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Tok&Stok fecha lojas e faz liquidação com descontos de até 70%

Rede reduz presença física em meio à recuperação judicial da controladora, que declarou dívida superior a R$ 1 bilhão e tenta reorganizar a operação

por Ana Luiza Farias
21/05/2026 às 17h00
em Empresas
Tok&Amp;Stok - Gazeta Mercantil

A Tok&Stok iniciou uma nova etapa de fechamento de lojas no país e passou a oferecer descontos de até 70% para liquidar estoques em unidades que estão sendo encerradas, em meio à recuperação judicial do Grupo Toky, controlador da varejista e da Mobly (MBLY3). A medida ocorre após a companhia declarar dívida superior a R$ 1 bilhão e buscar na Justiça proteção para renegociar obrigações financeiras, preservar a operação e reduzir custos em um dos momentos mais delicados de sua trajetória.

Em São Paulo, a loja da Tok&Stok no D&D Shopping, na zona sul da capital paulista, está entre as unidades em processo de encerramento. A operação deve fechar as portas neste sábado, 23 de maio. Para acelerar a venda dos produtos remanescentes, a rede passou a oferecer abatimentos de 50% a 70% em móveis, mesas, cadeiras, estantes, itens de decoração e utilidades para casa.

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A liquidação atraiu consumidores às lojas em busca de produtos com preços reduzidos. Em algumas unidades, parte das peças expostas já foi vendida e aguarda entrega aos clientes. Funcionários relatam que a forte procura pode antecipar o fechamento de determinadas operações, dependendo da velocidade de saída dos estoques.

Tok&Stok reduz lojas em meio à crise financeira

O fechamento de unidades faz parte do processo de reorganização da Tok&Stok, que enfrenta aumento do endividamento, queda de demanda, pressão de custos e dificuldades operacionais no varejo de móveis e decoração.

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Além da loja no D&D Shopping, a Tok&Stok encerrou neste mês unidades no bairro da Pompeia e no Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista. A operação da Paulista funcionava em modelo menor, dentro de uma estratégia que buscava adaptar a rede a formatos mais compactos.

Na Bahia, a loja da Tok&Stok no Salvador Shopping também foi fechada. A unidade encerrou as atividades em 16 de maio. Inaugurada em 2021, a operação marcou a chegada de um novo conceito da marca à capital baiana, com foco em experiência, integração de ambientes e curadoria de móveis e itens de decoração.

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A redução da estrutura física não é nova. Em 2023, a varejista já havia fechado sete lojas em diferentes estados, incluindo São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará, Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal. Na época, a companhia havia contratado a consultoria Alvarez & Marsal para auxiliar na reestruturação de uma dívida estimada em cerca de R$ 600 milhões.

Recuperação judicial não significa falência

A recuperação judicial do Grupo Toky não representa falência, mas indica que a empresa busca proteção legal para reorganizar suas dívidas e manter a atividade operacional. O mecanismo permite suspender temporariamente cobranças e execuções enquanto a companhia negocia com credores e apresenta um plano de reestruturação.

Em geral, empresas em recuperação judicial precisam propor medidas como alongamento de prazos, renegociação de pagamentos, venda de ativos, revisão de contratos e fechamento de unidades consideradas menos rentáveis.

No caso da Tok&Stok, o pedido expõe a deterioração financeira de uma companhia que já vinha tentando se ajustar há anos. A rede enfrentou mudanças de controle, disputas entre investidores, integração difícil com a Mobly (MBLY3) e um ambiente econômico desfavorável para o setor de móveis.

A controladora informou dívida superior a R$ 1 bilhão. A partir da recuperação judicial, a empresa tentará negociar com credores para preservar as operações consideradas estratégicas e evitar uma interrupção mais ampla do negócio.

Juros altos afetaram consumo de móveis e decoração

A crise da Tok&Stok também reflete a pressão sobre o varejo de bens duráveis. O setor de móveis e decoração depende diretamente da renda disponível das famílias, do crédito e da confiança do consumidor.

Com juros elevados, crédito mais caro e maior comprometimento da renda, compras de maior valor tendem a ser adiadas. Sofás, mesas, armários, estantes e itens de decoração entram justamente na categoria de bens que o consumidor costuma postergar em períodos de aperto financeiro.

A pandemia impulsionou temporariamente o setor. Com mais pessoas dentro de casa, houve aumento da demanda por móveis, reformas e itens de conforto doméstico. Muitas empresas ampliaram estruturas, estoques e operações apostando na continuidade desse ritmo.

O cenário mudou com a reabertura da economia. Parte do consumo migrou novamente para viagens, lazer, serviços e experiências fora de casa. Ao mesmo tempo, inflação e juros altos reduziram o poder de compra das famílias, pressionando empresas que haviam expandido custos em um momento de demanda excepcional.

Logística pesa sobre operação da Tok&Stok

O segmento de móveis tem uma complexidade operacional maior que outras áreas do varejo. Produtos como sofás, armários, mesas e cadeiras exigem grande área de armazenagem, transporte especializado e entregas mais caras.

Quando as vendas desaceleram, esses custos permanecem elevados. Aluguéis, centros de distribuição, frete, montagem, manutenção de estoque e operação de lojas continuam pressionando o caixa da companhia.

Nos últimos anos, redes do setor passaram a adotar modelos híbridos, com lojas funcionando como showrooms e parte relevante do estoque concentrada em centros de distribuição. A estratégia pode reduzir a necessidade de grandes estoques nas unidades, mas aumenta a dependência de uma logística eficiente.

Em empresas em recuperação judicial, esse ponto se torna ainda mais sensível. Fornecedores podem restringir entregas, exigir pagamento antecipado ou reduzir prazos. Quando isso ocorre, a reposição de produtos fica mais difícil e a operação de lojas físicas pode ser rapidamente afetada.

Liquidação busca gerar caixa no curto prazo

A liquidação com descontos de até 70% tem função estratégica na reorganização da Tok&Stok. Ao vender rapidamente produtos remanescentes, a empresa reduz estoques, libera espaço, diminui custos de transferência e gera caixa no curto prazo.

Em lojas que serão fechadas, a venda acelerada evita a necessidade de deslocar mercadorias para outras unidades ou centros de distribuição. Esse tipo de operação costuma ser comum em processos de reestruturação, principalmente quando a empresa precisa reduzir despesas com aluguel, equipe, logística e manutenção.

Para consumidores, os descontos podem representar oportunidade de compra. No entanto, o contexto exige atenção. Produtos de mostruário devem ser verificados com cuidado, especialmente em relação a avarias, política de troca, garantia e condições de entrega.

Também é importante confirmar se o item está disponível para retirada imediata ou se dependerá de envio posterior. Em uma empresa em recuperação judicial, atrasos e dificuldades de atendimento podem se tornar mais frequentes, sobretudo em unidades que estão sendo encerradas.

Consumidores devem acompanhar pedidos e guardar comprovantes

Consumidores que têm compras pendentes na Tok&Stok devem acompanhar o andamento dos pedidos e guardar todos os comprovantes de pagamento, notas fiscais, protocolos de atendimento, e-mails e registros de conversas com a empresa.

Em recuperação judicial, clientes que pagaram por produtos ainda não entregues ou aguardam reembolso podem, dependendo da situação, ser tratados como credores da companhia. Por isso, a documentação é essencial para eventual cobrança, contestação ou habilitação de crédito.

A empresa pode continuar vendendo e entregando produtos durante o processo. A recuperação judicial, por si só, não impede a continuidade da operação. O risco, porém, está na capacidade de manter fornecedores, estoques, logística e atendimento ao consumidor em funcionamento regular.

Para quem pretende comprar durante a liquidação, a recomendação é verificar prazos, condições de entrega, política de troca e disponibilidade real do produto antes de concluir a compra.

Crise reforça pressão no varejo brasileiro

A situação da Tok&Stok ocorre em um momento de maior seletividade no varejo brasileiro. Companhias com alto endividamento, margens pressionadas e dependência de crédito enfrentam mais dificuldade para atravessar períodos longos de juros elevados.

No setor de móveis e decoração, a pressão é maior porque a compra depende de planejamento familiar, renda disponível e acesso a parcelamento. Quando a economia aperta, esse tipo de consumo perde prioridade.

A Tok&Stok foi durante décadas uma das marcas mais reconhecidas do varejo de móveis e design no Brasil. A rede construiu presença em grandes centros urbanos e se posicionou como referência em decoração, ambientes planejados e itens de casa.

Agora, a companhia tenta ajustar esse modelo a uma realidade mais restrita. A redução de lojas indica uma tentativa de preservar unidades consideradas mais eficientes, diminuir custos fixos e reorganizar a operação em torno de uma estrutura menor.

Plano de recuperação definirá futuro da rede

O futuro da Tok&Stok dependerá do plano de recuperação judicial que será apresentado aos credores e da capacidade da empresa de manter a operação durante a renegociação da dívida.

O plano deverá indicar como a controladora pretende pagar credores, quais ativos podem ser vendidos, quais contratos serão renegociados e qual será o tamanho da rede após o processo de reestruturação.

Enquanto isso, o fechamento de lojas torna a crise mais visível para consumidores. Em algumas unidades, a operação ainda segue normalmente. Em outras, prateleiras vazias, placas de promoção e descontos agressivos indicam o encerramento de um ciclo.

A Tok&Stok entra, assim, em uma fase decisiva: precisa preservar a força da marca, manter a confiança de consumidores e fornecedores e reduzir uma estrutura que se tornou pesada diante da queda de demanda e do custo elevado do crédito no Brasil.

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