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Lula perde folga e empata com Caiado e Zema no 2º turno, diz pesquisa

Real Time Big Data mostra presidente competitivo para 2026, mas sem vantagem fora da margem de erro contra governadores da direita.

por Júlia Campos
01/06/2026 às 13h07
em Política
Ronaldo Caiado, Pré-Candidato À Presidencia Da República- Gazeta Mercantil

Ronaldo Caiado (PSD), governador de Goiás - Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece competitivo nas simulações de segundo turno da eleição presidencial de 2026, mas perde margem de segurança quando enfrenta governadores da direita e do centro-direita, segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (1º). O levantamento mostra Lula à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), mas empatado com Ronaldo Caiado (PSD), governador de Goiás, e em empate técnico com Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre os dias 29 e 30 de maio, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

No cenário contra Flávio Bolsonaro, Lula registra 45% das intenções de voto, enquanto o senador aparece com 40%. Brancos e nulos somam 8%, e 7% dos entrevistados não souberam responder. A vantagem numérica do presidente é de cinco pontos percentuais, resultado que mantém Lula à frente do principal nome testado do campo bolsonarista, mas sinaliza uma disputa ainda apertada.

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A situação muda nos confrontos contra Caiado e Zema. Contra o governador de Goiás, Lula aparece com 43%, mesmo percentual registrado por Caiado. O empate é numérico e técnico. Contra o governador de Minas Gerais, o presidente tem 43%, ante 40% de Zema. A diferença está dentro da margem de erro, o que também caracteriza empate técnico.

Governadores reduzem espaço de vantagem de Lula

Os dados da Real Time Big Data indicam que Lula enfrenta maior dificuldade quando o adversário tem mandato estadual, base política regional consolidada e discurso de oposição menos dependente exclusivamente do bolsonarismo.

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Ronaldo Caiado aparece no levantamento como o adversário mais competitivo entre os nomes testados. O empate em 43% a 43% sugere que o governador de Goiás pode ocupar um espaço relevante no campo da direita e do centro-direita, especialmente em uma eleição na qual a oposição ainda busca definir quem será o nome mais viável para enfrentar Lula.

Caiado tem procurado se posicionar nacionalmente como alternativa presidencial para 2026. Governador reeleito de Goiás, ele integra o PSD, partido que tem peso no Congresso e presença em governos estaduais e municipais. A pesquisa indica que, em um cenário de segundo turno, seu nome já aparece com força suficiente para anular a vantagem do presidente.

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Romeu Zema também apresenta desempenho competitivo. O governador mineiro registra 40%, contra 43% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão estatisticamente empatados. Zema governa Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, e tem base política associada a uma agenda liberal na economia e a um discurso de gestão.

Flávio Bolsonaro mantém força do eleitorado bolsonarista

O confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro mede a força eleitoral do campo mais diretamente ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesse cenário, Lula aparece com 45%, contra 40% do senador.

A vantagem do presidente mostra que Lula mantém posição favorável contra um nome do PL, mas a distância de cinco pontos também evidencia a resistência de uma base bolsonarista relevante. Mesmo sem definição oficial de candidatura, o resultado indica que o sobrenome Bolsonaro continua com peso eleitoral expressivo.

Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, aparece como uma das alternativas do PL para a disputa presidencial. O partido segue como principal força organizada da oposição de direita e deve ter papel central nas articulações para 2026.

A pesquisa mostra que o eleitorado de direita permanece competitivo, mas também evidencia uma disputa interna por qual perfil teria mais capacidade de enfrentar Lula em eventual segundo turno: um nome diretamente ligado ao bolsonarismo ou um governador com discurso mais amplo de gestão e segurança pública.

Lula amplia vantagem contra Renan Santos e Aécio Neves

Nos demais cenários testados, Lula aparece com vantagem mais confortável. Contra Renan Santos, do Missão, o presidente registra 46% das intenções de voto, enquanto o adversário tem 30%. Nesse confronto, 12% dos entrevistados afirmam que votariam em branco ou nulo, e outros 12% não souberam responder.

A diferença de 16 pontos mostra que Renan Santos ainda enfrenta dificuldade para converter presença política e digital em intenção de voto nacional. O percentual elevado de indecisos e votos não válidos também indica baixa consolidação do cenário.

Contra Aécio Neves (PSDB), Lula tem 47%, mais que o dobro dos 23% atribuídos ao tucano. Brancos e nulos somam 16%, e 14% não responderam.

O desempenho de Aécio reflete o desgaste acumulado pelo PSDB na política nacional desde 2014 e a perda de protagonismo do partido no campo de centro-direita. Embora o ex-governador de Minas Gerais ainda tenha reconhecimento nacional, os números mostram dificuldade para reconstruir competitividade presidencial.

Pesquisa foi registrada no TSE

A pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores entre os dias 29 e 30 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05864/2026.

Os números retratam o cenário no momento da coleta e não definem o resultado da eleição. Até 2026, o quadro eleitoral ainda dependerá da confirmação de candidaturas, formação de alianças, desempenho da economia, avaliação do governo, tempo de televisão, estratégia digital e capacidade de mobilização dos partidos.

Pesquisas de segundo turno realizadas com antecedência funcionam como fotografia do ambiente político. Elas medem conhecimento, rejeição, preferência inicial e potencial de competitividade dos nomes testados, mas podem mudar conforme a campanha se aproxima.

Eleição de 2026 começa com oposição fragmentada

O levantamento reforça um dos principais desafios da oposição: transformar competitividade individual em unidade política. Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema, Aécio e Renan Santos representam perfis distintos dentro do campo anti-Lula.

Flávio Bolsonaro concentra a herança política mais direta do bolsonarismo. Caiado busca se apresentar como nome de direita com experiência executiva, foco em segurança pública e base partidária no PSD. Zema tenta ocupar o espaço liberal e de gestão. Aécio representa um campo tucano que perdeu protagonismo nacional. Renan Santos aparece como aposta de renovação, mas ainda distante dos principais nomes em intenção de voto.

Para Lula, a fragmentação da oposição pode ser favorável no primeiro turno, mas os cenários de segundo turno indicam que alguns adversários já têm desempenho suficiente para tornar a disputa altamente competitiva.

O resultado também mostra que governadores podem ter papel central na próxima eleição presidencial. Mandatos estaduais oferecem vitrine administrativa, capilaridade política e base territorial, elementos importantes em uma disputa nacional.

Resultado aumenta pressão sobre articulação do governo

A pesquisa surge em um momento em que o governo tenta estabilizar sua popularidade e reforçar a agenda econômica e social para chegar a 2026 em posição favorável. Lula segue competitivo, mas os empates contra Caiado e Zema indicam que a vantagem presidencial não está consolidada.

A avaliação do governo, a inflação, o emprego, a renda, a segurança pública e a percepção sobre a economia devem influenciar diretamente os próximos levantamentos. Em disputas presidenciais, a situação econômica costuma ter peso relevante na decisão do eleitor, especialmente entre indecisos e eleitores de centro.

O Palácio do Planalto também precisará lidar com a formação de alianças regionais. Governadores, prefeitos, bancadas estaduais e partidos de centro podem ser decisivos para ampliar tempo de campanha, estrutura eleitoral e palanques nos principais colégios eleitorais.

Para a oposição, os números indicam que a escolha do candidato será determinante. Um nome capaz de unificar o eleitorado de direita, reduzir rejeição no centro e ampliar presença regional pode impor maior dificuldade a Lula em eventual segundo turno.

Disputa presidencial segue aberta a pouco mais de um ano da campanha

A Real Time Big Data mostra Lula em posição competitiva, mas sem domínio absoluto nos cenários de segundo turno. O presidente lidera Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Aécio Neves, mas empata com Caiado e aparece tecnicamente empatado com Zema.

O quadro reforça a leitura de que a eleição de 2026 deve começar sem favorito incontestável. Lula preserva base eleitoral relevante e mantém vantagem contra parte dos adversários, mas a oposição já apresenta nomes capazes de reduzir sua margem.

A disputa ainda dependerá de movimentos partidários, alianças estaduais, situação econômica e definição do campo bolsonarista. Até lá, pesquisas como a Real Time Big Data ajudam a mapear a força inicial dos possíveis candidatos e a medir quais nomes conseguem atravessar a polarização com maior competitividade.

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