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Suzano (SUZB3) pode surpreender no 3T26; Klabin (KLBN11) deve ficar abaixo das projeções

Safra projeta EBITDA de R$ 5,95 bilhões para Suzano no 3T26, impulsionado pela Arbex, enquanto Klabin pode registrar R$ 1,86 bilhão, abaixo do consenso.

por Camila Braga
19/10/2026 às 14h21
em Mercados
Suzano - Gazeta Mercantil

As principais empresas de papel, celulose e produtos florestais devem apresentar resultados bastante diferentes no terceiro trimestre de 2026. Uma prévia do Banco Safra divulgada nesta segunda-feira (19) aponta que a Suzano (SUZB3) poderá superar as expectativas dos analistas, impulsionada pela incorporação de uma operação internacional de produtos de higiene. Em contrapartida, a Klabin (KLBN11) deve enfrentar uma combinação de preços menores de celulose e custos operacionais mais elevados, que pode reduzir sua rentabilidade mesmo diante do crescimento esperado nos volumes comercializados.

O Safra estima que a Suzano registre EBITDA ajustado de R$ 5,95 bilhões entre julho e setembro, aproximadamente 26% acima do segundo trimestre e 3% superior ao consenso de mercado, estimado em R$ 5,79 bilhões. Para a Klabin, a projeção é de R$ 1,86 bilhão, cerca de 10% abaixo da expectativa média de R$ 2,07 bilhões. As estimativas indicam que as duas maiores companhias brasileiras do setor poderão seguir trajetórias distintas na temporada de balanços, embora ambas permaneçam expostas às oscilações do mercado internacional de celulose.

A análise também contempla a Dexco (DXCO3), para a qual o banco prevê avanço trimestral de 16% no EBITDA ajustado, para R$ 576 milhões. Já a chilena CMPC deverá registrar retração de 2%, com resultado operacional estimado em US$ 265 milhões. As diferenças refletem a composição dos negócios, as condições comerciais e a capacidade de cada companhia de administrar custos em um ambiente de volatilidade cambial e de preços.

A Klabin será a primeira das duas principais fabricantes brasileiras de papel e celulose a apresentar seus números, em 28 de outubro, antes da abertura da B3. A Suzano divulgará o balanço em 5 de novembro, depois do encerramento das negociações. As datas foram confirmadas nos calendários oficiais de relações com investidores das companhias.

Suzano e Klabin: o que o Safra espera para o terceiro trimestre

As estimativas mostram que o crescimento operacional não será necessariamente acompanhado por uma melhora uniforme das margens. Empresas com maior exposição à celulose de mercado podem ser pressionadas pelas cotações internacionais, enquanto operações integradas de papel, embalagens e produtos de consumo oferecem outras fontes de receita.

Companhia EBITDA projetado para o 3T26 Consenso de mercado Diferença
Suzano (SUZB3) R$ 5,95 bilhões R$ 5,79 bilhões 3% acima
Klabin (KLBN11) R$ 1,86 bilhão R$ 2,07 bilhões 10% abaixo
Dexco (DXCO3) R$ 576 milhões R$ 611 milhões 6% abaixo
CMPC US$ 265 milhões US$ 304 milhões 13% abaixo

Valores referentes às projeções atribuídas ao Banco Safra em 19 de outubro de 2026. Não representam resultados realizados ou previsões oficiais das companhias.

A diferença entre as estimativas individuais e o consenso é um indicador acompanhado pelo mercado porque ajuda a dimensionar a possibilidade de surpresa na divulgação dos balanços. Quando o resultado efetivo supera as projeções, a percepção sobre os lucros futuros pode melhorar. Entretanto, a reação das ações também depende de fatores como endividamento, geração de caixa, investimentos e perspectivas apresentadas pela administração.

O EBITDA, sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, é utilizado para avaliar a geração operacional de resultados. Embora seja uma referência importante na comparação entre empresas, não corresponde ao lucro líquido nem ao caixa efetivamente disponível aos acionistas. Essa distinção ganha relevância em companhias intensivas em capital, como as fabricantes de celulose, que realizam investimentos elevados e possuem estruturas de financiamento complexas.

Suzano deve registrar EBITDA de R$ 5,95 bilhões com incorporação da Arbex

A principal expectativa positiva do Safra está concentrada na Suzano, que deverá apresentar o primeiro trimestre completo de consolidação da Arbex em suas demonstrações financeiras. A companhia passou a controlar 51% do negócio internacional de papéis sanitários e produtos de higiene formado com a americana Kimberly-Clark. A operação foi concluída em 1º de julho de 2026, exatamente no início do terceiro trimestre.

A Arbex reúne 22 fábricas distribuídas por 14 mercados e comercializa produtos em mais de 70 países. A empresa possui um portfólio de marcas globais e regionais, incluindo produtos associados a nomes como Kleenex, Scott e Andrex. A consolidação amplia a presença da Suzano no segmento de bens de consumo e modifica a composição de suas receitas e resultados operacionais.

Segundo a companhia, a aquisição do controle da Arbex envolveu pagamento de aproximadamente US$ 1,3 bilhão. A Kimberly-Clark manteve participação de 49%, enquanto a Suzano passou a exercer o controle da nova empresa. O acordo também prevê uma opção de compra sobre a participação remanescente, sujeita às condições estabelecidas na operação.

O efeito contábil é relevante para interpretar o crescimento projetado do EBITDA. A incorporação de um negócio que não integrava o resultado consolidado no segundo trimestre cria uma nova contribuição operacional na base de comparação. Portanto, parte expressiva da alta esperada para o 3T26 não deve ser interpretada como expansão orgânica dos volumes ou das margens das fábricas de celulose que a Suzano já possuía.

A companhia informou oficialmente que encerrou o segundo trimestre com EBITDA ajustado de aproximadamente R$ 4,7 bilhões, receita líquida de R$ 11,6 bilhões e vendas combinadas de 3,3 milhões de toneladas de celulose e papéis. A geração de caixa operacional alcançou R$ 2,9 bilhões, enquanto o lucro líquido foi de R$ 1,8 bilhão. A relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado encerrou o período em 3,4 vezes quando medida em dólares.

Esses números constituem a base histórica para avaliar as projeções do terceiro trimestre. O salto para R$ 5,95 bilhões representaria crescimento expressivo, mas ainda será necessário separar a contribuição da Arbex das alterações de desempenho dos negócios existentes. Essa divisão permitirá compreender se a melhora decorreu principalmente da expansão internacional ou de ganhos operacionais nas atividades tradicionais da Suzano.

Preços da celulose podem cair mesmo com aumento dos embarques

Apesar da perspectiva positiva para o resultado consolidado, o Safra prevê enfraquecimento na divisão de celulose da Suzano. O EBITDA do segmento deverá alcançar aproximadamente R$ 4,8 bilhões, recuo de 8% em relação ao trimestre anterior. A projeção considera embarques de cerca de 3,005 milhões de toneladas, crescimento de 4%, acompanhados por um preço médio realizado de US$ 589 por tonelada, queda de 2%.

A combinação indica que o aumento da quantidade vendida não deverá compensar integralmente a redução dos preços e outras pressões operacionais. No setor de celulose, os resultados são influenciados tanto pelo volume comercializado quanto pela receita obtida por tonelada. A diferença entre preços e custos determina a capacidade de transformar a produção em geração operacional de resultados.

O Safra considera que a redução das despesas de manutenção poderá ajudar a limitar parte da pressão sobre os custos. A Suzano possui operações industriais de grande escala e, como outras companhias do setor, realiza paradas programadas que afetam temporariamente gastos e produção. A distribuição desses desembolsos entre os trimestres pode alterar a comparação dos resultados sem necessariamente representar uma mudança estrutural de competitividade.

Os preços de exportação também precisam ser interpretados em conjunto com o câmbio. Como parcela relevante das receitas do setor é denominada em dólares, a conversão para reais pode ampliar ou reduzir o resultado em moeda nacional. Uma queda no preço internacional da celulose pode ter impacto diferente dependendo da taxa de câmbio e dos mecanismos de proteção financeira utilizados pela companhia.

A Suzano encerrou o segundo trimestre com custo caixa de produção de celulose de R$ 843 por tonelada, excluindo paradas, segundo seu comunicado oficial de resultados. O indicador oferece uma referência para acompanhar a trajetória de eficiência industrial. A evolução dos custos no terceiro trimestre será fundamental para determinar quanto da receita poderá ser preservado como resultado operacional.

Negócios de papel e bens de consumo podem mais que dobrar EBITDA

Na divisão de Papel e Bens de Consumo, o Safra prevê EBITDA próximo de R$ 1,3 bilhão, mais que o dobro do registrado no trimestre anterior. A incorporação da Arbex deverá responder pela maior parte dessa expansão, enquanto o mercado brasileiro de papel poderá contribuir com volumes ligeiramente maiores e preços relativamente estáveis. Custos mais elevados de insumos, entretanto, deverão limitar parte dos ganhos.

A transformação do portfólio da Suzano representa uma mudança estratégica na distribuição de suas atividades. Tradicionalmente concentrada na produção de celulose de mercado, a companhia amplia a participação em produtos finais destinados a consumidores e empresas. Esse movimento permite captar receitas em etapas posteriores da cadeia produtiva, incluindo fabricação, distribuição e comercialização de produtos de higiene.

O modelo também cria novas exigências operacionais. A venda de produtos de consumo envolve despesas comerciais, logística, administração de marcas e diferentes condições de concorrência. Por isso, a expansão do EBITDA consolidado não significa necessariamente que todos os negócios adicionados possuam a mesma margem operacional das fábricas de celulose.

Outro ponto importante é a interpretação dos resultados por segmento. As estimativas arredondadas de R$ 4,8 bilhões para celulose e R$ 1,3 bilhão para Papel e Bens de Consumo não devem ser simplesmente somadas para reproduzir o EBITDA consolidado de R$ 5,95 bilhões. Ajustes corporativos, eliminações contábeis e diferenças metodológicas podem afetar essa reconciliação.

A divulgação oficial permitirá identificar com maior precisão a contribuição financeira da Arbex e o desempenho de cada atividade. Para os investidores, essa separação será importante na avaliação da diversificação internacional e da capacidade de geração de caixa da Suzano.

Klabin deve sofrer com preços menores e custos operacionais mais altos

A situação projetada para a Klabin é menos favorável. O Safra estima EBITDA de R$ 1,86 bilhão, aproximadamente 10% inferior ao consenso de R$ 2,07 bilhões. O banco considera que a queda dos preços da celulose e o aumento dos custos operacionais deverão superar o efeito positivo do crescimento esperado nos volumes vendidos.

A companhia deverá comercializar aproximadamente 1,04 milhão de toneladas no trimestre, excluindo madeira, alta de 2% em relação ao período anterior. O avanço deverá ocorrer em celulose, papel e embalagens, com projeções de crescimento de 3% nos volumes de cada uma dessas atividades. A sazonalidade favorável ao papel-cartão revestido e a expansão das vendas de caixas de papelão ondulado deverão contribuir para o desempenho comercial.

O desafio estará concentrado nos custos. O Safra projeta aumento de 3% no custo caixa total, para R$ 3.312 por tonelada, diante de despesas industriais e florestais mais elevadas. O EBITDA por tonelada deverá recuar 7%, para R$ 1.791, indicando que a companhia poderá gerar menos resultado operacional para cada tonelada comercializada.

A pressão ganha relevância porque o aumento de volume costuma ser uma das principais formas de diluir custos fixos industriais. Quando despesas de produção e manutenção crescem simultaneamente, o benefício da maior utilização dos ativos pode ser reduzido. Nessas circunstâncias, a expansão das vendas não garante melhora proporcional da rentabilidade.

No segundo trimestre, a Klabin informou oficialmente EBITDA ajustado de R$ 1,962 bilhão, receita líquida próxima de R$ 5,2 bilhões e margem EBITDA de 38%. A empresa comercializou 1,018 milhão de toneladas, excluindo madeira, e apresentou custo caixa total de R$ 3.204 por tonelada.

Há uma diferença que merece atenção na comparação trimestral: a projeção de R$ 1,86 bilhão representa aproximadamente 5% de queda em relação ao EBITDA ajustado oficialmente divulgado pela Klabin no segundo trimestre. A prévia atribuída ao Safra menciona retração de 1%, percentual que pode decorrer de ajustes de comparabilidade adotados pelos analistas, mas que não é diretamente reproduzido pela comparação simples com os R$ 1,962 bilhão reportados pela companhia.

A distinção reforça a importância de comparar indicadores calculados com metodologias equivalentes. Ajustes relacionados a eventos não recorrentes podem alterar a leitura de crescimento ou retração operacional. A documentação do balanço e as explicações da administração permitirão avaliar os resultados em bases mais consistentes.

Manutenção em Otacílio Costa deve pressionar custos da Klabin

Entre os fatores específicos de pressão sobre a Klabin está a parada geral de manutenção realizada na unidade de Otacílio Costa, em Santa Catarina. A companhia anunciou oficialmente que as atividades ocorreriam entre 17 de agosto e 1º de setembro de 2026, período que integra o terceiro trimestre. O programa envolveu mais de 1.800 trabalhadores contratados para serviços de manutenção industrial.

A empresa informou que essas paradas são realizadas periodicamente para assegurar o funcionamento e a segurança de equipamentos como caldeiras e digestores. Durante as intervenções, as atividades industriais precisam ser interrompidas para permitir inspeções, reparos e eventuais melhorias tecnológicas. O procedimento é relevante para a confiabilidade de longo prazo das instalações, embora possa elevar despesas em determinados períodos.

O impacto econômico precisa ser analisado de forma separada das condições comerciais. Uma parada programada pode pressionar temporariamente a produção ou os custos, sem representar necessariamente deterioração permanente da eficiência industrial. Já uma queda persistente nos preços de venda possui consequências diferentes para a rentabilidade futura.

A Klabin também informou, no balanço do segundo trimestre, que vinha adotando medidas para reduzir os impactos de pressões inflacionárias e possíveis eventos climáticos. A administração mencionou gastos mitigatórios relacionados ao risco de El Niño no segundo semestre. Essas medidas preventivas integram a gestão operacional e podem afetar os custos antes mesmo da ocorrência de eventuais problemas climáticos.

A companhia encerrou o segundo trimestre com alavancagem financeira de 3,2 vezes em dólares, após reduzir o indicador em relação aos períodos anteriores. Também havia aprovado um programa de recompra de até 31,25 milhões de units. Esses elementos demonstram que a análise do balanço não deverá se limitar à margem operacional, abrangendo também endividamento, investimentos e distribuição de capital.

Dexco deve crescer 16%, impulsionada pelo negócio de madeira

Para a Dexco, o Safra projeta EBITDA ajustado de R$ 576 milhões no terceiro trimestre, crescimento de 16% em relação ao segundo. Apesar da melhora sequencial, o resultado ainda ficaria aproximadamente 6% abaixo do consenso de mercado, estimado em R$ 611 milhões. A avaliação sugere recuperação operacional, mas em ritmo inferior ao esperado pelo conjunto dos analistas.

O principal destaque deverá ser a divisão de madeira, com EBITDA estimado em R$ 522 milhões, alta de 7% na comparação trimestral. O banco prevê crescimento de 3% nos embarques, para 814 mil metros cúbicos, acompanhado por aumento de 2% nos preços realizados. A redução de 1% no custo caixa por metro cúbico deverá contribuir para a melhora da rentabilidade.

A combinação de preços mais altos, volumes maiores e custos unitários menores representa um cenário operacional favorável. Diferentemente de uma expansão sustentada apenas por vendas adicionais, esse movimento pode melhorar simultaneamente a receita e a margem por unidade comercializada. A confirmação dessa dinâmica será um dos principais aspectos a observar no balanço da Dexco.

A divisão Deca deverá apresentar EBITDA próximo de R$ 53 milhões, praticamente estável em relação ao trimestre anterior. O negócio de revestimentos cerâmicos, por sua vez, poderá registrar queda para R$ 1 milhão, ante R$ 7 milhões no período anterior. A retração refletiria principalmente preços realizados menores.

A Dexco reúne atividades com dinâmicas comerciais diferentes, incluindo produtos de madeira, louças, metais sanitários e revestimentos. Essa diversificação permite que a melhora de um segmento compense parcialmente a fraqueza de outro. Entretanto, também exige avaliação individual das margens e das perspectivas de demanda.

No segundo trimestre, a companhia havia comunicado crescimento de 5,2% na receita líquida e avanço de 23,6% no EBITDA ajustado e recorrente na comparação anual. A administração atribuiu o desempenho a medidas de eficiência, produtividade e disciplina comercial. A projeção do Safra para o terceiro trimestre será um novo teste da continuidade dessas iniciativas.

CMPC pode registrar resultado 13% abaixo do consenso

A chilena CMPC deverá enfrentar cenário semelhante ao da Klabin, com custos mais elevados e preços menos favoráveis. O Safra estima EBITDA ajustado de US$ 265 milhões, queda de 2% em relação ao segundo trimestre. O número também representa resultado aproximadamente 13% inferior ao consenso de US$ 304 milhões.

Na divisão de celulose, o banco prevê EBITDA de US$ 172 milhões, retração de 5% na comparação trimestral. Os embarques deverão crescer 2%, para 954 mil toneladas, mas os preços realizados menores poderão comprometer a rentabilidade. A projeção reforça a importância das condições comerciais do mercado internacional para os produtores latino-americanos.

O segmento Softys, responsável por produtos de higiene e cuidados pessoais, deverá apresentar EBITDA próximo de US$ 95 milhões, queda de 6%. Segundo a prévia, o resultado será pressionado por custos e despesas operacionais mais elevados. A situação indica que a diversificação para produtos de consumo não elimina automaticamente os riscos associados à gestão de custos.

Em contrapartida, o negócio de embalagens biodegradáveis deverá registrar melhora. O Safra estima avanço do EBITDA de US$ 15 milhões para US$ 20 milhões, favorecido por maior rentabilidade. A recuperação dessa divisão, entretanto, não deverá ser suficiente para compensar integralmente as pressões nos outros segmentos.

A CMPC informou oficialmente EBITDA ajustado de US$ 270 milhões no segundo trimestre, alta de 6% em relação aos três meses anteriores. A receita líquida consolidada alcançou US$ 1,916 bilhão, enquanto o lucro líquido ficou em US$ 9 milhões. Esses resultados ajudam a dimensionar a desaceleração esperada para o terceiro trimestre.

Preço da celulose, câmbio e custos dividem perspectivas do setor

A prévia do Safra evidencia três fatores decisivos para o desempenho das fabricantes de papel e celulose: preços internacionais, volumes comercializados e custos de produção. Embora esses elementos afetem todo o setor, seu impacto varia conforme a composição das operações de cada companhia. A Suzano, por exemplo, deverá registrar um crescimento consolidado impulsionado por aquisição, enquanto a Klabin tende a enfrentar redução da rentabilidade unitária.

O comportamento do dólar também exerce influência significativa. Empresas exportadoras recebem parte importante de suas receitas em moeda estrangeira, mas possuem diferentes estruturas de custos, financiamento e proteção cambial. Uma valorização do real pode reduzir a receita convertida em moeda nacional, enquanto a depreciação cambial pode beneficiar determinadas operações exportadoras e elevar despesas vinculadas ao dólar.

O Banco Safra já havia observado, em análises setoriais anteriores, diferenças entre os mercados de celulose de fibra curta e de fibra longa. A instituição destacou que a capacidade de produção e os estoques internacionais influenciam o ritmo de recuperação dos preços. Essas características ajudam a explicar por que companhias com produtos e clientes diferentes podem apresentar resultados distintos durante o mesmo trimestre.

Outra variável é o custo industrial. Combustíveis, energia, transporte, manutenção e despesas florestais podem alterar a rentabilidade, mesmo quando o volume vendido permanece elevado. Por isso, a comparação entre toneladas embarcadas e EBITDA por tonelada pode revelar aspectos que não aparecem imediatamente nos números consolidados.

A temporada de balanços também deverá permitir avaliar o comportamento da demanda por embalagens. Empresas com atuação relevante em papel-cartão e papelão ondulado estão expostas à atividade econômica, ao consumo e à circulação de mercadorias. O crescimento desses negócios pode compensar parcialmente a volatilidade do mercado internacional de celulose, embora não ofereça proteção integral contra pressões de custos.

Safra mantém recomendação de compra para Suzano, Klabin e Dexco

Apesar das diferenças nas projeções do terceiro trimestre, o Safra mantém recomendação outperform, equivalente a uma expectativa de desempenho superior, para Suzano, Klabin e Dexco. Os preços-alvo informados pelo banco são de R$ 59 para SUZB3, R$ 21,40 para KLBN11 e R$ 7,80 para DXCO3. Para a CMPC, a recomendação é neutra, com preço-alvo de 1.280 pesos chilenos.

A manutenção de recomendações favoráveis para companhias com resultados trimestrais potencialmente mais fracos não representa necessariamente contradição. A avaliação de uma ação considera perspectivas de médio e longo prazo, expectativas de geração futura de caixa e o preço pelo qual o ativo é negociado. Assim, um trimestre abaixo do consenso pode coexistir com uma avaliação positiva sobre o potencial de valorização da empresa.

Os preços-alvo são estimativas de analistas e não constituem garantia de retorno. Sua interpretação depende do horizonte de avaliação adotado pela instituição, das premissas utilizadas e das condições de mercado. Mudanças nos preços das commodities, no câmbio, no custo de capital ou nos resultados das companhias podem levar a revisões dessas projeções.

No caso da Suzano, o principal fator de acompanhamento será a contribuição da Arbex e sua capacidade de ampliar a geração de resultados. Para a Klabin, o mercado deverá observar a evolução dos custos e a possibilidade de recuperação das margens após as despesas de manutenção. Na Dexco, a atenção estará concentrada na continuidade dos ganhos da divisão de madeira, enquanto a CMPC precisará demonstrar maior equilíbrio entre seus negócios.

Datas dos balanços e indicadores que podem movimentar SUZB3 e KLBN11

A Klabin divulgará os resultados do terceiro trimestre em 28 de outubro, antes da abertura do mercado, com teleconferência prevista para o dia seguinte. A Suzano apresentará seu balanço em 5 de novembro, depois do fechamento da B3, e realizará a teleconferência em 6 de novembro. Até essas datas, os valores apresentados na prévia do Safra permanecem sujeitos à confirmação pelos demonstrativos oficiais.

Os indicadores mais relevantes incluem EBITDA ajustado, preços médios realizados, embarques, custos de produção, geração de caixa e endividamento. Na Suzano, será particularmente importante compreender a contribuição contábil e operacional da Arbex, separando-a do desempenho das operações já existentes. Na Klabin, a comparação entre crescimento de volumes e aumento dos custos permitirá avaliar a intensidade da pressão sobre a rentabilidade.

A diferença entre projeção e resultado efetivo também será determinante. Caso a Suzano apresente desempenho próximo de R$ 5,95 bilhões, haverá confirmação de uma melhora expressiva na geração operacional consolidada. Se a Klabin entregar resultado próximo de R$ 1,86 bilhão, ficará abaixo das expectativas médias mencionadas na prévia e poderá levar o mercado a reavaliar as margens esperadas para os próximos períodos.

A leitura completa, entretanto, dependerá das informações divulgadas pelas administrações sobre preços, despesas, demanda e perspectivas futuras. Empresas podem superar estimativas de EBITDA e ainda apresentar geração de caixa ou lucro líquido inferiores ao esperado, assim como podem registrar resultados operacionais mais fracos e apresentar avanços em endividamento ou eficiência. Essa combinação exige avaliação além do indicador isolado.

A temporada do terceiro trimestre de 2026 deverá, portanto, oferecer uma visão mais clara da capacidade de adaptação das empresas brasileiras de papel e celulose a um cenário de preços internacionais pressionados e custos elevados. A Suzano poderá se destacar pela expansão internacional e pela incorporação da Arbex, enquanto a Klabin enfrentará o desafio de preservar margens mesmo com aumento dos embarques. Dexco e CMPC completam um quadro em que diversificação de negócios, eficiência produtiva e disciplina financeira podem ser tão importantes quanto o crescimento das vendas.

Fontes

Suzano S.A. — Comunicado oficial de resultados do segundo trimestre de 2026, divulgado em 13 de agosto de 2026.

Klabin S.A. — Comunicado oficial de resultados do segundo trimestre de 2026, divulgado em 5 de agosto de 2026.

Dexco S.A. — Comunicado corporativo sobre os resultados financeiros e operacionais do segundo trimestre de 2026.

Empresas CMPC S.A. — Relatório oficial de resultados financeiros do segundo trimestre de 2026.

Banco Safra — Estudo de 21 de setembro de 2026 sobre desempenho relativo das ações de Suzano e Klabin.

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