A ABF Franchising Expo 2026 encerrou sua 33ª edição em São Paulo mostrando um setor mais amplo, tecnológico e diversificado, no qual convivem grandes redes nacionais, marcas estrangeiras, operações home based, lojas automatizadas e franquias com investimentos que partem de aproximadamente R$ 5 mil e chegam à casa dos milhões. Realizado entre 24 e 27 de junho nos pavilhões Branco e Verde do Expo Center Norte, o evento reuniu centenas de oportunidades de negócios e colocou inteligência artificial, automação, eficiência operacional e expansão para o interior no centro das estratégias das franqueadoras.
Organizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), com promoção da Informa, a ABF Expo 2026 funcionou como um retrato das mudanças em curso no mercado brasileiro de franquias. Alimentação continuou como uma das áreas mais representativas, mas perdeu o protagonismo exclusivo para setores como saúde, bem-estar, educação, limpeza, serviços financeiros, varejo automatizado, moda circular e infraestrutura para veículos elétricos.
O evento também mostrou uma mudança no perfil do investidor procurado pelas redes. As franqueadoras continuam interessadas em novos empreendedores, mas passaram a disputar com maior intensidade operadores experientes, capazes de administrar várias unidades, compartilhar estruturas administrativas e acelerar a abertura de lojas em diferentes cidades.
Outra transformação veio do uso crescente de dados. Plataformas de geomarketing, inteligência artificial, reconhecimento facial, automação financeira, monitoramento remoto, gestão de estoques e sistemas de relacionamento com consumidores deixaram de ser acessórios. Em vários modelos apresentados na feira, essas ferramentas aparecem como parte central da proposta de valor oferecida ao franqueado.
Investimentos variam de microfranquias a grandes operações
A amplitude dos aportes foi uma das características da feira. Entre as opções mais acessíveis estava a FrogPay, empresa de tecnologia e meios de pagamento que apresentou uma microfranquia home based com investimento inicial a partir de R$ 5 mil, sem cobrança de royalties e com operação voltada à prospecção de pequenos e médios negócios.
A TRATABEM, da Rede iGUi, levou ao evento um modelo de prestação de serviços para limpeza, tratamento e manutenção de piscinas com investimento inicial a partir de R$ 12,5 mil. A rede informou possuir mais de 120 operações e ofereceu uma estrutura home office, também sem royalties.
Na área de serviços financeiros, a Azul Empréstimo apresentou uma franquia com investimento a partir de R$ 15,9 mil para atuação com crédito consignado, financiamento, consórcios e seguros.
A Mapa da Mina Acessórios destacou um formato store in store, com investimento inicial a partir de R$ 15 mil. O modelo permite instalar uma operação de semijoias dentro de outro estabelecimento, como uma loja de roupas ou salão de beleza, reduzindo custos imobiliários e de implantação.
A Peggô Market apresentou seu formato Pocket, mercado autônomo de aproximadamente quatro metros quadrados, com investimento inicial a partir de R$ 20 mil e sortimento de cerca de 200 produtos.
Já a PitCap estreou na feira com máquinas automatizadas para higienização de capacetes. O aporte começa em R$ 23,5 mil, e o equipamento utiliza luz ultravioleta e vapor quente para realizar o serviço sem necessidade de atendimento humano.
Essas propostas mostram como o franchising tenta alcançar empreendedores que antes não teriam recursos para montar uma loja convencional. O investimento inicial reduzido, porém, não significa ausência de risco. A rentabilidade dependerá do território, da demanda, do capital de giro, da capacidade comercial do operador e da qualidade do suporte oferecido pela franqueadora.
Inteligência artificial passa da promessa para a gestão cotidiana
A inteligência artificial foi um dos temas mais recorrentes da ABF Expo 2026. Seu uso apareceu em atividades comerciais, atendimento, previsão de demanda, seleção de territórios, treinamento e acompanhamento financeiro das unidades.
A HeadOffice.ai apresentou uma franquia dedicada ao fornecimento de soluções de inteligência artificial para redes. A tecnologia integra informações de diferentes departamentos e busca apoiar decisões em empresas com várias unidades. A companhia informou atender marcas como Bob’s e Cacau Show.
A Berry Consultoria demonstrou a Maia, uma inteligência artificial integrada ao sistema de relacionamento com clientes. A ferramenta utiliza informações registradas no CRM para produzir briefings, escopos de projetos e planos de ação. Segundo a empresa, a aplicação reduziu em até 50% o tempo destinado a parte das tarefas manuais.
A Maria Brasileira, rede de limpeza residencial e empresarial com mais de 520 unidades, apresentou uma plataforma de geomarketing capaz de estimar o potencial de consumo e a viabilidade de uma franquia em diferentes localidades. O recurso busca reduzir um dos maiores riscos do franchising: a abertura de unidades em territórios com demanda insuficiente ou concorrência excessiva.
Na educação, a Prepara IA destacou a incorporação da inteligência artificial ao portfólio de mais de 150 cursos profissionalizantes. A rede informou possuir mais de 300 escolas e 70 mil alunos.
No varejo óptico, o Mercadão dos Óculos levou à feira lentes desenvolvidas com apoio de inteligência artificial e um totem de visagismo destinado a auxiliar consumidores na escolha de armações.
A LIVO apresentou um conceito de óptica com exames realizados na loja, produção rápida de óculos e inteligência artificial aplicada à gestão, à definição dos estoques e ao relacionamento com clientes.
O uso de IA também chegou ao setor de franquias como ferramenta de prospecção. A FrogPay informou disponibilizar sistemas para localizar potenciais clientes e produzir materiais comerciais, enquanto a Avend apresentou uma plataforma que combina inteligência artificial, telemetria e dados de consumo na administração de máquinas automáticas.
Redes de alimentação diversificam formatos e canais
A alimentação manteve uma presença expressiva na feira, com redes maduras e marcas em expansão disputando investidores. O principal movimento do segmento foi a busca por operações mais flexíveis, capazes de funcionar em shoppings, ruas, aeroportos, hospitais, centros educacionais e pontos menores.
A Bella Capri apresentou uma dark kitchen multimarca com investimento inicial a partir de R$ 219 mil. A estrutura pode operar até oito tipos de culinária no mesmo espaço, reunindo pizzas, massas, salgados, esfihas, frango frito, parmegiana, feijoada e outros pratos voltados às entregas.
A proposta tenta elevar a utilização da cozinha ao longo do dia e reduzir a dependência de uma única marca ou ocasião de consumo. Em contrapartida, o modelo aumenta a complexidade de produção, estoque e gestão dos diferentes cardápios.
O Grupo Trigo voltou à ABF Expo com a Casa do Pão de Queijo e apresentou formatos compactos de Spoleto, Koni e ASA Açaí. Entre as opções estavam quiosques, operações store in store e o Spoleto Piccolo. O grupo informou esperar mais de 100 novos contratos até o fim de 2026.
O Bob’s, presente em todos os estados, anunciou uma estratégia baseada em interiorização, drive-thrus e crescimento de operadores já integrados à rede. A empresa projeta faturamento de R$ 1,8 bilhão e mais de 150 novas unidades em 2026. Cerca de 60% das novas operações, segundo a rede, estão sendo adquiridas por franqueados atuais.
A Chiquinho apresentou cinco formatos de franquia com investimento a partir de R$ 344 mil. A companhia possui mais de mil unidades e informou que também concentra aproximadamente 60% das novas vendas em operadores que já administram lojas da marca.
O Giraffas chegou à feira após superar R$ 1 bilhão em faturamento anual. Com mais de 400 unidades, a rede colocou eficiência, experiência do consumidor e digitalização entre as prioridades para sustentar o crescimento.
A Casa Bauducco reafirmou a meta de alcançar 500 lojas e ofereceu condições para novos franqueados, incluindo benefícios estimados entre R$ 100 mil e R$ 120 mil. A marca também apresentou um programa para triplicar o número de multifranqueados, com incentivos que podem incluir isenção temporária de royalties.
Cafeterias disputam espaço além dos grandes centros
O mercado de cafeterias e sobremesas também mostrou forte competição.
A Havanna, que completou 20 anos de operação no Brasil, apresentou formatos de cafeteria, heladeria e unidades híbridas. A empresa informou ter mais de 250 lojas no país e mais de 2,5 mil operações em 12 mercados.
A Juan Valdez, marca colombiana de cafés especiais, estabeleceu a meta de alcançar 100 lojas no Brasil até 2028. O plano inclui franquias e subfranquias regionais, com investimento inicial a partir de R$ 800 mil para lojas de aproximadamente 50 metros quadrados.
O Rei do Mate levou novos modelos compactos, criados para locais nos quais as lojas tradicionais enfrentavam restrições de espaço. Após faturar mais de R$ 410 milhões em 2025, a rede projeta receita entre R$ 450 milhões e R$ 460 milhões em 2026.
A Sterna Café chegou ao evento com 100 unidades em dez estados e meta de atingir 130 operações até o fim do ano. Entre as atrações apresentadas estavam tablets para simulação de pedidos e um robô garçom capaz de entregar produtos, interagir por comandos de voz e divulgar ofertas em uma tela digital.
A expansão das cafeterias mostra uma tentativa de ocupar diferentes momentos de consumo. As redes buscam reduzir a dependência do café tradicional por meio de refeições rápidas, produtos presenteáveis, sorvetes, bebidas funcionais e itens para consumo fora da loja.
Lavanderias e mercados autônomos aceleram automação
As operações com menor dependência de funcionários ganharam visibilidade na ABF Expo 2026.
O market4u apresentou um novo totem de pagamento com reconhecimento facial para validar compras e promoções. A rede informou possuir mais de 2,6 mil unidades em mais de 180 cidades e projetou alcançar faturamento de R$ 500 milhões e 4 mil operações.
O crescimento dos mercados autônomos está associado à verticalização das cidades, ao avanço dos condomínios residenciais e à procura por conveniência durante 24 horas. A expansão, no entanto, depende de sistemas de segurança, controle de perdas e abastecimento eficiente.
A 5àsec apresentou uma nova geração de armários inteligentes para recebimento e retirada de roupas, com biometria e reconhecimento facial. A rede estima que o formato possa reduzir em até 35% o custo de implantação e pretende instalar 100 unidades em dois anos.
A LavPop by 5àsec, dedicada ao autosserviço, informou possuir mais de 135 pontos de venda e planejar outras 100 operações até o fim de 2026.
A Lavateria chegou à feira com mais de 700 unidades e expansão internacional em andamento na Argentina e na União Europeia.
A OMO Lavanderia também destacou o autosserviço como principal vetor de crescimento. O investimento inicial informado para uma unidade começa em aproximadamente R$ 120 mil.
Nesse segmento, a automação reduz a folha de pagamento e permite horários ampliados, mas transfere parte do risco para equipamentos, manutenção, segurança, consumo de energia e localização.
Saúde, beleza e envelhecimento atraem investimentos
As mudanças demográficas e o aumento da procura por serviços de saúde e bem-estar impulsionaram um dos grupos mais diversificados da feira.
A Acuidar, especializada em cuidadores, informou possuir mais de 320 operações, 17 mil profissionais cadastrados e faturamento superior a R$ 243 milhões. A empresa apresentou um comércio eletrônico para contratação de profissionais e anunciou o início da expansão internacional por Portugal.
A Terça da Serra Residencial Sênior chegou ao evento com 160 unidades e uma estratégia baseada em multifranqueados, projetos imobiliários construídos sob medida e conversão de operações já existentes. A rede atua em um mercado beneficiado pelo crescimento da população com 60 anos ou mais.
A Previmune apresentou dois modelos de clínicas de vacinação, incluindo uma microfranquia que pode ser instalada dentro de farmácias, clínicas e consultórios. A expansão acompanha o crescimento do mercado privado de imunização e o avanço da aplicação de vacinas em drogarias.
A FarMelhor também reforçou a transformação da farmácia em um centro de serviços de saúde. A rede apresentou espaços para vacinação e aplicação de medicamentos, além de uma máquina automática comercializada como microfranquia a partir de R$ 30 mil.
A novofio, especializada em transplantes capilares, informou possuir 60 unidades comercializadas, presença em 21 estados e meta de alcançar 100 clínicas vendidas em 2026. A empresa projeta faturamento de R$ 120 milhões, ante R$ 70 milhões em 2025.
A Espaço Facial apresentou condições especiais para novos investidores e informou investimento inicial a partir de R$ 270 mil. A companhia pretende passar de 48 unidades, ao fim de 2025, para 95 operações em 2026.
A Fast Massagem, criada em 2023, declarou crescimento de 143,6% no faturamento do primeiro trimestre e projeção de receita superior a R$ 31 milhões no ano.
Academias ampliam disputa pelo mercado de bem-estar
As redes fitness também anunciaram metas agressivas.
A Academia Gaviões 24H apresentou o plano Legacy 2030, que prevê mil unidades no Brasil e no exterior até 2030. Segundo a empresa, a expansão poderá gerar até 50 mil empregos diretos e indiretos e movimentar entre R$ 14 bilhões e R$ 18 bilhões.
A Fast Treino apresentou um conceito de academia automatizada com circuitos que combinam exercícios de força e atividades cardiovasculares em treinos de até 36 minutos. Os modelos variam de 40 a 500 metros quadrados e funcionam com um professor por turno.
A Academia Corpo e Saúde estreou na feira com 40 unidades e meta de chegar a 120 até o fim de 2026.
A Ultra Academias informou faturamento de R$ 300 milhões nos 12 meses anteriores, mais de 300 mil alunos ativos, cerca de 200 franqueados e mais de 100 unidades em 16 estados.
O crescimento do fitness mostra a procura por modelos que combinem mensalidades acessíveis, grande escala e uso intensivo dos equipamentos. A competição, entretanto, aumenta o risco de saturação em regiões com elevada concentração de academias.

Moda aposta em rebranding, circularidade e multifranqueados
O setor de moda utilizou a feira para apresentar reposicionamentos e metas de crescimento.
A Capodarte anunciou a intenção de passar de 50 para 200 lojas próprias e franqueadas até 2030, além de ampliar de 500 para mil os pontos de venda multimarcas. O plano acompanha um processo de reformulação da marca e das lojas.
A Morana chegou ao evento com 330 unidades e projetou encerrar 2026 com aproximadamente 370. Cerca de 40% dos 183 franqueados da empresa administram mais de uma operação.
A Milon, marca de moda infantil, informou possuir mais de 135 unidades e pretende alcançar 155 lojas até o fim do ano. Aproximadamente 55% dos operadores são multifranqueados.
O Peça Rara representou o avanço da economia circular. Com mais de 130 unidades, a rede de brechós informou crescimento de 25% no faturamento de 2025, redução de 10% no custo das mercadorias vendidas e aumento da rentabilidade das franquias.
A Plié levou parte de sua produção ao estande, com costureiras confeccionando peças durante o evento. A empresa possui aproximadamente 40 franquias, nove lojas próprias e mais de 3,5 mil pontos de venda e projeta abrir 20 unidades em 2026.
O movimento do setor mostra que as marcas tentam diferenciar suas operações por posicionamento, fabricação própria, circularidade, dados de consumo e maior integração entre lojas físicas e comércio eletrônico.
Educação busca novas receitas dentro e fora das escolas
As franquias de educação apresentaram modelos mais flexíveis e maior integração tecnológica.
A Cultura Inglesa anunciou sua entrada no segmento de microfranquias, com investimentos a partir de R$ 110 mil. Entre os modelos está o school in school, que permite operar dentro de escolas, universidades, condomínios ou clubes.
A rede pretende alcançar 300 unidades até 2030 e ampliar receitas com cursos digitais, certificações internacionais, programas bilíngues e contratos corporativos.
O Cel.Lep apresentou um modelo com investimento estimado em R$ 250 mil, faturamento médio anual projetado em R$ 1,1 milhão e retorno indicado entre 24 e 36 meses.
A Microlins destacou a inclusão de competências socioemocionais em seu portfólio de mais de 150 cursos e informou planejar 41 novas unidades em 2026.
A Ensina Mais Turma da Mônica, dedicada ao reforço escolar, robótica e programação, pretende abrir 32 operações ao longo do ano.
O Yázigi, adquirido pelo Grupo MoveEdu em 2026, apresentou estratégias para ampliar a presença dentro de escolas particulares, integrando o ensino de idiomas à grade ou ao contraturno.
A presença dessas redes mostrou que a educação franqueada já não depende apenas de unidades próprias em ruas comerciais. O crescimento passa por contratos com escolas, cursos digitais e modelos híbridos que utilizam a estrutura de terceiros.
Mobilidade elétrica abre nova frente de franquias
No setor automotivo, a feira reuniu propostas que vão da comercialização de seminovos à infraestrutura para veículos elétricos.
A Carflix apresentou uma franquia para intermediar a compra e venda de veículos sem a necessidade de manter estoque próprio. Os modelos Pocket e Store exigem investimentos a partir de R$ 170 mil. A rede informou possuir 16 unidades em operação e outras 20 em implantação.
A Voltta, solução ligada à Eneva (ENEV3), apresentou um modelo de franquia para implantação e administração de eletropostos. A proposta combina carregadores, aplicativo, monitoramento remoto e inteligência comercial.
A empresa aposta no aumento da frota eletrificada e na insuficiência da rede de recarga. O Brasil já possui centenas de milhares de veículos plug-in, enquanto a disponibilidade de carregadores ainda varia de forma significativa entre regiões.
O modelo cria uma nova oportunidade de negócios, mas depende da velocidade de adoção dos veículos elétricos, da tarifa de energia, da localização das estações e da utilização efetiva de cada equipamento.
Fornecedores disputam a infraestrutura das redes
A ABF Expo 2026 não reuniu apenas franqueadoras. Empresas de tecnologia, instituições financeiras, administradoras de imóveis, aeroportos e consultorias buscaram conquistar as redes como clientes.
A TOTVS Linx destacou soluções para gestão de um mercado que já supera R$ 300 bilhões em faturamento. A companhia levou discussões sobre consumo, tecnologia, expansão e desempenho operacional.
A F360 apresentou ferramentas de gestão financeira para varejistas e franquias. A empresa encerrou 2025 com faturamento de R$ 36,9 milhões, Ebitda de R$ 7,4 milhões e mais de 15 mil clientes ativos. Para 2026, projeta receita de R$ 46 milhões.
A Fiserv apresentou a Loja Clover, formato dedicado a demonstrar soluções de pagamentos, conciliação, crédito e automação comercial.
Santander (SANB11) e Getnet também participaram com produtos financeiros e meios de pagamento destinados a franqueadores e operadores.
No mercado imobiliário, o Carrefour Property apresentou oportunidades em mais de 250 galerias comerciais associadas a unidades Carrefour, Atacadão e Sam’s Club, além de shopping centers.
A Infraero levou espaços comerciais disponíveis em aeroportos, com destaque para o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, que completou 90 anos em 2026.
A HBR Realty (HBRE3) apresentou a expansão de centros de conveniência e shopping centers. A plataforma ComVem chegou a 40 unidades em operação e 22 em desenvolvimento.
A presença desses fornecedores reforça que o resultado de uma franquia depende de um ecossistema composto por ponto comercial, crédito, meios de pagamento, sistemas, logística, treinamento e acompanhamento de desempenho.
Multifranqueados ganham importância estratégica
Um dos sinais mais claros da maturidade do setor foi o crescimento do número de marcas que procuram operadores com várias unidades.
Bob’s, Chiquinho, Milon, Morana, Plié e Casa Bauducco destacaram a participação de multifranqueados em seus planos.
Esse perfil interessa às redes porque já conhece os padrões operacionais, possui equipes administrativas e tende a abrir novas unidades com maior velocidade. Também reduz o custo de seleção e treinamento de novos parceiros.
Para o investidor, operar várias lojas pode gerar escala em compras, gestão de pessoal, marketing e controle financeiro. Ao mesmo tempo, aumenta a exposição a uma mesma marca ou setor.
A expansão por multifranqueados também pode elevar a concentração da rede. Se um grande operador enfrentar dificuldades financeiras, várias unidades podem ser afetadas simultaneamente.
Projeções exigem análise antes da assinatura do contrato
A quantidade de oportunidades e os números apresentados na feira não eliminam os riscos inerentes ao franchising.
Estimativas de faturamento, margem e prazo de retorno são projeções fornecidas pelas próprias marcas. O desempenho real depende do território, da concorrência, do aluguel, da execução do franqueado, da disponibilidade de capital de giro e das condições econômicas.
Antes da assinatura, o candidato deve analisar a Circular de Oferta de Franquia, documento que precisa apresentar informações sobre investimento, taxas, balanços, pendências judiciais, relação de franqueados e unidades encerradas.
Também é necessário conversar com operadores atuais e antigos, comparar os resultados de lojas maduras com os de unidades recentes e calcular quanto tempo o negócio pode funcionar sem gerar lucro.
No caso de microfranquias home based, a principal dificuldade pode estar na prospecção comercial. Em lojas automatizadas, perdas, manutenção e abastecimento exigem atenção. Nas operações de alimentação, desperdício, escala de funcionários e custo dos insumos pressionam margens.
ABF Expo mostra franquias menores, mas gestão mais complexa
A edição de 2026 mostrou que o mercado brasileiro de franquias está reduzindo o tamanho de muitas operações, mas aumentando a complexidade da gestão.
Uma unidade pode ocupar poucos metros quadrados ou funcionar sem loja, porém depende de plataformas digitais, análise de dados, meios de pagamento, marketing local, logística e integração com a franqueadora.
Grandes redes continuam expandindo, mas enfrentam consumidores mais exigentes e concorrência de marcas com modelos enxutos. Empresas emergentes ganham velocidade com automação, mas precisam provar que seus formatos são sustentáveis fora do ambiente promocional da feira.
A ABF Expo 2026 apresentou um setor que tenta equilibrar escala e rentabilidade, inovação e padronização, redução de custos e qualidade de atendimento. O número de opções para investidores aumentou, mas a necessidade de seleção criteriosa também.
Mais do que uma vitrine de marcas, o evento revelou uma nova etapa do franchising brasileiro: operações compactas, uso intensivo de tecnologia, avanço dos multifranqueados e disputa por territórios fora dos grandes centros. O sucesso dessas estratégias será medido não pelo volume de contratos assinados nos estandes, mas pela sobrevivência e pela rentabilidade das unidades abertas nos próximos anos.











