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TCU cobra STF, STJ e TST por justificativa de salas VIPs exclusivas no Aeroporto de Brasília

por Júlia Campos
25/02/2026 às 19h56
em Política
Tcu Cobra Stf, Stj E Tst Por Justificativa De Salas Vips Exclusivas No Aeroporto De Brasília - Gazeta Mercantil

TCU dá prazo de 15 dias para STF, STJ e TST explicarem salas VIPs no Aeroporto de Brasília

O Tribunal de Contas da União (TCU) estabeleceu prazo de 15 dias para que o Supremo Tribunal Federal (STF), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) apresentem justificativas formais sobre a contratação de salas VIPs exclusivas no Aeroporto Internacional de Brasília. O objetivo é esclarecer a necessidade desses espaços pagos com recursos públicos, cujo custo anual é estimado em R$ 3,7 milhões, incluindo serviços de “fast pass” e receptivo destinado a autoridades e servidores.

De acordo com o TCU, os tribunais deverão enviar cópias dos contratos firmados com a Inframerica, concessionária que administra o aeroporto, detalhar os motivos técnicos para a manutenção dessas salas, apresentar documentos que comprovem a necessidade do investimento e informar se realizaram estudos de viabilidade ou consideraram alternativas, como o uso de salas VIPs públicas mediante reembolso.

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O caso foi levado ao TCU por representação do presidente da Comissão de Transparência, Governança e Fiscalização do Senado, Dr. Hiran (PP-AM). Dependendo das informações enviadas, o tribunal poderá abrir auditoria específica para avaliar a legalidade e a eficiência desses contratos.

Relator do caso aponta necessidade de investigação adicional

O relator do processo no TCU, ministro Jhonatan de Jesus, destacou que a Corte já mantém trabalhos em andamento sobre o tema, mas fatos novos justificam análise suplementar. Ele citou precedentes em que a contratação de salas VIPs para membros do STJ foi considerada regular, mas enfatizou que cada contrato deve ser examinado individualmente.

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“Mais recentemente, a representação nº TC 016.568/2025-7, que buscava analisar gastos semelhantes de forma ampla, não foi conhecida pelo Acórdão 7.323/2025-TCU-1ª Câmara. Na ocasião, o Tribunal considerou válidas as alegações de segurança pessoal, com base na Resolução CNJ 435/2021, como motivação para a manutenção desses espaços”, afirmou o ministro.

Estrutura e custos das salas VIPs

As salas VIPs exclusivas para servidores e autoridades custam, em média, R$ 3,7 milhões por ano, considerando aluguel, serviços de receptivo e “fast pass”, que agiliza inspeção de segurança e embarque. Esse serviço é similar ao oferecido por operadoras de cartões de crédito a clientes de alto padrão, permitindo passagem rápida pelos procedimentos de segurança.

Entre os órgãos que utilizam salas exclusivas estão o Senado Federal, a Câmara dos Deputados e o STF. Diferentemente das salas públicas, acessíveis mediante pagamento, programas de fidelidade ou cartões de crédito específicos, essas áreas não podem ser utilizadas por passageiros comuns.

A Inframerica, concessionária do aeroporto, informou que não comenta contratos comerciais.

Aspectos legais e análise de eficiência

Especialistas em direito administrativo apontam que a legalidade dessas contratações deve ser avaliada sob os princípios da administração pública: legalidade, eficiência, economicidade e publicidade.

O professor de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Rubens Beçak, destacou que a construção da sala VIP do TST deve observar critérios de dispensa de licitação e justificativa de interesse público. “É essencial verificar se houve legalidade, especialmente em relação à dispensa de licitação e à publicidade do ato. Também é preciso avaliar se a obra atende ao princípio da eficiência, se realmente torna mais ágil o deslocamento dos ministros”, afirmou.

Em relação às outras salas VIPs, Beçak ressalta que, se os requisitos legais forem atendidos, elas são legítimas. Entretanto, questiona a necessidade da diferenciação em relação a salas públicas disponíveis no aeroporto, cujo uso mediante contratação poderia reduzir custos e ampliar a transparência.

Histórico de fiscalização

O TCU já analisou contratações de salas VIPs em aeroportos federais. Em auditorias anteriores, espaços exclusivos foram justificados com base em segurança e logística para membros de tribunais superiores. Ainda assim, cada contrato precisa ser avaliado individualmente, considerando valores atualizados, novos serviços contratados e mudanças nos critérios de eficiência.

A decisão de exigir justificativas detalhadas sinaliza que o TCU pretende intensificar o controle sobre gastos públicos com serviços exclusivos, em meio a debates sobre transparência e gestão eficiente de recursos federais.

Discussão sobre uso de recursos públicos

O gasto anual de R$ 3,7 milhões com salas VIPs levanta questionamentos sobre prioridade na utilização de recursos públicos. Críticos afirmam que os valores poderiam ser direcionados para melhorias em infraestrutura aeroportuária ou programas que beneficiem todos os passageiros.

Defensores alegam que a separação de espaços garante segurança, privacidade e agilidade logística para autoridades e servidores em deslocamentos oficiais. No entanto, a necessidade de exclusividade e o custo elevado permanecem sob escrutínio público e administrativo.

Alternativas de operação e eficiência

O TCU requisitou que os tribunais avaliem alternativas à manutenção de salas exclusivas, como o uso de salas VIPs públicas mediante pagamento ou reembolso. Essa prática permitiria reduzir gastos sem comprometer a eficiência de embarque e desembarque de servidores e ministros.

Além disso, estudos de viabilidade devem incluir comparações com experiências internacionais, onde autoridades podem utilizar áreas reservadas, mas com regulamentação rígida e limites de custo.

Próximos passos da fiscalização

Após receber os documentos solicitados, o TCU avaliará legalidade, necessidade e eficiência de cada contrato. Dependendo da análise, o tribunal pode recomendar ajustes, abrir auditorias ou propor padronização de critérios para contratações futuras.

O prazo de 15 dias definido pelo TCU demonstra prioridade sobre o tema e indica interesse em decisões rápidas sobre eventuais irregularidades, reforçando a fiscalização sobre recursos públicos utilizados em serviços exclusivos.

Impactos na gestão pública

A apuração do TCU evidencia a tensão entre benefícios exclusivos para autoridades e a obrigação de controle rigoroso de gastos públicos. O acompanhamento detalhado desses contratos tende a influenciar futuras contratações, aumentar a transparência e reforçar a aplicação dos princípios de eficiência e economicidade na administração pública.

A continuidade da fiscalização será determinante para avaliar se os serviços contratados atendem à necessidade de segurança e agilidade ou se representam gastos excessivos com privilégios para servidores e autoridades.

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