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Petrobras (PETR4), Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC3), Itaúsa (ITSA4) e Equatorial Pará (EQPA3): lucros de 2026

Petrobras lidera a geração de lucros com R$ 85,1 bilhões no primeiro semestre; análise dos balanços de cinco companhias revela crescimento dos resultados e divergência contábil de R$ 17,7 bilhões em indicadores da Equatorial Pará.

por Camila Braga
22/10/2026 às 17h22
em Mercados
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A Petrobras (PETR4) lidera a geração de lucros entre cinco companhias negociadas na B3 analisadas em outubro de 2026, seguida pelo Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC3), Itaúsa (ITSA4) e Equatorial Pará (EQPA3). A comparação das demonstrações financeiras revela resultados bilionários da petroleira e dos principais grupos financeiros brasileiros, mas também identifica uma inconsistência superior a R$ 17 bilhões em indicadores atribuídos à distribuidora de energia elétrica. A divergência evidencia a importância de distinguir os resultados oficiais das empresas dos números calculados automaticamente por plataformas de investimentos.

Um levantamento divulgado nesta quinta-feira (22) apresentou a Petrobras na liderança de uma seleção de companhias, com lucro acumulado de R$ 133,76 bilhões em 12 meses. O Itaú apareceu na segunda posição, com R$ 47,94 bilhões, seguido pelo Bradesco, com R$ 24,59 bilhões, pela Equatorial Pará, com R$ 19,26 bilhões, e pela Itaúsa, com R$ 18,23 bilhões. Entretanto, esses valores utilizam uma janela móvel de resultados e não correspondem necessariamente aos lucros apurados exclusivamente desde janeiro de 2026.

A diferença é relevante porque os balanços do terceiro trimestre ainda estavam em processo de divulgação no momento do levantamento. Para estabelecer uma comparação financeira consistente, a análise considerou o primeiro semestre de 2026, período já encerrado e com informações disponibilizadas pelas cinco empresas. Os documentos mostram que a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 85,1 bilhões, enquanto o Itaú alcançou aproximadamente R$ 23,62 bilhões e o Bradesco, R$ 12,48 bilhões.

A Itaúsa contabilizou R$ 9,65 bilhões no mesmo intervalo, enquanto a Equatorial Pará apresentou lucro de aproximadamente R$ 770,8 milhões. Os números confirmam a liderança da Petrobras na seleção, mas modificam significativamente a classificação originalmente apresentada quando se utiliza uma base contábil uniforme. A análise também demonstra que empresas com grande volume de lucro não necessariamente registram as maiores taxas de crescimento percentual.

Ranking de lucros na B3: veja os resultados do primeiro semestre de 2026

A comparação reúne os lucros líquidos contábeis divulgados pelas companhias entre janeiro e junho de 2026. Os valores não devem ser confundidos com o lucro recorrente ajustado, com o EBITDA ou com os resultados acumulados em 12 meses. Também não representam uma classificação abrangente de todas as empresas listadas na Bolsa brasileira, mas apenas das cinco companhias examinadas.

Empresa Ticker Lucro líquido no 1º semestre de 2026
Petrobras PETR4 R$ 85,10 bilhões
Itaú Unibanco ITUB4 R$ 23,62 bilhões
Bradesco BBDC3 R$ 12,48 bilhões
Itaúsa ITSA4 R$ 9,65 bilhões
Equatorial Pará EQPA3 R$ 770,8 milhões

A Petrobras apresentou lucro aproximadamente 3,6 vezes superior ao do Itaú Unibanco no primeiro semestre. O resultado da petroleira também ultrapassou a soma dos lucros das outras quatro companhias selecionadas. Essa concentração demonstra a capacidade de geração de resultados da estatal, mas não permite concluir isoladamente que suas ações oferecem a melhor relação entre risco e retorno.

A comparação também envolve modelos de negócios diferentes. Enquanto a Petrobras depende de produção, refino e comercialização de petróleo e derivados, os bancos concentram suas atividades na intermediação financeira e na prestação de serviços. A Itaúsa administra participações societárias, enquanto a Equatorial Pará atua em um segmento de infraestrutura regulada, sujeito a regras tarifárias e exigências de investimento.

Essas particularidades afetam margens, endividamento, rentabilidade e capacidade de distribuir dividendos. Por isso, o lucro absoluto deve ser analisado em conjunto com outros indicadores financeiros e com as condições específicas de cada setor.

Petrobras (PETR4) registra R$ 85,1 bilhões de lucro e amplia produção

A Petrobras (PETR4) apresentou o maior resultado absoluto da seleção no primeiro semestre de 2026, com lucro líquido de R$ 85,1 bilhões. A cifra corresponde à soma de R$ 32,7 bilhões registrados no primeiro trimestre e R$ 52,4 bilhões contabilizados entre abril e junho. Segundo a companhia, o desempenho representa crescimento de aproximadamente 37,6% em relação ao mesmo período de 2025.

O avanço foi impulsionado pelo aumento da produção de petróleo e pelo desempenho das atividades de exploração, produção e refino. No segundo trimestre, a produção própria de óleo no Brasil alcançou aproximadamente 2,7 milhões de barris por dia, crescimento de 15% na comparação anual. A companhia também registrou fator de utilização de 101% em seu parque de refino, ampliando a produção de derivados destinados ao mercado nacional.

O fluxo de caixa operacional atingiu R$ 61,8 bilhões no segundo trimestre, enquanto o EBITDA ajustado somou R$ 93,8 bilhões. Esses indicadores reforçam a capacidade de geração de recursos das operações, embora apresentem conceitos diferentes do lucro líquido. O EBITDA desconsidera determinados efeitos financeiros, tributários e contábeis que precisam ser considerados na avaliação completa do resultado.

A Petrobras também aprovou a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio referentes ao segundo trimestre. O valor demonstra a capacidade de remuneração aos acionistas, mas não significa que todos os ganhos contábeis sejam automaticamente distribuídos. A definição dos pagamentos depende da política de dividendos, das necessidades de investimento e da situação financeira da companhia.

O lucro de R$ 133,76 bilhões apresentado no levantamento divulgado em outubro corresponde a uma referência acumulada em 12 meses. Esse intervalo incorpora resultados de exercícios diferentes e, portanto, não deve ser divulgado como lucro obtido exclusivamente em 2026. Para investidores em PETR4, a distinção permite compreender melhor a evolução do desempenho operacional e sua relação com os preços das ações.

Os próximos balanços serão importantes para avaliar a continuidade do crescimento. A companhia permanece exposta às oscilações internacionais do petróleo, ao comportamento do câmbio e às decisões relacionadas ao volume de investimentos. Mudanças nessas variáveis podem alterar significativamente os resultados dos trimestres seguintes.

Itaú Unibanco (ITUB4) alcança R$ 23,62 bilhões e mantém rentabilidade elevada

O Itaú Unibanco (ITUB4) encerrou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido contábil de aproximadamente R$ 23,62 bilhões, crescimento de 9,1% em relação aos R$ 21,64 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. O resultado recorrente gerencial chegou a R$ 23,96 bilhões, refletindo o desempenho das operações financeiras e de serviços. A diferença entre as duas medidas decorre dos ajustes adotados pela instituição para apresentar sua rentabilidade operacional.

No segundo trimestre, o lucro recorrente gerencial alcançou R$ 12,4 bilhões. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio, conhecido como ROE, atingiu 24,3% ao ano, indicador que mede a capacidade de geração de resultados em relação aos recursos próprios dos acionistas. A instituição também informou carteira de crédito total de aproximadamente R$ 1,5 trilhão em junho.

A expansão dos resultados bancários depende de diversos fatores, incluindo receitas com empréstimos, custos de captação, tarifas, serviços e controle da inadimplência. Uma carteira maior pode ampliar a geração de receitas, mas também exige provisões compatíveis com os riscos assumidos. Dessa forma, o desempenho de um banco não deve ser avaliado exclusivamente pelo crescimento do lucro nominal.

O Itaú apresentou resultados expressivos em um ambiente de juros ainda elevados. A instituição se beneficia da escala de suas operações, da diversificação de receitas e do investimento em tecnologia e eficiência. Entretanto, a evolução da economia e da qualidade de crédito continuará determinante para os resultados dos próximos trimestres.

Para os investidores em ITUB4, indicadores como ROE, custo de crédito, índice de eficiência operacional e distribuição de dividendos oferecem informações complementares à análise do lucro líquido. A comparação com outras instituições deve considerar critérios contábeis equivalentes para evitar distorções.

Bradesco (BBDC3) registra R$ 12,48 bilhões no primeiro semestre

O Bradesco (BBDC3) apresentou lucro líquido contábil de R$ 12,48 bilhões entre janeiro e junho de 2026, ante R$ 11,81 bilhões no mesmo período de 2025. O crescimento aproximado de 5,6% manteve o banco entre as instituições financeiras de maior geração de resultados do país. A expansão ocorreu em um ambiente de crescimento da carteira de crédito e de esforços para melhorar a eficiência operacional.

A instituição registrou lucro recorrente de aproximadamente R$ 7,1 bilhões no segundo trimestre, com retorno recorrente sobre o patrimônio líquido de 16,2% ao ano. A carteira de crédito expandida alcançou cerca de R$ 1,137 trilhão em junho, avanço de 11,6% na comparação anual. O crescimento do crédito contribui para ampliar receitas, mas também exige acompanhamento da inadimplência e das provisões.

A comparação com o Itaú mostra ritmos diferentes de evolução dos resultados. Enquanto o lucro contábil semestral do Itaú avançou 9,1%, o Bradesco apresentou crescimento de aproximadamente 5,6%. Essa diferença pode refletir características específicas das carteiras, das despesas administrativas e das receitas provenientes de serviços e operações de seguros.

O Bradesco possui participação relevante nos mercados de seguros, previdência e capitalização, segmentos que contribuem para a diversificação de suas fontes de receita. No segundo trimestre, o grupo segurador registrou lucro recorrente próximo de R$ 2,9 bilhões. A diversificação ajuda a reduzir a dependência de determinadas operações bancárias, mas não elimina os riscos associados ao ambiente econômico.

O lucro acumulado de R$ 24,59 bilhões apresentado no levantamento de mercado utiliza uma janela de 12 meses, diferente do resultado do primeiro semestre. A distinção deve ser preservada na comparação entre BBDC3 e as demais companhias. Para os acionistas, a evolução do retorno sobre patrimônio e da capacidade de geração recorrente de caixa continuará entre os principais indicadores de desempenho.

Itaúsa (ITSA4) cresce 22%, mas lucro exige interpretação diferente

A Itaúsa (ITSA4) encerrou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido de R$ 9,654 bilhões, crescimento de aproximadamente 22% em relação aos R$ 7,929 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O lucro líquido recorrente alcançou R$ 8,797 bilhões, avanço de 12% na comparação anual. Os números constam do relatório da administração divulgado em agosto.

A companhia possui um modelo de negócios diferente daquele dos bancos tradicionais. Como holding de investimentos, administra participações em empresas de diferentes setores, incluindo o Itaú Unibanco. Parte significativa de seus resultados é reconhecida por meio da equivalência patrimonial, mecanismo que registra a parcela dos lucros gerados pelas sociedades investidas.

Essa característica explica por que determinadas plataformas apresentam margens líquidas superiores a 100% para a Itaúsa. O levantamento divulgado nesta quinta-feira indicou margem de 214,29%, percentual que não pode ser interpretado da mesma maneira que a margem de uma empresa industrial ou comercial. O lucro reconhecido por equivalência patrimonial pode superar a receita individual utilizada como base para o cálculo.

No primeiro semestre, a Itaúsa registrou retorno sobre o patrimônio líquido recorrente de 19,3% ao ano. O valor de mercado de seu portfólio alcançou R$ 189,4 bilhões ao final de junho, enquanto a capitalização da holding estava próxima de R$ 150 bilhões. A diferença correspondeu a um desconto de holding de aproximadamente 20,8%.

Esse desconto é acompanhado por investidores que procuram identificar divergências entre o valor das participações detidas pela empresa e o preço de suas próprias ações. Entretanto, não representa garantia de valorização futura, pois também pode refletir custos administrativos, obrigações financeiras e características da estrutura societária. A evolução do indicador depende do desempenho das empresas investidas e da percepção de risco dos acionistas.

Há outra particularidade relevante na comparação entre Itaúsa (ITSA4) e Itaú Unibanco (ITUB4). Como a holding participa do capital do banco, parte de seu resultado deriva dos lucros já reconhecidos pela própria instituição financeira. Somar indiscriminadamente os resultados das duas empresas pode produzir dupla contagem econômica de uma mesma atividade.

Equatorial Pará (EQPA3) apresenta divergência de R$ 17,7 bilhões em indicadores

A principal inconsistência identificada no levantamento envolve a Equatorial Pará (EQPA3), companhia responsável pela distribuição de energia elétrica nos 144 municípios do Pará. Determinadas bases de dados financeiros apresentam lucro líquido próximo de R$ 19,26 bilhões em 12 meses e margem líquida de 150,85%. Esses números contrastam com as demonstrações financeiras oficiais da distribuidora e precisam ser interpretados com cautela.

O balanço auditado de 2025 mostra que a companhia registrou lucro líquido de R$ 1,553 bilhão, abaixo dos R$ 1,976 bilhão contabilizados em 2024. A redução foi de aproximadamente 21,4% na comparação anual. A receita operacional líquida alcançou R$ 12,224 bilhões, enquanto o resultado bruto ficou em R$ 3,377 bilhões.

A demonstração de resultados também registra custos de energia elétrica, construção e operação de R$ 8,847 bilhões. Na contabilidade da companhia, esses custos são apresentados como valores negativos, pois representam despesas deduzidas da receita operacional. A dedução é necessária para determinar o lucro bruto efetivo.

A divergência observada em determinadas plataformas é compatível com um problema no tratamento do sinal desses custos. Caso R$ 8,847 bilhões sejam somados à receita em vez de subtraídos, o resultado bruto ficará artificialmente elevado em aproximadamente R$ 17,693 bilhões. A diferença corresponde ao dobro do valor dos custos envolvidos no cálculo.

A comparação permite visualizar o problema:

Indicador de 2025 Valor
Receita operacional líquida R$ 12,224 bilhões
Custos dos serviços R$ 8,847 bilhões
Lucro bruto oficial R$ 3,377 bilhões
Lucro líquido oficial R$ 1,553 bilhão
Lucro resultante da inversão hipotética do sinal R$ 19,246 bilhões
Diferença produzida no cálculo R$ 17,693 bilhões

O resultado hipotético de R$ 19,246 bilhões se aproxima dos R$ 19,26 bilhões apresentados em determinadas bases de indicadores. Essa proximidade aponta para uma possível inconsistência de processamento, mas não permite afirmar, sem acesso ao sistema responsável pelo cálculo, que a inversão de sinal seja a causa definitiva do problema. O fato verificável é que os números elevados não correspondem ao lucro publicado no balanço anual auditado da companhia.

A análise do primeiro semestre de 2026 reforça a diferença. A Equatorial Pará registrou aproximadamente R$ 770,8 milhões de lucro líquido entre janeiro e junho, resultado da soma de R$ 384,4 milhões no primeiro trimestre e R$ 386,4 milhões no segundo. Esses valores são compatíveis com a dimensão operacional demonstrada pela distribuidora e muito inferiores ao resultado bilionário apresentado nas bases divergentes.

Outro indicador afetado é a margem líquida. Ao dividir o lucro oficial de R$ 1,553 bilhão pela receita líquida de R$ 12,224 bilhões, chega-se a aproximadamente 12,7%. O percentual contrasta com a margem de 150,85% apresentada no levantamento de mercado.

Margens superiores a 100% podem ocorrer legitimamente em situações específicas, especialmente quando empresas registram ganhos extraordinários relevantes. Entretanto, essa não é a relação demonstrada entre lucro e receita nas informações oficiais examinadas da Equatorial Pará. A discrepância exige a identificação dos critérios utilizados pela plataforma que produziu o indicador.

O problema pode comprometer ainda a avaliação do múltiplo preço sobre lucro, conhecido como P/L. Quando o lucro utilizado no denominador está artificialmente elevado, a ação pode parecer muito mais barata do que efetivamente é. Essa distorção pode influenciar decisões de investidores que utilizam filtros automáticos para identificar empresas supostamente negociadas com desconto.

É necessário distinguir também a Equatorial Pará (EQPA3) da Equatorial Energia (EQTL3). A primeira é uma distribuidora de energia elétrica específica, enquanto a segunda representa a holding do grupo, que possui participações em diversas empresas e atividades. Os resultados financeiros e os indicadores de uma não devem ser confundidos automaticamente com os da outra.

Crescimento dos lucros não significa valorização automática das ações

A comparação revela três conceitos diferentes que frequentemente aparecem misturados em rankings do mercado financeiro: lucro absoluto, crescimento percentual do lucro e valorização das ações. O primeiro representa o resultado obtido em determinado período, enquanto o segundo mede sua evolução em relação a uma base anterior. Já a valorização reflete a mudança no preço de negociação dos papéis na Bolsa.

Os balanços do primeiro semestre de 2026 demonstram que as companhias apresentaram ritmos diferentes de crescimento. A Petrobras registrou expansão aproximada de 37,6% no lucro líquido, enquanto a Itaúsa avançou 22%. O Itaú apresentou crescimento de 9,1% e o Bradesco, de 5,6%, considerando as bases contábeis analisadas.

Esses percentuais não reproduzem necessariamente a mesma classificação dos lucros nominais. Uma empresa com resultado menor pode apresentar expansão percentual mais expressiva, especialmente quando parte de uma base reduzida. Por isso, a identificação das companhias com maior lucro não responde automaticamente à pergunta sobre quais tiveram maior crescimento.

Também não existe garantia de que empresas com lucros crescentes apresentem valorização correspondente de suas ações. O mercado incorpora expectativas futuras de resultados, taxas de juros, riscos operacionais, política de dividendos e condições econômicas. Uma companhia pode divulgar lucro recorde e registrar queda em sua cotação se o desempenho ficar abaixo do esperado pelos investidores.

No caso das cinco empresas analisadas, a comparação é ainda mais complexa porque envolve setores com características muito diferentes. Petrobras, Itaú, Bradesco, Itaúsa e Equatorial Pará apresentam estruturas de capital, modelos de receita e necessidades de investimento distintas. O uso isolado de um único indicador pode ocultar riscos importantes.

Investidores devem conferir balanços antes de utilizar rankings da B3

O crescimento das plataformas de análise financeira ampliou o acesso dos investidores a indicadores de empresas listadas em Bolsa. Entretanto, a automatização da coleta e do processamento de dados também exige mecanismos de verificação e consistência contábil. Informações extraídas das demonstrações financeiras podem ser interpretadas incorretamente quando há erros de sinal, diferenças entre períodos ou utilização de bases incompatíveis.

O caso da Equatorial Pará demonstra a dimensão potencial dessas falhas. Uma discrepância de R$ 17,7 bilhões pode alterar radicalmente a posição da companhia em rankings de lucro, além de comprometer margens e múltiplos de avaliação. O problema não significa que a companhia tenha divulgado informações incorretas, mas evidencia a necessidade de confrontar dados derivados com os documentos societários originais.

Outro cuidado envolve holdings e empresas controladas. Itaúsa e Itaú Unibanco possuem relação societária direta, enquanto Equatorial Energia e Equatorial Pará integram uma estrutura empresarial com diferentes níveis de participação. Identificar corretamente a companhia e o ticker evita misturar resultados de atividades operacionais com números consolidados de grupos empresariais.

A temporada de resultados do terceiro trimestre de 2026 deverá atualizar os indicadores nas próximas semanas. Os novos balanços permitirão verificar se o crescimento registrado no primeiro semestre foi mantido, acelerado ou revertido. Até a conclusão das divulgações, qualquer classificação referente ao desempenho acumulado no ano deve identificar claramente o período considerado.

A Petrobras permanece como a maior geradora de lucro entre as cinco companhias examinadas, enquanto Itaú, Bradesco e Itaúsa sustentam resultados bilionários. A Equatorial Pará também apresenta operações lucrativas, mas seus números oficiais são muito inferiores aos valores divulgados em determinadas bases automatizadas. Para os investidores, a principal conclusão é que rankings de ações precisam ser avaliados com o mesmo rigor aplicado aos balanços: lucro, crescimento, margem e valorização são indicadores diferentes e devem ser analisados separadamente.

Fontes

Petrobras — Divulgação de Resultados do Segundo Trimestre de 2026 e comunicados institucionais sobre lucro líquido, produção e geração de caixa.

Itaú Unibanco Holding — Demonstrações Financeiras Consolidadas do Segundo Trimestre de 2026 e Análise Gerencial da Operação.

Banco Bradesco — Demonstrações Financeiras Intermediárias Consolidadas Condensadas de 30 de junho de 2026 e Relatório de Análise Econômica e Financeira do Segundo Trimestre.

Itaúsa — Relatório da Administração do Segundo Trimestre de 2026, com resultados consolidados do primeiro semestre, valor do portfólio e indicadores de rentabilidade.

Equatorial Pará Distribuidora de Energia — Demonstrações Contábeis Auditadas de 31 de dezembro de 2025, demonstração de resultados e notas explicativas.

Equatorial Pará Distribuidora de Energia — Informações Trimestrais referentes a 31 de março e 30 de junho de 2026.

Comissão de Valores Mobiliários — Demonstrações Financeiras Padronizadas de 2025 e Informações Trimestrais de 2026 das companhias analisadas.

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