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Vale-refeição poderá funcionar em qualquer maquininha até novembro

Nova fase das regras do PAT abre caminho para interoperabilidade entre cartões, maquininhas e estabelecimentos, com impacto para 22 milhões de trabalhadores

por Daniel Wicker - Repórter
12/05/2026 às 18h57 - Atualizado em 14/05/2026 às 22h09
em Trabalho, Destaque, Notícias
Vale-Refeição Poderá Funcionar Em Qualquer Maquininha Até Novembro - Gazeta Mercantil

As novas regras do vale-refeição e do vale-alimentação avançaram nesta segunda-feira (11) com a abertura dos chamados arranjos de pagamento no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). A medida inicia a etapa de transição para que cartões de benefícios possam ser aceitos em diferentes maquininhas, independentemente da empresa emissora ou da rede utilizada pelo estabelecimento comercial. A interoperabilidade plena do sistema está prevista para novembro de 2026.

A mudança faz parte do Decreto nº 12.712/2025, que modernizou as regras do PAT, estabeleceu limites para taxas cobradas nas transações e definiu um cronograma de adaptação para operadoras, credenciadoras, empresas e estabelecimentos. O objetivo do governo é ampliar a concorrência no setor, reduzir custos operacionais e facilitar o uso dos benefícios por cerca de 22 milhões de trabalhadores.

Na prática, o trabalhador que recebe vale-refeição ou vale-alimentação deverá ter mais liberdade para utilizar o cartão em restaurantes, supermercados, padarias, mercados de bairro e outros estabelecimentos habilitados. A transição busca encerrar gradualmente o modelo em que determinadas bandeiras só eram aceitas em redes credenciadas específicas.

A mudança também afeta diretamente o mercado de benefícios corporativos. Empresas emissoras, credenciadoras, adquirentes, restaurantes e supermercados terão de adaptar sistemas, contratos e processos para permitir a aceitação cruzada dos cartões. A abertura dos arranjos é a etapa técnica necessária para que a interoperabilidade funcione de forma ampla até o fim do cronograma.

Como funcionava o vale-refeição antes da mudança

Até agora, o mercado de vale-refeição e vale-alimentação operava com forte integração vertical. Em muitos casos, a mesma empresa que emitia o cartão também controlava parte relevante da rede de aceitação, o credenciamento dos estabelecimentos e a tecnologia necessária para processar as transações.

Esse modelo fazia com que restaurantes e supermercados precisassem manter contratos específicos com diferentes operadoras para aceitar cartões de benefícios. Quando o estabelecimento não tinha acordo com uma determinada bandeira, o trabalhador não conseguia usar o cartão naquele local.

A consequência era uma rede de aceitação fragmentada. Um cartão podia funcionar em uma padaria, mas ser recusado em outro estabelecimento da mesma rua. Para o consumidor, isso gerava insegurança no momento da compra. Para o comerciante, significava maior custo de credenciamento, mais burocracia e dependência de múltiplas operadoras.

Com a abertura dos arranjos de pagamento, o sistema passa a se aproximar da lógica dos cartões tradicionais, em que emissão, credenciamento, bandeira e processamento podem ser exercidos por diferentes participantes. Essa separação tende a ampliar a concorrência e reduzir barreiras de entrada para estabelecimentos menores.

Cartões devem passar em qualquer maquininha habilitada

A principal mudança para o trabalhador será a possibilidade de usar o vale-refeição e o vale-alimentação em qualquer maquininha habilitada, desde que o estabelecimento esteja autorizado a vender produtos ou serviços compatíveis com o benefício.

No caso do vale-refeição, o uso permanece vinculado a restaurantes, lanchonetes, padarias e locais que fornecem refeições prontas. No caso do vale-alimentação, o benefício continua destinado à compra de alimentos em supermercados, mercados, mercearias e estabelecimentos semelhantes.

A nova regra não transforma vale-refeição em dinheiro, nem autoriza uso fora das finalidades do PAT. A mudança está na forma de aceitação do pagamento, e não na destinação do benefício.

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, a abertura dos arranjos permite que, na próxima fase, os cartões possam funcionar em qualquer maquininha habilitada, independentemente da bandeira ou da empresa emissora. A interoperabilidade total deverá ocorrer até novembro de 2026.

Para o trabalhador, o efeito esperado é maior conveniência. A recusa por falta de credenciamento específico deve diminuir à medida que os sistemas forem integrados. Para pequenos comércios, a mudança pode ampliar o acesso a consumidores que antes só compravam em locais credenciados por sua operadora.

Decreto limita taxas e prazo de repasse

Além da interoperabilidade, o Decreto nº 12.712/2025 estabeleceu limites para custos cobrados no setor. O material de perguntas e respostas do Ministério do Trabalho informa que a taxa máxima paga pelo estabelecimento à credenciadora, conhecida como MDR, será de até 3,6%. A tarifa de intercâmbio ficará limitada a 2%, já incluída no teto de 3,6%, e ficam proibidas taxas adicionais.

Outra mudança relevante está no prazo de repasse dos valores aos estabelecimentos comerciais. Os pagamentos deverão ser feitos em até 15 dias corridos após a transação, reduzindo o prazo médio anterior, que podia chegar a 30 dias.

Essas regras têm impacto direto sobre restaurantes, supermercados e pequenos varejos. Taxas elevadas e prazos longos de recebimento eram apontados como entraves para a aceitação de cartões de benefícios, especialmente por estabelecimentos de menor porte.

Com custos limitados e prazo de pagamento menor, a expectativa é que mais estabelecimentos passem a aceitar vale-refeição e vale-alimentação. Isso pode aumentar a capilaridade do sistema e reduzir a concentração da rede de aceitação em grandes redes comerciais.

Cronograma prevê interoperabilidade total em novembro

A implantação das novas regras ocorre em fases. A etapa iniciada em 11 de maio envolve a abertura dos arranjos com mais de 500 mil trabalhadores. Essa fase exige que operadoras adaptem sistemas para permitir maior integração entre participantes do mercado.

O prazo final para interoperabilidade plena é novembro de 2026. Até lá, o sistema deve permitir aceitação cruzada entre bandeiras e redes, tornando possível o uso dos cartões em qualquer maquininha habilitada.

A implementação gradual foi adotada porque a mudança exige adequações tecnológicas, comerciais e contratuais. Operadoras de benefícios, credenciadoras, empresas contratantes e estabelecimentos terão de revisar fluxos de pagamento, sistemas de autorização, liquidação financeira e regras de aceitação.

No curto prazo, o trabalhador ainda pode encontrar recusas em determinados locais. A promessa de aceitação ampla depende da conclusão das etapas técnicas previstas no cronograma. Por isso, a mudança será percebida de forma progressiva, e não necessariamente imediata em todos os estabelecimentos.

Restaurantes e supermercados podem ganhar poder de negociação

A abertura dos arranjos tende a alterar a dinâmica competitiva do setor. Com maior interoperabilidade, restaurantes, supermercados e pequenos varejistas podem reduzir a dependência de contratos exclusivos com determinadas operadoras.

Hoje, parte dos estabelecimentos aceita cartões de benefícios porque precisa atender trabalhadores de empresas próximas. Em muitos casos, isso ocorre mesmo diante de taxas consideradas elevadas ou prazos de repasse pouco favoráveis.

Com a nova regra, o estabelecimento poderá operar com mais flexibilidade, usando maquininhas habilitadas e sistemas integrados. A tendência é que a concorrência entre credenciadoras e operadoras aumente, pressionando custos para baixo.

Para pequenos negócios, a mudança pode ser especialmente relevante. Padarias, mercearias, restaurantes familiares e mercados de bairro costumam ter menor capacidade de negociação com grandes operadoras. A interoperabilidade pode facilitar a entrada desses estabelecimentos na rede de aceitação.

O efeito, porém, dependerá da execução. Se a adaptação tecnológica for lenta ou se surgirem novos custos indiretos, parte dos ganhos esperados pode demorar a chegar ao comerciante.

Operadoras terão de adaptar modelo de negócios

As empresas de benefícios também serão impactadas. O modelo de operação exclusiva, no qual uma mesma companhia controlava emissão, rede de aceitação e relacionamento com estabelecimentos, tende a perder força.

Com a separação de funções, as operadoras terão de competir mais por qualidade de serviço, tecnologia, atendimento, custo e relacionamento com empresas contratantes. A exclusividade da rede deixa de ser o principal diferencial.

Esse movimento pode reduzir margens de algumas empresas do setor, sobretudo aquelas que dependiam de taxas mais altas e de redes fechadas para sustentar rentabilidade. Ao mesmo tempo, pode abrir espaço para novos participantes e soluções mais eficientes.

A competição também pode se deslocar para serviços agregados. Gestão de benefícios, aplicativos, controle de saldo, integração com folha de pagamento, relatórios corporativos e programas de bem-estar podem ganhar peso na disputa por clientes empresariais.

Para empresas contratantes, a mudança pode gerar mais opções na hora de escolher fornecedores de vale-refeição e vale-alimentação. A aceitação mais ampla reduz o risco de contratar uma operadora que não funcione bem na rotina dos trabalhadores.

PAT mantém finalidade alimentar do benefício

Apesar da mudança operacional, o PAT mantém sua finalidade original: estimular a alimentação adequada dos trabalhadores. O programa não foi criado como complemento salarial livre, mas como política de alimentação vinculada a incentivos e regras específicas.

Por isso, vale-refeição e vale-alimentação continuam tendo usos definidos. O vale-refeição deve ser destinado ao consumo de refeições prontas. O vale-alimentação deve ser usado na compra de gêneros alimentícios.

O decreto também reforça controles para evitar distorções no programa. A modernização do sistema de pagamentos não libera o uso dos cartões para produtos incompatíveis, saque em dinheiro ou finalidades alheias ao benefício.

Esse ponto é relevante porque a abertura das maquininhas pode gerar dúvidas entre consumidores e estabelecimentos. O fato de o cartão funcionar em uma rede mais ampla não significa que possa ser aceito para qualquer compra.

A fiscalização continuará sendo necessária para garantir que a interoperabilidade não descaracterize o programa. Operadoras, empresas e estabelecimentos seguem sujeitos às regras do PAT.

Mudança pode reduzir recusa de cartões no comércio

A recusa de cartões de vale-refeição e vale-alimentação é uma das principais reclamações dos trabalhadores. Em muitas cidades, o uso do benefício depende de uma combinação entre bandeira, maquininha, contrato do estabelecimento e tipo de produto vendido.

Esse problema é mais visível fora dos grandes centros comerciais. Em bairros periféricos, cidades menores e regiões com menor presença de grandes redes, a aceitação costuma ser mais limitada.

A interoperabilidade busca enfrentar exatamente essa restrição. Se qualquer maquininha habilitada puder processar diferentes cartões, o trabalhador terá mais opções de compra e poderá usar o benefício em estabelecimentos próximos de casa ou do trabalho.

Para o governo, isso amplia a efetividade do PAT. Um benefício alimentar que só funciona em parte reduzida do comércio perde capacidade de atender seu objetivo principal. Quanto maior a rede de aceitação, maior a utilidade prática para o trabalhador.

Ainda assim, a aceitação plena dependerá de adesão dos estabelecimentos e conformidade com as regras do programa. Comerciantes precisarão estar habilitados para vender alimentos ou refeições dentro das categorias permitidas.

Empresas devem acompanhar adaptação dos fornecedores

As empresas que oferecem vale-refeição e vale-alimentação aos empregados também terão papel importante na transição. Embora a adaptação técnica recaia principalmente sobre operadoras e credenciadoras, empregadores precisarão acompanhar se os benefícios contratados estão funcionando adequadamente.

A escolha de fornecedores pode passar a considerar novos critérios. Rede exclusiva de aceitação tende a perder peso, enquanto tecnologia, atendimento, custo, transparência e cumprimento regulatório ganham relevância.

Departamentos de recursos humanos deverão observar reclamações de trabalhadores, mudanças contratuais, comunicados das operadoras e eventuais ajustes no uso dos cartões. Em empresas com grande número de empregados, problemas de aceitação podem gerar impacto direto na rotina dos funcionários.

A transição também pode abrir espaço para renegociação de contratos. Com limites de taxas e maior concorrência, empresas podem buscar condições mais vantajosas ou fornecedores com maior capacidade de adaptação ao novo modelo.

O mercado corporativo de benefícios deve passar por uma fase de reorganização até novembro. A tendência é que operadoras se movimentem para preservar clientes empresariais e evitar perda de participação.

Nova fase pressiona mercado de benefícios no país

A abertura dos arranjos de pagamento marca uma das mudanças mais relevantes no mercado de vale-refeição e vale-alimentação dos últimos anos. O setor, que movimenta volumes expressivos em benefícios corporativos, passa a operar sob regras mais próximas das estruturas abertas de pagamento.

Para trabalhadores, a promessa é simples: usar o cartão com menos restrições. Para estabelecimentos, o objetivo é reduzir custos e ampliar poder de escolha. Para operadoras, a mudança representa maior pressão competitiva e necessidade de adaptação tecnológica.

O sucesso da medida dependerá da execução do cronograma, da fiscalização e da capacidade dos participantes de integrar seus sistemas sem criar novas barreiras. Até novembro de 2026, o mercado deverá testar se a interoperabilidade conseguirá transformar, de fato, a experiência de uso do vale-refeição e do vale-alimentação no país.

Tags: arranjos de pagamentobenefícios corporativos.Decreto 12.712maquininhasMinistério do TrabalhoPATPrograma de Alimentação do Trabalhadorrestaurantessupermercadostrabalhadorestrabalhovale-alimentaçãovale-refeição

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Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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