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Interpol é acionada para rastrear dinheiro de filme sobre Bolsonaro em quatro países

Pedido de Lindbergh Farias mira a origem dos recursos de Dark Horse e cita suposta rede financeira no Brasil, EUA, Holanda e Hungria.

por Júlia Campos
01/06/2026 às 09h38
em Política
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O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) enviou à Polícia Federal e ao Escritório Central Nacional da Interpol no Brasil um pedido de cooperação penal internacional para rastrear a origem, a movimentação e os beneficiários finais dos recursos empregados na produção de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O ofício, anunciado neste domingo (31), cita uma suposta estrutura financeira transnacional envolvendo Brasil, Estados Unidos, Holanda e Hungria e pede a preservação urgente de contratos, ordens de pagamento, mensagens comerciais, registros contábeis e dados bancários relacionados ao projeto audiovisual.

A iniciativa foi assinada por Lindbergh Farias e pelo advogado Reinaldo Santos de Almeida, coordenador jurídico da Liderança do PT na Câmara dos Deputados. O pedido tem como base reportagens da Agência Pública e do Metrópoles, que apontaram indícios de uma rede de financiamento internacional ligada ao filme Dark Horse e mencionaram a participação de integrantes da família Bolsonaro e de operadores privados na estruturação do projeto.

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Segundo Lindbergh, o objetivo é “seguir o caminho do dinheiro” e identificar quem financiou, quem recebeu recursos e se houve ocultação de beneficiários finais. O parlamentar solicita que autoridades brasileiras acionem unidades da Interpol nos Estados Unidos, na Holanda e na Hungria para apurar contratos, contas, transferências, empresas, fundos, estruturas fiduciárias e eventuais intermediários financeiros.

O caso envolve suspeitas ainda não comprovadas. Os citados têm direito à defesa e, até o momento, não há conclusão pública de autoridade policial ou judicial sobre eventual irregularidade no financiamento do filme.

Pedido mira cooperação internacional para rastrear recursos

O ofício encaminhado por Lindbergh Farias pede que a Polícia Federal e a representação da Interpol no Brasil adotem medidas de cooperação penal internacional para localizar ativos, preservar documentos e mapear fluxos financeiros relacionados à produção de Dark Horse.

A solicitação inclui o acionamento de autoridades estrangeiras em ao menos três países além do Brasil. Nos Estados Unidos, a apuração buscaria informações sobre empresas e contas relacionadas à produção. Na Holanda, o foco recairia sobre estruturas de custódia e intermediação financeira. Na Hungria, o pedido mira eventuais conexões comerciais e operacionais citadas nos documentos que embasaram o ofício.

Lindbergh também solicita o uso da chamada Silver Notice, instrumento da Interpol voltado à localização, identificação e recuperação de ativos de origem suspeita em investigações internacionais. A medida é usada em casos nos quais há necessidade de cooperação entre países para rastrear patrimônio, contas, beneficiários e estruturas financeiras que possam ter sido usadas para movimentar recursos de forma irregular.

No documento, o parlamentar sustenta que há risco de destruição de registros eletrônicos, encerramento de contas bancárias no exterior e perda de documentos comerciais antes da instauração de uma investigação formal mais ampla. Por isso, pede urgência na preservação de mensagens, contratos privados, ordens de pagamento, registros contábeis e dados bancários ligados à produção.

Ofício cita suposta rede financeira em quatro países

O ponto central do pedido é a suposta existência de uma arquitetura transnacional de movimentação de recursos para financiar Dark Horse. Segundo o ofício, essa estrutura teria operado em pelo menos quatro países: Brasil, Estados Unidos, Holanda e Hungria.

Entre os elementos mencionados está uma ordem de pagamento de US$ 57,5 mil destinada à New Path Pictures Inc., empresa sediada na Califórnia. A transação teria sido intermediada pela Stichting Freeway Custody, entidade registrada na Holanda.

De acordo com Lindbergh, a utilização de uma estrutura de custódia internacional levanta dúvidas sobre a identidade dos financiadores reais. O parlamentar afirma que esse tipo de arranjo pode permitir que investidores permaneçam anônimos, o que justificaria a atuação das autoridades para identificar beneficiários finais e verificar se houve ocultação deliberada de origem ou destino de recursos.

O pedido também questiona se as movimentações respeitaram as normas cambiais brasileiras e se os valores circularam por estruturas compatíveis com a legislação nacional e internacional. A apuração pretendida busca esclarecer se a produção do filme foi apenas um projeto audiovisual ou se teria servido, segundo suspeitas apontadas no ofício, como instrumento para movimentação financeira não declarada.

O uso de empresas, fundações, contratos privados e estruturas fiduciárias em diferentes jurisdições é tratado no documento como um padrão que exigiria investigação por possível lavagem de dinheiro, triangulação de recursos e ocultação de beneficiários. Essas hipóteses, porém, dependem de apuração formal e de eventual análise por autoridades competentes.

Eduardo Bolsonaro é citado em documentos sobre financiamento

Um dos trechos mais sensíveis do ofício trata do papel do deputado Eduardo Bolsonaro no projeto. Lindbergh afirma que documentos revelados pela Agência Pública indicariam que Eduardo teria sido descrito como “financiador” da produção de Dark Horse.

Segundo o parlamentar, essa informação entraria em contradição com declarações públicas de que Eduardo Bolsonaro teria apenas cedido direitos de imagem para o filme. O pedido à Polícia Federal e à Interpol busca esclarecer se houve participação financeira direta, intermediação de recursos ou atuação em fundos e estruturas relacionadas ao projeto.

O ofício menciona ainda cerca de US$ 2 milhões destinados ao fundo Havengate, que seria operado por Eduardo Bolsonaro, além de transferências via Pix realizadas por Jair Bolsonaro ao filho. Lindbergh pede que essas movimentações sejam analisadas para verificar origem, destino e eventual conexão com estruturas financeiras investigadas.

As menções a Eduardo Bolsonaro, Jair Bolsonaro e demais envolvidos são feitas em caráter de suspeita, com base em reportagens e documentos citados pelo parlamentar. Não há, no material apresentado, uma conclusão oficial de que os valores tenham sido usados de forma irregular ou que o filme tenha servido como fachada para qualquer operação ilícita.

A apuração, caso avance, poderá exigir cooperação bancária e documental entre diferentes países, além de quebra de sigilos mediante autorização judicial, quando aplicável. Esse tipo de investigação costuma depender de tratados de cooperação, pedidos formais entre autoridades e validação jurídica em cada jurisdição envolvida.

Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro entram no foco do pedido

O ofício também cita negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo Lindbergh, mensagens divulgadas pela imprensa apontam que Eduardo Bolsonaro teria orientado o envio aos Estados Unidos de recursos negociados por Flávio com Vorcaro.

O parlamentar menciona, no pedido, a suspeita de que Flávio Bolsonaro teria cobrado R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro. O documento também cita a produtora Go Up Entertainment, que teria recebido R$ 61 milhões, conforme as informações usadas pelo deputado para embasar a solicitação.

Esses valores são apresentados como elementos que exigiriam rastreamento por autoridades brasileiras e estrangeiras. A intenção declarada é verificar se há vínculo entre as movimentações financeiras, a produção de Dark Horse, eventuais fundos no exterior e estruturas de custódia que possam ter dificultado a identificação de beneficiários reais.

Daniel Vorcaro e o Banco Master já aparecem em outras frentes de atenção política e institucional em Brasília. A inclusão do empresário no pedido amplia o alcance da apuração pretendida por Lindbergh, ao associar o financiamento do filme a movimentações empresariais e negociações privadas que, segundo o parlamentar, precisam ser esclarecidas.

Como se trata de suspeitas baseadas em reportagens e documentos citados em um ofício parlamentar, qualquer responsabilização dependerá de investigação formal, análise de provas, manifestação dos citados e eventual decisão de autoridades competentes.

Caso mistura política, financiamento e disputa institucional

A iniciativa de Lindbergh Farias ocorre em um ambiente de forte tensão política envolvendo Jair Bolsonaro, seus filhos e aliados. O filme Dark Horse, apresentado como uma produção sobre a trajetória do ex-presidente, passou a ser tratado por adversários políticos como possível peça de uma rede mais ampla de articulação internacional.

O pedido de cooperação penal internacional busca responder a uma questão central: se o financiamento do projeto audiovisual teve origem regular e identificável ou se envolveu estruturas destinadas a ocultar fontes de recursos e beneficiários finais.

Lindbergh afirma que a apuração também deve verificar eventual relação entre as movimentações financeiras e campanhas por sanções e tarifas contra o Brasil. Essa linha de investigação, citada pelo parlamentar, amplia o escopo do pedido para além da produção cinematográfica e conecta o caso a uma disputa política e diplomática mais ampla.

Do ponto de vista institucional, a solicitação coloca a Polícia Federal diante de uma possível frente internacional de apuração. Caso a PF entenda haver elementos suficientes, poderá pedir medidas adicionais, abrir procedimento próprio ou encaminhar solicitações formais a autoridades estrangeiras pelos canais adequados.

A Interpol, nesse contexto, funcionaria como ponte de cooperação entre países, especialmente para localização de ativos, identificação de contas, preservação de documentos e compartilhamento de informações financeiras. O uso desses mecanismos depende de critérios técnicos e jurídicos, além de validação pelas autoridades responsáveis.

Investigação depende de validação da PF e de cooperação externa

O pedido de Lindbergh Farias não significa, por si só, que a Interpol já esteja investigando o financiamento de Dark Horse. A solicitação foi dirigida à Polícia Federal e ao Escritório Central Nacional da Interpol no Brasil, que deverão avaliar a admissibilidade, a pertinência e os caminhos formais para eventual cooperação internacional.

Se houver avanço, a apuração poderá envolver análise de contratos de produção, documentos societários, comunicações comerciais, registros bancários, ordens de pagamento e identificação de beneficiários finais em diferentes países. Também poderá exigir colaboração de autoridades norte-americanas, holandesas e húngaras.

O caráter transnacional do caso aumenta a complexidade da apuração. Investigações financeiras internacionais dependem de prazos, regras locais, acordos de cooperação e autorização para acesso a informações protegidas por sigilo. Mesmo quando há indícios, o rastreamento completo de recursos pode levar meses e exigir múltiplas etapas formais.

Para Lindbergh, a urgência está na preservação dos registros antes que contas sejam encerradas ou documentos digitais sejam apagados. Para os citados, a eventual abertura de investigação exigirá garantia de contraditório, direito de defesa e análise cautelosa das informações apresentadas.

Pedido amplia pressão sobre Bolsonaro e aliados no exterior

O acionamento da Polícia Federal e da Interpol para rastrear recursos de Dark Horse amplia a pressão política sobre Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e aliados ligados ao projeto. A tentativa de mapear a origem do financiamento coloca o filme no centro de uma disputa que envolve política, dinheiro no exterior, estruturas privadas e suspeitas de ocultação de beneficiários.

O caso também aumenta a exposição de personagens empresariais citados no ofício, como Daniel Vorcaro, e de empresas mencionadas nas reportagens usadas como base para o pedido. A depender da resposta das autoridades, a apuração poderá avançar para uma fase de coleta documental e cooperação internacional.

Por ora, o que existe é uma solicitação parlamentar com base em reportagens e documentos apontados por Lindbergh Farias. A Polícia Federal e o Escritório Central Nacional da Interpol no Brasil terão de avaliar se os elementos apresentados justificam medidas formais de investigação.

A dimensão internacional do pedido, envolvendo Brasil, Estados Unidos, Holanda e Hungria, torna o caso mais sensível. Em meio à disputa política em Brasília, o financiamento de Dark Horse passa a ser tratado não apenas como assunto de bastidor audiovisual, mas como possível frente de apuração sobre fluxo de recursos, influência política e estruturas financeiras fora do país.

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