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TJ-SP condena influenciador a indenizar Kim Kataguiri em R$ 20 mil por ofensas nas redes

Decisão da 4ª Câmara de Direito Privado mantém indenização por danos morais e reforça limites da liberdade de expressão na internet

por Júlia Campos
11/02/2026 às 14h38
em Política
Decisão Da 4ª Câmara De Direito Privado Mantém Indenização Por Danos Morais E Reforça Limites Da Liberdade De Expressão Na Internet - Gazeta Mercantil

Reprodução

TJ-SP condena influenciador a pagar R$ 20 mil a Kim Kataguiri por ofensas nas redes sociais

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu manter a condenação do influenciador Thiago dos Reis Pereira dos Santos ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais ao deputado federal Kim Kataguiri (União-SP). A decisão, que ganhou ampla repercussão no meio jurídico e político, consolida entendimento de que a liberdade de expressão encontra limites quando há violação à honra, à imagem e à dignidade da pessoa humana.

O caso ganhou destaque após o colegiado da 4ª Câmara de Direito Privado confirmar a sentença de primeira instância, que já havia reconhecido o caráter ofensivo das manifestações feitas nas redes sociais. O julgamento reforça um debate recorrente no Brasil contemporâneo: até onde vai a liberdade de expressão nas plataformas digitais?

Leia também: Lira cria grupo de trabalho para discutir projeto sobre regulamentação das redes e combate a ‘fake news’.

Ao analisar o recurso da defesa, os magistrados entenderam que houve excesso nas publicações, afastando o argumento de que as manifestações estariam protegidas pelo exercício regular da liberdade de expressão. A decisão também majorou os honorários advocatícios para 12% sobre o valor da condenação.

TJ-SP condena influenciador e mantém indenização por danos morais

A expressão TJ-SP condena influenciador passou a figurar entre os temas mais buscados após a confirmação da sentença que impôs a indenização de R$ 20 mil a Kim Kataguiri. O deputado acionou a Justiça depois de ser alvo de publicações em que foi chamado de “lixo humano”, “neonazista” e “Katabosta”.

Leia também: Prisão de Bolsonaro domina redes e acirra polarização, diz Quaest.

Para o colegiado, as expressões ultrapassaram os limites do debate político legítimo. A relatora do caso, desembargadora Fátima Cristina Ruppert Mazzo, destacou que a liberdade de expressão não possui caráter absoluto e deve ser compatibilizada com outros direitos fundamentais previstos na Constituição.

Segundo a magistrada, críticas são legítimas e necessárias à democracia, especialmente quando dirigidas a agentes públicos. No entanto, o uso de termos pejorativos e ofensivos, sem conteúdo informativo ou crítico consistente, descaracteriza o debate e configura abuso de direito.

Leia também: FIIs ganham força nas redes sociais e menções a fundos crescem 170%, diz Anbima.

A decisão que confirma que o TJ-SP condena influenciador estabelece um precedente relevante sobre a responsabilização civil por manifestações feitas em ambiente digital.

Liberdade de expressão e seus limites constitucionais

Um dos pontos centrais do julgamento foi a delimitação entre crítica política e ofensa pessoal. O entendimento firmado pelo TJ-SP reforça que a liberdade de expressão é um dos pilares da democracia, mas não autoriza ataques à honra e à imagem.

Na fundamentação do voto, a relatora ressaltou que o ordenamento jurídico brasileiro assegura ampla liberdade de manifestação, mas impõe limites quando há violação a direitos da personalidade. A dignidade da pessoa humana, princípio estruturante da Constituição, foi destacada como parâmetro interpretativo.

Ao afirmar que o TJ-SP condena influenciador por conteúdo ofensivo, o tribunal reforça a necessidade de responsabilidade nas interações digitais, especialmente quando se trata de figuras públicas, cujo debate deve ocorrer em patamar elevado e respeitoso.

A magistrada também rejeitou o argumento de que o uso de expressões agressivas seria comum na internet ou que o próprio parlamentar já teria utilizado linguagem contundente em outros contextos. Para o colegiado, tal circunstância não afasta o caráter ilícito da conduta.

Decisão colegiada reforça caráter pedagógico da indenização

Outro aspecto relevante no julgamento em que o TJ-SP condena influenciador diz respeito à fixação do valor da indenização. A Câmara entendeu que os R$ 20 mil atendem aos critérios de proporcionalidade e razoabilidade.

Segundo os desembargadores, a quantia cumpre dupla função: compensar o dano moral sofrido e exercer caráter pedagógico, desestimulando condutas semelhantes. A responsabilização civil, nesse contexto, é vista como instrumento de equilíbrio entre liberdade e responsabilidade.

Especialistas em direito digital avaliam que decisões como essa contribuem para consolidar parâmetros mais claros sobre a atuação de influenciadores nas redes sociais. Com grande alcance e capacidade de mobilização, esses agentes digitais exercem papel relevante no debate público e, por isso, devem observar limites jurídicos.

A manutenção da sentença evidencia que o entendimento de que o TJ-SP condena influenciador não se baseia em censura prévia, mas em responsabilização posterior por abuso comprovado.

Impactos políticos e jurídicos do caso

A repercussão do julgamento ultrapassa o campo jurídico e alcança o cenário político nacional. Kim Kataguiri, deputado federal pelo União-SP, é figura de projeção nacional e frequentemente participa de debates intensos nas redes sociais.

Ao confirmar que o TJ-SP condena influenciador, o tribunal envia sinal claro de que o ambiente digital não está à margem da legislação civil. A responsabilização por danos morais segue os mesmos critérios aplicáveis a manifestações em outros meios.

Para analistas, o caso reforça tendência de maior judicialização de conflitos originados em plataformas digitais. A expansão das redes sociais como principal arena de debate político aumentou exponencialmente o número de disputas envolvendo honra e imagem.

O julgamento também contribui para o amadurecimento da jurisprudência brasileira sobre liberdade de expressão na internet, um dos temas mais sensíveis do direito contemporâneo.

Precedente relevante para influenciadores e criadores de conteúdo

O fato de que o TJ-SP condena influenciador em decisão colegiada fortalece a segurança jurídica em casos semelhantes. Influenciadores digitais, que muitas vezes atuam como formadores de opinião, devem redobrar atenção quanto ao conteúdo publicado.

A distinção entre crítica contundente e ataque pessoal é determinante para a análise judicial. Quando há imputação ofensiva sem base factual ou argumentativa consistente, a Justiça tende a reconhecer o dano moral.

O acórdão reafirma que figuras públicas estão sujeitas a críticas mais intensas, mas não perdem o direito à proteção contra ofensas gratuitas. O equilíbrio entre liberdade e responsabilidade é o eixo central da decisão.

Ao manter a condenação, o TJ-SP demonstra alinhamento com entendimento consolidado nos tribunais superiores de que a liberdade de expressão deve coexistir harmonicamente com outros direitos fundamentais.

Honorários majorados e possibilidade de recurso

Além de manter a indenização, o colegiado decidiu majorar os honorários advocatícios para 12% sobre o valor da condenação. Ainda cabe recurso às instâncias superiores, o que significa que o caso pode chegar ao STJ ou ao STF, caso sejam preenchidos os requisitos legais.

Mesmo assim, o fato de que o TJ-SP condena influenciador em segunda instância já representa forte indicativo da robustez do entendimento firmado.

Para o meio jurídico, decisões dessa natureza contribuem para estabelecer balizas claras no ambiente digital, evitando tanto abusos quanto interpretações que possam restringir indevidamente o debate público.

Ambiente digital sob escrutínio judicial crescente

O caso em que o TJ-SP condena influenciador ocorre em um momento de intensificação das discussões sobre regulação das redes sociais no Brasil. O Poder Judiciário tem sido chamado a decidir, cada vez mais, sobre conflitos decorrentes de manifestações online.

A expansão do alcance das plataformas ampliou o potencial de dano à reputação. Publicações com teor ofensivo podem atingir milhares de pessoas em poucos minutos, potencializando prejuízos à honra.

Nesse contexto, o Judiciário tem buscado equilibrar a proteção à liberdade de expressão com a necessidade de preservar direitos individuais. O entendimento consolidado neste julgamento sinaliza que ataques pessoais travestidos de opinião não encontram guarida no ordenamento jurídico.

Judiciário delimita fronteiras do debate público nas redes

Ao manter a condenação e reafirmar os fundamentos constitucionais da decisão, o tribunal estabelece marco relevante na consolidação da responsabilidade civil digital. O entendimento de que o TJ-SP condena influenciador por extrapolar os limites do debate público reforça a mensagem de que o ambiente virtual não é território sem lei.

A decisão sublinha que críticas são legítimas e necessárias, mas devem ser pautadas por respeito e responsabilidade. Em tempos de polarização política intensa, o julgamento sinaliza que o debate democrático exige firmeza argumentativa, e não agressões pessoais.

O caso permanece passível de novos desdobramentos judiciais, mas já se consolida como referência no debate sobre liberdade de expressão, danos morais e atuação de influenciadores no cenário político brasileiro.

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