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Fundador da Aquiraz acusa fraude e retaliação em escritório ligado ao BTG Pactual

Bruno Mesquita afirmou ter renunciado após enviar denúncias a autoridades federais; acusações ainda dependem de apuração.

por João Souza
29/05/2026 às 23h06
em Empresas
Btg Pactual Amplia Atuação Em Franquias Com Crédito, Automação Financeira E Redução De Custos-Gazeta Mercantil

Bruno Mesquita, fundador da Aquiraz Investimentos, escritório ligado ao BTG Pactual, afirmou nesta sexta-feira (29) que renunciou às suas funções na empresa após encaminhar a autoridades federais denúncias sobre supostas fraudes financeiras e indícios de lavagem de dinheiro.

Em publicação nas redes sociais, o ex-executivo declarou que passou a sofrer pressões depois de comunicar as suspeitas. Mesquita também afirmou ter sido alvo de uma tentativa de internação psiquiátrica que, segundo seu relato, teria como objetivo desacreditá-lo e reduzir a repercussão das acusações.

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As alegações ainda precisam ser verificadas pelas autoridades competentes. Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação pública de responsabilização de pessoas ou empresas mencionadas no relato. Todos os envolvidos têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.

Segundo Mesquita, a decisão de deixar a Aquiraz Investimentos ocorreu após ele reunir documentos que, em sua avaliação, apontariam irregularidades em operações financeiras. O ex-executivo afirmou que exercia a função de responsável técnico de compliance perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), posição que teria permitido o acesso a informações relevantes sobre as atividades da empresa.

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Ex-executivo relata pressões após envio de denúncias

Mesquita afirmou que as pressões começaram depois que ele encaminhou às autoridades federais informações sobre as supostas irregularidades. De acordo com o ex-executivo, a tentativa de internação psiquiátrica teria sido utilizada para colocar em dúvida sua capacidade mental e comprometer a credibilidade das denúncias.

Ele declarou ainda que exames médicos e depoimentos comprovariam que não possui transtorno mental e que estava lúcido durante o período em que reuniu e encaminhou as informações.

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As afirmações envolvem acusações graves e exigem apuração independente. A confirmação dos fatos dependerá da análise dos documentos apresentados, de eventuais depoimentos, perícias, diligências e manifestações dos órgãos responsáveis pela investigação e fiscalização do sistema financeiro.

Mesquita também sustentou que seu afastamento teria atendido a interesses de pessoas que buscavam conter os efeitos das denúncias. O relato, isoladamente, não permite concluir que tenha ocorrido retaliação, coação ou tentativa de obstrução das apurações.

Relato menciona fraude financeira e lavagem de dinheiro

Ao descrever as suspeitas, Mesquita afirmou ter identificado indícios de lavagem de dinheiro e de fraude em operações de emissão de crédito bancário.

Segundo ele, os elementos reunidos apresentariam características semelhantes às encontradas em investigações conduzidas pela Polícia Federal contra esquemas de lavagem de capitais e atuação de organizações criminosas.

O ex-executivo também mencionou possíveis conexões das operações com segmentos como entretenimento, esportes, editoras, energia, apostas esportivas e estruturas de doações. Não há, até o momento, conclusões oficiais das autoridades sobre a existência dessas relações.

Caso seja instaurada uma investigação formal, caberá aos órgãos competentes verificar a origem e o destino dos recursos, a estrutura das operações, a identidade dos beneficiários finais e a eventual utilização de mecanismos para ocultar patrimônio ou movimentações financeiras.

Apurações dessa natureza podem envolver a análise de contratos, registros bancários, emissões de crédito, comunicações obrigatórias, controles internos de compliance e relações mantidas com pessoas físicas e jurídicas envolvidas nas transações.

Atuação em compliance amplia sensibilidade do relato

A afirmação de Mesquita de que atuava como responsável técnico de compliance aumenta a relevância do caso para o mercado financeiro.

As estruturas de compliance são responsáveis pelo monitoramento de riscos, pela prevenção de irregularidades, pela identificação de operações atípicas e pela verificação do cumprimento de normas legais, regulatórias e internas.

Uma denúncia apresentada por um profissional ligado a essa área tende a despertar atenção de reguladores, investidores e instituições financeiras. A posição ocupada pelo denunciante, entretanto, não comprova por si só a veracidade das acusações.

No mercado de capitais, controles internos são considerados essenciais para proteger clientes e investidores e preservar a integridade das operações. Eventuais falhas relacionadas à prevenção à lavagem de dinheiro, à concessão de crédito ou ao tratamento de denúncias podem produzir consequências regulatórias, jurídicas e reputacionais.

Mesquita afirmou esperar que o episódio contribua para fortalecer as práticas de governança e os mecanismos de proteção a profissionais que comuniquem suspeitas de irregularidades.

Aquiraz mantém vínculo com o BTG Pactual

A Aquiraz Investimentos atua como escritório ligado ao BTG Pactual. A menção a uma empresa vinculada a uma das maiores instituições financeiras do país amplia a repercussão do relato, especialmente pela sensibilidade das atividades relacionadas a investimentos, crédito e relacionamento com clientes.

Até a publicação desta reportagem, não havia elementos que permitissem afirmar que o BTG Pactual, a Aquiraz Investimentos ou seus integrantes tenham cometido as irregularidades relatadas pelo ex-executivo.

Eventuais manifestações das empresas citadas serão relevantes para esclarecer a existência de procedimentos internos, auditorias, comunicações feitas a órgãos reguladores e providências adotadas depois do conhecimento das denúncias.

Somente uma investigação formal poderá determinar se os documentos apresentados possuem consistência, se houve falhas nos mecanismos de controle e se existem elementos suficientes para responsabilizar alguma pessoa ou instituição.

Caso coloca proteção a denunciantes em discussão

O relato ocorre em um período de maior cobrança por mecanismos de governança corporativa, integridade e prevenção a ilícitos no sistema financeiro.

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Bancos, corretoras, gestoras e escritórios de investimento são submetidos a regras de prevenção à lavagem de dinheiro, identificação de clientes, rastreabilidade de operações, adequação dos produtos ao perfil do investidor e monitoramento de riscos.

A proteção a denunciantes também ocupa espaço crescente no debate sobre governança. Em estruturas empresariais complexas, canais internos e externos de comunicação podem permitir que suspeitas sejam identificadas antes que eventuais irregularidades causem prejuízos a clientes, investidores ou ao próprio mercado.

Mesquita afirmou que continua colaborando com autoridades federais e acompanhando os possíveis desdobramentos jurídicos do caso. Segundo ele, o aprimoramento da governança corporativa no Brasil exige “tolerância zero contra a obstrução de justiça”.

A evolução do episódio dependerá de eventuais manifestações das autoridades, do BTG Pactual, da Aquiraz Investimentos e das demais pessoas ou organizações mencionadas. Até que haja conclusões oficiais, as acusações devem ser tratadas como denúncias ainda sujeitas a apuração, com respeito ao devido processo legal e ao direito de defesa dos envolvidos.

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