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Ibovespa dispara quase 3% com inflação abaixo do esperado e bancos em forte alta

Principal índice da B3 fechou aos 177.866,38 pontos, no maior nível desde maio, após IPCA de junho reforçar apostas em novo corte da Selic; apenas uma ação terminou em queda

por Camila Braga
10/07/2026 às 19h56
em Ibovespa
Ibovespa Fechamento - Gazeta Mercantil

O Ibovespa fechou em forte alta de 2,97%, aos 177.866,38 pontos, nesta sexta-feira, 10 de julho de 2026, impulsionado pela inflação abaixo do esperado e pela rápida queda das taxas de juros futuros. A surpresa positiva com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo provocou uma reavaliação das expectativas para a política monetária e desencadeou uma onda de compras em bancos, varejistas, construtoras e outras empresas mais sensíveis ao custo do crédito.

Foi a maior valorização diária do principal índice da B3 desde março e o maior patamar de fechamento desde 25 de maio. A alta também garantiu ganho acumulado de 2,18% na semana, apesar da volatilidade provocada nos pregões anteriores pelas oscilações do petróleo e pelas tensões geopolíticas no exterior.

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O movimento foi amplo. CSN Mineração (CMIN3), Auren Energia (AURE3) e Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) lideraram as altas, enquanto Magazine Luiza (MGLU3) avançou mais de 7%. Entre as ações de maior peso, os bancos subiram em bloco e exerceram influência decisiva sobre o índice.

Apenas a Prio (PRIO3) encerrou o pregão no campo negativo, pressionada pela manutenção do imposto de 12% sobre as exportações de petróleo bruto por mais 60 dias. A queda da petroleira, porém, foi limitada a 0,29% e teve pouco efeito diante da valorização generalizada da Bolsa brasileira.

Ibovespa hoje em números

Fechamento: 177.866,38 pontos
Variação no dia: alta de 2,97%
Variação na semana: alta de 2,18%
Volume financeiro no Ibovespa: R$ 19,1 bilhões
Volume financeiro na B3: aproximadamente R$ 25 bilhões
Dólar comercial: R$ 5,108, em queda de 0,28%
Taxa Selic: 14,25% ao ano
Principal influência positiva: IPCA abaixo do esperado e queda dos juros futuros
Única ação em queda: Prio (PRIO3), com baixa de 0,29%

IPCA muda expectativas para a Selic

O principal gatilho do pregão foi a divulgação do IPCA de junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A inflação oficial avançou 0,16% no mês, bem abaixo da mediana das projeções do mercado, próxima de 0,31%.

O resultado também mostrou forte desaceleração em relação a maio, quando o índice havia subido 0,58%. No acumulado de 2026, o IPCA chegou a 3,36%. Em 12 meses, a taxa passou de 4,72% para 4,64%.

A diferença entre o resultado efetivo e as projeções provocou uma correção imediata nos contratos de juros futuros. O mercado passou a atribuir maior probabilidade a uma nova redução da Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária.

O Banco Central já havia reduzido a taxa básica para 14,25% ao ano em junho. Até a divulgação do IPCA, parte dos investidores considerava possível uma pausa no ciclo de flexibilização monetária diante da resistência da inflação de serviços, do mercado de trabalho aquecido e das incertezas fiscais.

O número de junho alterou esse equilíbrio. Embora um único indicador não determine a decisão do Copom, a desaceleração mais intensa do que a esperada reduziu o receio de que a inflação exigisse a manutenção dos juros no patamar atual por um período prolongado.

Bancos lideram movimento entre as ações de maior peso

As ações dos grandes bancos estiveram entre as principais responsáveis pelo salto do Ibovespa. As units do Santander Brasil (SANB11) subiram 5,22%, enquanto os papéis preferenciais do Bradesco (BBDC4) avançaram 4,78%. Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 4,02%.

O desempenho em bloco teve impacto expressivo sobre o índice porque o setor financeiro representa parcela relevante da carteira teórica do Ibovespa. Em um pregão no qual quase todas as ações subiram, a valorização das instituições financeiras ampliou a intensidade do movimento.

A reação dos bancos combinou a queda dos juros futuros com uma recomposição de posições em ações de elevada liquidez. Taxas menores podem estimular o crédito, reduzir a inadimplência e melhorar as perspectivas para a atividade econômica, ainda que o efeito sobre cada instituição dependa da composição de suas carteiras e de sua estratégia comercial.

Além dos bancos, seguradoras, empresas de meios de pagamento e companhias expostas ao consumo doméstico também foram beneficiadas. A leitura predominante foi de que uma trajetória menos restritiva para a Selic poderia melhorar o ambiente operacional dessas empresas nos próximos trimestres.

Magazine Luiza salta com alívio na curva de juros

A Magazine Luiza (MGLU3) subiu 7,41% e voltou a figurar entre os destaques do Ibovespa. O papel costuma reagir com intensidade às mudanças nas expectativas para os juros por causa da dependência do varejo em relação ao crédito, ao parcelamento e à renda disponível das famílias.

A queda dos contratos futuros reduziu a taxa usada pelo mercado para calcular o valor presente dos resultados esperados das empresas. Esse movimento tende a favorecer companhias de crescimento, varejistas, construtoras e empresas com maior nível de endividamento.

O avanço não ficou restrito ao Magazine Luiza. A melhora da percepção sobre a inflação desencadeou compras em diferentes segmentos ligados ao mercado interno, transformando o pregão em uma alta disseminada e não apenas concentrada em poucas ações de grande peso.

A amplitude do movimento também diferenciou esta sessão de outras altas recentes, nas quais o Ibovespa havia sido sustentado principalmente por Petrobras, Vale ou bancos. Nesta sexta-feira, praticamente toda a carteira respondeu à mudança nas expectativas de juros.

Mineração e siderurgia ocupam o topo do índice

A CSN Mineração (CMIN3) registrou a maior alta do Ibovespa, com valorização de 8,28%. A Auren Energia (AURE3) avançou 8,22%, enquanto a Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) subiu 7,92%.

O desempenho das empresas de mineração e siderurgia combinou o movimento geral de redução do prêmio de risco com fatores específicos de cada companhia. No caso da CSN e de sua subsidiária de mineração, o avanço foi reforçado pela procura por ações que vinham negociando com forte desconto.

A Auren também se destacou em um pregão favorável para empresas de energia elétrica. O setor tende a reagir positivamente à queda dos juros porque muitas companhias possuem receitas previsíveis, contratos de longo prazo e são avaliadas como alternativas para investidores interessados em dividendos.

Maiores altas do Ibovespa

CSN Mineração (CMIN3): alta de 8,28%
Auren Energia (AURE3): alta de 8,22%
Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3): alta de 7,92%
Magazine Luiza (MGLU3): alta de 7,41%
Santander Brasil (SANB11): alta de 5,22%

Prio é a única ação em queda

A Prio (PRIO3) terminou o pregão com recuo de 0,29%, sendo a única ação da carteira do Ibovespa a fechar no campo negativo.

A companhia foi pressionada pela decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior de manter uma alíquota de 12% sobre as exportações de petróleo bruto por 60 dias, a partir desta sexta-feira.

O imposto afeta diretamente empresas que exportam parte relevante de sua produção. Como a Prio possui maior exposição proporcional às vendas externas de petróleo, o mercado avaliou que a medida poderá reduzir sua geração de caixa durante o período de vigência.

A decisão também atingiu a percepção sobre outras petroleiras, mas o efeito foi parcialmente neutralizado pela alta generalizada da Bolsa e pela relativa estabilidade do Brent. O contrato de referência internacional recuou 0,38%, para US$ 76,01 por barril.

Dólar cai com entrada em ativos brasileiros

O dólar comercial fechou em queda de 0,28%, cotado a R$ 5,108 para venda. A moeda norte-americana perdeu força à medida que o resultado da inflação ampliou o interesse por ações e títulos brasileiros.

O movimento não significa que juros menores sejam necessariamente positivos para o real. Em condições normais, uma redução da Selic diminui o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Nesta sessão, porém, prevaleceu a percepção de que a inflação mais baixa permitiria cortes graduais sem comprometer a estabilidade dos preços.

A melhora do apetite por risco no exterior também ajudou. Os índices de Nova York encerraram o dia em alta moderada, apoiados principalmente por empresas de tecnologia, enquanto investidores acompanharam contatos diplomáticos envolvendo Estados Unidos e Irã.

A estabilização do petróleo reduziu parte das preocupações com uma nova rodada de pressão inflacionária global. Isso favoreceu bolsas de países emergentes e ajudou o Ibovespa a ampliar os ganhos durante a tarde.

Inflação e Copom seguem no centro das atenções

A alta desta sexta-feira reposicionou o Ibovespa próximo dos maiores níveis observados em 2026, mas a continuidade do movimento dependerá de novos sinais sobre inflação, atividade econômica e condução da política monetária.

Na segunda-feira, o mercado acompanhará o Relatório Focus do Banco Central, que reúne as projeções de instituições financeiras para IPCA, Produto Interno Bruto, câmbio e Selic. O levantamento poderá mostrar em que medida a surpresa com a inflação de junho alterou as estimativas para o encerramento do ano.

Investidores também continuarão monitorando a curva de juros futuros e as declarações de integrantes do Banco Central. A expectativa de corte da Selic em agosto ganhou força, mas ainda estará condicionada ao conjunto de dados disponível até a próxima reunião do Copom.

Depois de subir quase 3% em uma única sessão, a Bolsa brasileira entra na nova semana com a inflação novamente no centro da formação dos preços. O mercado buscará confirmar se o IPCA de junho representou uma mudança consistente na dinâmica inflacionária ou apenas um alívio pontual dentro de um cenário que ainda exige cautela.

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