Trump e Modi adotam tom conciliador em busca de um acordo comercial Índia-EUA
Otimismo nas negociações bilaterais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, voltaram a adotar um tom conciliador e demonstraram otimismo em relação a um acordo comercial Índia-EUA. Após meses de tensões envolvendo tarifas e a compra de petróleo russo por Nova Délhi, os dois líderes sinalizaram que as próximas conversas podem destravar entraves que há anos dificultam o avanço da parceria econômica entre as duas maiores democracias do mundo.
Contexto da tensão entre Índia e EUA
Nos últimos meses, as relações bilaterais oscilaram entre momentos de cooperação e atritos comerciais. O ponto mais sensível tem sido a decisão da Índia de ampliar a importação de petróleo russo, prática criticada por Washington, que busca pressionar Moscou no contexto da guerra da Ucrânia.
Em agosto, Trump impôs uma tarifa adicional de 25% sobre as importações indianas, elevando as taxas para até 50%, patamar considerado um dos mais altos aplicados a parceiros comerciais estratégicos dos EUA. Essa medida foi vista por analistas como um duro golpe nas relações bilaterais.
Nova fase nas negociações
Apesar das tensões, o discurso mais recente dos dois líderes aponta para uma tentativa de reconciliação. Modi afirmou que as negociações poderão liberar o “potencial ilimitado da parceria Índia-EUA”. Já Trump destacou estar confiante em um desfecho bem-sucedido, classificando o relacionamento bilateral como “especial”.
A sinalização positiva ocorre em meio a relatos de que Trump teria sugerido à União Europeia a aplicação de tarifas de 100% sobre Índia e China, como forma de ampliar a pressão contra Moscou. Mesmo assim, o líder norte-americano enfatizou que não vê dificuldades para avançar rumo a um entendimento comercial com Nova Délhi.
O papel do petróleo russo
O petróleo continua sendo um dos maiores pontos de discórdia nas conversas. A Índia, que depende da importação de energia para sustentar seu crescimento econômico, mantém compras expressivas de petróleo russo. Nova Délhi argumenta que essa é uma questão de soberania e interesse nacional, não passível de concessão em negociações externas.
Durante a última cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (SCO), Modi reafirmou a importância da parceria energética com Moscou, chamando-a de “especial e privilegiada”. A posição indiana, portanto, indica que qualquer acordo comercial Índia-EUA precisará contornar essa questão sem comprometer a segurança energética do país asiático.
Agricultura e laticínios como entraves
Outro ponto sensível é a abertura dos setores agrícola e de laticínios indianos ao mercado norte-americano. Washington pressiona por maior acesso, mas Nova Délhi resiste, alegando que concessões nessa área poderiam prejudicar milhões de pequenos agricultores que dependem desses setores para sobreviver.
Especialistas avaliam que a Índia, pelo peso de sua economia e relevância geopolítica, acredita poder manter uma posição firme nas negociações, evitando concessões que comprometam sua estabilidade interna.
Estratégia diplomática de Modi
Modi tem buscado equilibrar sua política externa entre a parceria estratégica com os Estados Unidos e os laços históricos com a Rússia, além de manter interlocução próxima com a China em fóruns multilaterais. Essa postura gera desconforto em Washington, mas reflete a visão indiana de atuar de forma independente no cenário internacional.
Ao mesmo tempo, Modi projeta para a população indiana a imagem de um líder capaz de colocar o país no centro das grandes discussões globais. Ao sinalizar otimismo em relação a um acordo comercial Índia-EUA, Modi fortalece a narrativa de que sua diplomacia é capaz de gerar benefícios concretos para a economia doméstica.
Impacto global de um acordo Índia-EUA
Um eventual acordo comercial Índia-EUA teria repercussões muito além das fronteiras dos dois países. De um lado, Washington poderia reforçar sua presença em um mercado de mais de 1,4 bilhão de consumidores, crucial para empresas de tecnologia, energia e agronegócio. De outro, Nova Délhi teria acesso privilegiado ao mercado norte-americano, impulsionando exportações de setores estratégicos como têxteis, farmacêuticos e tecnologia da informação.
Além disso, o entendimento poderia ser interpretado como um movimento geopolítico em meio ao crescente protagonismo da China. Ao se aproximar dos Estados Unidos, a Índia reforçaria seu papel como contrapeso ao gigante asiático na Ásia-Pacífico.
Expectativas para os próximos passos
Trump e Modi devem conversar nas próximas semanas para alinhar pontos práticos das negociações. Analistas afirmam que a sinalização de confiança é importante para acalmar investidores e reduzir as incertezas que pairam sobre as relações econômicas bilaterais.
Se concretizado, o acordo comercial Índia-EUA poderá redefinir os rumos da cooperação entre os países, transformando tensões em oportunidades de crescimento mútuo e ampliando o espaço da Índia no cenário global.






