EUA negociam crédito de US$ 20 bilhões para Argentina em apoio a Milei antes das eleições
O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (24/09/2025) que está em negociações para liberar uma linha de swap de US$ 20 bilhões para o Banco Central da Argentina. A medida, anunciada pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, ocorre em um momento delicado para o governo de Javier Milei, a poucas semanas das eleições legislativas de 26 de outubro.
O movimento tem como objetivo conter a pressão sobre o peso argentino e oferecer estabilidade em meio à turbulência política e econômica. Além da linha de crédito, Bessent destacou que Washington está disposto a comprar bônus argentinos em dólares, desde que as condições de mercado sejam favoráveis.
O que significa a linha de crédito de US$ 20 bi
O EUA crédito Argentina trata-se de uma operação de swap cambial, instrumento que permite ao Banco Central argentino reforçar suas reservas internacionais. Na prática, o apoio ajuda o país a enfrentar ataques especulativos e reduzir a volatilidade da moeda.
Esse tipo de negociação é visto como alternativa ao tradicional socorro via FMI, marcado por condicionalidades rígidas. No caso argentino, a proximidade com Washington reforça o peso geopolítico do acordo, sobretudo em um cenário de disputas internas e perda de apoio popular a Milei.
Reunião de Milei com Trump e Bessent em Nova York
O anúncio veio logo após Milei participar de encontros em Nova York durante a Assembleia Geral da ONU. O presidente argentino se reuniu com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e também com Donald Trump, que reafirmou que os EUA “ajudarão a Argentina”, mas ressaltou que o apoio não deve ser interpretado como um “resgate”.
A sinalização foi suficiente para animar os mercados: o peso argentino avançou 2,5% frente ao dólar, reduzindo parte das perdas recentes.
Contexto eleitoral: Milei sob pressão
A economia da Argentina atravessa uma fase crítica. Após adotar políticas de austeridade severa desde sua eleição em 2023, Milei enfrenta desgaste político. A derrota do seu partido para o movimento peronista nas eleições provinciais em Buenos Aires, em 7 de setembro, foi considerada um termômetro negativo para o pleito legislativo de outubro.
Além da crise econômica, um escândalo de corrupção envolvendo sua irmã abalou ainda mais sua popularidade. Nesse cenário, o EUA crédito Argentina aparece como um fôlego para evitar colapso monetário às vésperas da votação.
Repercussão no Congresso dos EUA
O anúncio das negociações não passou despercebido em Washington. A senadora democrata Elizabeth Warren enviou carta ao Tesouro pedindo esclarecimentos sobre a operação, classificando-a como um “resgate disfarçado”.
Segundo Warren, usar recursos emergenciais para sustentar a moeda argentina seria uma distorção de prioridades da política externa norte-americana. Em resposta, Bessent criticou a posição de opositores, lembrando que governos anteriores “falharam em agir quando tiveram a oportunidade de estabilizar a América Latina”.
Estratégia geopolítica de Trump
Para Donald Trump, que busca consolidar sua agenda política internacional, apoiar a Argentina faz parte de uma estratégia maior de influência nos mercados da América Latina. Ao lado de Bessent, ele afirmou que “todas as opções para estabilização estão na mesa”, sugerindo que outras medidas poderão ser adotadas caso a crise se agrave.
O EUA crédito Argentina também é visto como instrumento de fortalecimento das relações bilaterais em um momento em que Washington disputa espaço geopolítico com China e Rússia na região.
Efeitos imediatos no mercado
A notícia do possível crédito de US$ 20 bilhões trouxe reação positiva nos mercados. Além da valorização do peso, títulos soberanos argentinos registraram leve recuperação, e o índice Merval, principal da bolsa de Buenos Aires, encerrou o dia em alta.
Para analistas, a medida reforça a confiança no curto prazo, mas não resolve as fragilidades estruturais da economia argentina, que ainda enfrenta inflação elevada, déficit fiscal e forte desconfiança dos investidores.
Perspectivas para a economia argentina
Caso o acordo seja formalizado, a Argentina poderá ganhar tempo para atravessar o processo eleitoral sem maiores turbulências cambiais. No entanto, especialistas alertam que o EUA crédito Argentina precisa ser acompanhado de reformas estruturais para gerar resultados duradouros.
Apoio externo pode aliviar a pressão de curto prazo, mas a sustentabilidade da economia argentina depende da capacidade de Milei em implementar medidas que restaurem a confiança do mercado e da população.
A negociação entre Estados Unidos e Argentina para liberar uma linha de crédito de US$ 20 bilhões evidencia a importância da relação bilateral em um momento de grande instabilidade. Para Milei, o acordo representa tanto um alívio econômico quanto um ativo político a poucas semanas de eleições decisivas.
Apesar das críticas no Congresso americano, o movimento sinaliza que Washington aposta em Milei como aliado estratégico na região. O desafio agora é transformar o EUA crédito Argentina em um instrumento de estabilização duradoura e não apenas em uma manobra de curto prazo.







