Cade aprova venda de parte do GPA ao Grupo Coelho Diniz e redesenha cenário do varejo
A aprovação da venda de parte do GPA ao Grupo Coelho Diniz pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) marca um movimento estratégico que pode alterar significativamente o equilíbrio do varejo brasileiro. Com a transação, os empresários André Luiz, Alex Sandro, Fábio, Henrique Mulford e Helton Coelho Diniz passam a deter 24,5% da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), controladora do Grupo Pão de Açúcar (GPA). O percentual supera o do tradicional sócio francês Grupo Casino, que possui 22,5% das ações.
Apesar da coincidência no sobrenome, não há parentesco entre os atuais investidores e o empresário Abilio Diniz, ex-controlador do GPA e falecido em 2024.
Cade aprova sem restrições
O despacho publicado no Diário Oficial da União, assinado pelo superintendente-geral Alexandre Barreto, autorizou a transação sem restrições. Segundo a análise técnica, a operação não gera sobreposição horizontal nem integração vertical, uma vez que o GPA e o Grupo Coelho Diniz atuam em municípios distintos. Em Minas Gerais, por exemplo, a CBD possui loja apenas em Uberlândia, onde os mineiros não estão presentes.
O parecer também destacou que nenhuma empresa do grupo mineiro fornece produtos a supermercados concorrentes, reforçando que a aquisição representa uma substituição de agente econômico, e não uma concentração prejudicial ao mercado.
A escalada de participação da Família Coelho Diniz
O movimento de entrada dos mineiros no GPA foi gradual e estratégico. Em fevereiro de 2025, a família iniciou a investida comprando cerca de 5% das ações. Em maio, dobrou a fatia para 10%, atingiu 17,7% em junho e, em agosto, consolidou a posição atual de 24,5%.
O interesse na CBD reflete a busca de expansão além do território mineiro, onde o Supermercado Coelho Diniz já é referência, com 22 lojas espalhadas pelo leste do Estado. Agora, com presença relevante no GPA, a família passa a influenciar diretamente o futuro de marcas icônicas como Pão de Açúcar, Extra Mercado, Minuto Pão de Açúcar e Mini.
Importância do GPA no setor varejista
A CBD, listada na B3, tem forte atuação no varejo físico e online. Além das marcas tradicionais de supermercados, mantém serviços complementares, como locação de imóveis próprios e plataformas de e-commerce. Sua capilaridade atinge estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Goiás e Ceará, além do Distrito Federal.
A entrada do Grupo Coelho Diniz fortalece a governança da companhia e sinaliza para uma reestruturação de estratégia, com foco na expansão nacional e digital.
Fato relevante: nova chapa para o conselho
Em comunicado enviado à CVM, o GPA informou que os acionistas da família Coelho Diniz apresentaram proposta de chapa de candidatos para o conselho de administração. Entre os nomes estão André Luiz Coelho Diniz, Gustavo Lobato, Leandro Assis Campos, Luiz Henrique Cunha, Christophe José Hidalgo, Marcelo Ribeiro Pimentel, Helene Esther Bitton, Rafael Ferri e Edison Ticle de Andrade Melo e Souza Filho.
A medida reforça o protagonismo do grupo mineiro e abre caminho para mudanças na gestão estratégica da rede. Uma assembleia geral extraordinária deve ser convocada para deliberar sobre a proposta.
Impacto no mercado
A decisão do Cade e a ascensão do Grupo Coelho Diniz no GPA têm impactos diretos sobre o setor varejista:
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Competitividade: a entrada de novos controladores tende a aumentar a disputa por espaço no mercado de supermercados.
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Expansão regional: o GPA pode acelerar sua presença em Minas Gerais, onde os mineiros já dominam parte significativa do mercado.
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Governança corporativa: a composição do conselho ganha novos atores, potencialmente redefinindo estratégias de longo prazo.
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E-commerce: a expertise da CBD em comércio eletrônico pode se unir à visão inovadora do grupo mineiro para ampliar participação digital.
A aprovação da transação pelo Cade sem restrições sinaliza confiança regulatória e abre espaço para que o Grupo Coelho Diniz exerça papel decisivo no futuro do GPA. A consolidação dessa posição, somada à proposta de nova chapa para o conselho de administração, reforça que a família mineira não apenas ampliou sua presença no varejo nacional, mas também assumiu protagonismo em uma das maiores redes de supermercados do Brasil.






