terça-feira, 2 de junho de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Home Brasil

Justiça suspende obras da ‘Times Square Paulistana’ e barra projeto no centro

Decisão liminar aponta potencial dano urbanístico, exige apresentação de documentos e impõe revés à estratégia de requalificação viária e publicitária da prefeitura.

por Daniel Wicker - Repórter
28/05/2026 às 10h07
em Brasil, Destaque, Notícias
Tomes Square `Paulistana - Gazeta Mercantil

A Justiça do Estado de São Paulo determinou, nesta quarta-feira (27), a suspensão imediata do projeto de requalificação urbana Boulevard São João, iniciativa da administração municipal amplamente conhecida como Times Square Paulistana. A decisão, proferida em caráter liminar pela juíza Celina Kiyomi Toyoshima, titular da 4ª Vara da Fazenda Pública, proíbe o início de qualquer obra, instalação de equipamentos ou intervenção viária no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, na região central da capital. A magistrada justificou a medida apontando a magnitude estrutural da proposta, o impacto direto na paisagem histórica da região e o potencial dano à população, acatando os argumentos apresentados em uma ação popular movida por especialistas em urbanismo e arquitetura.

A paralisação da Times Square Paulistana representa um freio institucional aos planos do Executivo municipal, que enxergava no empreendimento uma âncora para a revitalização econômica e turística do centro histórico. Pela determinação judicial, ficam suspensos não apenas os canteiros de obras, mas também todos os efeitos legais da deliberação recente da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) e a formalização do termo de cooperação assinado entre a Prefeitura de São Paulo e a iniciativa privada. A liminar tem caráter provisório e cabe recurso por parte da Procuradoria-Geral do Município.

Lei Cidade Limpa no centro do embate jurídico

O núcleo da disputa judicial em torno da Times Square Paulistana reside na flexibilização das regras de publicidade externa na capital. A ação popular que resultou no bloqueio do projeto foi encabeçada por Angelo Andrea Matarazzo e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SP), além de outros requerentes ligados à preservação do patrimônio. Os autores questionam a legalidade das exceções abertas pelo município para permitir a instalação de painéis luminosos de proporções gigantescas, prática severamente restringida desde 2007 pela Lei Cidade Limpa.

A CPPU, órgão colegiado responsável por zelar pela aplicação da referida lei e evitar a poluição visual, havia concedido a autorização preliminar para que a Times Square Paulistana saísse do papel. A juíza, contudo, entendeu que a aprovação carece de maior escrutínio técnico e transparência. A magistrada determinou que a Prefeitura de São Paulo e os demais réus no processo apresentem, no prazo legal, a ata completa da reunião da comissão que chancelou a Times Square Paulistana, a íntegra da minuta do termo de cooperação firmado com os empresários e todos os pareceres técnicos elaborados pela Secretaria Municipal de Urbanismo e pela São Paulo Urbanismo.

O escrutínio sobre a Times Square Paulistana reflete a tensão histórica entre o fomento à atividade econômica por meio da exploração publicitária e a defesa da integridade paisagística. Desde a implementação da Lei Cidade Limpa, a capital paulista adotou uma política de tolerância zero contra outdoors e empenas cegas iluminadas, o que torna a aprovação de uma intervenção nos moldes da Times Square Paulistana um precedente de alto impacto para o mercado de mídia exterior e para o ordenamento jurídico municipal.

A engenharia financeira e o modelo de negócios

Do ponto de vista econômico, a Times Square Paulistana foi estruturada como uma parceria público-privada baseada na monetização do espaço aéreo e das fachadas comerciais. O termo de cooperação, publicado no Diário Oficial do Município em 23 de abril, foi firmado entre a prefeitura e a Fábrica de Bares, grupo empresarial que administra estabelecimentos icônicos da região, como o Bar Brahma, o Riviera Bar e o Café Girondino. O acordo garante à iniciativa privada a gestão do espaço por um período inicial de três anos.

O projeto técnico da Times Square Paulistana prevê a instalação de quatro grandes painéis de LED afixados em edificações estratégicas no entorno do cruzamento histórico. As dimensões dos telões variam de 300 metros quadrados a 1.000 metros quadrados. O mapeamento inclui o Cine Paris República, que receberia um painel de 20 metros por 20 metros; a Galeria Sampa, com dimensões idênticas; o Edifício Herculano de Almeida, com um telão de 30 metros por 10 metros; e o Edifício New York, destinado a abrigar a maior estrutura da Times Square Paulistana, medindo 40 metros de largura por 25 metros de altura.

A sustentabilidade financeira da Times Square Paulistana depende da exploração comercial desses painéis. Pelo acordo suspenso pela Justiça, o conteúdo de patrocinadores e marcas anunciantes ocuparia 30% da grade de exibição diária. Os 70% restantes seriam obrigatoriamente destinados a intervenções de videoarte, campanhas de utilidade pública e informações institucionais. Em contrapartida pela exploração da publicidade, o consórcio liderado pela Fábrica de Bares assumiu o compromisso de investir um montante mínimo de R$ 2 milhões anuais em melhorias na infraestrutura e na zeladoria do Boulevard São João durante a vigência do contrato. O cronograma do grupo empresarial previa a conclusão das instalações da Times Square Paulistana entre os meses de agosto e setembro.

Alteração viária e os impactos no comércio local

O impacto da Times Square Paulistana transcende a poluição luminosa e atinge diretamente a mobilidade urbana do centro de São Paulo. Além da instalação dos mega telões, o projeto prevê o fechamento para o tráfego de veículos no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João aos finais de semana. A interdição ocorreria das 18h de sábado até as 23h de domingo, transformando o eixo viário em um calçadão temporário voltado para pedestres e consumidores.

A proposta de fechamento de vias, que agora encontra-se paralisada, espelha modelos já consolidados pelo poder público em outras áreas de alta densidade da cidade. O formato da Times Square Paulistana busca replicar a dinâmica observada na Avenida Paulista e nas ruas do bairro da Liberdade, que são bloqueadas para carros aos domingos e feriados, das 9h às 16h. No entanto, a aplicação dessa logística na região central exige um planejamento de tráfego complexo, dadas as rotas de transporte público que cruzam o Largo do Paiçandu e a Praça Julio Mesquita.

Para dinamizar o espaço aberto pelos bloqueios viários, a estruturação da Times Square Paulistana engloba a montagem de quatro pequenos palcos permanentes para apresentações artísticas regulares. O escopo aprovado pela prefeitura também abrange a realização de feiras gastronômicas e a programação de um evento público de grande porte a cada mês. Segundo a Secretaria Municipal das Subprefeituras, a viabilidade técnica dessas atividades de rua para a Times Square Paulistana ainda se encontrava na fase final de estudos antes da judicialização do caso.

Zeladoria urbana e a articulação da segurança pública

A justificativa central do poder público para encampar a Times Square Paulistana baseia-se na necessidade de reverter o esvaziamento econômico e a degradação social do centro histórico, especialmente no período noturno. A expectativa das autoridades e dos empresários do setor de serviços é que a forte iluminação e a agenda cultural induzam um aumento no fluxo de pedestres, aquecendo o faturamento de bares, restaurantes e hotéis do entorno, ao mesmo tempo em que inibem a criminalidade de oportunidade por meio da ocupação do espaço público.

As contrapartidas exigidas da iniciativa privada na Times Square Paulistana incluem intervenções definitivas no patrimônio histórico. O acordo estipula o custeio do restauro das fachadas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e da Estátua da Mãe Preta, ambas situadas no Largo do Paiçandu, além da recuperação do Relógio de Nichile, na Praça Antônio Prado. O pacote da Times Square Paulistana também abarca a instalação de novo mobiliário urbano, recomposição paisagística e a promoção de oficinas de zeladoria cultural.

O sucesso da Times Square Paulistana, contudo, dependia intrinsecamente de um forte aparato policial. Diante do histórico de insegurança na região, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entrou na articulação do projeto prometendo um incremento substancial no policiamento da área. O plano do governo estadual para viabilizar a Times Square Paulistana envolvia o aumento dos pontos de estacionamento de viaturas e patrulhamento intensivo com motocicletas, o que injetaria um contingente de 300 policiais militares a mais por dia no perímetro do Boulevard São João.

Exigência de transparência amplia cerco jurídico sobre a prefeitura

A decisão liminar expõe ruídos internos na aprovação da Times Square Paulistana, especialmente em relação ao horário de funcionamento dos equipamentos. Durante a tramitação no âmbito municipal, a CPPU estabeleceu uma cláusula restritiva determinando que os LEDs operassem exclusivamente das 5h às 23h. O desligamento durante a madrugada foi imposto para mitigar os impactos na segurança do trânsito — evitando o ofuscamento de motoristas — e para preservar o descanso dos moradores dos edifícios residenciais adjacentes à Times Square Paulistana. O prefeito Ricardo Nunes (MDB), no entanto, já havia manifestado publicamente a intenção de reverter a deliberação do conselho, defendendo o funcionamento ininterrupto dos painéis.

Com a interrupção imposta pela 4ª Vara da Fazenda Pública, o futuro da Times Square Paulistana passa a depender exclusivamente da esfera judicial. A determinação para que a administração apresente a totalidade dos estudos de impacto urbanístico e as atas das comissões transfere a pressão para os órgãos técnicos da prefeitura, que precisarão comprovar que o modelo de negócios da Times Square Paulistana não fere os princípios constitucionais de proteção à paisagem e ao bem-estar coletivo.

O desenrolar desta ação popular será acompanhado de perto pelo mercado publicitário, por fundos de investimento imobiliário com ativos no centro e por associações de moradores, uma vez que a jurisprudência formada em torno da Times Square Paulistana ditará os limites legais para futuras parcerias entre o capital privado e o município na reconfiguração visual da maior metrópole do país.

Tags: Boulevard São JoãoBrasilJustiçaLei Cidade Limpamercado publicitárioPrefeitura de São PauloRevitalização do CentroRicardo NunesTimes Square Paulistanaurbanismo

LEIA MAIS

Trump Reduz Tarifas Sobre Aço E Alumínio, Mas Mantém Pressão Sobre O Brasil - Gazeta Mercantil
Economia

Trump reduz tarifas sobre aço e alumínio, mas mantém pressão sobre o Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (1º) uma medida que reduz de 25% para 15% as tarifas aplicadas a determinados produtos importados derivados de...

Leia Maisdetalhes
Economia Da Usp Lança Campanha Para Financiar Intercâmbio E Idiomas Para Estudantes Negros - Gazeta Mercantil
Brasil

Economia da USP lança campanha para financiar intercâmbio e idiomas para estudantes negros

A Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo, a FEA-USP, lançou a segunda edição da campanha Mundo Sem Fronteiras, iniciativa voltada ao financiamento...

Leia Maisdetalhes
Unesp Terá R$ 27,4 Milhões Para Ampliar Atendimento À Fauna Silvestre Em Sp - Gazeta Mercantil
Brasil

Unesp terá R$ 27,4 milhões para ampliar atendimento à fauna silvestre em SP

A Unesp vai ampliar o atendimento e a reabilitação de animais silvestres no Estado de São Paulo com a reforma e adequação de estruturas nos câmpus de Botucatu...

Leia Maisdetalhes
Esalqshow - Gazeta Mercantil
Brasil

EsalqShow recebe 10 mil pessoas em Piracicaba e aproxima USP da comunidade

A 5ª edição do EsalqShow recebeu cerca de 10 mil pessoas nos dias 29 e 30 de maio, em Piracicaba, no interior de São Paulo, em uma ação...

Leia Maisdetalhes
Tarifa De 25% Dos Eua Contra O Brasil Mira Pix, Etanol, Lava Jato E Exportações - Gazeta Mercantil
Economia

Ameaça com tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil mira Pix, etanol, Lava Jato e exportações

O governo dos Estados Unidos avançou, nesta segunda-feira (1º), em Washington, com uma proposta de tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras, após concluir uma investigação...

Leia Maisdetalhes

Veja Também

Receita Federal (Foto De Marcelo Camargo, Abr)
Economia

Restituição do Imposto de Renda terá próximo lote pago em 30 de junho

Leia Maisdetalhes
Trump Publica Foto Com Flávio Bolsonaro Após Anúncio De Tarifa
Política

Trump publica foto com Flávio Bolsonaro após tarifa contra o Brasil

Leia Maisdetalhes
Bolsas Da Europa Sobem Com Impulso De Ia, E Milão Renova Máxima Histórica - Gazeta Mercantil
Mercados

Bolsas da Europa sobem com impulso de IA, e Milão renova máxima histórica

Leia Maisdetalhes
Cbs E Ibs: Os Novos Impostos Que Começam Em 2026 E Podem Mudar Preços No Brasil - Gazeta Mercantil
Economia

CBS e IBS: os novos impostos que começam em 2026 e podem mudar preços no Brasil

Leia Maisdetalhes
Petrobras (Petr4) Adere A Subsídio De R$ 1,12 Por Litro Para Diesel - Gazeta Mercantil
Economia

Petrobras (PETR4) adere a subsídio de R$ 1,12 por litro para diesel

Leia Maisdetalhes

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Restituição do Imposto de Renda terá próximo lote pago em 30 de junho

Trump publica foto com Flávio Bolsonaro após tarifa contra o Brasil

Bolsas da Europa sobem com impulso de IA, e Milão renova máxima histórica

CBS e IBS: os novos impostos que começam em 2026 e podem mudar preços no Brasil

Petrobras (PETR4) adere a subsídio de R$ 1,12 por litro para diesel

Trump reduz tarifas sobre aço e alumínio, mas mantém pressão sobre o Brasil

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com

Sem resultados
Todos os resultados
  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com