O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece competitivo nas simulações de segundo turno da eleição presidencial de 2026, mas perde margem de segurança quando enfrenta governadores da direita e do centro-direita, segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (1º). O levantamento mostra Lula à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), mas empatado com Ronaldo Caiado (PSD), governador de Goiás, e em empate técnico com Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre os dias 29 e 30 de maio, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
No cenário contra Flávio Bolsonaro, Lula registra 45% das intenções de voto, enquanto o senador aparece com 40%. Brancos e nulos somam 8%, e 7% dos entrevistados não souberam responder. A vantagem numérica do presidente é de cinco pontos percentuais, resultado que mantém Lula à frente do principal nome testado do campo bolsonarista, mas sinaliza uma disputa ainda apertada.
A situação muda nos confrontos contra Caiado e Zema. Contra o governador de Goiás, Lula aparece com 43%, mesmo percentual registrado por Caiado. O empate é numérico e técnico. Contra o governador de Minas Gerais, o presidente tem 43%, ante 40% de Zema. A diferença está dentro da margem de erro, o que também caracteriza empate técnico.
Governadores reduzem espaço de vantagem de Lula
Os dados da Real Time Big Data indicam que Lula enfrenta maior dificuldade quando o adversário tem mandato estadual, base política regional consolidada e discurso de oposição menos dependente exclusivamente do bolsonarismo.
Ronaldo Caiado aparece no levantamento como o adversário mais competitivo entre os nomes testados. O empate em 43% a 43% sugere que o governador de Goiás pode ocupar um espaço relevante no campo da direita e do centro-direita, especialmente em uma eleição na qual a oposição ainda busca definir quem será o nome mais viável para enfrentar Lula.
Caiado tem procurado se posicionar nacionalmente como alternativa presidencial para 2026. Governador reeleito de Goiás, ele integra o PSD, partido que tem peso no Congresso e presença em governos estaduais e municipais. A pesquisa indica que, em um cenário de segundo turno, seu nome já aparece com força suficiente para anular a vantagem do presidente.
Romeu Zema também apresenta desempenho competitivo. O governador mineiro registra 40%, contra 43% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão estatisticamente empatados. Zema governa Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, e tem base política associada a uma agenda liberal na economia e a um discurso de gestão.
Flávio Bolsonaro mantém força do eleitorado bolsonarista
O confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro mede a força eleitoral do campo mais diretamente ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesse cenário, Lula aparece com 45%, contra 40% do senador.
A vantagem do presidente mostra que Lula mantém posição favorável contra um nome do PL, mas a distância de cinco pontos também evidencia a resistência de uma base bolsonarista relevante. Mesmo sem definição oficial de candidatura, o resultado indica que o sobrenome Bolsonaro continua com peso eleitoral expressivo.
Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, aparece como uma das alternativas do PL para a disputa presidencial. O partido segue como principal força organizada da oposição de direita e deve ter papel central nas articulações para 2026.
A pesquisa mostra que o eleitorado de direita permanece competitivo, mas também evidencia uma disputa interna por qual perfil teria mais capacidade de enfrentar Lula em eventual segundo turno: um nome diretamente ligado ao bolsonarismo ou um governador com discurso mais amplo de gestão e segurança pública.
Lula amplia vantagem contra Renan Santos e Aécio Neves
Nos demais cenários testados, Lula aparece com vantagem mais confortável. Contra Renan Santos, do Missão, o presidente registra 46% das intenções de voto, enquanto o adversário tem 30%. Nesse confronto, 12% dos entrevistados afirmam que votariam em branco ou nulo, e outros 12% não souberam responder.
A diferença de 16 pontos mostra que Renan Santos ainda enfrenta dificuldade para converter presença política e digital em intenção de voto nacional. O percentual elevado de indecisos e votos não válidos também indica baixa consolidação do cenário.
Contra Aécio Neves (PSDB), Lula tem 47%, mais que o dobro dos 23% atribuídos ao tucano. Brancos e nulos somam 16%, e 14% não responderam.
O desempenho de Aécio reflete o desgaste acumulado pelo PSDB na política nacional desde 2014 e a perda de protagonismo do partido no campo de centro-direita. Embora o ex-governador de Minas Gerais ainda tenha reconhecimento nacional, os números mostram dificuldade para reconstruir competitividade presidencial.
Pesquisa foi registrada no TSE
A pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores entre os dias 29 e 30 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05864/2026.
Os números retratam o cenário no momento da coleta e não definem o resultado da eleição. Até 2026, o quadro eleitoral ainda dependerá da confirmação de candidaturas, formação de alianças, desempenho da economia, avaliação do governo, tempo de televisão, estratégia digital e capacidade de mobilização dos partidos.
Pesquisas de segundo turno realizadas com antecedência funcionam como fotografia do ambiente político. Elas medem conhecimento, rejeição, preferência inicial e potencial de competitividade dos nomes testados, mas podem mudar conforme a campanha se aproxima.
Eleição de 2026 começa com oposição fragmentada
O levantamento reforça um dos principais desafios da oposição: transformar competitividade individual em unidade política. Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema, Aécio e Renan Santos representam perfis distintos dentro do campo anti-Lula.
Flávio Bolsonaro concentra a herança política mais direta do bolsonarismo. Caiado busca se apresentar como nome de direita com experiência executiva, foco em segurança pública e base partidária no PSD. Zema tenta ocupar o espaço liberal e de gestão. Aécio representa um campo tucano que perdeu protagonismo nacional. Renan Santos aparece como aposta de renovação, mas ainda distante dos principais nomes em intenção de voto.
Para Lula, a fragmentação da oposição pode ser favorável no primeiro turno, mas os cenários de segundo turno indicam que alguns adversários já têm desempenho suficiente para tornar a disputa altamente competitiva.
O resultado também mostra que governadores podem ter papel central na próxima eleição presidencial. Mandatos estaduais oferecem vitrine administrativa, capilaridade política e base territorial, elementos importantes em uma disputa nacional.
Resultado aumenta pressão sobre articulação do governo
A pesquisa surge em um momento em que o governo tenta estabilizar sua popularidade e reforçar a agenda econômica e social para chegar a 2026 em posição favorável. Lula segue competitivo, mas os empates contra Caiado e Zema indicam que a vantagem presidencial não está consolidada.
A avaliação do governo, a inflação, o emprego, a renda, a segurança pública e a percepção sobre a economia devem influenciar diretamente os próximos levantamentos. Em disputas presidenciais, a situação econômica costuma ter peso relevante na decisão do eleitor, especialmente entre indecisos e eleitores de centro.
O Palácio do Planalto também precisará lidar com a formação de alianças regionais. Governadores, prefeitos, bancadas estaduais e partidos de centro podem ser decisivos para ampliar tempo de campanha, estrutura eleitoral e palanques nos principais colégios eleitorais.
Para a oposição, os números indicam que a escolha do candidato será determinante. Um nome capaz de unificar o eleitorado de direita, reduzir rejeição no centro e ampliar presença regional pode impor maior dificuldade a Lula em eventual segundo turno.
Disputa presidencial segue aberta a pouco mais de um ano da campanha
A Real Time Big Data mostra Lula em posição competitiva, mas sem domínio absoluto nos cenários de segundo turno. O presidente lidera Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Aécio Neves, mas empata com Caiado e aparece tecnicamente empatado com Zema.
O quadro reforça a leitura de que a eleição de 2026 deve começar sem favorito incontestável. Lula preserva base eleitoral relevante e mantém vantagem contra parte dos adversários, mas a oposição já apresenta nomes capazes de reduzir sua margem.
A disputa ainda dependerá de movimentos partidários, alianças estaduais, situação econômica e definição do campo bolsonarista. Até lá, pesquisas como a Real Time Big Data ajudam a mapear a força inicial dos possíveis candidatos e a medir quais nomes conseguem atravessar a polarização com maior competitividade.









