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Super Quarta: Ibovespa derrete e Petróleo bate US$ 115 antes de decisões de juros

por Camila Braga
29/04/2026 às 13h26
em Ibovespa
Super Quarta: Ibovespa Derrete E Petróleo Bate Us$ 115 Antes De Decisões De Juros - Gazeta Mercantil

Super Quarta: Ibovespa derrete abaixo de 187 mil pontos sob pressão do Fed e Copom; Petróleo explode para US$ 115

O mercado financeiro global e doméstico opera em estado de “estresse tático” nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026. A tão aguardada Super Quarta, data que concentra as decisões de política monetária do Comitê de Política Monetária (Copom), no Brasil, e do Federal Open Market Committee (FOMC), nos Estados Unidos, impõe um tom de cautela extrema que drena a liquidez dos ativos de risco. O Ibovespa registra queda acentuada, rompendo suportes críticos, enquanto o cenário geopolítico no Oriente Médio atua como catalisador de volatilidade, impulsionando o petróleo Brent para patamares acima de US$ 115 o barril.

Por volta das 11h24, o Ibovespa recuava 1,19%, aos 186.374 pontos, ampliando uma sequência negativa que já soma cinco pregões consecutivos de baixa. No câmbio, o dólar à vista acompanha o movimento global de aversão ao risco (risk-off), subindo para a casa dos R$ 5,01, demonstrando que o investidor institucional busca proteção na moeda americana antes dos vereditos de Brasília e Washington nesta Super Quarta.

Leia também: TSE julga posts sobre Nossa Senhora Aparecida após decisões de Mendonça, Dino e Fux.

O xadrez dos juros: Selic e Treasuries no centro da Super Quarta

As decisões que serão anunciadas ao final desta Super Quarta possuem pesos decisivos para o fechamento do semestre. No cenário doméstico, o consenso do mercado aponta para um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, dando continuidade ao ciclo de flexibilização iniciado em março. No entanto, o “X” da questão para o Ibovespa não é o ajuste em si, mas o guidance (orientação futura). A persistência da inflação de serviços e a volatilidade cambial podem forçar o Copom a adotar um tom mais “hawkish” (rígido), limitando o rali das ações de crescimento.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve enfrenta o desafio de ancorar as expectativas de inflação sem asfixiar a atividade econômica. A expectativa nesta Super Quarta é de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%. Contudo, o mercado teme que Jerome Powell sinalize juros altos por mais tempo (higher for longer), o que elevaria os rendimentos dos títulos do Tesouro Americano (Treasuries) e prejudicaria o fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil.

Petróleo a US$ 115 e o choque de oferta geopolítico

A Super Quarta é agravada por fatores exógenos que fogem ao controle dos bancos centrais. O barril de petróleo Brent registrou avanço de quase 5% nas primeiras horas de negociação, atingindo US$ 116,80. O movimento é impulsionado pelo recrudescimento das tensões no Oriente Médio, o que reacende o temor de um choque de oferta. Esse cenário atua como uma faca de dois gumes: embora beneficie petroleiras como a Petrobras (PETR4), gera uma pressão de custos que pode obrigar o Copom a ser mais conservador em seus cortes de juros futuros.

A alta das commodities energéticas nesta Super Quarta impacta diretamente a estrutura de custos da indústria brasileira. O risco de uma “inflação importada” é o que mantém os prêmios de risco elevados nas curvas de juros futuros (DI), dificultando uma recuperação mais consistente do mercado de ações no curto prazo.

Temporada de Balanços: Vale (VALE3) lucra US$ 1,8 bilhão, mas desaba na B3

Em meio ao turbilhão da Super Quarta, a temporada de balanços do primeiro trimestre (1T26) traz dados robustos, mas que não foram suficientes para segurar o índice. A Vale (VALE3) reportou lucro líquido de US$ 1,893 bilhão, um avanço de 36% em relação ao ano anterior. Apesar do resultado sólido, as ações VALE3 figuram entre as maiores baixas, caindo mais de 4,2%. Analistas apontam que a realização de lucros e a cautela com o cenário macroeconômico global pesam mais do que os fundamentos operacionais neste pregão.

Por outro lado, a Petrobras (PETR4) sustenta ganhos superiores a 2,5%, funcionando como a principal âncora do Ibovespa, impulsionada diretamente pela disparada do óleo bruto. O setor de saúde também apresenta resiliência, com a Hypera (HYPE3) subindo 4% após reportar lucro de R$ 346,8 milhões e anunciar o pagamento de Juros Sobre Capital Próprio (JCP).

IFIX e Criptoativos: A fuga para ativos alternativos

O impacto da Super Quarta também é nítido no mercado de fundos imobiliários. O IFIX registrava queda de 0,87%, refletindo a sensibilidade do setor imobiliário ao custo do capital de longo prazo. Com a percepção de que a Selic pode cair de forma mais lenta, os fundos de tijolo sofrem uma recalibragem de preços.

Curiosamente, no universo digital, o Bitcoin (BTC) opera em alta de 1,15% (R$ 385 mil), enquanto o Ethereum (ETH) avança 1,59%. Esse comportamento sugere que parte da liquidez global busca nas criptomoedas uma reserva de valor alternativa aos sistemas financeiros tradicionais que estão sob o escrutínio dos bancos centrais nesta Super Quarta.

Wall Street e o panorama global de aversão ao risco

A pressão não se restringe à B3. Em Wall Street, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq operam em terreno negativo, aguardando o comunicado do Fed. O mercado global parou para digerir os dados de inflação americanos, e qualquer sinal de rigidez monetária por parte de Powell pode desencadear uma correção mais profunda nos ativos globais.

O cenário para o restante da tarde nesta Super Quarta é de “esperar para ver”. O volume de negócios tende a minguar até as 15h (horário de Brasília), quando o Fed anuncia sua decisão, seguido pelo Copom às 18h30. Para o investidor, a palavra de ordem é cautela, com o foco voltado para a preservação de capital em um dos dias mais voláteis do calendário financeiro de 2026.

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