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Tesouro Direto segue atrativo com juros altos; veja o que pesa sobre as taxas

Prefixados e títulos indexados ao IPCA mantêm prêmios elevados, enquanto Tesouro Selic segue como opção mais estável.

por Álvaro Lima - Repórter de Economia
07/05/2026 às 12h30 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h20
em Mercados, Destaque, Notícias
Tesouro Direto - Gzt - Gazeta Mercantil1

O Tesouro Direto continua atrativo para o investidor em 2026, sustentado por juros nominais e reais ainda elevados, mas o cenário à frente exige mais atenção à volatilidade e ao prazo dos títulos. A combinação entre política monetária restritiva, expectativas de inflação ainda pressionadas, incerteza fiscal e fatores externos mantém os papéis públicos em patamar de rentabilidade elevado, ao mesmo tempo em que amplia o risco de oscilações para quem pretende vender antes do vencimento.

A avaliação ganhou força após a divulgação da ata da 278ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reforçou a postura cautelosa do Banco Central, e diante da nova rodada de revisões do Boletim Focus. O mercado passou a trabalhar com inflação de 4,89% para 2026, oitava alta consecutiva nas estimativas para o IPCA, além de projeções de IGP-M em 5,50% e Selic terminal em 13,00%.

Nesse ambiente, o investidor encontra no Tesouro Direto uma curva ainda bastante generosa. Papéis prefixados operam próximos de 13,7% ao ano, enquanto títulos indexados à inflação oferecem juros reais acima de 7% em alguns vencimentos. O quadro reforça o apelo da renda fixa pública, mas também exige distinção clara entre objetivo de investimento, horizonte de tempo e tolerância a oscilações.

Ata do Copom e Focus sustentam juros elevados

A leitura mais recente do mercado sobre o Tesouro Direto parte da política monetária. A ata da 278ª reunião do Copom indicou que o Banco Central permanece atento à desancoragem das expectativas de inflação e ao ambiente externo mais incerto, sinalizando continuidade de uma condução restritiva da política monetária. O comunicado do colegiado também reforçou que a evolução do cenário dependerá dos dados e não deixou sinalização fechada sobre o ritmo das próximas decisões.

Esse tom se soma às revisões do Relatório Focus. O mercado elevou novamente a projeção para o IPCA de 2026, o que tende a pressionar juros reais e manter a precificação dos títulos em patamar alto. Quando a inflação esperada sobe e a política monetária se mantém restritiva, os papéis públicos passam a embutir prêmios maiores para atrair o investidor.

Na prática, esse movimento torna o Tesouro Direto mais atrativo em termos de carrego. O problema é que, quanto maior a sensibilidade do título às mudanças de juros, maior também a oscilação de preço no curto prazo.

Prefixados e IPCA+ concentram os maiores prêmios

Entre os títulos mais observados pelo mercado, os prefixados e os indexados à inflação seguem concentrando os prêmios mais elevados. O Tesouro Prefixado 2029 gira ao redor de 13,67% ao ano, enquanto o Prefixado 2032 opera perto de 13,75%. Já os papéis atrelados ao IPCA continuam oferecendo retorno real robusto: o Tesouro IPCA+ 2029 ronda IPCA + 7,56%, e os vencimentos longos voltaram a se aproximar ou superar a faixa de IPCA + 7% ao ano.

Esse patamar chama atenção porque combina ganho real elevado com garantia soberana. Para o investidor que pode carregar o título até o vencimento, travar uma taxa desse nível significa assegurar rendimento acima da inflação por vários anos, o que é relevante em um ambiente de incerteza fiscal e dúvidas sobre o comportamento futuro dos preços.

O interesse é ainda maior nos vencimentos intermediários. A inclinação da curva mostra que o mercado vê prêmios mais generosos no médio prazo, refletindo uma combinação de inflação ainda resistente, juros elevados por mais tempo e expectativa de acomodação gradual em horizontes mais longos.

Quatro fatores devem definir o comportamento das taxas

A dinâmica dos títulos do Tesouro Direto daqui para frente dependerá de quatro frentes principais. A primeira é a inflação no Brasil. Se os índices seguirem pressionados e as expectativas continuarem subindo, o mercado tende a exigir prêmios ainda mais altos, especialmente nos papéis prefixados e nos indexados ao IPCA.

A segunda frente é a própria trajetória da Selic. Enquanto o Banco Central mantiver postura cautelosa e resistir a uma flexibilização mais rápida dos juros, os títulos devem continuar remunerando bem. Por outro lado, qualquer mudança relevante na leitura do Copom pode alterar o preço dos papéis, sobretudo os mais longos.

O terceiro ponto de atenção é o ambiente externo. Conflitos geopolíticos, oscilações do petróleo e mudanças na política monetária dos Estados Unidos afetam fluxo de capitais, percepção de risco em emergentes e câmbio, elementos que acabam influenciando a curva de juros no Brasil.

O quarto fator é a situação fiscal brasileira. Esse ponto permanece central. Projeções de déficit primário, avanço da dívida e dúvidas sobre a capacidade de estabilização das contas públicas seguem influenciando a percepção de risco do país. Quanto maior o desconforto fiscal, maior tende a ser o prêmio exigido para financiar o governo em prazos mais longos.

Tesouro Selic segue como porto seguro da renda fixa

Em meio a esse cenário, o Tesouro Selic continua sendo o título de menor volatilidade entre as alternativas do Tesouro Direto. O papel com vencimento em 2028 apresenta taxa adicional bastante baixa, próxima de 0,0453% ao ano, característica que preserva seu perfil conservador.

Esse título segue sendo o mais indicado para reserva de emergência, liquidez e proteção contra oscilações mais fortes do mercado. Como sua rentabilidade acompanha a taxa básica de juros, ele sofre impacto bem menor de marcação a mercado quando comparado a prefixados e IPCA+.

O preço unitário gira ao redor de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima em torno de R$ 182,89, o que mantém o papel acessível ao investidor de varejo. Sua principal virtude é a previsibilidade relativa em horizontes curtos. Em um contexto de incerteza sobre a direção da curva de juros, o Tesouro Selic continua sendo a porta de entrada mais estável para quem prioriza preservação de capital e liquidez.

Tesouro IPCA+ protege o poder de compra, mas oscila mais

Os títulos Tesouro IPCA+ seguem entre os mais cobiçados do momento porque combinam correção pela inflação com taxa real elevada. O papel com vencimento em 2029 paga perto de IPCA + 7,63%, enquanto títulos mais longos, como 2040 e 2050, giram ao redor de 7,11% e 6,92%, respectivamente.

O diferencial desses papéis é a proteção do poder de compra ao longo do tempo. Para investidores com horizonte mais longo, eles funcionam como instrumento de preservação patrimonial, especialmente em cenários de inflação persistente.

O ponto de atenção está na marcação a mercado. Títulos IPCA+ oscilam de forma relevante quando há mudança nas expectativas de juros e inflação. Isso significa que o investidor pode ver perdas temporárias no extrato caso precise vender antes do vencimento. Por essa razão, o produto costuma ser mais indicado para quem tem objetivo definido e capacidade de manter a aplicação até o fim do prazo.

Nos papéis com juros semestrais, como o Tesouro IPCA+ 2035, a taxa ao redor de IPCA + 7,48% também chama atenção. Esse tipo de título é mais adequado para quem busca fluxo periódico de renda, embora a sensibilidade às oscilações de mercado permaneça elevada.

Tesouro RendA+ e Educa+ ganham espaço nos objetivos de longo prazo

Os títulos voltados a objetivos específicos também seguem oferecendo taxas elevadas. No Tesouro RendA+, voltado à aposentadoria, a curva longa aparece relativamente estável. As taxas partem de IPCA + 7,21% em 2049 e recuam gradualmente até cerca de 6,95% nos vencimentos mais longos, como 2084.

Esse comportamento sugere expectativa de inflação mais ancorada no longo prazo, ainda que com juros reais elevados. O produto ganha relevância para investidores que desejam construir renda futura programada, sem abrir mão de proteção inflacionária.

No Tesouro Educa+, a lógica é semelhante. Os vencimentos mais curtos aparecem com taxas mais atrativas, como IPCA + 7,95% em 2030 e IPCA + 7,75% em 2031. Ao longo da curva, há leve redução até a faixa de IPCA + 7,02% em 2046.

Esses títulos reforçam uma tendência do Tesouro Direto de associar prazos e objetivos específicos, o que pode facilitar o planejamento de longo prazo do investidor. Ainda assim, o risco de oscilação permanece, sobretudo para aplicações marcadas a mercado antes do vencimento.

Qual título rende mais depende do objetivo do investidor

A pergunta sobre qual título rende mais não tem resposta única. Em termos nominais, os prefixados e alguns papéis atrelados ao IPCA concentram hoje os maiores prêmios da curva. Para quem busca travar uma taxa elevada e pode carregar até o vencimento, esses títulos tendem a oferecer o melhor retorno potencial.

Se o objetivo é proteger o poder de compra, o Tesouro IPCA+ leva vantagem. Em um país com histórico de inflação resistente, garantir juros reais acima de 7% ao ano é um diferencial relevante. Para planos de longo prazo, esse tipo de papel costuma ser o mais eficiente.

Já para quem prioriza liquidez, estabilidade e menor risco de oscilação, o Tesouro Selic segue como a opção mais adequada. Seu retorno adicional é menor, mas o título cumpre a função de reserva com menor volatilidade.

Nos produtos de objetivo específico, como RendA+ e Educa+, o melhor rendimento precisa ser analisado em conjunto com a função do papel. Eles não disputam apenas taxa, mas adequação ao prazo e ao uso final do recurso.

Marcação a mercado segue como principal risco do investidor

O ambiente atual do Tesouro Direto oferece retornos elevados, mas a marcação a mercado continua sendo o principal risco para quem entra nos títulos mais longos sem horizonte compatível. Quando as taxas sobem, o preço do título cai. Quando as taxas caem, o preço sobe. Essa relação afeta especialmente os prefixados e os indexados ao IPCA com vencimentos mais distantes.

Por isso, o investidor que trava uma taxa alta hoje pode ter excelente retorno no vencimento, mas verá oscilações relevantes no caminho. Em momentos de estresse fiscal, surpresa inflacionária ou piora do ambiente externo, essas oscilações podem se intensificar.

A leitura para o investidor é objetiva: o carrego continua alto e os prêmios seguem historicamente elevados, mas a escolha do título precisa ser compatível com o prazo da necessidade do dinheiro. Títulos mais rentáveis no papel podem não ser os mais adequados para quem não pode conviver com volatilidade.

Juros elevados mantêm Tesouro Direto no radar do investidor

O quadro atual do Tesouro Direto mostra uma renda fixa pública ainda bastante atraente. Juros reais elevados, curva levemente inclinada e prêmios mais fortes nos vencimentos intermediários mantêm os títulos públicos no centro da estratégia de muitos investidores.

Ao mesmo tempo, o cenário exige seletividade. A atratividade não se resume à taxa anunciada. Ela depende do objetivo, do prazo, da tolerância a risco e da leitura sobre inflação, política monetária, ambiente externo e contas públicas.

Para o investidor conservador, o Tesouro Selic continua sendo o instrumento de estabilidade. Para quem busca ganho real e horizonte longo, o Tesouro IPCA+ ainda se destaca. Para quem quer travar retorno nominal elevado, os prefixados seguem relevantes. Em todos os casos, o Tesouro Direto permanece competitivo, mas a decisão de investimento exige disciplina e alinhamento entre rentabilidade e necessidade de liquidez.

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A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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