terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

STF valida decreto de Lula sobre alíquota do PIS/Cofins: impacto para as finanças públicas e empresas

por Gabriel Monteiro
14/10/2024 às 16h29
em Economia
Pis Cofins - Gazeta Mercantil

Em decisão unânime, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que restabeleceu a alíquota de 4,65% do PIS/Cofins sobre receitas financeiras. Essa medida, adotada no primeiro dia do governo Lula, reverteu o decreto do ex-presidente Jair Bolsonaro, que reduzia a alíquota para 2,33%. A decisão foi um marco na disputa jurídica e tributária entre empresas e governo, que envolvia bilhões de reais aos cofres públicos e a aplicação da chamada regra da noventena.

Contexto da alíquota do PIS/Cofins sobre receitas financeiras

A discussão sobre a alíquota do PIS/Cofins teve início com a decisão de Bolsonaro, em dezembro de 2022, de reduzir pela metade a tributação de receitas financeiras. No entanto, ao assumir o governo em janeiro de 2023, Lula editou um novo decreto restabelecendo a alíquota de 4,65%, que estava em vigor desde 2015. Essa alteração gerou um impasse entre o governo e as empresas, que alegavam que a nova alíquota só deveria ser aplicada após o cumprimento da anterioridade nonagesimal, conhecida como noventena.

Leia também: Encontro Lula e Trump: Empresário Mário Garnero planeja jantar histórico em Mar-a-Lago.

A noventena é um princípio constitucional que determina a necessidade de uma espera de 90 dias entre o aumento de um tributo e o início de sua cobrança. De acordo com os contribuintes, o decreto de Lula só deveria ter efeito a partir de abril de 2023, enquanto o governo argumentava que a alíquota de 4,65% já era conhecida e vigente, não justificando a necessidade de uma nova adaptação.

Ação no STF e o posicionamento da AGU

Com o impasse instaurado, diversas empresas recorreram à Justiça para continuar pagando a alíquota de 2,33%. O governo, por sua vez, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), acionou o Supremo Tribunal Federal com uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC), pedindo a confirmação da validade do decreto presidencial de Lula.

A AGU sustentou que a manutenção da alíquota de 4,65% era fundamental para preservar R$ 5,8 bilhões anuais aos cofres públicos, valor que seria perdido com a redução do tributo. Além disso, o órgão defendeu que o decreto de Bolsonaro, publicado no apagar das luzes de seu governo, não poderia gerar expectativas legítimas aos contribuintes, já que a norma tinha vigência a partir de 1º de janeiro de 2023, dia em que o novo governo assumiu e restabeleceu a alíquota anterior.

Decisão do Supremo Tribunal Federal

A decisão do STF foi marcada por uma votação unânime. Todos os ministros confirmaram a constitucionalidade do decreto de Lula e rejeitaram os argumentos das empresas. O relator do caso, ministro Cristiano Zanin, destacou que o decreto de Bolsonaro não criou expectativas legítimas para os contribuintes, uma vez que a redução temporária das alíquotas seria revertida com a posse do novo governo.

Segundo Zanin, o caso não se tratava de uma mudança brusca na tributação, mas da manutenção de um índice que estava em vigor desde 2015. Ele ainda acrescentou que o decreto de Bolsonaro estipulava que a mudança só entraria em vigor em janeiro de 2023, o que coincidia com a publicação do novo decreto de Lula, o que eliminava qualquer possibilidade de surpresa para os contribuintes.

Em março de 2023, o ministro Ricardo Lewandowski, agora aposentado, já havia concedido uma liminar a favor do governo, suspendendo as decisões judiciais que autorizavam empresas a continuar recolhendo a alíquota de 2,33%. A medida foi referendada por nove votos no Supremo, e agora, a Corte analisou o mérito da questão de forma definitiva, confirmando a liminar anterior.

Impacto para as empresas e para o governo

A decisão do STF representa uma vitória significativa para o governo Lula, que conseguiu garantir a manutenção da alíquota de 4,65%, preservando a arrecadação de bilhões de reais anualmente. Esse valor é crucial para o equilíbrio fiscal e para o financiamento de políticas públicas em áreas como saúde, educação e infraestrutura.

Por outro lado, para as empresas, a decisão significa a continuidade de uma carga tributária maior sobre as receitas financeiras. A alíquota de 4,65% pode representar um impacto significativo para o caixa de muitas corporações, especialmente em um cenário econômico desafiador, com juros elevados e recuperação econômica lenta após a pandemia.

Empresas que planejavam manter a alíquota reduzida de 2,33% até abril de 2023 terão que se ajustar imediatamente às novas exigências fiscais, o que pode exigir uma reestruturação nos seus planejamentos financeiros. A disputa em torno da alíquota do PIS/Cofins também gerou debates sobre a previsibilidade e segurança jurídica para o ambiente de negócios no Brasil, uma vez que mudanças tributárias no final de um governo podem ter consequências duradouras para o setor privado.

Perspectivas futuras

A decisão do STF estabelece um importante precedente para futuras discussões tributárias envolvendo o princípio da noventena e a validade de decretos presidenciais. Além disso, reafirma o papel do Supremo como mediador em disputas entre governo e empresas, especialmente em temas sensíveis como a carga tributária e a arrecadação fiscal.

Com a validação do decreto de Lula, o governo ganha fôlego para manter o equilíbrio nas contas públicas e continuar implementando suas políticas econômicas. No entanto, o impacto da decisão no setor empresarial pode gerar novas discussões sobre a necessidade de uma reforma tributária mais ampla e que promova um ambiente de negócios mais estável e previsível.

A validação do decreto de Lula pelo STF sobre a alíquota do PIS/Cofins sobre receitas financeiras representa um marco importante na disputa tributária entre governo e empresas. A decisão unânime dos ministros garante ao governo a manutenção de R$ 5,8 bilhões em receitas anuais, ao mesmo tempo que impõe às empresas o desafio de lidar com uma carga tributária mais elevada. A questão destaca a importância de discussões contínuas sobre a segurança jurídica e a previsibilidade no sistema tributário brasileiro, essenciais para o desenvolvimento econômico do país.

 

LEIA MAIS

Dinheiro Esquecido - Gazeta Mercantil
Economia

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (13) que ainda há R$ 5,79 bilhões em dinheiro esquecido em bancos e outras

Leia MaisDetails
Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

No mês de setembro, a indústria brasileira de motocicletas cresceu 10,4% em relação ao ano anterior, com 186.758 unidades produzidas

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Economia

Governo anuncia Pix de até R$ 5 mil para MEIs e propõe perdão de dívidas

A menos de duas semanas para o segundo turno das eleições, o governo federal anunciou nesta terça-feira (13) o “Prospera MEI”, um pacote de medidas

Leia MaisDetails
Boletim Focus: Mercado Corta Projeção Da Inflação De 2026 Para 5,30% - Gazeta Mercantil
Economia

Boletim Focus: inflação de 2026 sobe para 5,22% e Selic projetada cai a 13,25%

Índice apresentou alta de 0,21 ponto percentual, indo par 5,22%; Selic e câmbio registraram queda nos resultados desta semana com estimativa de encerrar o ano em 13,25% e...

Leia MaisDetails
Plano Econômico De Flávio Bolsonaro Levanta Suspeitas De Estelionato Eleitoral - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Plano econômico de Flávio Bolsonaro levanta suspeitas de estelionato eleitoral

O programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL) para um eventual governo a partir de 2027 passou a ser questionado pela falta de detalhamento sobre como o candidato pretende...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

19:44:19
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails
Dinheiro Esquecido - Gazeta Mercantil
Economia

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

Leia MaisDetails
Brasileiros Conservadores - Gazeta Mercantil
Política

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Leia MaisDetails
Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP