segunda-feira, 19 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Empresas

Seara mira 100 mil clientes e quer crescer seis vezes mais que mercado de restaurantes

Divisão da JBS aposta em pequenos estabelecimentos, consultoria e pedidos a partir de R$ 400 para ampliar vendas em setor que deve movimentar R$ 540 bilhões em 2026.

por João Souza
19/10/2026 às 20h05
em Empresas
Seara Foods - Gazeta Mercantil

A Seara, empresa de alimentos do grupo JBS, pretende ampliar suas vendas no mercado brasileiro de alimentação fora do lar em um ritmo seis vezes superior à média estimada para o setor em 2026. A estratégia está concentrada em pequenos e médios estabelecimentos, que representam aproximadamente 80% da carteira da Seara Food Solutions, divisão especializada no atendimento a restaurantes, bares, lanchonetes, hotéis e redes de alimentação. Segundo informações divulgadas pela companhia nesta segunda-feira (19), a unidade atende cerca de 100 mil clientes, direta e indiretamente, e acumulou crescimento de 50% no faturamento nos últimos três anos.

A expansão ocorre em um mercado que deverá movimentar R$ 540 bilhões em 2026, segundo projeção da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O valor representa aumento de aproximadamente 9% em relação aos R$ 495 bilhões registrados em 2025. Ao mesmo tempo, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) estima crescimento real de 2% a 2,5% nas vendas da indústria alimentícia brasileira, sinalizando uma expansão mais moderada da atividade produtiva.

Criada em 2019, a Seara Food Solutions passou a operar com estratégia comercial, gestão e equipes próprias, deixando de funcionar apenas como um canal de distribuição de produtos da fabricante. A divisão oferece alimentos, suporte técnico, desenvolvimento de receitas, orientação sobre cardápios e treinamento para equipes dos estabelecimentos atendidos. Para pequenos operadores, a companhia informa que disponibiliza compras diretas com pedidos mínimos de R$ 400, condição destinada a ampliar o acesso de negócios que não possuem a mesma capacidade de compra das grandes redes.

A estratégia busca aproveitar a pulverização do mercado brasileiro de alimentação fora do lar, formado majoritariamente por pequenos empreendimentos. Entretanto, o crescimento do faturamento não elimina os desafios de rentabilidade. Dados recentes da Abrasel mostram que parcela relevante dos estabelecimentos continua enfrentando dificuldades para transformar o aumento das vendas em lucro, cenário que reforça a importância de soluções voltadas à redução de desperdícios, controle de custos e produtividade.

Seara Food Solutions acumula crescimento de 50% em três anos

A expansão da Seara Food Solutions nos últimos anos constitui um dos principais argumentos da empresa para sustentar sua estratégia comercial em 2026. Segundo os números divulgados pela companhia, o faturamento da unidade cresceu 50% no acumulado dos últimos três anos. A área também registra taxas anuais de expansão de dois dígitos há cinco anos, com crescimento superior a 10% em cada um dos dois últimos exercícios.

Considerando uma evolução acumulada de 50% distribuída por três períodos anuais, o crescimento médio composto corresponderia a aproximadamente 14,5% ao ano. Trata-se de um cálculo indicativo, que não significa que o faturamento tenha avançado exatamente nesse percentual em cada exercício. A empresa não detalhou, na divulgação, os valores absolutos de receita da unidade nem a evolução anual completa de seus resultados.

A distinção entre crescimento acumulado e desempenho anual é importante para avaliar o ritmo de expansão. Uma empresa pode registrar aumento expressivo de faturamento em determinado período, sem necessariamente apresentar crescimento proporcional de volumes comercializados. Mudanças nos preços, no conjunto de produtos vendidos e na composição da carteira de clientes também influenciam a receita.

A meta de crescer seis vezes mais que o mercado foi apresentada pela Seara como uma comparação com o ritmo esperado para o setor. Entretanto, a referência divulgada para a companhia é o volume de vendas, enquanto a estimativa de 2% a 2,5% da Abia diz respeito ao crescimento real das vendas da indústria de alimentos. Como os indicadores possuem bases e abrangências diferentes, não é possível converter automaticamente a meta da Seara em uma taxa exata de crescimento sem informações metodológicas adicionais.

O objetivo evidencia, ainda assim, a intenção da fabricante de ampliar sua participação no fornecimento de alimentos destinados ao consumo fora do domicílio. A concretização dessa estratégia dependerá da conquista de novos clientes, do aumento da frequência de pedidos e da capacidade de atendimento em diferentes regiões do país.

Pequenos e médios estabelecimentos representam 80% da carteira

A decisão de priorizar estabelecimentos de menor porte acompanha a estrutura do mercado brasileiro. Levantamento da Abia em parceria com a Wise Sales identificou 1.199.142 estabelecimentos de alimentação fora do lar, considerando restaurantes, bares, lanchonetes, cozinhas voltadas ao delivery e outros formatos de operação. Desse total, 864.123 são classificados como pequenos negócios, equivalentes a 72,04% da base pesquisada.

Os estabelecimentos de médio porte somam 173.157 unidades, ou 14,44% do total. Já os grandes operadores representam 161.862 estabelecimentos, participação de aproximadamente 13,5%. Os dados mostram que o mercado é bastante fragmentado, embora grandes redes possam concentrar volumes relevantes de compra.

Na carteira da Seara Food Solutions, pequenos e médios operadores respondem por aproximadamente oito em cada dez clientes. Considerando a base informada de 100 mil atendimentos diretos e indiretos, a proporção corresponderia a cerca de 80 mil clientes dessas categorias. O cálculo é apenas uma aproximação, pois a divulgação não separa os estabelecimentos atendidos diretamente daqueles alcançados por distribuidores.

A presença de pequenos empreendimentos representa uma oportunidade comercial, mas também impõe desafios específicos. Estabelecimentos com menor capacidade financeira costumam trabalhar com estoques reduzidos, pedidos mais frequentes e maior sensibilidade às oscilações de preços. Isso exige uma estrutura de distribuição diferente daquela utilizada para atender grandes redes, que normalmente compram volumes mais elevados e possuem maior previsibilidade de demanda.

Para a indústria, a pulverização da carteira pode reduzir a dependência de poucos compradores, mas aumenta a complexidade logística. O atendimento de milhares de pontos de venda exige planejamento de rotas, controle de entregas, manutenção da cadeia de refrigeração e capacidade de responder a pedidos de diferentes tamanhos.

Pedidos a partir de R$ 400 buscam ampliar acesso dos pequenos negócios

Uma das iniciativas comerciais da Seara Food Solutions é permitir pedidos diretos a partir de R$ 400, conforme as condições informadas pela empresa. O valor estabelece uma porta de entrada para estabelecimentos que não possuem escala suficiente para compras de maior porte. A medida pode facilitar o abastecimento de restaurantes independentes e pequenos negócios que precisam administrar cuidadosamente o capital de giro.

Para o operador, compras menores podem reduzir a quantidade de recursos imobilizados em estoques. Essa característica é relevante para estabelecimentos que trabalham com produtos perecíveis e precisam equilibrar abastecimento, espaço de armazenamento e consumo diário. Entretanto, pedidos reduzidos também podem elevar a frequência de entregas e os custos logísticos envolvidos na operação.

O valor mínimo, isoladamente, não permite concluir que a compra direta seja economicamente mais vantajosa do que o abastecimento por distribuidores locais. A comparação depende dos preços praticados, das condições de pagamento, da frequência das entregas e das despesas associadas ao armazenamento e ao preparo. Também é necessário considerar a disponibilidade efetiva desse modelo de atendimento em cada região.

Para a indústria, a viabilidade financeira de operações com pedidos menores depende da eficiência da distribuição. Uma alternativa é combinar o atendimento direto em determinadas localidades com parceiros comerciais em mercados mais dispersos. A companhia não apresentou, na divulgação, uma divisão detalhada da participação de cada modalidade em sua carteira de clientes.

A estratégia da Seara indica uma tentativa de ampliar a presença entre estabelecimentos que, historicamente, dependem de atacadistas e distribuidores regionais. O resultado comercial dependerá não apenas do preço dos alimentos, mas também da regularidade das entregas e da capacidade de oferecer produtos adequados às necessidades de cada operador.

Consultoria e desenvolvimento de cardápios passam a integrar o negócio

A Seara Food Solutions também procura ampliar sua relação com restaurantes e outros estabelecimentos por meio de serviços técnicos. A companhia informa que sua equipe pode orientar clientes no desenvolvimento de receitas, na organização de cardápios e na escolha dos produtos mais adequados à estrutura operacional. O atendimento considera fatores como equipamentos disponíveis, quantidade de funcionários, perfil dos consumidores e volume de produção.

Joice Fernandes, diretora da Seara Food Solutions, afirmou que a proposta da companhia é compreender as necessidades de cada operador antes de definir os produtos oferecidos. A executiva explicou que a criação de uma unidade de negócios independente permitiu estruturar equipes e processos específicos para o mercado de alimentação fora do lar. O modelo busca aproximar a fabricante das decisões operacionais dos restaurantes.

Essa abordagem representa uma mudança na relação tradicional entre fornecedores e estabelecimentos. Em vez de competir exclusivamente pela venda de alimentos, a indústria procura participar de etapas relacionadas à preparação, ao rendimento dos ingredientes e à composição do cardápio. A estratégia pode ampliar a frequência de compras, mas também exige capacidade técnica para atender negócios com características distintas.

A engenharia de cardápios é especialmente relevante para restaurantes que enfrentam pressão sobre margens. O processo envolve avaliar o custo dos ingredientes, o rendimento das receitas, a demanda por determinados pratos e a contribuição de cada item para o resultado do estabelecimento. Alterações na composição dos produtos ou nos procedimentos de preparo podem influenciar o custo de produção sem necessariamente exigir aumento de preços ao consumidor.

Entretanto, serviços de consultoria fornecidos por fabricantes também possuem interesses comerciais próprios. O restaurante deve avaliar se as soluções propostas são competitivas em relação às alternativas disponíveis no mercado. A eficiência operacional precisa ser medida por resultados concretos, como redução de desperdício, estabilidade de custos e melhora da rentabilidade.

Mercado de alimentação fora do lar deve movimentar R$ 540 bilhões

A expansão planejada pela Seara ocorre em um setor de grande dimensão econômica. A Abrasel projeta que bares e restaurantes movimentem aproximadamente R$ 540 bilhões em 2026, ante R$ 495 bilhões no ano passado. O aumento nominal esperado é de cerca de 9,1%, enquanto o faturamento de 2024 havia alcançado R$ 455 bilhões.

Os dados mostram uma trajetória de crescimento do consumo fora de casa, embora o faturamento nominal não permita determinar, isoladamente, quanto desse avanço decorre de maior volume de refeições ou de reajustes de preços. A evolução real da atividade depende da inflação específica do setor e das mudanças no comportamento de consumo. Também existem diferenças entre o desempenho de grandes redes, restaurantes independentes e operações concentradas em entregas.

Principais indicadores do mercado de alimentação fora do lar

Indicador Valor
Faturamento de bares e restaurantes em 2024 R$ 455 bilhões
Faturamento de bares e restaurantes em 2025 R$ 495 bilhões
Projeção de faturamento para 2026 R$ 540 bilhões
Crescimento nominal projetado para 2026 Cerca de 9%
Vendas da indústria ao food service em 2025 R$ 287,9 bilhões
Estabelecimentos mapeados pela Abia e Wise Sales 1,2 milhão
Participação dos pequenos estabelecimentos nessa base 72,04%

Fontes: Abrasel e Abia, com dados da Wise Sales. Os valores de faturamento dos estabelecimentos e de vendas industriais possuem metodologias e abrangências distintas.

Um ponto importante é a diferença entre os R$ 540 bilhões projetados pela Abrasel e os R$ 287,9 bilhões contabilizados pela Abia. O primeiro indicador corresponde ao faturamento estimado de bares e restaurantes, enquanto o segundo representa as vendas da indústria de alimentos destinadas ao canal de alimentação fora do lar. Não são receitas equivalentes e os valores não devem ser somados para dimensionar o mercado.

Os estabelecimentos de alimentação incorporam aos preços cobrados dos consumidores outros componentes além dos alimentos comprados da indústria. Entre eles estão despesas com funcionários, aluguel, energia, tributos, operação e margem comercial. Por essa razão, o faturamento final do restaurante pode ser significativamente diferente do valor pago aos fornecedores de ingredientes e produtos industrializados.

A Abia informou que o food service respondeu por 28,3% do faturamento da indústria de alimentos no mercado interno em 2025. A participação demonstra a importância do canal para fabricantes que antes concentravam parte maior de suas vendas no varejo tradicional. A perspectiva de expansão do consumo fora do domicílio tende a aumentar a competição entre indústrias por esse mercado.

Vendas crescem, mas apenas 40% dos restaurantes registraram lucro em agosto

Apesar do avanço da atividade, a rentabilidade continua sendo um problema para grande parte dos estabelecimentos. Pesquisa da Abrasel divulgada em 2 de outubro mostrou que 40% dos bares e restaurantes consultados registraram lucro em agosto. Outros 40% ficaram em equilíbrio financeiro, enquanto 19% apresentaram prejuízo e 1% não existia no período de referência.

O levantamento também identificou perda de ritmo na comparação mensal. Em agosto, 35% dos estabelecimentos tiveram aumento de faturamento em relação a julho, enquanto 26% mantiveram suas receitas e 38% registraram queda. No levantamento referente a julho, a parcela de empresas com crescimento mensal havia sido de 46%.

O contraste demonstra que a expansão do setor não acontece de maneira uniforme. Embora o Índice Abrasel-Stone tenha registrado crescimento de 7,4% nas vendas em agosto na comparação anual, o indicador apresentou retração de 0,2% em relação ao mês anterior. Isso significa que a atividade permaneceu acima do nível observado em 2025, mas perdeu intensidade no curto prazo.

A dificuldade para reajustar os preços também preocupa os empresários. Segundo a pesquisa, 38% dos estabelecimentos afirmaram não conseguir aumentar os valores cobrados dos consumidores. Outros 34% aplicaram reajustes equivalentes à inflação, enquanto 22% elevaram os preços em proporção inferior e apenas 6% conseguiram aumentos superiores à inflação.

Esse cenário limita a capacidade de repassar custos operacionais. Restaurantes precisam absorver despesas com alimentos, mão de obra, aluguel, energia e logística, mas enfrentam resistência dos consumidores a preços mais elevados. A pressão torna a eficiência produtiva um fator central na formação das margens.

A existência de fornecedores capazes de oferecer produtos padronizados, apoio técnico e previsibilidade de abastecimento pode contribuir para esse processo. Entretanto, o impacto financeiro dependerá dos preços praticados e das condições reais de utilização dos produtos. O benefício para o operador precisa ser demonstrado na sua própria estrutura de custos.

Indústria vendeu R$ 287,9 bilhões ao food service em 2025

A Abia informou que as vendas da indústria de alimentos e bebidas destinadas ao food service alcançaram R$ 287,9 bilhões em 2025. O valor representou crescimento nominal de 10,1% em relação ao ano anterior e respondeu por mais de um quarto do faturamento doméstico das fabricantes. O dado mostra que o consumo fora de casa se consolidou como um importante destino dos produtos industrializados.

No conjunto de suas atividades, a indústria brasileira de alimentos e bebidas faturou R$ 1,388 trilhão em 2025, considerando mercado interno e exportações. O mercado doméstico respondeu por aproximadamente R$ 1,02 trilhão, distribuído entre o varejo e o canal de alimentação fora do lar. A indústria também registrou crescimento real de 2,2% nas vendas no período.

Para 2026, a entidade projeta expansão real de 2% a 2,5%. O resultado dependerá da continuidade da demanda doméstica e do comportamento dos custos industriais. Embalagens, energia, transporte e matérias-primas agrícolas permanecem entre os fatores acompanhados pelas empresas do setor.

O aumento das vendas ao food service pode incentivar fabricantes a desenvolver produtos específicos para restaurantes. Porções padronizadas, alimentos pré-preparados e soluções que reduzam etapas de produção podem atender operadores com equipes pequenas e estrutura limitada. Em contrapartida, produtos destinados a esse canal precisam oferecer custos e rendimentos compatíveis com o modelo de negócios de cada estabelecimento.

A estratégia comercial da Seara está alinhada a essa tendência, mas envolve desafios adicionais de distribuição. O crescimento de uma carteira formada por pequenos clientes exige escala operacional e controle rigoroso dos custos de atendimento. Sem esses fatores, o aumento das vendas pode não se traduzir em crescimento proporcional da rentabilidade.

Setor abriu mais de 420 mil empresas em 2025

O levantamento da Abia e da Wise Sales identificou aproximadamente 420 mil novas empresas de alimentação fora do lar abertas em 2025. Desse total, 354.206 eram microempreendedores individuais e outras 65.887 pertenciam a categorias empresariais diferentes do MEI. A movimentação demonstra a capacidade do setor de atrair novos empreendedores, especialmente em atividades que permitem começar com estruturas relativamente pequenas.

Entretanto, os dados também evidenciam elevada rotatividade. No mesmo ano, foram registrados 220.563 encerramentos de MEIs e 56.624 fechamentos de empresas fora desse regime. As estatísticas mostram que a abertura de negócios não representa necessariamente expansão permanente da base de estabelecimentos ativos.

Outro movimento relevante foi a migração de empresas para estruturas maiores. Segundo a pesquisa, 288.741 negócios deixaram a categoria de microempreendedor individual e passaram a outros enquadramentos empresariais. A transformação pode estar relacionada ao aumento do porte das operações, à expansão do faturamento ou a mudanças na organização dos estabelecimentos.

O fenômeno cria oportunidades diferentes para fornecedores de alimentos. Empresas recém-criadas podem demandar produtos de menor volume e apoio técnico básico, enquanto negócios em expansão tendem a precisar de maior regularidade de abastecimento e estruturas de compra mais profissionais. A capacidade de acompanhar essas etapas pode influenciar a permanência do cliente na carteira.

A presença de milhares de novos operadores também aumenta a concorrência entre restaurantes. Em mercados locais com grande quantidade de estabelecimentos, preços, qualidade, conveniência e eficiência operacional passam a desempenhar papel decisivo. Para a indústria, ampliar a base de clientes exige compreender essas diferenças e adaptar a oferta comercial.

Interiorização e delivery ampliam oportunidades para fornecedores

O crescimento do food service brasileiro também ocorre fora dos grandes centros urbanos. O levantamento da Abia e da Wise Sales mostra que a região Sudeste concentra 47,65% dos estabelecimentos pesquisados, seguida pelo Nordeste, com 21,96%, e pelo Sul, com 15,47%. Centro-Oeste e Norte respondem, respectivamente, por aproximadamente 8,68% e 6,23%.

A distribuição regional demonstra o potencial de expansão para cidades médias e municípios do interior. Entretanto, quanto maior a dispersão geográfica dos clientes, maiores tendem a ser as exigências de planejamento logístico. A entrega de alimentos refrigerados ou congelados requer controle de temperatura, regularidade de abastecimento e infraestrutura adequada.

O avanço do delivery também modificou as necessidades dos operadores. Restaurantes passaram a organizar cardápios, embalagens e linhas de produção considerando não apenas o consumo presencial, mas também a preparação de pedidos para entrega. Essa mudança favorece a busca por produtos com rendimento previsível e tempo de preparo compatível com os horários de maior demanda.

Uma pesquisa apresentada pela Abrasel em setembro, realizada com 1.710 gestores em parceria com a 99Food, mostrou que os aplicativos já respondiam por 58% das vendas de delivery nos estabelecimentos pesquisados. O levantamento também apontou que 78% utilizavam a mesma linha de produção para atendimento presencial e entregas. Aproximadamente um terço dos negócios operava no limite da capacidade nos horários de pico.

Esses números ilustram a importância de organizar as operações internas. Um restaurante que aumenta suas vendas por aplicativos sem ampliar a eficiência da cozinha pode enfrentar atrasos, desperdícios e dificuldades para manter a qualidade dos produtos. Nesse contexto, a padronização de ingredientes e processos pode se tornar relevante para a produtividade.

A capacidade de atender operadores com modelos de negócio distintos, incluindo cozinhas exclusivas para entrega e restaurantes tradicionais, pode representar uma vantagem comercial. Entretanto, isso exige conhecimento das condições de consumo e custos de cada região. A expansão nacional depende, portanto, tanto da oferta de produtos quanto da adaptação da estrutura de atendimento.

JBS amplia presença no food service, mas custos pressionam resultados da Seara

A estratégia de expansão no fornecimento para restaurantes ocorre em um momento de transformação do portfólio da JBS. A Seara participa tanto do mercado de alimentos destinados ao consumo doméstico quanto do fornecimento a empresas de alimentação fora do lar. Essa diversificação permite atuar em canais com características distintas de preços, volumes e distribuição.

Nos resultados consolidados apresentados pela JBS para o primeiro semestre de 2026, o segmento Seara registrou receita líquida de aproximadamente US$ 4,94 bilhões, aumento de 14,4% em relação ao mesmo período de 2025. O EBITDA ajustado do segmento, entretanto, recuou 8,3%, para aproximadamente US$ 749,7 milhões. A companhia atribuiu a pressão sobre o resultado principalmente aos custos mais elevados de matérias-primas e salários.

Os números dizem respeito ao segmento Seara como um todo e não correspondem exclusivamente à Seara Food Solutions. Portanto, não é possível utilizar o EBITDA consolidado para medir diretamente a rentabilidade do canal de alimentação fora do lar. Ainda assim, os dados mostram que o crescimento das receitas pode ocorrer simultaneamente à redução do resultado operacional.

Essa diferença é relevante para avaliar estratégias de expansão. A conquista de novos clientes e o aumento das vendas precisam ser acompanhados por controle de custos industriais, despesas comerciais e eficiência logística. Caso contrário, uma operação poderá crescer em faturamento sem melhorar suas margens.

A Seara também desenvolve projetos voltados a grandes eventos e operações especiais de alimentação. Em setembro, a empresa informou que dobrou o volume de produtos comercializados no Rock in Rio de 2026 em comparação com a edição de 2024. A atuação da Seara Food Solutions envolveu planejamento, desenvolvimento de produtos e organização logística para o atendimento dos pontos de venda.

A experiência com eventos demonstra uma frente de atuação diferente daquela destinada aos pequenos restaurantes. Enquanto grandes operações exigem fornecimento concentrado em períodos específicos, pequenos estabelecimentos demandam relacionamento contínuo e frequência regular de entregas. A estrutura comercial precisa atender ambos os perfis sem comprometer a eficiência.

Crescimento seis vezes superior dependerá de escala e rentabilidade

A meta anunciada pela Seara para 2026 é expressiva, mas sua avaliação exigirá informações adicionais sobre desempenho e participação de mercado. A companhia não divulgou, na apresentação dos números, uma receita absoluta para a Seara Food Solutions nem o volume total de alimentos comercializados pela unidade. Também não apresentou uma projeção pública detalhada de margem operacional específica do negócio.

Sem esses indicadores, é possível avaliar a direção estratégica da empresa, mas não calcular com precisão sua participação no mercado nacional. O atendimento de 100 mil clientes demonstra capilaridade comercial, embora não revele a distribuição de receitas entre pequenos operadores, grandes redes e canais indiretos. Diferentes estabelecimentos podem apresentar volumes de compra muito distintos.

Outro ponto será a capacidade de manter o crescimento sem elevar excessivamente os custos de distribuição. O atendimento a pequenos clientes, com pedidos a partir de R$ 400, amplia a base potencial de compradores, mas exige produtividade logística. A escala de atendimento pode compensar parte dessas despesas, dependendo da concentração geográfica dos clientes e da frequência de compras.

A oferta de consultoria técnica também poderá influenciar a permanência dos estabelecimentos na carteira. Serviços voltados à organização de cardápios, treinamento e rendimento dos ingredientes podem criar uma relação comercial mais duradoura. No entanto, sua contribuição efetiva para a rentabilidade dos clientes dependerá da qualidade da execução e dos ganhos obtidos.

O cenário mais amplo do setor exige cautela. Apesar da previsão de R$ 540 bilhões em faturamento, a pesquisa da Abrasel mostra que a maioria dos estabelecimentos consultados em agosto não registrou lucro, permanecendo em equilíbrio ou no prejuízo. O crescimento do consumo, portanto, não elimina a necessidade de disciplina financeira e gestão eficiente.

A Seara Food Solutions aposta justamente nessa combinação de escala e prestação de serviços para ampliar sua atuação no mercado de alimentação fora do lar. Com uma carteira de 100 mil clientes e avanço acumulado de 50% no faturamento em três anos, a unidade pretende conquistar uma parcela maior de um setor marcado por expansão, concorrência e margens pressionadas. A confirmação da meta de crescer seis vezes mais que o mercado dependerá dos resultados efetivos de 2026 e da capacidade de transformar o aumento das vendas em desempenho econômico sustentável.

Fontes

Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) — Balanço anual da indústria brasileira de alimentos e bebidas de 2025, divulgado em março de 2026, com dados de faturamento, vendas ao food service e perspectivas para 2026.

Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) e Wise Sales — Estudo ID Food Service, divulgado em setembro de 2026, com informações sobre estabelecimentos, distribuição regional, abertura e encerramento de empresas.

Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) — Estudo de setembro de 2026 com projeção de faturamento de R$ 540 bilhões para o setor em 2026.

Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) — Pesquisa Nacional de Conjuntura Econômica divulgada em 2 de outubro de 2026, com dados de lucro, prejuízo, faturamento e reajustes de preços.

Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e Stone — Índice de atividade de bares e restaurantes referente a agosto de 2026.

JBS N.V. — Demonstrações financeiras e informações operacionais referentes ao primeiro semestre de 2026, com dados de receita e EBITDA do segmento Seara.

JBS Brasil — Comunicado institucional de 14 de setembro de 2026 sobre a participação da Seara Food Solutions no Rock in Rio e a expansão das vendas no evento.

LEIA MAIS

Ri Happy Pede Recuperação Extrajudicial Para Renegociar Dívida De R$ 827,4 Milhões-Gazdeta Mercantil
Empresas

Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 827,4 milhões

O Grupo Ri Happy iniciou uma nova etapa de sua reestruturação financeira ao apresentar à Justiça de São Paulo, em 18 de outubro de 2026, um pedido de...

Leia MaisDetails
Localiza (Rent3) Aprova R$ 614,9 Milhões Em Jcp E Fixa Data-Base Em 25 De Setembro-Gazeta Mercantil
Empresas

Localiza (RENT3) aprova debêntures de R$ 1 bilhão com prazo de 24 meses

A Localiza&Co (RENT3) aprovou em 19 de outubro de 2026 uma nova emissão de debêntures de R$ 1 bilhão, com vencimento em 24 meses e destinação dos recursos...

Leia MaisDetails
Economia Brasileira Cresce 0,5% Em Agosto Após Dois Meses De Queda, Aponta Fgv - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Economia brasileira cresce 0,5% em agosto após dois meses de queda, aponta FGV

Economia brasileira cresce 0,5% em agosto, após dois meses de queda, aponta FGV. Consumo perde força e mercado reduz projeção do PIB de 2026 para 1,83%.

Leia MaisDetails
Terras Raras - Gazeta Mercantil
Negócios

Australiana conclui compra de projeto de terras raras e nióbio em Minas Gerais e acelera exploração

Oceana Metals conclui compra do projeto Serra Negra, de terras raras e nióbio, em Minas Gerais, por US$ 2,95 milhões e ações. Veja os próximos passos.

Leia MaisDetails
Csn Cimentos - Gazeta Mercantil
Empresas

CSN avança na venda da CSN Cimentos por até R$ 15 bilhões para reduzir dívida de R$ 42,1 bilhões

CSN avança na venda da CSN Cimentos por até R$ 15 bilhões. Votorantim e Huaxin estão entre os interessados; operação pode ajudar a reduzir dívida de R$ 42,1...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

22:38:34
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Ri Happy Pede Recuperação Extrajudicial Para Renegociar Dívida De R$ 827,4 Milhões-Gazdeta Mercantil
Empresas

Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 827,4 milhões

Leia MaisDetails
Localiza (Rent3) Aprova R$ 614,9 Milhões Em Jcp E Fixa Data-Base Em 25 De Setembro-Gazeta Mercantil
Empresas

Localiza (RENT3) aprova debêntures de R$ 1 bilhão com prazo de 24 meses

Leia MaisDetails
Petroleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo fecha em queda, mas tensão no Oriente Médio mantém Brent acima de US$ 109

Leia MaisDetails
Agronegócio - Gazeta Mercantil
Agronegócio

Recuperação judicial no agronegócio cai 20,7%, mas endividamento preocupa

Leia MaisDetails
Campanha De Flávio Bolsonaro Promete Excluir Beneficiários Do Bolsa Família Em 2 Anos
Política

Equipe de Flávio Bolsonaro quer tirar do Bolsa Família, em dois anos, quem conseguir emprego

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 827,4 milhões

Localiza (RENT3) aprova debêntures de R$ 1 bilhão com prazo de 24 meses

Seara mira 100 mil clientes e quer crescer seis vezes mais que mercado de restaurantes

Petróleo fecha em queda, mas tensão no Oriente Médio mantém Brent acima de US$ 109

Recuperação judicial no agronegócio cai 20,7%, mas endividamento preocupa

Equipe de Flávio Bolsonaro quer tirar do Bolsa Família, em dois anos, quem conseguir emprego

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP