BNDES Eve: banco de fomento adquire 4,4% de participação na subsidiária da Embraer (EMBR3)
O BNDES Eve tornou-se um dos temas centrais no mercado financeiro e no setor de inovação aeronáutica nesta semana. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social anunciou a aquisição de 4,4% de participação na Eve Air Mobility, empresa de mobilidade aérea urbana da Embraer (EMBR3) voltada ao desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas como eVTOLs.
O movimento reforça a estratégia do banco de fomento em apoiar tecnologias disruptivas e setores estratégicos para o futuro da economia brasileira, além de ampliar a confiança do mercado no potencial da Eve como protagonista global no segmento de táxis aéreos.
BNDES amplia presença na Eve com aporte bilionário
A entrada do BNDES Eve foi consolidada após um aporte de R$ 400 milhões realizado pelo banco de fomento. O valor foi destinado à expansão das operações da Eve e ao desenvolvimento de protótipos do eVTOL, cujo primeiro voo comercial está previsto para 2027.
O anúncio, feito pelo diretor do BNDES, Alexandre Abreu, mostra que a instituição reforça seu papel de investidor estratégico em setores inovadores, além de manter alinhamento com políticas de transição energética e mobilidade sustentável.
A Eve e o projeto dos eVTOLs
A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, é uma das empresas mais promissoras do setor de mobilidade aérea urbana. Seu foco é o desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas popularmente como táxis aéreos elétricos.
A empresa tem como diferencial o suporte tecnológico da Embraer e a expertise acumulada em aviação. Isso permite à Eve ganhar destaque no mercado internacional, competindo diretamente com startups estrangeiras que também disputam espaço nesse segmento.
Segundo projeções, o mercado de eVTOLs pode movimentar bilhões de dólares até 2040, com forte demanda em grandes centros urbanos que buscam alternativas de mobilidade limpa e eficiente.
O papel do BNDES no financiamento da inovação
O investimento do BNDES Eve se insere em uma estratégia mais ampla do banco em estimular setores de inovação, infraestrutura e energia limpa. No primeiro semestre de 2025, o BNDES registrou lucro líquido de R$ 13,3 bilhões, mantendo estabilidade em relação ao ano anterior, e destinou parte de seus resultados ao financiamento de empresas estratégicas.
A carteira de crédito expandida do banco chegou a R$ 597 bilhões, alta de 13% em relação a 2024, o que demonstra a capacidade da instituição em apoiar novos setores. A participação acionária na Eve é vista como uma aposta de longo prazo, com alto potencial de retorno financeiro e estratégico.
Resultados financeiros do BNDES
Além do investimento na Eve, o BNDES divulgou resultados financeiros consistentes no primeiro semestre de 2025:
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Lucro líquido: R$ 13,3 bilhões no período;
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Lucro recorrente: R$ 7,3 bilhões, aumento de 2% em relação a 2024;
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Participações societárias: carteira de R$ 80,3 bilhões em junho, com ajustes de mercado em empresas como Petrobras, JBS e Copel.
Parte do lucro foi impulsionada por operações com ações da JBS (JBSS32), que geraram impacto positivo de R$ 901 milhões, somando vendas de papéis e ganhos com a dupla listagem da companhia no Brasil e nos EUA.
Impacto estratégico da participação do BNDES na Eve
A entrada do BNDES Eve gera impactos em diferentes dimensões:
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Valorização da Embraer (EMBR3): o investimento reforça a credibilidade da Eve, subsidiária estratégica para a Embraer.
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Mercado de capitais: a presença do BNDES amplia a confiança de investidores institucionais e estrangeiros.
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Política industrial: a operação reforça a política de apoio a setores de alta tecnologia no Brasil.
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Sustentabilidade: o projeto dos eVTOLs se alinha às metas de descarbonização da aviação e mobilidade urbana.
Desafios do mercado de eVTOLs
Apesar do otimismo, o setor ainda enfrenta desafios para consolidar-se:
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Infraestrutura: necessidade de heliportos adaptados e corredores aéreos regulamentados;
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Regulação: exigência de certificações de segurança junto a autoridades internacionais de aviação;
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Aceitação pública: adaptação da sociedade ao uso de táxis aéreos elétricos em centros urbanos;
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Concorrência global: disputa com empresas como Joby Aviation e Lilium.
A participação do BNDES fortalece a Eve diante desses obstáculos, garantindo recursos e credibilidade para cumprir seu cronograma.
Perspectivas futuras
O primeiro voo comercial da Eve está previsto para 2027, e a empresa já possui acordos de intenção de compra que ultrapassam centenas de aeronaves. Grandes players do setor aéreo, como companhias de táxi aéreo e empresas de logística, demonstraram interesse nos modelos da Eve.
O apoio do BNDES Eve pode acelerar o processo de certificação e a entrada efetiva da empresa no mercado global. Caso o projeto se concretize, o Brasil poderá se posicionar como líder mundial no segmento de mobilidade aérea sustentável.
A aquisição de 4,4% de participação do BNDES na Eve Air Mobility representa um marco para a inovação no setor aeronáutico brasileiro. O investimento de R$ 400 milhões reforça a confiança na Embraer e em sua subsidiária, que lidera o desenvolvimento dos eVTOLs.
O movimento consolida a estratégia do BNDES Eve de apoiar setores inovadores, com foco em sustentabilidade, alta tecnologia e impacto global. Se os planos forem cumpridos, a Eve poderá colocar o Brasil no centro da corrida mundial pela mobilidade aérea elétrica.






