O julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) começa nesta terça-feira (2), enquanto o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. Entre estratégias de defesa, articulações políticas e temor de prisão em regime fechado, aliados traçam planos que vão da redução de danos a tentativas de anistia no Congresso.
O cenário do julgamento de Bolsonaro
O julgamento de Bolsonaro no STF é um dos eventos mais aguardados da política brasileira recente. Em prisão domiciliar desde agosto de 2025, o ex-presidente acompanha de casa os desdobramentos que podem definir seu futuro político e pessoal. A definição do caso está prevista para o dia 12 de setembro e envolve acusações graves, com penas que podem chegar a até 43 anos de prisão. Nos bastidores, o clima entre aliados é de cautela e realismo: não há expectativa de absolvição, mas sim de minimizar as consequências.
Estratégia de defesa: foco na redução de danos
A primeira linha de ação da defesa no julgamento de Bolsonaro é reduzir penas. Os advogados trabalham com a lógica de que, se condenado por diferentes crimes, uma pena maior pode absorver outra menor — como a de abolição do estado democrático absorvendo a de tentativa de golpe de Estado. A estratégia é vista como forma de preservar o ex-presidente de um somatório de condenações que poderia ampliar o tempo de prisão. Essa tática se concentra mais em negociar juridicamente a extensão das punições do que em buscar absolvição plena.
O álibi: “eu estava na Disney”
Outro ponto central da defesa no julgamento de Bolsonaro é a insistência de que ele não estava no Brasil durante os atos de 8 de janeiro. A versão, repetida pelo ex-presidente, é de que estava nos Estados Unidos, “na terra da Disney”. A defesa aposta que esse elemento reforça a ausência de participação direta e pode ser usado como argumento para enfraquecer acusações de envolvimento em articulações golpistas. Mesmo assim, a acusação sustenta que a responsabilidade de Bolsonaro se deu por falas e omissões anteriores que alimentaram o ambiente político do período.
Bolsonaro como “animal político”: olho no STF e no Congresso
O ex-presidente costuma se definir como um “animal político”, e essa postura se reflete no entorno do julgamento de Bolsonaro. Enquanto enfrenta a Suprema Corte, Bolsonaro e seus aliados já trabalham politicamente no Congresso Nacional, especialmente na Câmara dos Deputados. O objetivo é dobrar a aposta sobre o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e manter vivas as articulações em torno de um projeto de anistia.
Líderes do PL, como Sóstenes Cavalcante, defendem publicamente a possibilidade de anistiar condenações relacionadas ao 8 de janeiro, e usam até declarações de ministros do STF para embasar essa narrativa. A anistia, se avançar, pode incluir reversão da inelegibilidade de Bolsonaro e abrir espaço para sua volta ao jogo político. O esforço é visto como prioridade da família Bolsonaro após o julgamento.
O temor de “puxar cana”: risco de prisão em regime fechado
Apesar de já estar em prisão domiciliar, a maior preocupação nos bastidores do julgamento de Bolsonaro é a possibilidade de cumprimento de pena em regime fechado. O receio é que a decisão do STF leve o ex-presidente para uma penitenciária, afastando-o de condições mais brandas de isolamento em casa. Os advogados, por sua vez, preparam um pedido para que Bolsonaro cumpra a pena em regime domiciliar, alegando motivos de saúde. O argumento é de que o ex-presidente precisa de tratamento médico adequado e de acompanhamento contínuo, o que não seria viável em prisão comum.
Articulação política e o papel da anistia
Nos corredores do Congresso, aliados trabalham intensamente para viabilizar um texto que trate de anistia. A proposta incluiria não apenas militantes e financiadores dos atos de 8 de janeiro, mas também Bolsonaro. O grau de empenho é elevado, e a expectativa é que o tema seja colocado em pauta após o julgamento no STF. Nos bastidores, há quem acredite que, mesmo que Bolsonaro seja condenado a longo período de prisão, a aprovação da anistia poderia mudar radicalmente seu destino político e jurídico. Essa costura política é vista como aposta de sobrevivência a médio prazo.
Como o julgamento de Bolsonaro impacta o futuro político
Independentemente do resultado imediato, o julgamento de Bolsonaro moldará o futuro do bolsonarismo. Se condenado a longas penas, o ex-presidente pode ficar afastado da política por mais de uma década. Ainda assim, sua base no Congresso articula medidas que buscam reduzir esses efeitos. A família Bolsonaro mantém protagonismo no debate e aposta no discurso de perseguição política para mobilizar apoiadores. Nas redes sociais, a militância segue ativa, reforçando a imagem de Bolsonaro como vítima do sistema judicial e tentando preservar seu capital eleitoral.
Linha do tempo até a decisão do STF
-
2 de setembro: início do julgamento no STF.
-
12 de setembro: data prevista para a definição da Corte.
-
Após decisão: possível intensificação de articulações no Congresso em torno de anistia.
-
Cenário futuro: definição do regime de prisão e impacto na liderança política de Bolsonaro.
O peso simbólico do julgamento
O julgamento de Bolsonaro não é apenas jurídico, mas também político. Ele representa a resposta institucional do Estado brasileiro aos eventos de 8 de janeiro. Para aliados, a batalha é sobre manter viva a relevância política do ex-presidente. Para opositores, é um marco na defesa da democracia. Em qualquer cenário, a decisão do STF marcará a história recente do país e definirá os rumos da polarização política no Brasil.
Perguntas frequentes sobre o julgamento de Bolsonaro
Quais crimes podem ser julgados?
Entre as acusações estão tentativa de golpe de Estado e abolição do estado democrático de direito.
Quais são as penas previstas?
As penas máximas somadas podem chegar a 43 anos de prisão.
Bolsonaro pode ser preso em regime fechado?
Sim, caso o STF decida por condenação sem aceitação do pedido de prisão domiciliar.
O que é o projeto de anistia?
É uma proposta em discussão no Congresso que poderia perdoar crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro, incluindo os de Bolsonaro.
Quando será a decisão final?
A previsão é que o julgamento seja concluído até 12 de setembro.
O julgamento de Bolsonaro no STF é mais do que um processo jurídico: é um divisor de águas na política brasileira. Nos bastidores, aliados se concentram em reduzir danos, costurar acordos políticos e apostar na anistia como saída. Enquanto isso, o temor de prisão em regime fechado pesa sobre o ex-presidente. A decisão da Suprema Corte trará consequências diretas não apenas para Bolsonaro, mas para todo o cenário político nacional.






