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Marcha para Jesus reúne Tarcísio, Flávio Bolsonaro e Jorge Messias em SP

Evento evangélico reuniu cerca de 338 mil pessoas e virou vitrine política para lideranças de diferentes campos ideológicos.

por Júlia Campos
04/06/2026 às 15h34
em Política
Autoridades Dos Governos Federal, Estadual E Municipal Acompanharam A Marcha Para Jesus No Centro Da Capital Paulista.

A 34ª edição da Marcha para Jesus reuniu nesta quinta-feira, 4, cerca de 338 mil pessoas no centro de São Paulo, segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP e da ONG More in Common, e se transformou em uma vitrine política para autoridades dos governos federal, estadual e municipal. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o advogado-geral da União, Jorge Messias, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça estiveram entre os presentes.

Organizada pela Igreja Renascer em Cristo, a Marcha para Jesus é uma das maiores manifestações evangélicas do país e ocorre anualmente durante o feriado de Corpus Christi. A edição deste ano voltou a evidenciar o peso político do eleitorado evangélico em meio à antecipação das articulações para 2026.

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A presença simultânea de Tarcísio, Flávio Bolsonaro e Jorge Messias chamou atenção por reunir no mesmo evento lideranças associadas a campos políticos distintos. Enquanto o governador paulista e o senador do PL concentraram discursos em mobilização religiosa e pautas caras à direita, Messias adotou tom de reconciliação e buscou separar o evento da disputa eleitoral.

Tarcísio e Flávio Bolsonaro voltam a dividir espaço público

Tarcísio de Freitas participou do percurso ao lado de aliados políticos e lideranças religiosas. O governador esteve em um dos trios elétricos mais acompanhados pelos participantes e dividiu espaço com Flávio Bolsonaro, Ricardo Nunes e André Mendonça.

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Ao lado de Tarcísio, Flávio Bolsonaro fez um discurso de forte apelo religioso. O senador afirmou que o Brasil vive uma “guerra espiritual” e defendeu a mobilização dos cristãos diante dos desafios enfrentados pelo país.

A presença dos dois no mesmo espaço público teve leitura política imediata. Tarcísio vinha evitando agendas de maior visibilidade com Flávio desde a divulgação de um áudio em que o senador pede recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os dois já haviam aparecido juntos em maio, durante o lançamento da pré-candidatura do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP), ao Senado. A Marcha para Jesus, porém, representou o reencontro público de maior exposição desde a repercussão do caso.

Caso Dark Horse ficou fora dos discursos

O evento ocorreu poucos dias após uma operação da Polícia Civil de São Paulo que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo a produtora responsável por Dark Horse.

Apesar da repercussão política do caso, Tarcísio e Flávio Bolsonaro evitaram comentar o tema durante a marcha. Os discursos ficaram concentrados em referências religiosas, defesa de valores cristãos e mobilização do público evangélico.

A estratégia reduziu o risco de transformar o evento em palco direto de resposta a investigações ou controvérsias recentes. Ainda assim, a imagem dos dois no mesmo trio elétrico teve impacto simbólico, especialmente em um momento de rearranjo das forças da direita para as próximas eleições.

Para Tarcísio, a participação reforça sua interlocução com lideranças evangélicas, segmento considerado decisivo em São Paulo e no cenário nacional. Para Flávio, a marcha ofereceu oportunidade de reconexão com uma base religiosa fortemente identificada com o bolsonarismo.

Jorge Messias adota tom de reconciliação

Representando o governo federal, Jorge Messias participou da Marcha para Jesus pelo quarto ano consecutivo. Evangélico e presbítero batista, o advogado-geral da União é visto no Palácio do Planalto como um dos principais interlocutores de Lula junto ao segmento evangélico.

Durante o evento, Messias adotou tom diferente dos discursos ligados à direita. Defendeu diálogo, perdão e reconciliação entre os brasileiros. Também afirmou que a Marcha para Jesus “não é comício” e deve ser compreendida como manifestação de fé.

A fala buscou reduzir a leitura de confronto político em um ambiente no qual o governo Lula ainda enfrenta resistência. O eleitorado evangélico foi majoritariamente mais próximo do bolsonarismo nas últimas disputas presidenciais, e o Planalto tenta ampliar canais de diálogo com esse grupo.

Ao ser questionado sobre uma possível nova indicação ao Supremo Tribunal Federal, Messias afirmou que aguarda uma resposta de Deus sobre os próximos passos de sua trajetória.

Presença discreta no evento

Apesar de estar entre as autoridades presentes, Messias manteve postura mais discreta ao longo da marcha. Diferentemente de lideranças da direita, não buscou dividir aparições públicas com adversários políticos nem ampliar gestos de aproximação com Flávio Bolsonaro ou Tarcísio.

A presença do advogado-geral da União teve dupla leitura. De um lado, reforçou a tentativa do governo federal de manter interlocução com o segmento evangélico. De outro, expôs a dificuldade do Planalto em disputar espaço em um ambiente político onde a direita segue com forte capacidade de mobilização.

Messias tem sido citado no debate político também por sua possível indicação ao STF. Sua participação em eventos religiosos, portanto, ganha peso adicional por combinar identidade evangélica, função institucional e visibilidade no governo Lula.

Marcha reforça peso político dos evangélicos

A Marcha para Jesus voltou a mostrar a força do segmento evangélico no debate público brasileiro. O evento reuniu centenas de milhares de fiéis e atraiu autoridades de diferentes esferas de poder, reforçando a centralidade desse eleitorado nas estratégias de governo e oposição.

Para a direita, a marcha funcionou como espaço de mobilização e reafirmação de vínculos com lideranças religiosas. Para o governo federal, representou uma oportunidade de presença institucional em um campo onde Lula ainda busca reduzir resistências.

A edição deste ano mostrou que a disputa pelo eleitorado evangélico continuará relevante na agenda política. A presença de Tarcísio, Flávio Bolsonaro e Jorge Messias no mesmo evento expôs, em uma única cena, a tentativa de diferentes campos políticos de se aproximar de um segmento que deve seguir decisivo nas próximas eleições.

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