A pesquisa Vox Brasil divulgada nesta sexta-feira, 5, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em simulações para a eleição presidencial de 2026, tanto no primeiro quanto no segundo turno. No cenário estimulado de primeira etapa, Lula registra 42,1% das intenções de voto, contra 33,6% de Flávio. Em um eventual embate direto entre os dois, o petista aparece com 47,8%, enquanto o senador soma 41,3%.
O levantamento ouviu 2.100 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 1º e 3 de junho de 2026. A margem de erro estimada é de 2,15 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Segundo o texto-base, a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-08016/2026.
Os números reforçam a disputa antecipada entre Lula e o campo bolsonarista, em um cenário ainda marcado por elevada polarização. Pesquisas recentes de outros institutos também apontaram forte competitividade entre Lula e Flávio Bolsonaro em simulações de segundo turno, com oscilações relevantes ao longo dos últimos meses. Levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado em maio mostrou Lula à frente de Flávio em um possível segundo turno após pesquisas anteriores indicarem empate técnico ou vantagem apertada do senador.
Lula lidera no primeiro turno
No cenário de primeiro turno apresentado pela Vox Brasil, Lula aparece com 42,1% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro registra 33,6%.
A diferença entre os dois é de 8,5 pontos percentuais, superior à margem de erro do levantamento. Outros 2,9% dos entrevistados afirmaram que pretendem votar em branco, nulo ou em nenhum dos nomes apresentados. Já 2,3% disseram não saber ou preferiram não opinar.
O resultado indica vantagem inicial do presidente no cenário testado, mas também mostra que Flávio Bolsonaro mantém um patamar competitivo de intenção de voto. O senador tem sido tratado como um dos principais nomes do campo bolsonarista para a disputa presidencial de 2026, especialmente diante das restrições políticas e jurídicas enfrentadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A presença de Flávio na simulação reforça a tentativa do PL de manter o capital eleitoral do bolsonarismo concentrado em um nome da família do ex-presidente. Ao mesmo tempo, o desempenho de Lula mostra que o petista segue competitivo em um ambiente de confronto direto com a direita.
Segundo turno mostra vantagem de Lula contra Flávio
Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 47,8% das intenções de voto. O senador registra 41,3%.
A diferença é de 6,5 pontos percentuais. Brancos, nulos e indecisos compõem o restante do cenário. O dado sugere vantagem do atual presidente em uma disputa direta, embora o percentual de Flávio indique um quadro ainda polarizado.
A comparação com pesquisas anteriores ajuda a dimensionar o cenário. Em março, levantamentos citados pela Reuters apontavam empate técnico ou disputas muito próximas entre Lula e Flávio Bolsonaro. Em maio, pesquisa AtlasIntel/Bloomberg indicou Lula com vantagem mais clara em um eventual segundo turno, movimento atribuído ao impacto de notícias envolvendo o campo bolsonarista naquele período.
A oscilação entre pesquisas mostra que a disputa ainda está sujeita a mudanças. Até a eleição, fatores como economia, segurança pública, alianças regionais, avaliação do governo, composição de chapas e acontecimentos judiciais podem alterar o quadro eleitoral.
Lula também lidera contra Zema, Caiado e Aécio
A pesquisa também testou Lula em cenários de segundo turno contra outros nomes da oposição.
Contra Romeu Zema (Novo), o presidente aparece com 46,3% das intenções de voto, enquanto o ex-governador mineiro registra 42,5%. Brancos e nulos somam 6,1%, e 5,1% disseram não saber ou não quiseram opinar.
Em um confronto com Ronaldo Caiado (PSD), Lula aparece com 46,5%, contra 44,9% do governador goiano. Nesse caso, a diferença é menor e fica dentro da margem de erro, indicando cenário mais apertado. Brancos e nulos somam 5,9%, enquanto 2,7% não souberam ou não responderam.
Contra Aécio Neves (PSDB), Lula tem a maior vantagem entre os cenários apresentados. O presidente registra 49,1% das intenções de voto, ante 24,5% do tucano. Brancos e nulos somam 12,7%, e 13,7% não souberam ou preferiram não opinar.
Rejeição segue alta para Lula e Flávio Bolsonaro
Apesar da liderança nas simulações, Lula também aparece com a maior rejeição entre os nomes testados. Segundo a pesquisa, 49,2% dos entrevistados dizem que não votariam no presidente de jeito nenhum.
Flávio Bolsonaro vem logo atrás, com 48,3% de rejeição. Aécio Neves aparece com 41,3%.
Os dados de rejeição mostram o grau de resistência enfrentado pelos principais nomes da disputa. Lula e Flávio concentram intenções de voto relevantes, mas também mobilizam forte oposição entre parcelas expressivas do eleitorado.
Esse quadro reforça a polarização política brasileira. Em eleições com alta rejeição dos candidatos mais competitivos, a disputa tende a depender não apenas da capacidade de ampliar apoio, mas também da habilidade de reduzir resistência entre eleitores de centro, indecisos e segmentos menos ideológicos.
Polarização continua no centro da corrida de 2026
A pesquisa Vox Brasil confirma que a eleição presidencial de 2026 segue marcada pela disputa entre Lula e o bolsonarismo. Mesmo com a presença de outros nomes da oposição, Flávio Bolsonaro aparece como o adversário mais diretamente associado ao campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A vantagem de Lula nas simulações não elimina a competitividade do cenário. O senador do PL registra mais de um terço das intenções de voto no primeiro turno e ultrapassa 40% no segundo turno contra o petista.
A leitura política é dupla. Para o governo, os números indicam que Lula mantém força eleitoral e lidera os principais cenários testados. Para a oposição, os resultados mostram que o bolsonarismo conserva uma base ampla e capaz de levar a disputa a um segundo turno competitivo.
O alto índice de rejeição dos dois principais nomes, porém, sinaliza espaço para movimentos de reorganização política. Candidatos como Zema e Caiado aparecem em cenários mais apertados contra Lula, o que pode alimentar debates internos na oposição sobre o perfil mais competitivo para enfrentar o presidente.
Pesquisa amplia pressão sobre articulações eleitorais
O levantamento deve influenciar as articulações partidárias nos próximos meses. No campo governista, a liderança de Lula reforça a estratégia de manter o presidente como principal nome da disputa, mas a rejeição elevada exige atenção à construção de alianças e à comunicação com segmentos resistentes ao PT.
No campo oposicionista, os números mantêm Flávio Bolsonaro como nome relevante, mas também mostram que outros candidatos podem disputar espaço na definição da estratégia para 2026. A diferença estreita entre Lula e Caiado no segundo turno, por exemplo, pode ser usada por aliados do governador goiano para defender sua viabilidade eleitoral.
A corrida ainda está distante da fase decisiva, mas as pesquisas começam a orientar movimentos de partidos, governadores, bancadas e grupos econômicos. Em um cenário de polarização persistente, cada levantamento passa a ser interpretado como sinal sobre a capacidade de transferência de votos, rejeição e potencial de crescimento dos principais nomes.
A pesquisa Vox Brasil, portanto, reforça o quadro de vantagem inicial de Lula, mas também indica que a eleição de 2026 permanece aberta e sujeita a mudanças conforme a campanha se aproximar.








