquisa e das margens de erro de cada faixa. O mesmo procedimento vale para os resultados por gênero, escolaridade e identificação polÃtica, nos quais a composição das subamostras pode produzir diferenças relevantes na precisão estatÃstica.
A identificação polÃtica exige uma cautela adicional por tratar de uma classificação subjetiva. Eleitores que se declaram de esquerda, direita, centro ou independentes não formam necessariamente grupos homogêneos. A forma como as categorias são apresentadas e como os entrevistados compreendem cada uma delas pode influenciar as respostas, tornando essencial preservar a formulação utilizada pelo instituto.
Empate técnico nacional não elimina diferenças entre segmentos
O resultado nacional da Quaest reúne 46% para Flávio Bolsonaro e 44% para Lula, diferença de dois pontos percentuais, dentro da margem de erro informada. A existência de distribuições distintas em determinados segmentos não contradiz esse resultado. O percentual nacional é calculado a partir do conjunto ponderado de entrevistados, enquanto os recortes representam parcelas especÃficas dessa população.
Também não seria correto calcular uma média simples entre os percentuais regionais ou religiosos para tentar reproduzir a intenção de voto nacional. Cada grupo participa da composição do eleitorado em proporções diferentes, e algumas classificações se sobrepõem. Uma pessoa pode, ao mesmo tempo, pertencer a determinada faixa de renda, região, religião e categoria racial. Somar essas proporções como se representassem populações independentes produziria duplicações e resultados estatisticamente incorretos.
Outra diferença importante envolve a margem de erro. O intervalo de dois pontos percentuais divulgado para o conjunto da pesquisa não equivale à precisão disponÃvel para cada subgrupo. As estimativas por caracterÃsticas especÃficas dependem de amostras menores e, em geral, apresentam maior incerteza. Por essa razão, uma diferença de poucos pontos entre candidatos dentro de determinado segmento não pode ser considerada conclusiva sem o exame das margens correspondentes.
O levantamento mostra ainda rejeição de 54% a Flávio Bolsonaro e 53% a Lula no conjunto dos entrevistados. Esses indicadores medem a resistência declarada às candidaturas e não são diretamente equivalentes às intenções de voto. Para compreender como rejeição e preferência se relacionam dentro de cada segmento, seriam necessários cruzamentos adicionais, não disponibilizados integralmente nos resultados examinados.
Eleição presidencial será decidida em 25 de outubro
O segundo turno presidencial está marcado para 25 de outubro, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral. A votação ocorrerá das 8h à s 17h, seguindo o horário de BrasÃlia. Na mesma data, haverá segundo turno para governador nas unidades da Federação em que nenhum candidato alcançou a maioria exigida na primeira votação, além de outras consultas eleitorais previstas para localidades especÃficas.
Os resultados da Quaest divulgados em outubro oferecem uma medição das intenções de voto após a definição dos dois candidatos classificados para o segundo turno. A comparação com setembro acrescenta contexto histórico, mas não permite identificar individualmente os movimentos de preferência entre as rodadas. Também não autoriza transformar diferenças entre segmentos em previsões sobre o comportamento futuro desses eleitores.
A análise dos recortes indica distribuições distintas de respostas por região, religião, renda e cor autodeclarada, dentro de um levantamento nacional que registra empate técnico. O aprofundamento das demais categorias dependerá do acesso à s tabelas integrais e à s margens especÃficas de cada subamostra. Novas pesquisas poderão acrescentar informações à série, desde que suas datas, cenários e metodologias sejam considerados na interpretação dos resultados.
Fontes:
Tribunal Superior Eleitoral — Calendário Eleitoral de 2026 e regras oficiais para a realização do segundo turno em 25 de outubro.







