A agenda econômica desta quarta-feira tem como destaque no Brasil a divulgação da produção industrial de abril pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de indicadores de inflação, PMIs de serviços, fluxo cambial, balança comercial e dados do Banco Central. No exterior, investidores acompanham a pesquisa ADP de empregos privados nos Estados Unidos, indicadores de atividade, estoques de petróleo e o Livro Bege do Federal Reserve, que servirá de base para a próxima decisão de política monetária do banco central norte-americano.
O dia também terá eventos políticos relevantes em Brasília. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza reunião ministerial no Palácio do Planalto, enquanto a Câmara dos Deputados deve votar projeto que permite redução de tributos sobre combustíveis em 2026. O Supremo Tribunal Federal julga ação sobre a aplicação da Lei Maria da Penha em casos de violência de gênero sem vínculo familiar, doméstico ou afetivo.
A combinação entre indicadores econômicos, agenda monetária nos Estados Unidos e movimentações políticas no Brasil tende a influenciar o comportamento dos mercados ao longo do pregão, especialmente juros futuros, câmbio, Bolsa e ativos ligados a commodities.
Produção industrial de abril é o principal dado no Brasil
O IBGE divulga às 9h a Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física de abril. O dado será observado de perto por analistas por indicar o ritmo da atividade industrial no início do segundo trimestre.
Em março, a produção industrial nacional teve alta de 0,1% frente a fevereiro, na terceira taxa positiva consecutiva. Nesse intervalo, o setor acumulou expansão de 3,1%.
Na comparação com março de 2025, a indústria cresceu 4,3%, após recuo de 0,7% em fevereiro e avanço de 0,2% em janeiro. O resultado de janeiro havia interrompido três meses seguidos de queda na produção industrial.
No acumulado do primeiro trimestre, a indústria avançou 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 12 meses, a produção industrial teve alta de 0,4%. A média móvel trimestral em março ficou positiva em 1,0%.
FGV divulga inflação da baixa renda
Antes do dado industrial, a Fundação Getulio Vargas divulga às 8h o Índice de Preços ao Consumidor — Classe 1 de maio. O IPC-C1 mede a inflação para famílias com renda de até 2,5 salários mínimos.
Em abril, o indicador subiu 1,01%, depois de avançar 0,78% em março. No acumulado em 12 meses até abril, o IPC-C1 registrava alta de 3,52%, acima dos 3,03% acumulados até março.
O dado ajuda a medir a pressão inflacionária sobre famílias de menor renda, grupo mais sensível a variações em alimentos, transporte, energia e itens essenciais.
PMIs mostram ritmo do setor de serviços
Às 10h, a S&P Global divulga os PMIs de serviços e composto do Brasil referentes a maio. Os indicadores medem a percepção dos gerentes de compras sobre atividade, novos pedidos, emprego, custos e expectativas.
Em abril, o PMI de atividade de negócios do setor de serviços subiu de 50,1 para 52,3 pontos, indicando expansão moderada. O índice ficou acima da média histórica de longo prazo, de 50,3 pontos.
O PMI composto, que reúne indústria e serviços, avançou de 49,9 em março para 52,4 em abril. O resultado sinalizou retomada da atividade agregada e marcou o ritmo de expansão mais forte em mais de um ano.
Banco Central divulga fluxo cambial e IC-Br
O Banco Central divulga às 14h30 o fluxo cambial semanal até 29 de maio. Na parcial até 22 de maio, o fluxo comercial estava positivo em US$ 5,348 bilhões, com exportações de US$ 13,674 bilhões e importações de US$ 19,023 bilhões.
O fluxo financeiro, por outro lado, estava negativo em US$ 6,811 bilhões. Com isso, o fluxo cambial acumulava saldo negativo de US$ 1,462 bilhão na parcial de maio. A posição vendida dos bancos estava em US$ 28,866 bilhões em 21 de maio.
Também às 14h30, o BC publica o Índice de Commodities Brasil de maio. Em abril, o IC-Br caiu 0,63% em reais. Em 12 meses, o indicador ficou estável, enquanto no acumulado do ano até abril avançou 2,66%.
Em dólares, o IC-Br teve alta de 3,22% em abril, ganho de 14,93% em 12 meses e avanço de 11,23% no ano.
Balança comercial de maio sai à tarde
Às 15h, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulga o resultado da balança comercial de maio.
Na terceira semana de maio, a balança registrou superávit de US$ 1,5 bilhão, com corrente de comércio de US$ 13,5 bilhões. As exportações somaram US$ 7,5 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 6 bilhões.
No acumulado parcial do mês, as exportações somavam US$ 23,5 bilhões e as importações, US$ 17,8 bilhões, com saldo positivo de US$ 5,7 bilhões. No ano, o superávit comercial acumulado era de US$ 30,4 bilhões.
ADP, PMIs e Livro Bege movimentam os EUA
Nos Estados Unidos, a pesquisa ADP de empregos privados será divulgada às 9h15. A leitura anterior mostrou criação de 109 mil vagas, e a expectativa é de abertura de 110 mil postos.
Às 10h45, a S&P Global divulga os PMIs de serviços e composto dos Estados Unidos. As leituras anteriores foram de 51,0 pontos para serviços e 51,7 pontos para o composto. O consenso aponta 50,9 e 51,7 pontos, respectivamente.
Às 11h, o Instituto para Gestão da Oferta publica o PMI de serviços dos EUA. A leitura anterior foi de 53,6 pontos, mesmo patamar esperado pelo mercado.
Também às 11h, o Departamento do Censo divulga as encomendas à indústria de abril. Na leitura anterior, houve alta de 1,5%, e a expectativa é de avanço de 4,6% na margem.
Às 15h, o Federal Reserve divulga o Livro Bege, relatório que resume as condições econômicas atuais nos distritos regionais do banco central norte-americano. O documento será usado como referência para a reunião de política monetária marcada para os dias 16 e 17 de junho.
Fed terá discursos de dirigentes ao longo do dia
A agenda norte-americana também inclui falas de autoridades do Federal Reserve. Às 10h, Michael Barr, vice-presidente de Supervisão do Fed e votante no Fomc, participa de evento.
Às 12h, Austan Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, discursa em evento. Ele não vota no Fomc neste ano.
Às 17h, Lorie Logan, presidente do Fed de Dallas e votante no comitê em 2026, também fará discurso.
As falas serão acompanhadas por investidores em busca de sinais sobre juros, inflação, mercado de trabalho e atividade econômica nos Estados Unidos.
Política entra no radar com reunião ministerial e combustíveis
No Brasil, Lula realiza reunião ministerial a partir das 10h, no Palácio do Planalto. A agenda ocorre em meio a discussões sobre economia, articulação política e projetos prioritários do governo no Congresso.
Às 14h, o plenário da Câmara dos Deputados se reúne para votar, entre outros itens, o Projeto de Lei Complementar 114/26. A proposta cria exceção à Lei de Responsabilidade Fiscal para permitir redução de tributos sobre combustíveis em 2026, com objetivo de mitigar impactos econômicos do choque no mercado internacional de energia causado pelo conflito no Oriente Médio.
O STF também julga ação com repercussão geral sobre a aplicação da Lei Maria da Penha em casos de violência de gênero contra mulheres, mesmo quando não há vínculo familiar, doméstico ou afetivo com o agressor.
Galípolo e Durigan também têm compromissos
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa por videoconferência, às 5h30, do XIX Fórum de Lisboa, promovido pelo IDP, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e pela FGV Justiça.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa da reunião ministerial com Lula entre 10h e 12h. Às 15h, reúne-se com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. Às 16h, terá reunião com o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Ricardo Saadi.
O diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, participa às 11h30 de reunião por videoconferência com representantes do Instituto para Desenvolvimento do Varejo, em Brasília, para tratar de temas regulatórios.
Indicadores podem orientar juros, câmbio e Bolsa
A agenda desta quarta-feira reúne dados relevantes para a leitura sobre atividade econômica no Brasil e nos Estados Unidos. No mercado local, a produção industrial, os PMIs, o fluxo cambial e a balança comercial podem influenciar expectativas para crescimento, inflação e trajetória da Selic.
Nos Estados Unidos, a pesquisa ADP, os indicadores de serviços e o Livro Bege do Fed podem alterar a percepção sobre a política monetária norte-americana. Qualquer sinal de mercado de trabalho mais forte, inflação persistente ou atividade resiliente tende a afetar Treasuries, dólar e apetite global por risco.
Com isso, investidores devem acompanhar os dados ao longo do dia em busca de sinais sobre a direção dos juros, do câmbio e da Bolsa. A agenda combina atividade, inflação, política monetária e decisões políticas, em um dia de forte concentração de eventos para os mercados.








