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Lula e Flávio vivem semana de altos e baixos com escala 6×1 e decisão dos EUA sobre facções

Presidente comemorou avanço da redução da jornada na Câmara, enquanto senador tentou capitalizar encontro com Trump e classificação de PCC e CV como organizações terroristas.

por Júlia Campos
30/05/2026 às 13h36
em Política
Lula E Flávio Vivem Semana De Altos E Baixos Com Escala 6X1 E Decisão Dos Eua Sobre Facções - Gazeta Mercantil - Política

A última semana de maio expôs a volatilidade da pré-campanha presidencial de 2026, com avanços e reveses para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A aprovação, pela Câmara dos Deputados, da proposta que reduz a jornada semanal e abre caminho para o fim da escala 6×1 deu ao governo uma vitória política de forte apelo social. No campo adversário, a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas ofereceu a Flávio uma pauta de segurança pública após uma semana iniciada sob pressão.

Os dois acontecimentos colocaram temas distintos no centro da disputa eleitoral. Lula procurou associar sua administração à ampliação de direitos trabalhistas e à melhoria das condições de vida dos trabalhadores. Flávio buscou apresentar sua passagem por Washington como parte de uma articulação internacional contra o crime organizado.

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A movimentação do senador ocorreu depois de revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Mensagens tornadas públicas indicaram que Flávio havia procurado o empresário para discutir recursos destinados a uma produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Também foi relatada uma visita do parlamentar a Vorcaro quando o empresário utilizava tornozeleira eletrônica depois de ter sido preso em uma investigação sobre supostas fraudes financeiras.

Flávio nega irregularidades na relação com Vorcaro. A viagem aos Estados Unidos permitiu ao senador deslocar parte da atenção para uma agenda de política externa e segurança pública, duas áreas em que o bolsonarismo pretende confrontar o governo Lula durante a campanha.

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Câmara aprova jornada de 40 horas e escala 5×2

A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos a proposta de emenda à Constituição que estabelece jornada semanal de 40 horas, distribuída em cinco dias de trabalho e dois de descanso. O texto foi aprovado por 472 votos a 22 no primeiro turno e por 461 votos a 19 no segundo.

A proposta representa uma mudança em relação ao limite constitucional atual de 44 horas semanais e cria condições para a substituição gradual da escala de seis dias de trabalho por um de folga. O texto prevê uma transição inicial para 42 horas e, posteriormente, a redução para 40 horas, sem diminuição salarial.

Antes da votação no plenário, a matéria havia sido aprovada em comissão especial por 34 votos a 4. O avanço ocorreu após articulação entre o governo e a presidência da Câmara, exercida por Hugo Motta (Republicanos-PB), e em meio à mobilização de sindicatos, movimentos sociais e trabalhadores nas redes sociais.

A aprovação não encerra a tramitação. Por se tratar de uma emenda constitucional, a proposta ainda deverá ser examinada pelo Senado, onde também precisará obter o apoio de pelo menos três quintos dos integrantes em dois turnos de votação.

Para o governo, o placar amplo na Câmara demonstra a força social da pauta e cria pressão política sobre os senadores. A oposição, porém, poderá tentar modificar o texto, ampliar o período de transição ou incluir regras específicas para setores que operam durante todos os dias da semana.

Lula transforma votação em bandeira social

Lula comemorou a aprovação e afirmou que atuará para que o Senado também aprove a mudança. O governo pretende apresentar a redução da jornada como uma atualização das relações de trabalho e uma medida capaz de ampliar o tempo destinado ao descanso, à família, à qualificação e ao lazer.

A pauta dialoga diretamente com trabalhadores do comércio, dos serviços, da indústria e de outras atividades organizadas em escalas de seis dias. Por essa razão, o Planalto considera que o tema pode ter alcance eleitoral superior ao de medidas econômicas mais técnicas ou de efeitos menos visíveis.

O governo também procura vincular a proposta à geração de empregos e à modernização do mercado de trabalho. Esse argumento, entretanto, será confrontado por entidades empresariais que apontam riscos de aumento de custos, dificuldades de contratação e necessidade de reorganização das escalas.

Setores como comércio, hotelaria, saúde, transporte, segurança e alimentação poderão exigir normas de transição mais detalhadas. Empresas de menor porte também deverão pressionar por mecanismos que reduzam o impacto da mudança sobre suas despesas.

A votação contrária de parte dos deputados do PL tende a ser explorada pelo governo durante a pré-campanha. Aliados de Lula deverão apresentar o comportamento da bancada como resistência à redução da jornada, enquanto o partido buscará justificar seus votos com argumentos ligados a custos, produtividade e preservação de empregos.

Flávio tenta superar desgaste relacionado ao Banco Master

Flávio Bolsonaro iniciou a semana enfrentando questionamentos sobre sua proximidade com Daniel Vorcaro. O empresário tornou-se personagem central de investigações relacionadas ao Banco Master e passou a ter seus contatos políticos submetidos a maior escrutínio.

As mensagens divulgadas indicaram uma cobrança por recursos destinados ao financiamento de uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. O material também reacendeu questionamentos sobre os interesses envolvidos na relação entre o senador e o empresário.

Outro ponto de pressão foi a informação de que Flávio visitou Vorcaro durante o período em que o dono do banco utilizava tornozeleira eletrônica. O senador afirma que não praticou irregularidade e rejeita interpretações de que a relação represente favorecimento indevido.

A viagem iniciada no domingo, 24 de maio, permitiu ao parlamentar mudar o foco de sua agenda. Na terça-feira, 26, Flávio encontrou-se com o presidente Donald Trump na Casa Branca e publicou uma fotografia do encontro.

O senador também manteve contatos com o vice-presidente J.D. Vance e com o secretário de Estado Marco Rubio. Após as reuniões, afirmou ter discutido a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, além de outros temas da relação bilateral.

EUA anunciam classificação de PCC e CV

Na quinta-feira, 28 de maio, o governo dos Estados Unidos anunciou que classificará o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras e como terroristas globais especialmente designados. A medida está prevista para entrar em vigor em 5 de junho.

A classificação poderá ampliar os instrumentos norte-americanos de bloqueio financeiro, restrição de operações e punição a pessoas ou entidades que prestem apoio material às organizações designadas. Os efeitos concretos dependerão dos atos regulatórios e da forma como as autoridades dos Estados Unidos aplicarão a medida.

Flávio e seus aliados atribuíram o anúncio às articulações realizadas durante a passagem por Washington. A decisão, contudo, já vinha sendo analisada pelas autoridades norte-americanas antes da viagem do senador.

Ainda assim, a proximidade temporal permitiu que o parlamentar apresentasse o ato como resultado de sua influência e de sua interlocução com o governo Trump. O episódio ofereceu à pré-campanha de Flávio uma bandeira de enfrentamento ao crime organizado e de aproximação com a administração norte-americana.

Outros nomes da oposição, entre eles os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, também celebraram o anúncio. A reação demonstra que a segurança pública deverá ser disputada por diferentes pré-candidatos contrários a Lula, e não apenas pelo senador do PL.

Lula reage em defesa da soberania

Lula reagiu ao anúncio afirmando que o Brasil não aceita relações de subordinação e criticou a atuação política de Flávio no exterior. O presidente procurou deslocar o debate do combate ao crime para os limites da atuação de um governo estrangeiro sobre organizações e atividades localizadas em território brasileiro.

A preocupação do Planalto é que a classificação produza efeitos financeiros e diplomáticos mais amplos do que os relacionados diretamente às facções. Empresas, setores econômicos ou regiões com exposição indireta a atividades controladas pelo crime organizado poderão enfrentar maior escrutínio de bancos, autoridades e parceiros comerciais.

O governo também avalia o risco de que a designação seja utilizada como justificativa para pressões sobre a política brasileira de segurança pública. A posição oficial deverá combinar defesa da cooperação internacional com rejeição a ações unilaterais que possam ser interpretadas como interferência.

O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, tem sustentado que o Brasil deve cooperar no combate à lavagem de dinheiro, ao tráfico internacional de armas e às redes financeiras do crime organizado. Ao mesmo tempo, rejeita mecanismos que possam reduzir a autonomia brasileira na definição de suas políticas.

Ao adotar o discurso da soberania, Lula tenta neutralizar o argumento de que se opõe ao endurecimento contra as facções. A estratégia é afirmar que o governo combate o crime organizado, mas não aceita que outro país determine unilateralmente a classificação jurídica de organizações brasileiras e produza efeitos sobre o território nacional.

Segurança pública entra no centro da eleição

A decisão dos Estados Unidos reforça uma pauta na qual a oposição pretende pressionar o governo. O bolsonarismo sustenta que a administração federal não age com firmeza suficiente contra as facções e defende o uso de instrumentos mais rigorosos de repressão e bloqueio financeiro.

O Planalto deverá responder destacando operações policiais, cooperação entre órgãos, controle de fronteiras e investigações sobre lavagem de dinheiro. Também buscará diferenciar organizações criminosas de grupos terroristas, classificação que possui consequências jurídicas específicas.

A oposição tentará associar a medida norte-americana a uma suposta incapacidade do Estado brasileiro de enfrentar as facções. O governo, por sua vez, poderá acusar seus adversários de instrumentalizar uma decisão estrangeira e de aceitar riscos à soberania para obter vantagem eleitoral.

Para Flávio, a pauta oferece uma oportunidade de recuperação depois das notícias envolvendo Vorcaro. O risco está em vincular sua imagem a uma iniciativa externa cujos efeitos sobre empresas, cidadãos e relações diplomáticas ainda não são conhecidos.

A associação direta com Trump também poderá mobilizar a base bolsonarista, mas deverá ser explorada pelos adversários como demonstração de dependência política em relação aos Estados Unidos.

Vitória trabalhista ainda depende do Senado

A aprovação do fim gradual da escala 6×1 representa uma vitória importante para Lula, mas o resultado final dependerá do Senado. O governo terá de manter a mobilização social e construir uma maioria qualificada em uma Casa onde a correlação de forças é diferente da observada entre os deputados.

Alterações promovidas pelos senadores obrigariam o texto a retornar à Câmara. Esse risco poderá alongar a tramitação e impedir que a proposta seja promulgada no prazo desejado pelo Planalto.

As discussões deverão incluir produtividade, compensação de horas, convenções coletivas, funcionamento de atividades essenciais e impacto sobre pequenas empresas. O texto aprovado pelos deputados estabelece o princípio geral, mas sua aplicação prática poderá exigir legislação complementar.

Para Lula, o desafio será preservar o conteúdo social da proposta sem perder o apoio de setores econômicos. Para a oposição, a dificuldade será apresentar críticas sem parecer contrária à ampliação do descanso semanal.

A disputa deverá se intensificar à medida que o Senado iniciar a análise. O governo tentará transformar o amplo placar da Câmara em argumento político, enquanto entidades empresariais e parlamentares críticos buscarão modificar o ritmo e a extensão da redução.

Semana termina com duas pautas abertas

Em 31 de maio, Lula encerra a semana com uma vitória legislativa, mas sem garantia de aprovação definitiva da mudança trabalhista. Flávio termina o período com uma pauta favorável na área de segurança, mas ainda submetido aos questionamentos sobre sua relação com Daniel Vorcaro.

Os dois movimentos demonstram que a pré-campanha será influenciada por acontecimentos capazes de alterar rapidamente o foco do debate. Uma votação no Congresso, uma decisão estrangeira ou uma nova revelação pode produzir ganhos imediatos e, ao mesmo tempo, abrir novas vulnerabilidades.

A agenda de Lula deverá combinar direitos sociais, emprego e defesa da soberania. Flávio procurará manter segurança pública, alinhamento com Trump e críticas ao governo federal entre os eixos de sua campanha.

Os próximos marcos já estão definidos. A proposta da jornada de 40 horas seguirá para o Senado, onde enfrentará novo teste político. A classificação norte-americana de PCC e Comando Vermelho está prevista para entrar em vigor em 5 de junho, quando começarão a ser observados seus efeitos jurídicos, financeiros e diplomáticos.

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