O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve a liderança sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais divulgadas na semana encerrada neste domingo, 19 de julho. Os levantamentos Genial/Quaest e BTG/Nexus mostram o petista à frente tanto no primeiro quanto no segundo turno, mas apresentam diferenças relevantes sobre o grau de competitividade da eleição presidencial marcada para outubro.
Na pesquisa Genial/Quaest, Lula aparece com 45% das intenções de voto em uma eventual disputa de segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37%. A distância de oito pontos percentuais é superior aos seis pontos observados na rodada anterior, quando o presidente tinha 44% e o senador, 38%.
O BTG/Nexus apresenta uma corrida mais apertada. No confronto direto, Lula tem 47%, ante 44% de Flávio Bolsonaro. A diferença de três pontos coloca os dois candidatos em situação de empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
As pesquisas eleitorais, embora utilizem métodos distintos, convergem em três pontos centrais: Lula permanece numericamente à frente, Flávio Bolsonaro está consolidado como principal representante da oposição e os demais nomes testados ainda não conseguiram romper a concentração da disputa em torno dos dois maiores campos políticos do país.
Quaest amplia distância para oito pontos no segundo turno
A rodada da Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho, por meio de entrevistas presenciais e domiciliares. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
No principal cenário de primeiro turno, Lula alcança 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 28%. O presidente oscilou um ponto para cima em relação à pesquisa anterior, na qual tinha 39%. O senador passou de 29% para 28%.
As mudanças individuais estão dentro da margem de erro. O movimento, porém, aumentou numericamente a diferença entre os dois primeiros colocados de dez para 12 pontos percentuais.
Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 4%, seguido por Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%. Os demais nomes testados registram percentuais ainda menores, reforçando a distância existente entre os dois líderes e o restante do quadro eleitoral.
Em uma eventual segunda etapa da eleição, a vantagem de Lula passou de seis para oito pontos. O presidente oscilou de 44% para 45%, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 38% para 37%.
A trajetória observada desde maio indica uma mudança gradual no confronto direto. Naquele mês, a Quaest mostrava Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 41%, em situação de empate técnico. Em junho, o placar passou para 44% a 38%. Agora, a diferença chegou a oito pontos.
A sequência não significa que o resultado eleitoral esteja definido. Pesquisas eleitorais representam a disposição declarada pelo eleitorado no período em que as entrevistas são realizadas. Mudanças na economia, no ambiente político, nas alianças partidárias e no desempenho das campanhas podem alterar o cenário até a votação.
BTG/Nexus mostra estabilidade e diferença de três pontos
O levantamento BTG/Nexus, divulgado em 13 de julho, ouviu 2.003 eleitores por telefone entre os dias 10 e 12. A pesquisa também tem margem de erro de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
No primeiro turno, Lula registra 40% das intenções de voto, contra 34% de Flávio Bolsonaro. O presidente tinha 42% na rodada anterior e oscilou dois pontos para baixo. O senador permaneceu com os mesmos 34%.
A diferença entre os dois caiu de oito para seis pontos percentuais, mas a variação de Lula ficou no limite da margem de erro. Por essa razão, o resultado é interpretado pelo instituto como um quadro de estabilidade, e não como uma mudança consolidada na preferência do eleitorado.
Ronaldo Caiado aparece com 5%, enquanto Renan Santos e Romeu Zema registram 4% cada. Assim como na Quaest, nenhum dos candidatos posicionados fora dos dois principais polos políticos alcança dois dígitos.
No segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro repetiram exatamente os percentuais da rodada anterior: 47% para o presidente e 44% para o senador. Como os intervalos possíveis dos dois resultados se sobrepõem quando aplicada a margem de erro, o BTG/Nexus classifica o cenário como empate técnico.
A diferença entre os números da Quaest e do BTG/Nexus não constitui, por si só, uma contradição. Os levantamentos foram realizados em períodos semelhantes, mas utilizam formas distintas de selecionar e entrevistar os eleitores. Essas diferenças metodológicas podem produzir resultados variados, especialmente em uma disputa com alto grau de polarização.
Primeiro turno permanece concentrado em Lula e Flávio
O conjunto das pesquisas eleitorais divulgadas nas últimas semanas mostra uma corrida nacional concentrada em Lula e Flávio Bolsonaro. Ainda que os percentuais variem de um instituto para outro, os dois aparecem isolados nas primeiras posições.
Na Genial/Quaest, os dois somam 68% das intenções de voto no principal cenário de primeiro turno. No BTG/Nexus, a soma chega a 74%. A concentração reduz, neste momento, o espaço disponível para o crescimento dos demais candidatos.
O quadro também é identificado em levantamentos anteriores. A AtlasIntel/Bloomberg mostrou Lula com 46,3% e Flávio Bolsonaro com 36,6% no primeiro turno. Em uma disputa direta, o presidente registrou 48,8%, ante 42,3% do senador.
A pesquisa Meio/Ideia apontou Lula com 40,4% e Flávio Bolsonaro com 32% no primeiro turno. No segundo, o placar ficou em 45% a 40% para o presidente.
Embora os números absolutos sejam diferentes, todos esses levantamentos colocam Lula numericamente à frente. A distância varia conforme o instituto, o período de coleta, a composição da amostra e a forma de realização das entrevistas.
Não é metodologicamente adequado somar os resultados ou calcular uma média simples sem considerar essas diferenças. O principal valor da comparação está na identificação de tendências repetidas em pesquisas independentes, e não na busca por um percentual único que represente toda a corrida.
Rejeição limita capacidade de crescimento dos dois candidatos
Além das intenções de voto, os índices de rejeição ajudam a medir a dificuldade enfrentada pelos candidatos para conquistar eleitores fora de suas bases tradicionais.
Na Genial/Quaest, 50% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Lula. A rejeição do presidente havia sido de 53% na rodada anterior. Flávio Bolsonaro passou de 56% para 57%, alcançando o maior percentual entre os nomes avaliados pelo instituto.
Os dados indicam que os dois líderes carregam resistências expressivas. Lula apresenta uma base eleitoral maior no momento, mas ainda enfrenta oposição de metade dos entrevistados. Flávio Bolsonaro, por sua vez, mantém o apoio predominante do campo bolsonarista, mas precisa reduzir sua rejeição para ampliar a competitividade fora desse grupo.
A rejeição elevada dos dois candidatos também influencia a formação das estratégias de campanha. Em eleições polarizadas, parte do eleitorado pode definir o voto não apenas pela identificação com um candidato, mas pela intenção de impedir a vitória do adversário.
Essa dinâmica tende a aumentar a importância dos eleitores independentes, que não se classificam como integrantes permanentes do lulismo ou do bolsonarismo. O desempenho entre esse segmento poderá determinar se a vantagem registrada por Lula será mantida ou se Flávio Bolsonaro conseguirá reduzir a diferença durante a campanha oficial.
Parcela do eleitorado admite mudar de candidato
O BTG/Nexus identificou uma redução no grau de consolidação das escolhas. Entre os entrevistados que indicaram algum candidato no primeiro turno, 70% disseram que a decisão está tomada e não deverá mudar até a eleição. Na rodada anterior, o percentual era de 74%.
Ao mesmo tempo, a parcela que admite alterar o voto passou para 29%. O resultado revela que, embora a maior parte do eleitorado já manifeste uma preferência, quase três em cada dez eleitores que citaram um candidato ainda consideram rever a decisão.
A fidelidade é maior entre os grupos politicamente mais identificados. Entre os chamados lulistas convictos, 87% disseram que não pretendem mudar o voto. No segmento dos bolsonaristas convictos, o percentual chega a 77%.
A diferença demonstra que o núcleo de apoio de Lula aparece mais consolidado nesse levantamento. Isso não significa, contudo, que todos os eleitores que hoje escolhem o presidente estejam definitivamente comprometidos com sua candidatura, nem que Flávio Bolsonaro não possa recuperar terreno durante a campanha.
As pesquisas eleitorais deverão medir, nos próximos meses, se o aumento do contingente disposto a mudar de posição representa uma oscilação pontual ou o início de um período de maior volatilidade.
Terceira via permanece abaixo de dois dígitos
Os nomes apresentados como alternativas aos dois principais candidatos continuam enfrentando dificuldade para ganhar dimensão nacional.
Ronaldo Caiado é o mais bem posicionado entre eles nas rodadas recentes da Quaest e do BTG/Nexus, com percentuais entre 4% e 5%. Renan Santos varia entre 3% e 4%, enquanto Romeu Zema aparece entre 2% e 4%.
Na AtlasIntel/Bloomberg, Renan Santos alcançou 7,8%, resultado superior ao registrado por ele em outras pesquisas eleitorais, mas ainda distante dos percentuais de Lula e Flávio Bolsonaro. Caiado teve 2,9%, e Zema, 2%.
O desempenho abaixo de dois dígitos limita a capacidade desses candidatos de interferir imediatamente na liderança. A manutenção de múltiplos nomes também fragmenta a parcela do eleitorado que rejeita simultaneamente o PT e o bolsonarismo.
Para modificar esse quadro, uma candidatura alternativa precisaria aumentar seu conhecimento nacional, consolidar alianças partidárias, ampliar a presença regional e atrair eleitores que hoje estão divididos entre os dois líderes ou que pretendem votar em branco, anular o voto ou ainda não escolheram um candidato.
Por enquanto, as pesquisas eleitorais não registram uma transferência consistente de apoio capaz de criar um terceiro polo competitivo.
Diferenças metodológicas explicam distâncias distintas
A interpretação dos levantamentos exige atenção à metodologia. A Quaest realizou entrevistas presenciais e domiciliares, enquanto o Nexus utilizou entrevistas telefônicas. A AtlasIntel trabalha com recrutamento digital e apresentou uma amostra maior em sua última rodada nacional.
Cada método alcança os eleitores de forma diferente. Há variações na composição da amostra, no ambiente em que a resposta é dada, na formulação das perguntas e nos mecanismos estatísticos aplicados para representar a população.
A margem de erro também deve ser considerada individualmente. Ela não indica que o resultado real necessariamente estará nos extremos do intervalo, mas expressa o grau de incerteza estatística da estimativa.
No caso do BTG/Nexus, os 47% de Lula podem variar entre 45% e 49%, enquanto os 44% de Flávio Bolsonaro podem ficar entre 42% e 46%. Como os intervalos se cruzam, há empate técnico.
Na Quaest, Lula pode variar entre 43% e 47%, e Flávio Bolsonaro, entre 35% e 39%. Nesse levantamento, os intervalos não se sobrepõem, o que permite apontar vantagem estatística do presidente.
A comparação correta, portanto, não se limita à leitura da diferença nominal. É necessário observar a margem de erro, a evolução dentro da série histórica do mesmo instituto e a repetição da tendência em levantamentos conduzidos por organizações distintas.
Vantagem de Lula redefine pressão sobre as campanhas
A eleição presidencial terá o primeiro turno realizado em 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, os dois mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Com a aproximação do período oficial de campanha, os números passam a influenciar decisões sobre alianças, distribuição de recursos, palanques estaduais, comunicação e participação dos candidatos em eventos públicos.
Lula chega à nova fase com liderança nacional em todos os levantamentos recentes, recuperação de parte da avaliação do governo e redução de sua rejeição na Quaest. O desafio do presidente será preservar a vantagem e ampliar o apoio entre os eleitores que não pertencem à sua base política tradicional.
Flávio Bolsonaro continua isolado como principal candidato da oposição e mantém uma parcela expressiva do eleitorado. Seu maior obstáculo, indicado pelas pesquisas eleitorais, é a rejeição de 57% registrada pela Quaest e a dificuldade de ultrapassar o núcleo bolsonarista em segmentos mais moderados.
Para os demais candidatos, a proximidade do calendário eleitoral aumenta a pressão por crescimento. Sem avanço relevante nas próximas rodadas, a tendência é que a disputa continue organizada em torno do confronto entre o presidente e o senador.
Os levantamentos divulgados na última semana não encerram a incerteza sobre o resultado, mas delimitam o ponto de partida da etapa decisiva da eleição: Lula permanece à frente, Flávio Bolsonaro conserva a condição de principal adversário e a distância entre os dois depende do instituto consultado — mais ampla na Quaest e tecnicamente equilibrada no BTG/Nexus.








