Eztec Quebra Recordes Históricos e Supera Desafios do Setor com Salto de 41% nas Vendas do 4º Trimestre
O mercado imobiliário brasileiro, sempre sensível às oscilações macroeconômicas e às diretrizes de crédito, encontrou na prévia operacional da Eztec (EZTC3) um sinal vigoroso de resiliência e competência estratégica. Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira, a companhia não apenas reportou números sólidos, mas desenhou um cenário de crescimento robusto que desafia a tendência mista observada entre seus pares de médio e alto padrão. A Eztec, consolidada como uma das incorporadoras mais capitalizadas e tradicionais do país, registrou um aumento expressivo de 41,4% nas vendas líquidas no quarto trimestre de 2025, totalizando R$ 557,4 milhões, em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Este desempenho não é um evento isolado, mas o coroamento de um ano histórico. A análise profunda dos dados operacionais da Eztec revela uma empresa que soube calibrar seus lançamentos, gerenciar seu estoque e navegar com precisão em um ambiente onde concorrentes diretos enfrentaram retrações significativas. Nesta análise detalhada, dissecaremos os números apresentados, o contexto setorial e o que esse movimento da Eztec sinaliza para investidores e para o futuro da construção civil no Brasil.
O Desempenho Trimestral da Eztec: Vendas e Lançamentos
O quarto trimestre costuma ser um período decisivo para o fechamento de metas anuais, e a Eztec utilizou esses últimos três meses de 2025 para acelerar sua operação de forma agressiva. O salto de 41,4% nas vendas líquidas é o dado que chama a atenção imediata do mercado, mas a métrica de lançamentos é o que sustenta a visão de longo prazo.
Os lançamentos da Eztec quase triplicaram no período, atingindo o montante de R$ 783 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV). Este movimento indica uma confiança da administração na capacidade de absorção do mercado, mesmo diante de juros que historicamente pressionam o financiamento imobiliário. Ao colocar quase R$ 800 milhões em novos produtos na praça em apenas um trimestre, a Eztec reafirma sua posição de liderança e sua capacidade de execução de obras e vendas simultâneas.
É fundamental observar que as vendas de lançamentos — ou seja, as unidades comercializadas logo após a abertura do estande — subiram 19% em relação ao terceiro trimestre e mais de três vezes ante o quarto trimestre de 2024, somando R$ 429,7 milhões. Isso demonstra que a equipe comercial da Eztec e sua estratégia de marketing foram assertivas, atingindo o público-alvo com o produto certo no momento certo.
2025: Um Ano de Recordes para a Eztec
Se o recorte trimestral é positivo, a visão anual é histórica. No acumulado de 2025, a Eztec registrou o maior volume de vendas de toda a sua trajetória corporativa. Foram R$ 2,2 bilhões em vendas brutas e R$ 1,9 bilhão em vendas líquidas. Para uma empresa com décadas de atuação, superar suas próprias marcas históricas em um cenário econômico desafiador é um atestado de solidez.
O relatório da companhia destaca que esse desempenho recorde foi impulsionado, primordialmente, pela assertividade nos lançamentos. No total do ano, os lançamentos da Eztec somaram R$ 1,2 bilhão, o que representa um avanço de 75,1% em relação a 2024. Esse crescimento de três quartos no volume lançado mostra que a empresa saiu de uma postura mais defensiva nos anos anteriores para uma postura de ataque e conquista de market share em 2025.
A capacidade da Eztec de transformar lançamentos em vendas efetivas (o índice VSO – Venda Sobre Oferta) é um dos indicadores mais monitorados por analistas de equity research. Com vendas líquidas acompanhando o ritmo dos lançamentos, a Eztec demonstra que não está apenas empilhando tijolos, mas gerando caixa e valor para o acionista.
Análise Setorial: Eztec vs. Concorrência
Para compreender a magnitude dos resultados da Eztec, é necessário olhar para o lado. A temporada de prévias operacionais trouxe uma dicotomia clara no setor de construção civil. De um lado, as empresas focadas no programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” (MCMV), como Tenda, Plano&Plano e Direcional, reportaram vendas fortes, impulsionadas pelos subsídios governamentais e pela demanda represada na base da pirâmide.
Do outro lado, o segmento de médio e alto padrão — o habitat natural da Eztec — apresentou resultados heterogêneos e, em alguns casos, preocupantes. Gigantes como a Cyrela amargaram uma queda de 33% nas vendas. A Lavvi, outra concorrente relevante, reportou uma baixa de 17%. Nesse cenário de retração para o segmento premium, o crescimento de 41,4% da Eztec soa ainda mais impressionante.
A pergunta que o mercado se faz é: por que a Eztec cresceu enquanto pares encolheram? A resposta reside, provavelmente, na escolha dos terrenos (landbank) e na tipologia dos projetos. A Eztec é conhecida por sua disciplina na aquisição de terrenos em localizações prime de São Paulo e pela conservação de margens. Enquanto outras incorporadoras podem ter errado a mão no pricing ou na localização, a Eztec manteve sua consistência, atraindo o comprador de alta renda que, mesmo com juros altos, possui liquidez para investir em imóveis de qualidade. A Helbor também apurou crescimento, mostrando que, embora o setor premium esteja difícil, ele não está morto para quem sabe operar com excelência.
Gestão de Estoque: O Tesouro da Eztec
Um ponto crucial na análise de qualquer incorporadora é o seu estoque. Imóvel parado gera custo de condomínio, IPTU e custo de oportunidade do capital. A Eztec encerrou 2025 com um estoque total avaliado em R$ 2,9 bilhões em VGV. A composição desse estoque, no entanto, merece uma lupa.
Segundo a companhia, 41% desse montante corresponde a empreendimentos prontos. À primeira vista, quase R$ 1,2 bilhão em unidades prontas poderia parecer um sinal de alerta de vendas lentas. Contudo, no modelo de negócios da Eztec, o estoque pronto é frequentemente tratado como um ativo de alta liquidez e margem. Unidades prontas podem ser vendidas sem o risco de obra para o cliente, muitas vezes com ágio em relação ao preço de lançamento.
Além disso, 28% do estoque refere-se a projetos em construção e 31% a edifícios em fase de lançamento. Essa distribuição equilibrada sugere que a Eztec tem um “pipeline” saudável de receitas futuras. O estoque de lançamentos (31%) é o combustível para as vendas dos próximos trimestres, enquanto o estoque pronto (41%) é a garantia de caixa imediato assim que a venda é concretizada e o financiamento (ou pagamento à vista) é realizado.
Distratos: O Fantasma Sob Controle
Um dos maiores temores do setor imobiliário, especialmente após a crise de 2015-2016, é o volume de distratos (cancelamentos de vendas). Quando um cliente desiste da compra, a incorporadora precisa devolver parte do valor e recolocar a unidade à venda, gerando custos operacionais e financeiros.
No quarto trimestre, os distratos apurados pela Eztec somaram R$ 92,6 milhões. Embora o valor absoluto seja relevante, a métrica mais importante é a relação distrato/venda bruta. A Eztec informou que essa relação recuou 0,2 ponto percentual em comparação ao mesmo período de 2024.
Essa queda no índice de distratos é uma excelente notícia para a governança da Eztec. Indica que a qualidade da venda melhorou, ou seja, a análise de crédito dos compradores está mais rigorosa e o cliente que assina o contrato tem maior capacidade de honrar o compromisso. Em um cenário de juros elevados, onde o financiamento bancário fica mais caro, a redução dos distratos é um sinal de saúde financeira da carteira de clientes da Eztec.
O Papel da Eztec na Bolsa de Valores (EZTC3)
Para o investidor da B3, os números da prévia operacional da Eztec renovam as teses de investimento no papel EZTC3. A empresa é historicamente reconhecida por ser uma boa pagadora de dividendos e por operar com baixo nível de alavancagem (dívida), muitas vezes mantendo uma posição de caixa líquido positiva.
O crescimento de vendas e lançamentos sugere que a receita da Eztec deve crescer nos próximos balanços contábeis, à medida que a evolução de obra (POC – Percentage of Completion) avança. Receita maior, combinada com margens controladas e distratos em queda, tende a resultar em lucro líquido robusto.
Diferente das empresas focadas no MCMV, que operam com margens mais apertadas e dependem de repasses do governo, a Eztec opera com margens brutas que costumam liderar o setor. O salto de vendas no 4º tri mostra que a demanda pelo produto Eztec continua aquecida, o que protege a margem da empresa contra a necessidade de dar descontos agressivos para desovar estoque.
Perspectivas para 2026: A Eztec Continua no Ataque?
Com um estoque de quase R$ 3 bilhões e vindo de um ano recorde, a Eztec entra em 2026 com o pé direito. O desafio agora será manter o ritmo de crescimento diante de um cenário macroeconômico que ainda exige cautela. A taxa Selic e a inflação da construção (INCC) serão variáveis determinantes para a velocidade de vendas dos estoques prontos da Eztec.
A estratégia da companhia de focar em localizações consolidadas em São Paulo e na Região Metropolitana parece ser o seu “fosso” competitivo. Enquanto outras empresas tentam diversificar geograficamente e acabam perdendo o controle de custos, a Eztec mantém o foco onde conhece o terreno — literal e figurativamente.
Além disso, a capacidade da Eztec de lançar quase R$ 800 milhões em um único trimestre mostra que seu banco de terrenos está ativo e pronto para ser monetizado. Se a economia brasileira der sinais de melhora no crédito imobiliário ao longo de 2026, a Eztec estará posicionada de forma privilegiada para capturar esse crescimento, dado que possui produto na prateleira (estoque pronto) e produto na vitrine (lançamentos).
Resiliência e Liderança
A prévia operacional da Eztec é, acima de tudo, uma demonstração de força. Em um trimestre onde gigantes tropeçaram, a Eztec correu. O crescimento de 41,4% nas vendas e a triplicação dos lançamentos não são obra do acaso, mas de uma gestão que combina prudência financeira com agressividade comercial nos momentos certos.
Para o mercado, a Eztec reafirma sua condição de top pick no setor de média e alta renda. A qualidade dos números apresentados mitiga os riscos associados ao setor de construção civil e coloca a empresa em uma trajetória ascendente de geração de valor. Resta agora aguardar a divulgação completa do balanço financeiro para verificar como esse volume de vendas operacional se traduzirá nas linhas de lucro líquido e Ebitda, mas a sinalização dada pela prévia é inegavelmente otimista. A Eztec provou, mais uma vez, que sabe construir resultados tão sólidos quanto seus edifícios.









