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Home Economia

México supera EUA e se torna 2º maior destino da carne bovina brasileira em agosto

por Redação
11/09/2025
em Economia, Destaque, Notícias
México Supera Eua E Se Torna 2º Maior Destino Da Carne Bovina Brasileira Em Agosto - Gazeta Mercantil - Economia

México supera EUA e se torna 2º maior destino da carne bovina brasileira em agosto, aponta Abiec

A carne bovina brasileira segue conquistando novos mercados em meio a um cenário de tarifas impostas pelos Estados Unidos. Em agosto de 2025, o México superou os EUA e se tornou o segundo maior destino da proteína produzida no Brasil, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

A mudança ocorre em um contexto de reestruturação do comércio internacional, no qual o Brasil busca diversificar seus parceiros estratégicos diante do impacto da política tarifária norte-americana implementada pelo presidente Donald Trump.


A ascensão do México no mercado da carne bovina brasileira

De acordo com a Abiec, entre 1º e 25 de agosto, o Brasil exportou 10,2 mil toneladas de carne bovina para o México, movimentando cerca de US$ 58,8 milhões. O resultado consolidou o país latino-americano como segundo principal destino da carne bovina brasileira, atrás apenas da China, que continua a liderar com ampla vantagem.

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No mesmo período, os embarques para os Estados Unidos recuaram para 7,8 mil toneladas, totalizando US$ 43,6 milhões. Esse enfraquecimento foi reflexo direto da tarifa adicional de 50% aplicada por Washington em agosto, que se somou à alíquota de 26,4% já incidente fora da cota isenta.

A perda de competitividade fez com que os EUA fossem ultrapassados também por Rússia e Chile, ambos com 7,9 mil toneladas recebidas da carne brasileira.


A trajetória de crescimento das exportações ao México

O movimento não é isolado. As exportações de carne bovina brasileira ao México já vinham em trajetória de crescimento antes da imposição das tarifas pelos EUA.

  • 2023: pouco mais de 5 mil toneladas enviadas

  • 2024: cerca de 46 mil toneladas exportadas

  • 2025 (jan-jul): 67.659 toneladas, movimentando US$ 365 milhões

Isso representa quase o triplo do volume exportado em relação ao mesmo período de 2024, consolidando o México como um dos destinos mais estratégicos para o setor de proteína animal do Brasil.

Segundo a Abiec, a tendência é de que esse mercado continue se expandindo, especialmente se forem implementadas medidas para ampliar o número de frigoríficos brasileiros habilitados a exportar para o país.


Estratégia brasileira: diversificação de mercados

Durante missão oficial ao México, liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, o governo brasileiro reforçou o compromisso de diversificar mercados e reduzir a dependência dos Estados Unidos.

A estratégia envolve dois pilares principais:

  1. Negociações bilaterais para um possível tratado de livre comércio Brasil-México, que daria maior previsibilidade e competitividade às exportações.

  2. Renovação do Pacote Contra a Inflação e a Carestia (Pacic), política mexicana que garante isenção tarifária de insumos essenciais à cesta básica, entre eles a carne bovina.

A Abiec considera essa renovação fundamental para manter o ritmo das vendas e consolidar o Brasil como parceiro estratégico de longo prazo.


O peso do México no agronegócio brasileiro

Atualmente, o México é o 8º maior destino das exportações do agronegócio brasileiro, com participação de 1,87%. Dentro desse montante, a carne bovina representa 20% de tudo o que o Brasil vende ao país em 2025.

Além da carne bovina, o Brasil também exporta para os mexicanos:

  • Carne de frango

  • Carne suína

  • Complexo soja

  • Produtos florestais

  • Café

Esse portfólio reforça a complementaridade entre as duas economias e abre espaço para que a carne bovina continue sendo a “estrela” da balança comercial bilateral.


Os EUA ainda são estratégicos

Apesar da ascensão mexicana, a Abiec ressalta que não se trata de uma substituição dos Estados Unidos. O mercado norte-americano segue sendo um dos mais importantes para a carne bovina brasileira e está no centro das negociações diplomáticas conduzidas pelo Itamaraty.

Segundo a associação, a prioridade é restabelecer plenamente a relação comercial com os EUA, que desde 2009 figuram como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.

Ainda assim, as tarifas impostas em 2025 fragilizaram temporariamente esse laço e impulsionaram a busca por alternativas em outras regiões do mundo.


Diversificação global: além do México

A estratégia brasileira de diversificação dos mercados para carne bovina não se restringe ao México. O governo e a Abiec têm atuado em negociações avançadas com países e blocos estratégicos, como:

  • Canadá

  • Índia

  • EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio)

  • União Europeia (UE)

O objetivo é abrir novas frentes comerciais que possam garantir estabilidade de preços, maior previsibilidade para os frigoríficos e segurança alimentar global.


O impacto da China como líder absoluta

Mesmo com o avanço do México, é importante destacar que a China permanece como destino dominante da carne bovina brasileira. A demanda chinesa continua elevada, sustentada pelo consumo interno robusto e pela necessidade de reposição de estoques.

Para o Brasil, a liderança chinesa é estratégica, mas ao mesmo tempo reforça a necessidade de reduzir dependência e equilibrar a balança de exportações com outros mercados relevantes.

O avanço do México como segundo maior destino da carne bovina brasileira em agosto de 2025 marca um ponto de virada no comércio internacional do setor. A combinação de tarifas impostas pelos EUA, crescimento da demanda mexicana e estratégia ativa de diversificação comercial levou o Brasil a consolidar novas parcerias estratégicas.

Para o consumidor mexicano, a medida representa maior segurança alimentar e acesso a proteína de qualidade. Para o Brasil, é uma oportunidade de consolidar o agronegócio em novos mercados, reforçando sua posição como maior exportador mundial de carne bovina.

Nos próximos meses, o setor seguirá atento às negociações com EUA, México e União Europeia, que definirão os rumos da pecuária brasileira no cenário global.

Tags: Abiec carne bovinacarne bovina brasileiraEUA tarifas carne bovinaexportação de carne bovinamercado da carne bovinaMéxico carne bovina

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