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TCU libera consignado do INSS, e bancos elogiam decisão que reverte suspensão

Febraban, ABBC e Zetta afirmam que revogação parcial da cautelar evita paralisação total de um mercado de cerca de R$ 100 bilhões por ano; cartões consignados seguem suspensos

por Maria Helena Costa
08/05/2026 às 23h31
em Economia
Bancos Elogiam Decisão Do Tcu Que Reverteu Suspensão Do Consignado Inss

Reprodução

Entidades representativas do setor financeiro elogiaram, nesta sexta-feira (8), a decisão do ministro Marcos Bemquerer Costa, do Tribunal de Contas da União (TCU), que restabeleceu parcialmente a concessão de empréstimos consignados a beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A medida revogou parte de uma cautelar que havia suspendido as operações, mas manteve bloqueadas as concessões de cartão de crédito consignado e cartão de benefícios consignado.

A manifestação foi assinada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e pela Zetta, entidade que representa fintechs como Nubank e Mercado Pago. Em nota, as associações afirmaram que a decisão foi proporcional diante da complexidade do mercado de crédito consignado do INSS e dos impactos econômicos de uma suspensão ampla.

Leia também: Depoimento de Carlos Lupi na CPI do INSS: falhas de gestão, contradições e novas revelações.

Segundo as entidades, a atuação do presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, foi relevante na condução da audiência com representantes do setor bancário e de órgãos do governo. A mediação, de acordo com a nota, contribuiu para a construção de uma solução que preserva o funcionamento de parte do mercado, ao mesmo tempo em que mantém a atenção sobre controles contra fraudes e contratações indevidas.

A decisão ocorre após reação de bancos e do governo à suspensão geral das operações, determinada anteriormente com o objetivo de combater irregularidades no consignado. A medida, porém, foi considerada excessiva por agentes do setor financeiro, que alegaram risco de impacto sobre aposentados, pensionistas, instituições financeiras e o mercado de crédito.

Empréstimo consignado volta, mas cartões seguem suspensos

A revogação parcial da cautelar permite a retomada da oferta de empréstimo consignado a beneficiários do INSS. Esse tipo de crédito é descontado diretamente do benefício previdenciário, dentro de limites definidos por regras específicas, o que reduz o risco de inadimplência para as instituições financeiras.

A decisão, no entanto, não libera integralmente todas as modalidades. Permanecem suspensas as concessões de cartão de crédito consignado e cartão de benefícios consignado, produtos que vinham sendo alvo de questionamentos por órgãos de controle e defesa do consumidor.

A diferenciação entre empréstimo consignado e cartões consignados é central para a leitura da decisão. O empréstimo consignado tradicional tem contrato com valor, prazo e parcelas definidos. Já os cartões consignados costumam envolver estruturas de cobrança e uso mais complexas, o que historicamente gerou maior volume de reclamações de consumidores e atenção regulatória.

Ao manter a suspensão dos cartões, o TCU preserva parte da cautela original. Ao liberar o empréstimo consignado, evita a paralisação completa de um mercado que, segundo as entidades financeiras, movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano.

Entidades citam impacto econômico da paralisação

Na nota, Febraban, ABBC e Zetta afirmaram que a revogação parcial da medida cautelar reflete sensibilidade do ministro relator e do presidente do TCU diante dos efeitos de uma paralisação total.

Para o setor financeiro, uma suspensão ampla teria potencial de afetar bancos, fintechs, correspondentes bancários e beneficiários do INSS que recorrem ao consignado como fonte de crédito. A modalidade tem peso relevante no mercado por atender aposentados e pensionistas, geralmente com taxas menores do que linhas de crédito pessoal sem garantia de desconto em folha.

O consignado também representa uma carteira importante para instituições financeiras. Por ter desconto direto no benefício, o risco de inadimplência é menor, o que permite oferta de crédito em condições mais competitivas em relação a outras modalidades.

A paralisação total, segundo agentes do setor, poderia gerar restrição súbita de acesso ao crédito para milhões de beneficiários. Ao mesmo tempo, a decisão do TCU mostra que o tribunal mantém preocupação com fragilidades operacionais e riscos de fraude no ecossistema do consignado.

Audiência discutiu controles contra fraudes

As entidades afirmaram que, na audiência conciliatória, as partes apresentaram informações sobre o estágio de implementação de controles considerados estruturantes para o mercado.

Segundo a nota, esses mecanismos são necessários para mitigar riscos de fraude, coibir contratações indevidas e corrigir fragilidades operacionais. A discussão envolveu representantes das três associações do setor financeiro e órgãos do governo.

O consignado do INSS tem sido objeto de fiscalização por causa de relatos de descontos indevidos, operações não reconhecidas por beneficiários e problemas na contratação de produtos financeiros associados à folha de pagamento previdenciária.

A atuação do TCU busca enfrentar essas falhas sem interromper de forma ampla uma modalidade de crédito considerada relevante para o sistema financeiro e para os beneficiários da Previdência.

A audiência, nesse contexto, funcionou como tentativa de conciliar duas frentes: preservar o acesso ao crédito consignado regular e, ao mesmo tempo, exigir avanços nos controles capazes de reduzir contratações irregulares.

Governo e bancos haviam reagido à suspensão

Antes da revogação parcial, bancos e governo já haviam indicado que recorreriam da suspensão geral das operações. A cautelar havia sido determinada sob o argumento de combater fraudes no consignado, mas foi vista por instituições financeiras como uma resposta ampla demais diante dos problemas identificados.

A avaliação do setor era que a medida poderia punir todo o mercado, incluindo instituições que operam de acordo com as regras, em vez de concentrar restrições sobre práticas específicas, canais problemáticos ou produtos com maior risco de abuso.

Com a nova decisão, o TCU adotou uma solução intermediária. O empréstimo consignado tradicional foi restabelecido, enquanto modalidades associadas a cartões permanecem suspensas.

Essa separação reduz o impacto imediato sobre a oferta de crédito, mas mantém pressão sobre bancos, fintechs e demais agentes para aprimorar processos de contratação, validação de consentimento e segurança operacional.

Consignado do INSS é linha estratégica para bancos

O crédito consignado do INSS ocupa posição estratégica no mercado financeiro brasileiro. A linha é oferecida a aposentados e pensionistas e tem parcelas descontadas diretamente do benefício, respeitando margens consignáveis e regras definidas pelo governo.

Por ter menor risco de inadimplência, a modalidade costuma apresentar juros mais baixos do que outras linhas de crédito pessoal. Essa característica torna o consignado uma alternativa relevante para beneficiários que buscam recursos para reorganização financeira, despesas emergenciais ou consumo.

Para os bancos, a carteira representa uma fonte importante de receita e relacionamento com clientes. Para fintechs e instituições digitais, o segmento também se tornou relevante, especialmente com a expansão de produtos financeiros voltados a públicos tradicionalmente atendidos por bancos de varejo.

A decisão do TCU, portanto, tem impacto direto sobre instituições tradicionais, bancos médios, financeiras e fintechs. A presença da Zetta na manifestação conjunta evidencia que o tema ultrapassa o setor bancário convencional e alcança empresas digitais que atuam no crédito.

Cartões consignados seguem no centro da discussão

A manutenção da suspensão para cartão de crédito consignado e cartão de benefícios consignado indica que essas modalidades seguem sob maior atenção do TCU.

Esses produtos têm sido criticados por causa da dificuldade de compreensão por parte de alguns consumidores, do risco de contratação indevida e da possibilidade de endividamento prolongado. Em determinados casos, beneficiários relatam não reconhecer operações ou afirmam ter contratado empréstimos quando, na prática, receberam cartões vinculados ao benefício.

A decisão de liberar apenas o empréstimo consignado tradicional sugere uma avaliação de risco diferente entre os produtos. O TCU preserva a possibilidade de continuidade do crédito com estrutura mais conhecida e mantém restrição sobre modalidades consideradas mais sensíveis.

Para o setor financeiro, a suspensão parcial cria a necessidade de adaptação operacional. Instituições que atuam com cartões consignados terão de aguardar novos desdobramentos, enquanto as operações de empréstimo consignado podem ser retomadas conforme as regras vigentes.

TCU busca equilíbrio entre crédito e proteção ao beneficiário

A decisão do ministro Marcos Bemquerer Costa sinaliza tentativa de equilibrar a continuidade de um mercado relevante com a proteção de beneficiários do INSS contra fraudes e contratações indevidas.

O tribunal vinha sendo pressionado por preocupações relacionadas à integridade das operações. Ao mesmo tempo, uma suspensão total poderia gerar efeitos econômicos e sociais relevantes, especialmente para aposentados e pensionistas que dependem do consignado como uma das poucas linhas de crédito disponíveis com juros menores.

A atuação do presidente do TCU, Vital do Rêgo, foi destacada pelas entidades financeiras justamente pela tentativa de mediação entre interesses regulatórios, fiscais, operacionais e econômicos.

O caso também reforça o papel de órgãos de controle na supervisão de mercados regulados. No consignado do INSS, a fiscalização envolve não apenas o sistema financeiro, mas também a administração pública, já que os descontos incidem sobre benefícios previdenciários.

Decisão mantém pressão por controles no consignado do INSS

A liberação parcial do empréstimo consignado não encerra a discussão sobre fraudes e fragilidades no setor. Ao contrário, a decisão tende a manter bancos, fintechs, governo e órgãos de controle sob pressão para demonstrar que os mecanismos de segurança estão sendo aprimorados.

As entidades afirmam que há controles em estágio avançado de implementação. A efetividade desses mecanismos será decisiva para a continuidade das operações sem novas restrições.

Entre os pontos sensíveis estão a confirmação de consentimento do beneficiário, a rastreabilidade da contratação, a atuação de correspondentes bancários, a clareza das informações prestadas ao consumidor e a capacidade de identificar operações suspeitas antes do desconto em benefício.

A retomada do empréstimo consignado, portanto, ocorre em ambiente de vigilância regulatória. O mercado volta a operar em uma de suas principais linhas, mas com expectativa de maior fiscalização e cobrança por padrões mais rígidos de controle.

Mercado de R$ 100 bilhões volta a operar parcialmente

A decisão do TCU restabelece parte relevante do mercado de crédito consignado do INSS, estimado pelas entidades em cerca de R$ 100 bilhões por ano. A volta do empréstimo tradicional reduz o risco de paralisação ampla, mas preserva restrições sobre produtos considerados mais sensíveis.

Para bancos e fintechs, a medida representa alívio operacional e financeiro. Para beneficiários do INSS, significa a reabertura de uma linha de crédito de grande alcance. Para o TCU e o governo, mantém-se o desafio de coibir fraudes sem comprometer o funcionamento de um mercado regulado e de forte impacto social.

A próxima etapa será acompanhar se os controles mencionados pelo setor financeiro serão suficientes para sustentar a retomada das operações e reduzir o risco de novas intervenções. O caso permanece no centro da agenda regulatória do consignado, com efeitos diretos sobre instituições financeiras, beneficiários e órgãos públicos envolvidos na gestão do sistema.

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