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Suprema Corte dos EUA impulsiona Ibovespa a recorde e dólar cai 0,98%

por Camila Braga
20/02/2026 às 19h54
em Economia
Ibovespa - Gazeta Mercantil

Bolsa bate recorde com decisão da Suprema Corte dos EUA e dólar cai 0,98%

A Suprema Corte dos EUA tornou-se o principal vetor de influência sobre os mercados globais nesta quinta-feira (20), após decisão considerada estruturalmente relevante para o comércio internacional. A leitura predominante entre analistas é de que o veredito reduziu incertezas sobre o alcance dos poderes presidenciais em matéria tarifária, o que impulsionou ativos de risco em diversas economias, incluindo o Brasil.

No mercado doméstico, o reflexo foi imediato: o Ibovespa encerrou em alta de 1,06%, aos 190.534,42 pontos — maior fechamento da história da B3. No câmbio, o dólar comercial caiu 0,98%, fechando a R$ 5,17, acompanhando o enfraquecimento global da moeda norte-americana.

Leia também: Ibovespa hoje cai com pressão de Petrobras (PETR4), dólar a R$ 5,03 e exterior positivo.

A avaliação de economistas é que a decisão da Suprema Corte dos EUA contribuiu para restabelecer previsibilidade institucional e reduzir temores de escalada protecionista unilateral.


Decisão da Suprema Corte dos EUA reconfigura cenário comercial

O impacto da Suprema Corte dos EUA decorre da interpretação de que o tribunal reforçou o sistema de pesos e contrapesos da democracia americana, limitando margens para imposições tarifárias amplas e permanentes por parte do Executivo.

Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a leitura do mercado foi amplamente positiva. “O protecionismo é reduzido de forma estrutural e trocado por uma tarifa temporária de 10%”, afirmou.

Na prática, a decisão da Suprema Corte dos EUA altera o desenho do ambiente comercial global. Em vez de tarifas direcionadas a países específicos, passa a vigorar uma política mais uniforme, com incidência equalizada entre parceiros comerciais.

Esse ponto foi determinante para a reação dos investidores.


Efeito favorável para o Brasil

Para o Brasil, o movimento foi interpretado como relativamente benéfico. Antes da decisão da Suprema Corte dos EUA, o país figurava entre os mais impactados por medidas tarifárias consideradas discriminatórias.

Com a nova configuração, a competitividade brasileira melhora de forma comparativa, já que eventuais tarifas passam a afetar todos os países de maneira equânime.

“O governo brasileiro vê efeito favorável, pois não há perda relativa de competitividade”, destacou Perri.

A decisão da Suprema Corte dos EUA foi entendida como um freio institucional a medidas protecionistas permanentes, reforçando a previsibilidade no comércio internacional.


Ibovespa atinge recorde histórico

O principal índice da B3 reagiu com vigor à sinalização institucional vinda dos Estados Unidos. O Ibovespa superou o recorde anterior e consolidou o maior fechamento da história.

Operadores destacam que a decisão da Suprema Corte dos EUA reduziu o prêmio de risco associado à guerra comercial, estimulando fluxo estrangeiro para mercados emergentes.

Entre os destaques do dia esteve a Embraer (EMBR3), que liderou os ganhos na sessão. A empresa é fortemente exportadora e tem nos Estados Unidos um de seus principais mercados.

“Acredito que a empresa se beneficia diretamente de um ambiente de maior comércio global, bem como pelo apetite ao risco nos EUA”, avaliou Perri.

O movimento reforça a percepção de que companhias brasileiras com exposição internacional tendem a capturar ganhos adicionais quando há melhora estrutural no comércio.


Dólar cai 0,98% e acompanha enfraquecimento global

O dólar comercial recuou 0,98%, encerrando a R$ 5,17. Foi a segunda queda consecutiva da moeda frente ao real.

A decisão da Suprema Corte dos EUA contribuiu para enfraquecer o dólar no cenário internacional. O índice DXY — que mede o desempenho da divisa frente a uma cesta de moedas fortes — recuou 0,15%, aos 97,78 pontos.

No mercado doméstico, a mínima do dia foi de R$ 5,17 e a máxima de R$ 5,22, com amplitude de R$ 0,049.

O real foi favorecido tanto pelo fluxo estrangeiro para a bolsa quanto pelo ambiente global mais propício a ativos de risco.


Mudança estrutural na política tarifária

A relevância da decisão da Suprema Corte dos EUA vai além do movimento pontual de mercado. Analistas avaliam que o julgamento fortalece institucionalmente o modelo americano de governança econômica.

A substituição de medidas unilaterais por uma tarifa temporária de 10% com aplicação uniforme reduz distorções competitivas.

“A tarifa anunciada afetará todas as economias de forma equânime”, reforçou Perri.

Isso elimina distorções anteriores, quando determinados países eram mais penalizados.


Fluxo estrangeiro e retomada do apetite ao risco

A leitura de que a Suprema Corte dos EUA restabeleceu limites institucionais ao protecionismo elevou o apetite ao risco global.

Investidores voltaram a comprar ações, reduzindo posições defensivas adotadas em semanas anteriores.

O movimento também reforça a tese de que decisões judiciais nos EUA podem ter impacto sistêmico sobre mercados globais, dada a centralidade da economia americana.


Impactos de médio prazo para emergentes

O Brasil, como economia emergente com forte exposição a commodities e exportações industriais, tende a se beneficiar de um comércio internacional mais previsível.

A decisão da Suprema Corte dos EUA reduz incertezas jurídicas e limita volatilidade provocada por medidas executivas abruptas.

Especialistas avaliam que, se mantida a trajetória de maior equilíbrio institucional, o fluxo para ativos brasileiros pode continuar consistente nas próximas sessões.


Mercado reage a novo equilíbrio institucional

A sessão desta quinta-feira sintetiza a relevância da institucionalidade americana para os mercados globais.

A decisão da Suprema Corte dos EUA foi interpretada como reafirmação do sistema de pesos e contrapesos, elemento central da estabilidade econômica internacional.

Ibovespa em recorde, dólar em queda e valorização de empresas exportadoras refletem um ajuste simultâneo de expectativas.

O episódio demonstra que decisões judiciais com implicações comerciais podem redefinir rapidamente o humor do mercado e alterar fluxos de capital em escala global.

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